Fenômenos de Telecinesia em Relação aos Acontecimentos de Morte
Quarta categoria
Música transcendental percebida sem
qualquer relação com acontecimentos de morte
À medida que avançamos na classificação dos fatos, sua natu-
reza se torna cada vez mais interessante e misteriosa.
É preciso, entretanto, notar que os episódios pertencentes a
esta categoria dão margem à crítica, porque podemos considerá-los como puramente alucinatórios, em virtude de sua natureza de percepções estritamente pessoais, sem nenhuma relação com acontecimentos de morte ou com outras circunstâncias que revelem um agente extrínseco.
Apresso-me, no entanto, a observar: essa objeção só pareceria
fundada se os fatos dessa categoria fossem tomados separada-mente.
Ora, é fácil de compreender que esta maneira de proceder se-
ria arbitrária e anticientífica. Com efeito, em matéria de classifi-cação, não pode haver outro método de pesquisa que não o da análise comparada, estendida ao conjunto dos fatos, e nunca a uma só categoria, esquecendo-se a classe.
Aquele que procedesse por outra forma não faria obra cientí-
fica e cairia, seguramente, em erro.
Peço, pois, aos leitores que suspendam qualquer juízo a res-
peito da presente categoria.
Caso 9 – Foi registrado no 1º volume da obra de Myers, A
Personalidade Humana .
O percipiente e narrador é o célebre psiquista Doutor R. Hod-
gson, secretário da Society for P. R., nos Estados Unidos.
Escreve ele:
“Um dos acontecimentos de minha existência que mais
me emocionaram sucedeu quando eu tinha 18 ou 19 anos;
foi a audição de música transcendental que, começada du-
rante o sono, continuou quando eu acordei; isso durante
mais ou menos um quarto de hora.
É essa a razão pela qual me lembro perfeitamente.
Na ocasião em que estava sujeito a essa experiência, per-
cebi perfeitamente que ouvia uma música “que não era des-
te mundo”. Não me ficou na memória um motivo especial,
mas posso afirmar que a música era muito complicada, rica
de ritmos, muito doce, e que dava a impressão de homoge-
neidade inefável, parecendo invadir inteiramente a ambiên-
cia.
Fui acordado pela própria música e fiquei a escutá-la em
êxtase.
Lembro-me que, ouvindo-a, meu olhar se fixava numa es-
trela visível, através das persianas semi-abertas. A alva co-
meçava a apontar e a música pareceu diminuir e morrer
com o surgir da aurora.
Todo o gozo intelectual que tenho experimentado em vi-
da com a audição da música terrestre está longe de compa-
rar-se à alegria serena, tranqüila, celeste, que me havia in-
vadido, quando escutava essa música transcendental. Foi tal
o efeito que ela me produziu, que me decidi a tomar lições
de violino, nas quais perseverei durante quatro anos.” (As-
sinado: Doutor Ricardo Hodgson.)
Conforme as observações que fiz acima, abstenho-me de
qualquer comentário.
Eis outro caso análogo, mas que se realizou em condições de
completa vigília:
Caso 10 – Podemos lê-lo no Journal of the American S. P. R.
(1920, pág. 373).
O escritor e poeta norte-americano Bayard Taylor (1825-
1878) conta este fato, que lhe é pessoal:
“Deixemos que os cépticos, os vulgares, os homens que
se dizem práticos, tenham sua opinião; não é menos verda-
de que há na natureza humana a intuição latente da possibi-
lidade de entrar, por vezes, em relação com o mundo super-
sensível. E a experiência demonstra que bem poucas pesso-
as há que não tenham a contar incidentes inexplicáveis pe-
las leis naturais. São coincidências espantosas, pressenti-
mentos realizados; algumas vezes, aparições de fantasmas;
todos os casos que não conseguimos reduzir à hipótese cô-
moda do acaso, e que, portanto, enchem de assombro os
que os examinam.
Certa vez, à 1 hora da madrugada, na acidentada região
do Nevada, pus-me a contemplar a eterna beleza do Norte,
quando percebi, de repente, um som característico, que pa-
recia o do vento na floresta.
Olhei para as árvores; elas estavam imóveis; o som, en-
tretanto, aumentava rapidamente e a tal ponto que o ar, nes-
se vale solitário, parecia vibrar poderosamente.
Um sentimento estranho de expectativa, quase de medo,
me havia invadido. Nenhuma folha se agitava no bosque
quando, instantaneamente, esse zumbido formidável se
transformou em um canto coral, um hino grandioso, canta-
do por milhares de vozes; ele se espalhou rapidamente, de
uma colina a outra, perdendo-se ao longe, na planície, como
o eco de um trovão.
Como em certos prelúdios melódicos tocados pelo órgão,
as notas se superpunham com lentidão e arte majestosas,
grupando-se, em seguida, em temas; depois, o coro maravi-
lhoso, cantado por inumeráveis vozes, acabou por estas pa-
lavras: Vivat terrestriae!
Toda a atmosfera foi invadida pelo canto formidável que
parecia deslizar rapidamente pela superfície do solo em on-
das potentes, sem eco, sem repercussão.
Depois disso, das profundezas dos céus ressoou uma voz
possante, penetrante, insinuante, cheia de doçura celeste.
Muito mais forte que um som de órgão ou de qualquer ou-
tro instrumento terrestre, essa voz sobre-humana parecia
lançar-se em linha reta, através do firmamento, com a ins-
tantaneidade de uma flecha.
Enquanto a grande voz ressoava no alto, aumentando de
força, o coro terrestre se extinguia gradualmente, deixando-
a dominar no céu. Por sua vez, então, decompôs-se em fra-
gmentos de melodias celestiais, infinitamente diversas das
da Terra; dir-se-iam acentos vibrantes de vitória e de júbilo,
enquanto as palavras Vivat Coelum retiniam muitas vezes,
cada vez mais fracamente, como se se retirassem rapida-
mente para as profundezas do céu, no meio dos abismos es-
trelados. E o silêncio não tardou a reinar de novo em torno
de mim.
Eu estava, incontestavelmente, acordado; meu pensamen-
to não divagava em reflexões ou fantasias capazes de suges-
tionar-me. Como se poderia produzir semelhante fato? Co-
mo podem nossas faculdades cerebrais gratificar-nos com
visões ou audições tão inesperadas, superiores ao nosso sa-
ber? Por que estas palavras latinas? Quem foi o autor dessa
música paradisíaca, que me seria tão difícil criar como fora
compor um poema em sânscrito?”
Caso 11 – Na narrativa seguinte, que apareceu na Light
(1898, pág. 347), a audição se produz durante o estado extático. Conta o Dr. Montin, da Faculdade de Medicina de Paris:
“Mlle. M..., moça de 18 anos, histérica e cataléptica, de-
pois de crises extremas e de haver passado por todas as fa-
ses do sonambulismo, com eclosão de uma dupla personali-
dade, apresentou também numerosos fenômenos de exterio-
rização da motricidade, tanto no transe como em vigília.
Um dia, quando nada o podia fazer prever, caiu em transe
e assim permaneceu por mais de duas horas. Fui visitá-la à
tarde, à hora do costume, e os pais me contaram o que se ti-
nha produzido pela manhã.
Hipnotizei-a para obter esclarecimentos a respeito. Eis
textualmente sua narrativa:
“Fui tomada de irresistível necessidade de dormir. Lutei
fortemente, em vão, para vencê-la, e perdi os sentidos, fi-
cando, durante muito tempo, em condições comatosas.
Apesar de não estar o meu espírito muito afastado do
corpo, pude ver-me estendida na cama, como me encontro
neste momento.
Minha inteligência estava alhures e não desejava voltar;
na nova ambiência em que me achava havia outras inteli-
gências iguais às minhas; foram elas que me obrigaram a
entrar em meu corpo. Quanto o lamento! Era tão feliz lá
onde estava! Tudo era belo em torno de mim e eu desejaria
aí ficar para sempre!
Encontrei-me, não sei como, num parque maravilhoso,
em que as árvores, majestosas, eram de mil cores; essas co-
res se combinavam e fundiam com ondas de harmonia ce-
leste, impossíveis de descrever... Minha felicidade não ti-
nha limites, porque a música que eu ouvia era uma música
do paraíso. É preciso dizer que todos os sons que se produ-
zem na Terra, compreendidos os que provêm do desloca-
mento dos objetos, reproduzem-se no mundo espiritual,
transformando-se em música universal, grandiosa, de que se
não pode fazer nenhuma idéia.
Uma folha de papel que se rasga, um pequeno ramo de
árvore que se quebra, uma pedra que se joga, o ruído das
rodas dos veículos, o das estradas de ferro, o do ferreiro que
bate em sua bigorna, o vento, a chuva, o raio: todos os ruí-
dos, do mais fraco ao mais formidável, no mundo em que
me achava, se transformam em música perfeita e grandiosa,
que a nada se pode comparar na Terra. Essas celestes har-
monias haviam encadeado minha vontade; eu me sentia
muito feliz, estava muito fascinada para poder mover-me.
Havia, porém, alguma coisa mais surpreendente ainda: mi-
nha vista dominava um horizonte infinito e eu podia ver,
simultaneamente, de todos os lados.
Fiquei-me, por muito tempo, a escutar e a contemplar,
sem perceber ninguém em torno de mim, mas sabendo, ao
mesmo tempo, que não estava só. Em seguida, de repente,
sem que percebesse o que acontecia, vi-me rodeada de inte-
ligências de que conhecera a presença por intuição. Minha
felicidade chegou ao seu auge, quando, entre elas, notei mi-
nha mãe, com a qual conversei bastante tempo. Vi também
outros parentes e amigos...
Ah! que mundo sublime era aquele! Não me queria retirar
dali; estava abalada pelo pensamento de voltar para cá, para
este mundo vil, em que sufocamos, em que sofremos!...
Consolo-me, pensando que para lá voltarei um dia e para
não mais deixá-lo.”
O Dr. Montin acrescenta:
“O fato que se acaba de ler é muito recente; produziu-se
há dois meses apenas.
No momento em que escrevo, a paciente está completa-
mente curada; sua sensibilidade hipnótica desapareceu.”
Abstenho-me, ainda desta vez, de qualquer comentário, res-
tringindo-me ao valor sugestivo da afirmação da extática, de que todo o som e ruído terrestre se transformam, no mundo espiritu-al, em música grandiosa e solene; esta afirmativa concorda com outras análogas obtidas mediunicamente.
Estas últimas, entretanto, completam de certo modo a idéia,
acrescentando que, “nas esferas superiores, são as vibrações psíquicas do pensamento cumulativo dos vivos que contribuem para criar uma nota na Harmonia do Universo”.
Sem entrar no assunto, não seria inútil salientar que as notas
musicais, como as percebe o ouvido humano, são o efeito da soma de vibrações acústicas que estão em relação numérica entre si; por conseqüência, mesmo em nosso mundo, toda espécie de ruídos poderia, teoricamente, transformar-se em grandiosa e solene música, com a condição única de que as múltiplas grada-ções vibratórias de um ruído qualquer estivessem em relação numérica entre si, constituindo uma gama de tonalidades musi-cais absolutamente análogas às outras gamas musicais.
Não haveria, pois, absurdo na idéia de que todos os sons e ru-
ídos terrestres, penetrando nas esferas espirituais, devam harmo-nizar-se matematicamente entre si, de forma a engendrar uma música transcendental de complexidade e grandiosidade incon-cebíveis para nós; em suma, de forma a constituir um “motivo” do que se chama “Música das Esferas”.
Caso 12 – No episódio que se segue, a audição musical coin-
cide excepcionalmente com um incidente que equivale a uma prova de identificação espírita.
Extraio-o da Light (1893, pág. 161).
O sensitivo percipiente é um homem notável no domínio da
ciência mecânica americana; goza de celebridade nacional nos Estados Unidos e foi amigo do grande filósofo Herbert Spencer.
O fato é contado pela Sra. Hester Poole, nos termos seguin-
tes:
“Há cerca de 6 anos, o cavalheiro de que se trata e que
me autorizou a expor o seu caso nesta revista começou a
perceber notas e acordes musicais de natureza melódica ab-
solutamente esquisita.
Ele é apaixonado pela arte da música, que constitui sua
maior distração, em meio às ocupações severas que o ab-
sorvem. Tem ouvido os melhores cantores e as melhores
orquestras do Velho Mundo. Não obstante, as harmonias
subjetivas que percebe há 6 anos ultrapassam, em beleza,
toda audição musical terrestre, à qual ele tenha assistido ou
que possa mesmo conceber.
Elas são precedidas por longos e doces acordes, que pa-
recem tocados por cornetas. Seguem-se outros instrumentos
e depois outros ainda vêm tecer suas harmonias no concer-
to, até o momento em que o volume complexo e maravilho-
so da onda musical se insinua e domina a tal ponto os senti-
dos do percipiente, que este se vê prestes a cair em síncope.
Sente-se como extasiado e compreende intuitivamente que,
se esse estado se prolongasse além de certo limite, a alma
se exilaria para sempre do corpo, enlevada com o fluxo en-
cantador dessas harmonias do Éden.
Essa música não pode, mesmo, ser comparada à deste
mundo, ainda que, em seu conjunto, sua tonalidade se apro-
xime da do violoncelo e do órgão. As árias são sempre ele-
vadas, nobres, majestosas, muito acima de tudo que se pode
dizer, e têm alguma analogia com a música sacra. Não são
nunca alegres e menos ainda vulgares; somente, algumas
vezes, pela riqueza e volume dos sons, lembram um pouco
certas cenas da grande ópera.
Logo que a orquestra transcendental preludia uma série
de acordes, um coro de vozes maravilhosas, masculinas e
femininas, entra em jogo. Por vezes fazem-se ouvir solos;
outras vezes são duos ou réplicas corais, com vozes de ho-
mem e de mulher. Em certos casos é uma voz de tenor,
muito doce, que seduz e comove.
O percipiente assim se exprime a esse respeito: “Nunca ouvi nada semelhante; não concebia, mesmo, a
possibilidade disso. É uma voz que reconheceria entre mil.”
Essa música, apesar de subjetiva, lhe chega de maneira
repentina e inesperada, como se daria com a música terres-
tre. De ordinário, é de curta duração, uma vez que ela se
prolongou mais que do costume, o doente quase se sentiu
morrer, porque ela produz um estado de êxtase insustentá-
vel para uma fibra mortal. Ele se levantou, passeou, subiu a
escada, saiu de casa, esforçando-se, de diferentes modos,
por libertar-se da fascinação extática; a música, porém, se-
guia-o por toda parte, de quando em quando, e isso durante
todo o dia. Ele assim se exprime:
“O ar parecia saturado de música, que sobrepujava todos
os outros ruídos, invadindo o espaço infinito. Parecia-me
incrível que os outros não a percebessem.”
Quando lhe acontece ouvir a música transcendental, ilu-
mina-se-lhe o rosto, que parece glorificado; o mundo não
existe mais para ele. Nesse momento ele não é mais que um
feixe de nervos sensitivos, no qual se refletem as harmonias
que promanam do “Grande Artista do Universo” e que pal-
pitam eternamente nos espaços intersiderais.
A maior parte de nós, pobres criaturas dominadas pelos
sentidos terrestres, só estamos aptos a recolher as dissonân-
cias dos acordes fragmentários que nos chegam, enquanto
que ele vibra em uníssono com o ritmo do Universo.
A princípio, o meu amigo supunha-se vítima de uma es-
pécie de auto-hipnotização; mas, pouco a pouco, e por dife-
rentes razões, convenceu-se de que, nesses momentos, entra
efetivamente em relação com as esferas espirituais donde
vêm todas as harmonias.
No correr da tarde que precedeu a em que escrevi esta
narrativa, conversava com o meu amigo, quando notei que
ele havia momentaneamente perdido todo o conhecimento
de si próprio: tinha os olhos fechados; os seus traços viris e
enérgicos haviam tomado expressão extática. Compreen-
demos todos que ele escutava essas harmonias diversas que
bem poucos mortais são capazes de perceber.
Tomei-lhe a mão, verificando que um tremor muito sen-
sível lhe abalava todo o corpo. Apressamo-nos a vir auxiliá-
lo a sair dessa espécie de síncope. Logo que acordou, per-
guntou-nos: “Não a ouviram? Parecia-me que desta vez a
tivessem ouvido. Dir-se-ia que ela tinha invadido o Univer-
so inteiro.”
Nestes últimos tempos tornou-se também clarividente; a
matéria esfuma-se e desaparece por si mesma. Seu olhar er-
ra então livremente pelo Universo e ele vê um panorama in-
finito, iluminado por dourada luz, povoado de formas angé-
licas vestidas com longos peplos flutuantes e tendo os ros-
tos luminosos: são os artistas celestes, executores da música
transcendental que ele percebe.
Há alguns meses foi ele com dois amigos fazer uma visita
à Sra. Hollis-Billing. Esta senhora, em cujo salão se reúnem
pessoas intelectuais, possui faculdades mediúnicas muito
notáveis; quando as circunstâncias são favoráveis ela chega
a obter o fenômeno da voz direta. Ora, nessa noite, a perso-
nalidade mediúnica que guia Mme. Hollis manifestou-se fa-
lando com voz independente. Uma única entre as pessoas
presentes conhecia as faculdades clariauditivas possuídas
por meu amigo; apesar disso, a personalidade mediúnica de
“Ski” divulgou logo o segredo, dirigindo-se a ele por estas
palavras:
– Sabe quem é aquele que canta com tão doce voz de te-
nor?
Meu amigo, surpreso e espantado, respondeu:
– Não, e pode dizer-mo?
– Posso; é um músico italiano chamado Porpora. Muitas
vezes ensaiou ele fazer ouvir o seu canto aos viventes; foi
sempre em vão. Foi V. o único com quem ele o conseguiu...
Meu amigo consultou, no dia seguinte, alguns dicionários
biográficos de músicos; e achou que no século XVII havia
vivido um compositor e tenor eminente, chamado justamen-
te Porpora. Parece que ainda hoje é conhecido pelas pessoas
que cultivam a música clássica.”
Tendo reproduzido esta narrativa, noto, de passagem, que a
Sra. Hollis-Billing é a mesma médium com a qual o Dr. Wolf obteve, vinte anos antes, fenômenos maravilhosos, de materiali-zação e de voz direta, os quais relatou em seu volume intitulado Starling Facts in Modern Spiritualism.
Seria difícil contestar o interesse que apresenta este episódio
– o de uma personalidade mediúnica que, exprimindo-se com voz independente da do médium, dirige a palavra ao sensitivo clariaudiente, revelando-lhe o nome do principal executor da música transcendental que ele percebe, nome que é, conforme se verifica em seguida, o de um músico que viveu, efetivamente, há dois séculos. E isso é tanto mais interessante quanto vemos que Mme. Hollis-Billing não conhecia o sensitivo, o qual ia pela primeira vez assistir em casa dela a uma sessão mediúnica; na assistência, somente um dos dois amigos que o tinham acompa-nhado conhecia suas faculdades clariauditivas.
Tendo-se tudo isso em linha de conta, o fato da revelação ve-
rídica obtida não pode deixar de ser significativo, no sentido da autenticidade espírita do caso em si e, por conseqüência, da autenticidade não menos espírita ou extrínseca da música trans-cendental percebida pelo sensitivo.
Assim sendo, mesmo os três casos contados precedentemente
obteriam, de maneira indireta, certo valor probatório.
Reconheço, entretanto, que um exemplo único é insuficiente
para confirmar uma hipótese; minha intenção também não é, de forma alguma, obter esse resultado pelas considerações que se acabam de ler. Não me resta, pois, senão prosseguir na classifi-cação empreendida.