Fenômenos de Telecinesia em Relação aos Acontecimentos de Morte

Fenômenos de telecinesia de aspectos variados

coincidentes com ocorrências de morte

 

Passarei a expor, em seguida, alguns incidentes de telecinesia

de forma variada, começando por dois casos nos quais a ação física se exerce sobre a cama dos percipientes.

 

Caso 18 – Apareceu nos Annales des Sciences Psychiques

(1916, pág. 70). O redator-chefe dessa revista, C. de Vesme, publica a seguinte carta que lhe foi escrita pela Senhora Gillot:

“Eis um fenômeno psíquico que foi observado em Viena

(Isère), em abril de 1915; dele fui informada por minha fi-

lha que aí reside.

Reproduzo um tópico de uma de suas cartas. Querida mamãe, vou contar-te um fato que te interessará.

A mãe Jeanne Dumière morreu. Ela ficou 8 dias no hospi-

tal; ao 8º dia, a irmã que a velava disse ao marido da doen-

te: “Venha amanhã sem falta; V. ou sua filha, porque o es-

tado da Sra. Dumière é grave.”

À noite os membros da família se vão deitar aflitos. Eis

que, quando soavam justamente 4 horas da manhã, a cama

em que se encontravam Joana e sua irmã mais velha foi sa-

cudida, ou antes, levantada com violência.

As duas moças despertaram imediatamente e pensaram:

Mamãe deve ter morrido.

Com efeito, às 4 horas da manhã, a Sra. Dumière exalava

o último suspiro.

Tendo ouvido Joana Dumière contar esse fato a suas

amigas, pedi-lhe que mo explicasse, a fim de to comunicar.

Mme. Gillot, em Clérieux (Drome).”

 

O que parece digno de nota no caso acima é a grande energia

necessária para abalar e levantar uma cama na qual dormem duas pessoas – energia muito superior à que é precisa para fazer parar um relógio ou destacar um retrato de uma parede.

Provavelmente, como já o dissemos, em semelhantes circuns-

tâncias os Espíritos dos defuntos subtraem a força vital dos organismos dos indivíduos presentes.

 

Caso 19 – Eis um segundo caso de levitação de uma cama,

que extraio da revista Luce e Ombra (1916, pág. 142).

A Sra. Annete Boneschi Ceccoli escreve o que se segue, em

19 de março de 1919:

“O Coronel D. F. era excelente pessoa, oficial à antiga e

amigo dedicado. Por se unir, porém, em segundas núpcias,

com mulher de religião diferente da sua, teve acerbas zan-

gas com seus pais.

Os filhos foram, com seu consentimento, educados na re-

ligião materna, enquanto o pai ficava fiel à de seus genito-

res.

Chegada sua última hora e se sabendo condenado por

moléstia incurável, não queria o pobre coronel persuadir-se

que se devia deixar assistir por um ministro de outro culto;

mas a consorte, no interesse dos filhos, achou que ele devia

submeter-se às formas de seu credo.

Não entrarei em detalhes; tenho somente a declarar que

me afastei dessa família, sem cessar, entretanto, de procurar

notícias do pobre oficial.

Tinha então comigo, mais na qualidade de amiga que de

subordinada, uma criada, boa e inteligente moça, Zaira T.,

de temperamento muito nervoso e hipersensível, um tanto

ou quanto histérica e, segundo dizia, dotada de comprovada

mediunidade.

Na tarde de 24 de abril de 1912, Zaira foi à casa do doen-

te para saber, como de costume, notícias suas.

Pedi-lhe mesmo que lá fosse com mais freqüência, para

conhecer das aflições do enfermo, não só por seu mal incu-

rável, como pela obsessão moral de que falei.

A moça voltou, pelo crepúsculo, e me encontrou só, ocu-

pado em dar o jantar ao meu velho Leo (pequeno cão que

havia sido tão caro a meu defunto marido), e que se achava

por afetuosa concessão em meu próprio quarto.

Zaira estava séria e silenciosa.

– Pois bem, que notícias trazes?

– As notícias, as notícias...

(Ela abanou a cabeça.)

– Vai mal, então?

– Não senhora, ele morreu.

Juntei as mãos a essa notícia prevista e exclamei: – Pobre homem! Achou, enfim, a paz!

Mal tinha pronunciado estas palavras, um grande ruído de

ferragens nos fez estremecer e atraiu nosso olhar em dire-

ção à cama, que vimos ambas soerguida de muitos centíme-

tros do solo, para logo recair com ruído.

Nesse momento pensei e disse:

– Há alguém embaixo da cama!

Tendo aberto o comutador, sem bravata, mas sem medo,

apressei-me a verificar; tinha pensado em um homem ocul-

to com más intenções, mas não encontrei nada.

Aproximei-me de Zaira que estava pálida e aterrada, ob-

servando que o cão não havia dado sinal de alarma, mas ti-

nha subido para uma cadeira, com o pêlo eriçado e as ore-

lhas caídas.

Devo acrescentar que o leito era de cobre, muito pesado e

de grandes proporções; o abalo do metal foi como uma tre-

pidação antes de levantar; depois o móvel caiu com pesada

pancada em seu lugar primitivo.

Nunca mais o vi mover-se depois dessa noite.

Zaira não está mais comigo, mas vem muitas vezes fazer-

me companhia e nós nos lembramos juntas da penosa im-

pressão desse momento e do pobre coronel, morto em con-

dições de espírito tão contrárias à paz.

Florença. março de 1916.” (Assinado: Annete Boneschi

Ceccoli.)

No caso referido, a hipótese vibratória – se há ainda alguém

que seja levado a admiti-la – é definitivamente excluída por haver o fenômeno telecinésico se realizado muitas horas depois da morte da pessoa indicada; as chamadas vibrações físicas, desprendendo-se do organismo do moribundo, deveriam ter-se dissolvido muito antes da produção do fenômeno.

É interessante, agora, fazer notar que o fenômeno sucedeu no

momento preciso em que a Sra. Boneschi, recebendo a comuni-cação da morte do coronel, falava a seu respeito, exprimindo o vivo pesar de sua perda – coincidência muito significativa e que se não poderia explicar sem admitir-se a presença espiritual do falecido. Este teria provocado o fenômeno, para mostrar sua gratidão pelos sentimentos expressos em favor de sua pessoa.

Notarei, também, que a citada senhora, falando de sua em-

pregada, disse que ela era dotada de temperamento “muito nervoso, hipersensível, um tanto histérico”, e segundo afirmava, também de comprovada mediunidade.

Pode-se, pois, deduzir que, se o fenômeno telecinésico se

produziu com desacostumada energia, foi devido à presença de um médium, do qual o defunto devia ter retirado a força física necessária para provocá-lo.

 

Caso 20 – No episódio seguinte, que extraio da Light (1910,

pág. 569), trata-se, ainda, de um objeto que se move espontane-amente, se bem que o objeto seja de proporções minúsculas, em comparação com os a que nos referimos nos exemplos que precedem.

Mas o fenômeno não é por isso menos interessante, tanto

mais quanto é referido por Mme. d’Espérance, médium bem conhecida.

O fato produziu-se quando ela convalescia de longa e grave

doença. Ela escreve:

“Há dois anos, quando eu estava na Suécia, um velho

amigo da família, estando sentado perto de minha escriva-

ninha, notou que o meu pequeno relógio de prata, deposto

sobre um móvel, jazia parado e me disse que eu não devia

desprezar objeto tão gracioso. Assim falando, tomou-o,

deu-lhe corda e pô-lo à hora certa. Respondi rindo:

– Já que admira tanto o meu relógio, deixar-lhe-ei como

legado em meu testamento.

– Muito bem – respondeu ele –, mas se eu morrer antes,

não o terei, e então virei buscá-lo em espírito.

– Faça-o, se lhe agradar. Eu a isso o autorizo, desde já. – Obrigado – respondeu-me –. Estamos entendidos: eu

virei, se me for possível.

Meu amigo não era espírita, mas uma espécie de São

Tomé a esse respeito, desejando ardentemente crer.

Muitas vezes esgotava minha paciência por sua argumen-

tação de contraditor irredutível. Não permitia, porém, que

em sua presença se denegrissem os espíritas e o Espiritis-

mo.

Outro dia – e por ser precisamente 30 de outubro – o

mencionado relógio estava colocado sobre a mesinha, perto

de minha cama, onde sempre se conservara durante minha

doença.

Um pequeno ruído desse lado atraiu minha atenção para o

relógio; quando olhava para ele, vi-o dar um pequeno salto,

como se quisesse levantar-se, para depois cair de novo.

Minha enfermeira, que estava perto da mesa, soltou um

grito de espanto e exclamou:

– Mas desta vez não pode ser o vento Norte!

Para compreender esta frase é preciso saber que ultima-

mente se produziram em meu quarto tantas pancadas, ruí-

dos e manifestações diversas, que a criada, Sra. Schaffer,

vivia em contínuo estado de alarma.

Não ousava eu falar-lhe de Espíritos e cada vez que uma

pancada se fazia ouvir ou se produzia qualquer outra mani-

festação inexplicável, tanto auditiva como visual, lhe suge-

ria eu que deviam ser provavelmente devidas ao vento Nor-

te e acrescentava:

– Não há motivo para inquietação; quando o vento sopra

do Norte, ouve-se toda a espécie de pancadas e ruídos.

Ela me pareceu satisfeita com a explicação, visto que não

manifestou excessivo espanto quando os fenômenos se re-

novaram – e isto, ainda que o vento viesse de outro lado.

O fato, porém, de um relógio agitar-se espontaneamente

foi de bastante eloqüência para o seu entendimento e pouco

depois declarava que, uma vez que minha saúde tinha me-

lhorado, não via mais necessidade de dormir em meu quar-

to.

Não me opus, permitindo que ela fosse dormir alhures.

Quanto à significação do movimento do relógio, não tive

nenhuma dificuldade em compreendê-lo.

Na manhã seguinte, a 31 de outubro, recebi a notícia da

morte do meu velho amigo, morte que se tinha dado em

Gotemburgo, na Suécia, em conseqüência de uma operação.

Suponho, naturalmente, que meu amigo, desprendido dos

seus liames corporais e lembrando-se de nossa conversa e

de sua promessa, buscou levantar o relógio para dar-me

parte de sua morte. Soube, em seguida, que ele havia fale-

cido a 28 de outubro, isto é, dois dias antes.” (Assinado: E.

d’Espérance.)

 

Também neste caso o fenômeno telecinésico se realiza muito

tempo depois da morte da pessoa que foi o seu agente. Além disso, o laço entre o defunto, o percipiente e o objeto sobre o qual se exerceu a força supranormal apresenta-se desta vez mais nitidamente, em conseqüência da promessa feita pelo morto; este indicara a intenção de exercer, se lhe fosse possível, sua influên-cia, post mortem, precisamente sobre este objeto.

Tendo-se em conta estas circunstâncias, todas as hipóteses

pseudocientíficas propostas até aqui para explicar esses fatos caem absolutamente e não resta outra possibilidade que não a de atribuí-las logicamente à presença espiritual do falecido.

 

Caso 21 – Neste outro exemplo, que extraio do livro de Ca-

mille Flammarion, Autour de la Mort (pág. 280), o fenômeno telecinésico se exerce sobre uma campainha, como nos episódios análogos, tão freqüentes nas casas “mal-assombradas”.

A. Blavet, presidente da Sociedade de Horticultura de Étam-

pes, diz-nos o que se segue:

“Eu estava no colégio de Sens, em Yonne, e tinha 16

anos, quando recebi uma carta de minha irmã, que habitava

Étampes, com meu pai, minha mãe e uma criada.

Minha mãe sofria muito nessa época.

Uma noite, a campainha, cujo cordão ia da alcova em que

dormiam meus pais ao quarto da criada, no 1º andar, pôs-se

a tilintar fortemente.

Minha irmã veio a toda pressa ao quarto da criada, que

ficava vizinho ao seu, e desceram ambas para se informa-

rem se minha mãe estava doente e por que chamava.

Meus pais lhe replicaram que elas deviam ter sonhado e

que ninguém fizera soar a campainha.

No mesmo instante novo toque se fez ouvir. Meu pai saltou da cama.

O cordão da campainha e o martelo estavam ainda agita-

dos e a criada, fazendo-se de valente, dizia:

– Bate, bate, tu não me metes medo.

Havia, pois, quatro testemunhas bem acordadas e nin-

guém, a não ser uma pessoa da alcova, poderia ter tocado a

campainha.

Em seguida, tudo entrou em ordem. Antes de se deitar de

novo, meu pai viu as horas: eram 2 e meia.

No dia seguinte recebia ele uma carta de Paris, anuncian-

do-lhe a morte de um parente.

Querendo verificar se havia coincidência entre o fato e a

morte, escreveu fazendo indagações e recebeu pronta res-

posta, onde se dizia que fora bem nessa noite e precisamen-

te à hora indicada que se dera a morte do parente, o que

provocou essa exclamação de meu pai:

– Mas então não está tudo acabado conosco?”

Os casos contados até agora, donde resulta a conclusão de

que os fenômenos de que tratamos são provocados pelos faleci-dos, com o fim de anunciar a sua morte às pessoas às quais estão ligados e revelar-lhes sua presença espiritual, autorizam a acredi-tar que aconteceu o mesmo neste último fato, posto que a inten-ção do agente não seja evidente.

Em todo o caso, a circunstância do segundo toque da campai-

nha, que se produziu quase em resposta à objeção dos parentes, que diziam ter sido efeito de um sonho a primeira audição do fenômeno, mostraria a presença da entidade espiritual do defunto e seu desejo de convencer a família, tirando-a do engano.

 

Caso 22 – Foi publicado nos Proceedings of the S. P. R., vol.

XIV, pág. 232.

Os percipientes são a Dra. Anna Luckens e o Senhor W. E.

Ward.

Este último, a 13 de maio de 1887, escreve ao Dr. Hodgson:

“Um incidente estranho produziu-se no gabinete da Dou-

tora Anna Luckens, na tarde do domingo último. Conversa-

va-se a respeito do nosso querido amigo, o Professor Cope,

morto quatro semanas antes de nossa volta de uma excursão

de três meses através do México, da Califórnia e dos Esta-

dos do Nordeste.

Em certo momento, fiz alusão ao interesse que o defunto

havia mostrado pelas pesquisas psíquicas, notando a impor-

tância que teria o fato de se obter algum sinal manifesto de

sua sobrevivência, ou de saberem as suas impressões sobre

a existência espiritual em que ele tinha, havia pouco, in-

gressado.

Mal acabara de exprimir esse desejo, a grande caixa de

música da doutora começou espontaneamente a tocar e as-

sim continuou durante mais de cinco minutos, com grande

espanto nosso.

Estávamos desconcertados. Quando comecei a fazer con-

jecturas sobre a maneira pela qual se poderia explicar, natu-

ralmente, esse espontâneo divertimento musical, justo nesse

momento, como se quisessem responder às minhas obje-

ções, a caixa cessou de tocar tão bruscamente como tinha

começado.

O instrumento havia três meses que não se armava; admi-

tindo que um resto de tensão houvesse ficado na mola, de-

veria ela ter-se afrouxado muito antes, quando o gabinete

da doutora fora submetido aos transtornos de uma mudança

de mobiliário.” (Assinado: W. E. Ward.)

 

Em outra carta o Sr. Ward acrescenta este detalhe:

“Um curioso incidente, que creio ter omitido em minha

carta precedente, produziu-se cerca de um quarto de hora

antes que a caixa de música tivesse cessado de tocar.

Dirigi uma pergunta mental ao defunto Professor Cope,

concebida quase assim: – “Eduardo, foi você quem fez to-

car a caixa?” Imediatamente, três pancadas fortes foram da-

das ao meu lado, no assoalho; mas como isso se produziu

quando a doutora já tinha partido, não me é possível docu-

mentar esse fato com o seu testemunho.”

 

A Dra. Luckens assim se exprime:

“Nada tenho a acrescentar à narrativa do meu amigo

Ward, sobre o incidente da caixa de música, a não ser que

conservo minhas dúvidas quanto à origem supranormal dos

fatos. Foi um incidente certamente desconcertante, porque

estávamos reunidos no gabinete, conversando sobre o de-

funto Professor Cope e desejando obter uma prova qualquer

da sobrevivência; o fenômeno correspondente da caixa de

música, que se pôs espontaneamente a tocar, perseverando

durante alguns minutos, surpreendeu-nos.

Sou, entretanto, levada a crer que se tratasse de uma

coincidência fortuita, devida a causas naturais.” (Assinado:

Doutora Anna Luckens.)

 

A propósito desse fato, é útil lembrar o que dissemos na in-

trodução desta obra, isto é, que os casos de telecinesia em rela-ção com os acontecimentos de morte não devem ser encarados isoladamente, mas cumulativamente. Com efeito, se é verdade que a queda de um retrato ou a parada de um relógio em corres-pondência com um acontecimento de morte nada provam, se se trata de um caso de coincidência acidental, não é menos verdade que essas coincidências se renovam cem vezes, com cem casos de morte, e em conseqüência do acúmulo dessas coincidências vê-se surgir a prova incontestável de uma relação de causa e efeito entre os dois acontecimentos.

Ora, estas observações se aplicam de modo especial ao inci-

dente acima. Se o tomamos, só, é ele sem dúvida explicável pela hipótese das coincidências casuais; mas se o tomamos em rela-ção com tantos outros do mesmo gênero, somos, então, levados a considerá-lo como realmente telecinésico. E isso tanto mais quanto não devemos esquecer os comentários do narrador, ao observar que, se houvesse um resto de tensão na mola da caixa de música, ela se teria afrouxado muito antes, quando o gabinete da doutora foi submetido às reviravoltas de uma mudança, observação interessante do ponto de vista da autenticidade do fenômeno e à qual não se saberia que objeção opor.

Se quisermos, em seguida, levar em conta outro incidente

contado pelo mesmo narrador, que dirigiu uma pergunta mental ao falecido para a confirmação do fenômeno, recebendo como resposta três poderosas pancadas, dadas a seu lado sobre o assoalho, não seria possível duvidar, ainda, da origem telecinési-co-espírita do fenômeno.

A Dra. Luckens duvida, mas reconhece, ao mesmo tempo,

que o incidente é desconcertante e fala por forma a deixar supor que sua dúvida não exprime inteiramente o sentimento de seu espírito.

Para aqueles que, estando dispostos a acolher a explicação

espírita do fato, ficassem perplexos por causa da dificuldade de compreender como o Espírito do defunto estaria presente no gabinete, justamente no momento em que se falava dele, lembra-rei que a dificuldade é unicamente aparente e que é possível perfeitamente explicá-la graças à analogia que apresenta com os fenômenos telepáticos, nos quais uma pessoa, pelo fato de pensar intensamente em outra, se põe imediatamente em relação psíqui-ca com essa outra.

Deveríamos, pois, explicar de maneira análoga o incidente

narrado; não é preciso supor que o Espírito do morto se encon-trasse no lugar, mas que o pensamento dos assistentes, dirigido com intensidade de afeição para o amigo desaparecido, houvesse estabelecido a relação psíquica entre eles; o Espírito desencarna-do teria, então, intervindo para fornecer aos amigos que dele se lembravam a tão desejada prova de sua presença.

 

Caso 23 – No caso seguinte, que extraio do livro de Camille

Flammarion, L’Inconnu, pág. 108, o fenômeno telecinésico exerce-se sobre um piano que toca por duas vezes, com alguns dias de intervalo, em perfeita relação com dois acontecimentos de morte.

Conta-o o pintor suíço Edouard Paris:

“Há cerca de ano e meio, meu pai, uma prima que mora-

va conosco e minha irmã conversavam na sala de jantar.

Essas três pessoas estavam sozinhas no apartamento,

quando ouviram, de repente, tocar piano no salão. Muito in-

trigada, minha irmã toma a lâmpada, vai à sala e vê, perfei-

tamente, algumas notas se abaixarem juntas, fazerem ouvir

sons e levantarem-se.

Ela volta e conta o que observou.

Todos se riram com sua história, vendo no caso, a princí-

pio, efeitos de algum rato.

Como, porém, a testemunha é dotada de vista excelente e,

por nenhuma forma supersticiosa, acharam, por fim, estra-

nhável o fato.

Ora, oito dias depois, uma carta de Nova York faz-nos

saber a morte de um velho tio que habita nessa cidade. Mas,

fato mais interessante, três dias depois da chegada dessa

carta, o piano pôs-se novamente a tocar. Como da primeira

vez, uma notícia de morte nos chegava oito dias depois: a

de minha tia, desta feita.

Meu tio e minha tia formavam um par admiravelmente

unido; eles conservavam grande estima por seus parentes e

pelo seu Jura, lugar onde nasceram.

Nunca o piano se fez ouvir por si mesmo, desde então.

As testemunhas dessa cena vo-la certificarão, quando

quiserdes; nós habitamos no campo, nos arredores de Neu-

châtel e vos asseguro que não somos nervosos.” Edouard

Paris, artista pintor, perto de Neuchâtel, Suíça.

 

Faço notar que neste exemplo as duas manifestações teleciné-

sicas se realizaram em uma região da Suíça, em correspondência com dois acontecimentos de morte que se deram em uma cidade da América do Norte – o que constitui nova prova da falta de base da hipótese “vibratória”, aplicada às manifestações físicas, as quais se determinam de um continente a outro.

Quanto à hipótese das “coincidências acidentais”, ela é refu-

tada pela circunstância de que o fenômeno se repetiu duas vezes em relação perfeita com dois acontecimentos de morte.

O segundo fenômeno confirma, pois, o primeiro, ou mais

precisamente, se à primeira vez que o piano tocou em relação com a morte do tio do narrador fosse isso devido a uma coinci-dência do acaso, não deveria renovar-se três dias depois, em relação com a morte da tia, para não mais recomeçar em seguida. É impossível não ter em linha de conta essas circunstâncias que demonstram, de modo absoluto, a existência de uma relação de causa e efeito entre os dois acontecimentos.

O mesmo se pode dizer da pretendida explicação dos fenô-

menos por uma causa natural, como o fizera a princípio o próprio relator, supondo que o misterioso acontecimento primitivo tivesse no fundo, por causa, a entrada de algum rato na caixa harmônica; nesse caso, o incidente não se deveria ter repetido e em perfeita relação com um segundo acontecimento de morte na família; há ainda a reparar que um rato não poderia fazer vibrar as cordas nem baixar as teclas de um piano.

Excluindo as três hipóteses acima, somos necessariamente

compelidos à hipótese espírita, segundo a qual as duas manifes-tações telecinésicas demonstram a presença espiritual dos defun-tos, que os teriam provocado com o fim de anunciar sua morte e fazer conhecer a presença espiritual deles aos parentes que se achavam longe.

Caso 24 – Foi registrado nos Proceedings of the S. P. R. (vol.

XIX, pág. 243); trata-se de incidente estranho e interessante, no qual o fenômeno telecinésico se exerce sobre um anel. O narra-dor, Sr. Glardon, comunicou os nomes dos protagonistas à direção da S. P. R., com o pedido de os não publicar. Escreve ele, em data de 31 de agosto de 1894:

“Uma de minhas amigas, Sra. F..., filha de célebre geólo-

go, conta-me um caso surpreendente de telepatia, de que foi

testemunha.

O caso passou-se há alguns anos, quando a Sra. F... mo-

rava em Nervi, perto de Gênova, localidade em que costu-

mava passar o inverno.

Estava ela, um dia, sentada nos rochedos da costa, com

uma jovem miss americana, mais tarde esposa de seu filho;

esta conversava, tendo sobre os joelhos a mão enluvada,

quando soltou, repentinamente, um grito de dor.

– Que é, que é? – perguntou a Sra. F...

– Fui picada em um dedo.

E dizendo isto, descalçou a luva, verificando que um anel

que trazia tinha sido rachado. Ela ficou consternada e ex-

clamou:

–Oh, Dona F..., neste momento morre um amigo que es-

timo muito.

Explicou, então: era o anel o presente de um jovem, que

lho havia dado na véspera de partir para os Estados Unidos,

dizendo-lhe:

– Se eu morrer, este anel lhe comunicará a notícia. A Sra. F..., naturalmente, não levou a sério o incidente e,

como nunca se havia preocupado com pesquisas psíquicas,

reprovou à amiga sua credulidade supersticiosa.

Algumas semanas depois, porém, recebeu a nova do fale-

cimento do jovem que tinha dado o anel.

A Sra. F... não me pôde dizer, de modo preciso, se a mor-

te se produzira exatamente no dia em que o anel se quebra-

ra; crê, no entanto, que o poderia afirmar. A Sra. F... é fran-

cesa, mas lê em inglês; se lhe escrever, creio que ela res-

ponderá, confirmando o que acabo de comunicar. De qual-

quer maneira, mando-lhe o seu endereço.” (Assinado: Au-

gusto Glardon.)

 

A direção da Society for Psychical Research escreveu, com

efeito, à Sra. F..., que respondeu pela carta seguinte:

“Senhor,

Em resposta à sua carta, só me cabe confirmar os fatos

que lhe foram comunicados pelo Sr. Glardon.

Efetivamente, encontrava-me em Nervi, no mês de feve-

reiro de 1887, sentada nos rochedos do mar, com uma jo-

vem americana. Enquanto conversávamos alegremente,

tendo ela as mãos imóveis sobre os joelhos, sentiu-se picar

vivamente em um dedo.

Desenluvando-se, verificou que um anel, que trazia sem-

pre nesse dedo, tinha rachado, picando-a.

Ora, é de notar que essa jovem, na véspera de sua partida

para a Europa, havia recebido, de presente, por parte de um

de seus amigos, o referido anel; ao entregá-lo, ele lhe havia

dito que, se lhe sucedesse alguma desgraça, ela seria infor-

mada por meio do anel.

Algumas semanas depois desse acontecimento, que a

consternou, a moça foi informada da morte do rapaz, que se

deu no mesmo dia e à mesma hora em que o anel se partiu.”

(Assinatura por inteiro: E. F.)

 

Em face deste caso, abstenho-me de tocar na hipótese “vibra-

tória”, porque seria ridículo discuti-la.

Outro tanto poderemos dizer da hipótese das “coincidências

acidentais”, que neste caso, como já em outros, é tornada inad-missível, pela observação preventiva feita pelo doador do anel, de que este serviria para transmitir à moça o aviso de sua morte.

Tratava-se, pois, de outra promessa feita durante a vida e

cumprida depois da morte, como tantas que se conhecem, pro-messa e cumprimento que apresentam valor decisivo na pesquisa das causas. Os fatos não poderiam, por conseguinte, ser atribuí-dos ao capricho de uma coincidência fortuita, sem que caíssemos no arbitrário e no absurdo.

Observo, ainda, que estas considerações equivalem a reco-

nhecer que, como explicação dos fatos, a hipótese espírita é a única admissível.

 

Caso 25 – Eu o extraio da Revue Scientifique et Morale du

Spiritisme (1920, pág. 141).

É um fato muito interessante que, como o precedente, tem por

base uma promessa explícita formulada, quando vivo, pelo defunto que se manifesta e, segundo a qual, ele anunciaria sua morte aos amigos, produzindo determinado fenômeno.

O caso é relatado pela Sra. Helen Speakmann, mulher do Dr.

Howard Draper Speakmann, de Filadélfia; a narrativa foi dirigi-da ao Comandante Mantin, que a havia pedido, a fim de transmi-ti-la à citada revista.

Eis o que escreve a Sra. Speakmann:

“Retardei por muito tempo a minha promessa de enviar-

lhe, para que fosse publicado, o relato de um acontecimento

de que muito nos temos ocupado, o Sr. Howard e eu.

É para ser-lhe agradável, meu caro Paulo, que temos,

Howard e eu, reunido uns após outros, ainda mesmo os me-

nores elementos dessa história, tão simples para nós, tão es-

tranha para aqueles que não ousam levantar o véu com que

a Natureza divina se praz em ocultar seus segredos.

Um de nossos amigos, capitão do 18º Regimento de In-

fantaria, da guarnição de Pau, havia-nos falado de um jo-

vem lugar-tenente, instruído, inteligente, católico fervoroso

e ávido por ouvir conversar sobre o Espiritismo.

Autorizamos o Capitão Gaby a apresentar-nos ao Lugar-

Tenente Dufauret, e logo lhe conquistamos a simpatia.

Ele assistiu a várias sessões espíritas e as acolheu, a prin-

cípio, com muita frieza e reserva, declarando que desejava

muito crer, mas... depois de ter visto.

Isso poderia ter durado muito tempo; mas, uma noite, na

ausência de Dufauret, recebemos a visita de uma entidade

do Além, que se manifestou por pancadas na mesa, dizendo

ser o avô do Lugar-Tenente Luís Dufauret e que vinha

agradecer-nos o acolhimento amável concedido a seu neto.

Deu-nos, sobre a infância deste, detalhes íntimos que se-

ria inútil repetir aqui. Antes de retirar-se contou-nos que,

em seus últimos anos, sofria de dores reumáticas, que o

obrigavam a caminhar com o corpo vergado, “de quatro”, e

que tinha ouvido muitas vezes os netos dizerem-lhe rindo: –

Olhe vovô Ziguezague! – Se Luís duvidar desta narrativa,

vocês só têm a dizer-lhe que ela vem do vovô Ziguezague.

Na sessão seguinte, contamos o caso a Dufauret, que não

pôde esconder sua forte emoção e nos declarou:

– Eis, desta vez, uma prova indubitável, como eu o dese-

java; ela é exata em todos os pontos. Ninguém, no Regi-

mento, nem em Pau, sabe destas particularidades de família,

passadas em minha infância, e como não me é possível ne-

gar que essa comunicação tivesse provindo de meu avô,

dou-me por convencido e me declaro espírita.

Sem demorar em dizer-lhe de nossas boas relações, penso

que lhe será fácil compreender que quando Dufauret foi

promovido a capitão, em 1908, no 48º Regimento de Infan-

taria, e teve que ir para a guarnição de Givet, Howard e eu

sentimos real pesar ao ver partir esse rapaz inteligente, vivo

de espírito, sensível, que uma intimidade de bom quilate ti-

nha feito nosso amigo –, amigo, ah!, que não devíamos

mais rever.

No momento das despedidas pediu-nos ele que fizésse-

mos uma promessa mútua: a de que aquele que morresse

primeiro viria provar aos outros dois que a alma é imortal, e

o jovem capitão acrescentou:

– Se for eu o designado pelo destino para precedê-los no

Além, prometo voltar a esta casa hospitaleira em que, vivo,

fui tão bem recebido. Baterei à porta desta sala, como o fa-

ço habitualmente, e depois de alguns instantes atrair-lhes-ei

a atenção mais particularmente, apanhando o interruptor

elétrico de uma lâmpada que apagarei ou acenderei con-

forme o momento.

De Givet, o capitão nos deu muitas vezes notícias suas,

assegurando-nos que continuava seus estudos espíritas, dos

quais, declarava ele, compreendia cada vez mais a bela e

grandiosa filosofia.

Cerca de dois anos depois de sua partida, caiu doente,

com uma broncopneumonia grave e entrou para o hospital

de Givet, de onde nos escreveu dizendo que sofria de fre-

qüentes sufocações, mas que o Corpo de Saúde o dera em

convalescença e que o belo céu azul e o ar puro de Béarn,

seu país natal, cedo o poriam em pé; terminava a carta

anunciando-nos sua visita na próxima semana, com o que,

dizia, sentia grande alegria.

Esperávamos, pois, esse guapo rapaz, com uma impaci-

ência igual à sua, quando uma noite, estando assentados no

salão, meu marido, o Sr. Alen, um compatriota americano

que tinha vindo passar uma quinzena em Nirvana e eu, ocu-

pados em ler, ouvimos três pancadas na porta da sala; isso

nos surpreendeu, porque era quase meia-noite; todas as por-

tas e janelas estavam fechadas e havia muito tempo que os

criados tinham subido para os seus quartos, no 2º andar.

Acrescentarei, para que não haja nenhuma dúvida, que as

duas escadas de serviço davam somente para o interior e

que seria preciso, para abrir a grande porta do vestíbulo,

que um criado atravessasse a sala, sob nossas vistas.

Howard, ao ruído das pancadas, respondeu instintivamen-

te: – Entre! – e não obteve resposta.

Levantamo-nos, então, os três, muito intrigados, e fomos

ver quem seria o visitador que de tal forma batia a tais ho-

ras.

Tanto a antecâmara como o vestíbulo estavam ilumina-

dos, mas ali não havia ninguém.

Voltamos para a sala, a tomar os nossos lugares, sem

acreditar, no entanto, que nos tivéssemos enganado.

Howard, pensativo, me disse com um tom um tanto per-

turbado:

– Helen, não podiam ser as pancadas de Dufauret?

Eu partilhava de suas dúvidas e ficamos conversando a

respeito do amigo, cuja volta esperávamos dentro de dois

ou três dias.

– Pode ser – disse-nos o Sr. Alen – que seja este um meio

telepático empregado por esse oficial para anunciar-nos sua

próxima chegada.

Mal tinham sido pronunciadas estas palavras, surgiu, su-

bitamente, na segunda sala, que era separada da nossa por

um grande vão, o clarão fulgurante de uma luz vermelha.

Corremos para verificar estranho fato: uma lâmpada ver-

melha, de 40 velas, que estava em elevado lampadário e de

que nos não podíamos servir pela dificuldade de introduzir

o comutador na tomada da corrente, acabava de acender-se.

Ora, o fio elétrico, inutilizado com o comutador, estava

enrolado em torno da coluna e grande foi a nossa surpresa

vendo o fio desenrolado e o botão no lugar.

Não demonstra isso a inteligência da entidade invisível?

Se ela tivesse acendido ou apagado uma lâmpada branca,

poderia o fato passar despercebido, visto como estavam

iluminadas as duas salas.

Apesar das dúvidas possíveis, pois esperávamos Dufauret

no dia seguinte ou nos subseqüentes, poderíamos deixar de

crer que era ele quem vinha dar cumprimento à sua promes-

sa e de maneira tão inteligente?

Ah! Ao outro dia, nenhuma ilusão mais foi possível; um

telegrama proveniente de Givet anunciava à família de Du-

fauret sua morte acidental, sobrevinda apenas algumas ho-

ras antes do fenômeno espírita que, com tanto pesar, lhe

comunico, meu caro Paulo.

Tomado das sufocações dolorosas de que nos havia fala-

do e num espasmo que lhe dilacerava o peito, Dufauret

abrira a janela para poder ter um pouco mais de ar, e incli-

nando-se um tanto para fora, a fim de chamar alguém, sem

dúvida perdeu o ponto de apoio e caiu no pavimento do pá-

tio do hospital, aos pés de sua ordenança, que acabava de

deixar o seu capitão, para ir buscar-lhe o jantar.

Teve morte instantânea.

O corpo do infeliz capitão foi acompanhado a Pau, por

um oficial, seu camarada, e enterrado com as honras mili-

tares, em presença de todos os oficiais do 18º Regimento,

que tinham por ele fraterna afeição, e de numerosa assistên-

cia que cercava a inconsolável família do nosso pobre ami-

go.

Assim, havia deixado a vida, em primeiro lugar, o mais

moço de nós três e, apenas se passara para o Além, apressa-

ra-se a pôr em execução sua promessa.

É útil acrescentar que, desde então, ele não está longe de

nós, que não deixou o plano terrestre e que vem muitas ve-

zes comunicar-se conosco.

Assinamos ambos, meu marido e eu, Helen Speakmann,

Howard Draper Speakmann, doutor, de Filadélfia.”

 

A respeito deste acontecimento é útil lembrar outro caso aná-

logo, não menos notável, que narrei em minha obra Fenômenos de Assombração (cap. IV, caso K), no qual um amigo ateu, Benjamin Sirchia, promete ao Dr. Vincent Caltagirone que, se lhe acontecesse morrer antes, viria dar-lhe parte da grande nova de sua sobrevivência, fazendo-se reconhecer por manifestação especial: a de quebrar qualquer coisa no lustre central da sala em que se achavam.

Com efeito, morrendo o primeiro, longe de casa, e sem que o

Dr. Caltagirone o soubesse, cumpriu a palavra, anunciando-se, a princípio, por pancadas no lustre em questão, e depois fendendo nitidamente, em duas partes, o abajur móvel colocado sobre a chaminé da lâmpada e pondo embaixo, em linha perpendicular, o pedaço destacado do abajur, isto é, num lugar onde não poderia ele ter caído naturalmente, por causa do recipiente de petróleo que o teria impedido. Tudo isso três dias depois de sua morte.

Lembrarei, também, que nos casos 2, 20 e 24, da presente

classificação, encontram-se três outras promessas feitas pelos indivíduos, quando vivos, e cumpridas, quando mortos.

O primeiro tinha prometido agir depois da morte, sobre seu

retrato, o segundo sobre um relógio pertencente à Madame d’Espérance, o terceiro sobre o anel que uma jovem trazia no dedo; e posto que o valor teórico desses três episódios seja inferior ao dos dois últimos, não deixam, no entanto, de ser, por seu turno, muito notáveis e contribuir eficazmente para apoiar a mesma tese.

Encontramo-nos diante de cinco incidentes de telecinesia, nos

quais o fenômeno aparece como a conseqüência incontestável de promessas explícitas feitas por pessoas, ainda em vida, a seus amigos, e segundo as quais se propunham agir de certo modo sobre um objeto indicado, a fim de anunciar-lhes sua morte e fornecer-lhes uma prova segura da existência e da sobrevivência da alma.

Assim, é de toda a evidência que nenhuma das hipóteses na-

turalistas, propostas até aqui para explicar os fatos, basta para os esclarecer.

A hipótese telepática é insuficiente, visto como nos achamos

em face de manifestações de ordem física que, além disso, se realizam, muitas vezes, bastante tempo depois da morte do agente.

A hipótese vibratória deveria ser submetida à lei física do

quadrado inverso das distâncias, o que, de forma alguma, se produz nos fatos que temos examinado; por outra parte, essa suposta força não poderia agir inteligentemente sobre designado objeto, o que se vê constantemente na prática.

Enfim, a hipótese das “coincidências fortuitas” também não

cabe, observando-se que se trata muitas vezes de promessas feitas durante a vida e cumpridas depois da morte em todos os detalhes – promessas satisfeitas com discernimento, por forma a mostrar uma vontade dirigente.

Se assim é, se esses argumentos são irrefutáveis, se não pode-

rá deixar de reconhecê-lo todo contraditor honesto, é forçoso concluir que a única solução racional do mistério é a que consis-te na admissão real, in loco, da entidade espiritual do defunto, interessada nos acontecimentos; ou, em outros termos, no reco-nhecimento da legitimidade da hipótese espírita como explicação dos fenômenos de “telecinesia em relação com os acontecimen-tos de morte”.