Fenômenos de Telecinesia em Relação aos Acontecimentos de Morte
Primeira categoria
Mediunidade musical
Limitar-me-ei a tratar desta primeira categoria de comunica-
ções de modo sumário, porque constituem elas parte integrante da fenomenologia mediúnica propriamente dita (isto é, consis-tindo na realização provocada ou experimental), e devem, pois, ser examinadas com o conjunto da fenomenologia em questão; a música transcendental, que é objeto da presente obra, pertence ao grupo das manifestações espontâneas.
Quanto à história, é de notar que as manifestações da mediu-
nidade musical se têm realizado desde a origem do movimento espírita.
Com efeito, a obra de E. W. Capron, Modern Spiritualism,
publicada em 1855, ensina-nos que, com a presença do médium particular, o Sr. Tamblim, ouviam-se ressoar as notas de um instrumento musical inexistente e que acompanhava o canto de pessoa que fazia parte do grupo.
Conta o Sr. Capron:
“Uma senhora foi convidada a cantar; logo se ouviu,
acompanhando o canto, uma deliciosa música. Assemelha-
vam-se as notas às de uma harpa, sendo, porém, muito mais
doces; ser-nos-ia impossível descrever-lhes a tonalidade.
Outras vezes parecia uma voz angélica; dir-se-ia que se tra-
tava de uma linguagem espiritual.
Em outras ocasiões era o próprio médium que, sem co-
nhecer música, assentava-se ao piano e improvisava mara-
vilhosas melodias, desenvolvendo extraordinária técnica
como se fora experimentado concertista...” (Citado por
Emma Hardinge - Modern American Spiritualism, pág. 57.)
Como se pode ver, já antes de 1855 se produziam as manifes-
tações da mediunidade musical nas duas formas principais, nas quais se produzem ordinariamente: a do automatismo subconsci-ente e a em que se ouvem instrumentos musicais inexistentes.
É sob esta modalidade de realização – a mais interessante do
grupo – que as manifestações da música transcendental chega-ram ao mais alto grau de excelência pela mediunidade de Stain-ton Moses.
Não citarei exemplos desse gênero, dada a grande notorieda-
de de todas as manifestações obtidas com esse médium. Limitar-me-ei a lembrar que as personalidades mediúnicas que se comu-nicavam durante essas sessões imitavam o som de grande núme-ro de instrumentos musicais, entre outros, o tambor, a trombeta, a harpa, a cítara, o piano, o violino, o violoncelo, os tímpanos e os celestes “Fairy Bells”, semelhantes a carrilhões, porém infini-tamente mais doces e mais sonoros; eram ouvidos, de preferên-cia, no jardim, quando Moses, com os outros membros do grupo, estavam tomando chá, assentados sob os olmos.
Eles se faziam ouvir, a princípio, no cimo dos olmos; desci-
am, em seguida, lentamente na direção da assembléia, adquirin-do vigor à medida que se aproximavam do médium e ressoando com tonalidade superior à do piano, quando chegavam a ele. Nessas circunstâncias, os experimentadores levantavam-se, a fim de se dirigirem para a sala das sessões, seguidos pelos sons musicais que eram ouvidos na sala, como sonoridade dupla. (Stanhope Speer: Record of private seances, Light, 1892-1893.)
São ainda mais conhecidas as manifestações musicais obtidas
com o médium Dunglas Home.
Um harmônio funcionava em presença dos experimentadores,
tocando variados pedaços de música, vendo-se-lhes baixarem as teclas, como se mão invisível agisse sobre o teclado; mão que, se bem que invisível, chegava, por vezes, a materializar-se de forma a ser percebida por todos.
Não eram menos conhecidos os casos de mediunidade musi-
cal de realização automática, nos quais o médium se assenta ao piano improvisando trechos de música. Atualmente, o melhor representante desta forma de mediunidade transcendental é o médium Aubert, de Paris (A mediunidade espírita de George Aubert, exposta por si próprio - Paris, H. Daragon, editor.)
Nos casos desta classe é muito difícil fazer uma distinção per-
feita entre a parte subconsciente ou anímica e a parte extrínseca ou espírita do fenômeno.
Daí resulta que, para a pesquisa das causas, não resta outro
caminho a seguir que não o da análise das modalidades comple-xas nas quais se realizam as manifestações, tomando-se na maior conta os fenômenos inteligentes que os acompanham.
Não podemos deixar de reconhecer que, nos casos de Moses
como nos de Home, as manifestações inteligentes, as circunstân-cias de lugares, as provas de identificação pessoal de defuntos, obtidas simultaneamente, formam um conjunto imponente de fatos que convergem para a demonstração da origem espírita das manifestações musicais em questão.