Folhas Caídas

Almeida Garrett · Capítulo 38 de 44

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Folhas Caídas

XII - a Jovem Americana

Donde é que te eu vi, donzela,

E o que eras tu nesta vida

Quando não tinhas vestida

A forma de virgem bela

Que ora te vejo trajar?

Estrela foste no céu,

Serias no prado flor?

Ou, no diáfano 'splendor

De que Íris faz o seu véu,

Estavas, Silfa, a bordar?

Não houve poeta ainda

Que te não visse e cantasse,

Mulher que não te invejasse,

Nem pintor que a face linda

Te não fosse copiar.

Séculos tens. – E ah!... já sei

Quem és, quem foste e hás de ser:

Bem te eu estava a conhecer

Quando primeiro te olhei

Sem te poder estranhar.

Com Deus e coa Liberdade

De nossas terras fugiste

Quando perdidos nos viste,

E te foste à soledade.

Do Novo Mundo acoitar.

Pois que ora piedosa vens

E nos sentes ressurgir,

Oh! não tornes a fugir,

Que melhor pátria não tens

Nem que mais te saiba amar.

Teu natal celebraremos Hoje e sempre: teus amigos

Somos na lealdade antigos,

E no ardor novos seremos,

No desvelo em te adorar:

Porque tu és o Ideal

Da só beleza – do Bem;

Não és estranha a ninguém,

E de ti só foge o mal

Que te não pode encarar.