Incidente em Roswell
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Charles Berlitz e William L. Moore
INCIDENTE EM ROSWELL
Tradução de AUREA WEISSENBERG
EDITORA NOVA FRONTEIRA
Sumário
Introdução
1. OVNI no firmamento e no espaço
2. Incidente em Roswell
3. A FAA enfrenta um OVNI destruído e mortos extraterrenos 4. Testemunhas falam - A cidade recorda
5. Descrição dos alienígenas
6. Falhas no ocultamento
7. O presidente e o disco capturado
8. Para sempre "ultra-secreto" - A alternativa AVRO
9. O contato russo
Introdução
Segundo a lenda dos OVNI, uma espaçonave extra-terrena espatifouse em Novo México nos primeiros dias de julho de 1947. A primeira vista a notícia não passaria de um desses incidentes registrados em jornais e nos milhares de livros escritos em todos os idiomas acerca dos OVNI. A diferença no caso é a vitalidade do incidente e sua repercussão nos círculos científicos, jurídicos e governamentais. Quando este livro estiver indo para o prelo, uma ação civil já terá sido instaurada contra a CIA, através de advogados, pelas partes interessadas - Cidadãos contra Sigilo OVNI - com a finalidade de divulgar informação acerca do incidente nos termos da Lei da Liberdade de Informação. O caso englobou, além disso, um processo anterior contra a CIA, movido pelos Observadores de Terra dos Discos Voadores. Entre as acusações feitas pelas partes encontram-se a sonegação de informes aos meios de comunicação, desaparecimento de dossiês, pressionamento de testemunhas e, de modo geral, ocultamento de informações através do uso de classificação de segurança desnecessária.
Ocorrências registradas na imprensa e no rádio antes de entrarem em vigor os regulamentos de segurança impostos pela Força Aérea do Exército (que naquele mesmo ano de 1947 mudou o nome para Força Aérea) indicam que o material do OVNI despedaçado foi levado em transporte governamental de alta segurança de uma base a outra e que os despojos da nave e seus ocupantes mortos (um dos quais estava vivo ao ser encontrado) acham-se sob guarda de alta segurança na sede da CIA em Langley, Virgínia.
Os que recordam períodos anteriores a 1947, o ano da primeira
"invasão" bastante divulgada dos discos voadores, talvez se lembrem de ter lido relatos factuais acerca do que poderiam ser chamados discos voadores bem antes de estes se popularizarem. Tratava-se de estranhas narrativas publicadas em jornais meteorológicos e astronômicos, incluindo referências a gigantescos objetos alados que surgiam à noite e não eram aviões nem meteoros.
Um exemplo tirado da Monthly Weather Review (março de 1904):
"O tenente Frank H. Schofield, comandante do
U.S.S.
Supply,
comunicou que ele e sua tripulação viram nitidamente, a 24 de fevereiro de 1904,
três imensos objetos luminosos movendo-se
conjuntamente pelo firmamento noturno, em pleno Atlântico, tendo o maior deles diâmetro seis vezes superior ao do Sol.“
No mesmo tom, o jornal da Royal Astronomical Society of Canada (março de 1913) publicou unia compilação de relatórios do Prof. Chant, de Toronto, acerca de objetos voadores não-identificados, movimentando-se de leste para oeste ao longo da fronteira EUA-Canadá, numa época em que subseqüentes verificações revelaram não ter havido veículos aéreos "humanos" em cruzeiro. Os depoimentos, colhidos entre inúmeros observadores ao longo da rota, afirmavam que um grande corpo luminoso viajava em linha reta pelo céu, que "o corpo se compunha de três ou quatro partes, cada qual com uma cauda" e que, à medida que um desaparecia, um segundo e um terceiro agrupamento surgiam. "Houve cerca de trinta ou trinta e dois desses corpos visíveis no período de uma hora... Moviam-se aos quatro, três e dois, um ao lado do outro. Tão perfeita era a formação que até parecia frota aérea em manobras...”
Houve outras notícias de OVNI anteriores a 1947, mas eram relativamente raras comparadas aos milhares que desde então foram divulgadas pela imprensa, rádio e televisão mundiais. (Calcula-se em 10.000 páginas os relatórios secretos acerca de OVNI, apenas na sede da CIA.) O crescente fluxo dessas notícias indica um fato pertinente: a freqüência dos aparecimentos de OVNI aumenta na proporção direta da nossa evolução científica e tecnológica. As instalações de radar que captam OVNI constituem comprovante extra das observações visuais, enquanto o número crescente de aviões em vôo coloca pilotos, e às vezes passageiros, em espantosa proximidade de objetos voadores não-identificados. Astronautas encontram-nos com freqüência no espaço. Tudo isso são ocorrências relativamente recentes.
Contudo, vivo interesse pelos OVNI é ainda considerado espécie de aberração, talvez porque nenhuma prova concreta dessas naves tenha sido encontrada ou identificada como tal. Não existe, na verdade, corpus delicti.
Se existisse e tivesse sido encontrado em território sob o controle de qualquer das grandes potências, ou mesmo de potências menos importantes, seria ocultado, o que é compreensível, até que as autoridades do país em questão decidissem o que fazer, ou como manipular o fato de modo a melhor servir a seus interesses e finalidades.
Talvez seja esta a explicação do Incidente Roswell. Contudo, longe de ser apenas um mistério interessante, divulgado pela imprensa e em seguida esquecido, o caso continua em andamento. Segundo notícias, os despojos da nave ainda são objeto de estudo (talvez com vistas a uma duplicação), prossegue a pesquisa acerca da composição das partes metálicas (e não-metálicas) desconhecidas do veículo espacial, as figuras hieroglíficas indecifráveis que, segundo se diz, foram descobertas nos controles interiores estão sendo entregues à análise de computador, e as células e estrutura interna dos membros da tripulação humanóide, porém estranha, continuam a ser submetidas à análise médica. Do ponto de vista do interesse público, novos depoimentos de testemunhas e das famílias de testemunhas que se recusaram a fazer declarações, e "reflexões posteriores" de alguns elementos do pessoal militar envolvido no ocultamento constituem, nas páginas que se seguem, prova convincente de que o acidente com a nave espacial não foi, definitivamente, ilusão coletiva, e sim um acontecimento real.
Desde o início da era espacial observou-se com freqüência que a raça humana que habita a terra se encontra prestes a entrar em contato com alguns de seus vizinhos do cosmos e obter a prova final de que a nossa forma de vida não é a única desta galáxia. Talvez isso já
tenha acontecido no Novo México em 1947 e só agora, com a descoberta de novos informes e a eventual ajuda da Lei de Liberdade de Informação, as conseqüências se tornem evidentes.
1
OVNI no Firmamento e no Espaço
OS OVNI nunca foram, de fato, uma novidade. No decorrer da história, sempre que os homens observavam o céu viam, ou assim julgavam, figuras, sinais, portentos, deuses, anjos, demônios, naus e, recentemente, tendo perdido a fé dos antepassados, tipos de naves que, ao que tudo indica, não partem de bases terrenas. Não dispomos de meios para calcular quantas dessas visões são causadas por interpretação errônea ou imaginação fértil. Contudo, ainda que apenas 20 por cento dessas aparições não tenham explicação terrena, conforme sugerem os dados do Projeto Livro Azul da Força Aérea, Relatório Especial No. 14, deve haver milhões de visitantes inexplicáveis nos céus da Terra desde que a espécie humana começou a registrar suas impressões acerca de viajantes celestiais. Nas Idades Antiga e Média, portentos e objetos celestes eram considerados mais ou menos corriqueiros, talvez por não existir na época tráfego humano com o qual se pudessem confundir. No antigo Egito há registro de imensos círculos de fogo baixando do firmamento noturno e ameaçando o faraó de pé em sua quadriga, à frente de seus exércitos, tendo ele mantido, no decorrer de todo o incidente, um louvável, embora intrigante, sangue-frio. O profeta Ezequiel talvez tenha tido contato com uma dessas naves e seu comandante, a quem considerou o Senhor. Uma leitura do Livro de Ezequiel contém excelente descrição da aterrissagem de uma cápsula espacial, narrada em linguagem simples e compreensível. Os céus da antiguidade pareciam cheios de viajantes aéreos. Os assírios viam touros voadores, os gregos e os árabes, cavalos voadores, os opulentos persas julgavam ver tapetes voadores, e os guerreiros romanos observavam escudos e lanças voadoras e batalhas inteiras no céu, no exato momento em que eles próprios se entregavam a combates terrenos.
à medida que o mundo antigo se cristianizava, as visões celestes transformaram-se em cruzes de fogo e outros sinais ameaçadores, prenunciando peste e tragédias. O imperador Constantino de Bizâncio viu no céu, antes de uma batalha, algo que o converteu ao cristianismo, alterando consideravelmente, portanto, o curso da História.
Quando a Renascença abriu a mente do homem à exploração do mundo, os OVNI adquiriram, adequadamente, a forma de galeras e caravelas, e quando os franceses principiaram a fazer experiências com balões, vastos globos foram vistos flutuando no alto dos céus, monstruosos reflexos daquilo que os franceses realizavam. A partir dos finais de 1800, observadores relativamente modernos têm descrito os OVNI como fusos, charutos e naves espaciais, voando a velocidades espantosas. Na Primeira e Segunda Guerras Mundiais foram tidos como espécie de arma desconhecida (2ª. Guerra Mundial:
"combatentes inúteis"), que cada um dos lados julgava ser manipulado pelo outro; e só em 1947, com o grande aumento de visões de OVNI’s (a princípio descritos como discos metálicos ou frigideiras), receberam eles o nome de "discos voadores". É possível que todas essas visões, no decorrer da história e em grau cada vez mais amplo no presente, sejam versões do mesmo fenômeno, ajudadas talvez pela imaginação e tendência a se ver aquilo que se deseja. É por isso que os chineses julgam há muito ver dragões luminosos em movimento; os antigos hindus, carruagens aéreas de duas e três plataformas; os índios das Américas, grandes canoas; e tribos e nações de todas as partes do mundo, monstros, demônios e deuses luminosos.
Mas não podemos afirmar que houve ilusão coletiva, sobretudo em um mundo onde tantos chefes de Estado das nações desenvolvidas, assim como os mais altos dignitários das Nações Unidas, cientistas renomados, astrônomos e a maioria da população terrestre estão convictos de que somos regularmente visitados por OVNI’s. Eles aparecem sobre as grandes cidades e são vistos por centenas de milhares de pessoas. Pousam nas proximidades de canais de televisão e usinas de força, tendo até causado, conforme se julga, o grande blackout de 1965. Perseguem aviões de passageiros e, segunda dizem, destroem aparelhos militares. Visitam regularmente centros de pesquisa avançada e de lançamento de mísseis e acompanham nossas cápsulas até o cosmos. Há tanta gente convicta da presença dos OVNI’s que um aeroporto da França se acha permanentemente reservado para seu pouso, com luzes de aterrissagem azuis, um convite apenas para naves que não sejam deste mundo.
Com o rompimento da barreira espacial, os nossos astronautas parecem ter começado a encontrar os OVNI’s no espaço. Se levarmos em conta as afirmativas de que na maioria das viagens espaciais tem havido contato com OVNI’s, a percentagem de encontros no cosmos é muito mais vasta do que no firmamento terrestre. Isto parece indicar definitivamente que os OVNI’s são de origem extraterrena e, longe de sobrenaturais, são, possivelmente, sondas, patrulhas, ou outras atividades com freqüência voltadas para a terra, atividades pré-datando os nossos esforços espaciais em milhares ou quem sabe milhões de anos.
Embora muito se tenha escrito a respeito de OVNI’s e encontros na terra, pouco se disse às claras sobre encontros com eles na exploração espacial. Um indício convincente da sua presença no espaço terrestre (mas até onde se estendem as nossas fronteiras espaciais?) foi proporcionado pelo matemático, físico e escritor Maurice Chatelain, planejador da nave Apolo e ex-chefe de comunicações da NASA nas missões lunares Apolo, homem franco, que documentou uma fase especial de encontros próximos no espaço, entre exploradores da terra (americanos) e entidades de outras partes do cosmos. Segundo os relatos de Chatelain, alguns dos quais baseados em informes colhidos de "fontes privilegiadas", enquanto ele trabalhava para a NASA na década de 60, e outros baseados em dados que lhe foram transmitidos mais tarde por amigos e ex-colegas, os relatórios desses encontros ocorridos no decorrer de viagens espaciais foram em geral censurados, alterados, amputados, ou simplesmente ignorados pela NASA, não chegando, portanto, jamais ao público na época de sua ocorrência. O fato de os astronautas se acharem em missão militar era, segundo Chatelain, um dado importante e talvez planejado a favor do sigilo, uma vez que eles podiam simplesmente receber ordens para não discutir determinados aspectos dos seus encontros com OVNI’s. Embora a maioria dos astronautas americanos já não se ache em serviço ativo, mantêm discreto silêncio sobre este tópico até o dia de hoje; restamnos os relatos "privilegiados" de Chatelain, com sugestões do que se teria passado no espaço, ou até na superfície da Lua. E esses relatos são, para se dizer o mínimo, impressionantes.
A tabela abaixo foi elaborada em ordem cronológica:
ESPAÇONAVE / DATA / TRIPULAÇÃO / INCIDENTE RELATIVO À
OVNI OU OBJETO ESPACIAL NÃO-IDENTIFICADO
MERCURY
15 de maio, 1963
Cooper
Sobrevoando o Havaí, captou vozes em freqüência especial, falando idioma examinado mais tarde na fita e classificado como não pertencente a qualquer língua terrestre conhecida. Ao sobrevoar Perth, Austrália, viu um grande OVNI, observado também por estação de rastreamento da Terra.
GEMINI 4
3-7 de junho, 1965
McDivitt-White
Sobrevoando o Havaí, quase colidiram com um cilindro prateado, oval, com rastro luminoso. Fotografaram-no.
GEMINI 5
21 de agosto, 1965
4 de dezembro, 1965
Cooper-Conrad
Objeto prateado ovóide, com luzes verdes, acompanhou e precedeu a cápsula. Tinha a forma de um disco quando visto pela retaguarda.
GEMINI 7
4 de dezembro, 1965
Borman-Lovell
Tiraram fotos de enorme OVNI com sistemas de propulsão que acompanhou a cápsula.
GEMINI 9
3 de junho, 1966
Stafford-Cernan
Cápsula acompanhada desde o lançamento por inúmeros OVNI’s vistos tanto pelo pessoal de terra como pelos tripulantes.
GEMINI 10
18 de julho, 1966
Young-Collins
Dois OVNI’s acompanharam e desapareceram quando a cápsula pediu à estação de terra observação pelo radar. Mais tarde, um imenso objeto, nem planeta, nem planetóide, foi observado.
GEMINI 11
12 de set., 1966
Gordon-Conrad
Objeto comprido, avistado sobre Madagascar. Disse a NASA que era Pegasus 3, mas este se encontrava a 350 milhas do local na ocasião.
GEMINI 12
11 de nov., 1966
Lovell-Aldren
Dois OVNI’s avistados a meia milha da cápsula. Fotografados durante prolongada observação.
APOLO 8
21 e 27 de dez.. 1968
Borman-Lovell-Anders
OVNI’s em forma de disco avistados enquanto a cápsula rodeava a Lua. Comunicado: "Fomos informados de que Papai Noel existe." Captada também linguagem não-identificada em freqüência espacial de rádio.
APOLO 10
18 e 26 de maio, 1969
Stafford-Young-Cernan
Avistaram dois OVNI’s que acompanharam a cápsula durante a órbita da Lua e na viagem de volta.
APOLO 11
20 de julho, 1969 (Pouso na Lua)
Armstrong-Collins-Aldrin Antes do primeiro pouso na Lua, dois OVNI’s e um comprido cilindro sobrevoaram o local. Quando a Apoio 11 pousou no interior de uma cratera lunar, duas espaçonaves não identificadas surgiram na borda da cratera e levantaram vôo novamente. Aldrin fotografou-as. As fotos não foram ainda entregues ao público pela NASA.
APOLO 12
14 e 24 de novo 1969
Conrad-Gordon-Bean
Observatórios terrestres viram que a cápsula era acompanhada por dois OVNI’s brilhantes, perto da Lua. Depois, quando próxima à Terra, antes do pouso, grandes OVNI’s de luzes vermelhas foram observados.
APOLO 17
7 e 19 de dez., 1972
Cernan-Evans-Schmitt
Avistaram OVNI’s próximos à Terra, nas imediações da Lua e no trajeto.
Nova confirmação de que os astronautas da Apolo 11 passaram por estranhas experiências na viagem de cinco dias até a Lua e na volta provém de fonte aparentemente associada à TV Anglia, de Londres. Segundo essa fonte, a NASA foi obrigada a mudar o local do pouso originalmente escolhido para o módulo de aterrissagem Eagle por ter descoberto que ele estava "ocupado" -presume-se que por outras espaçonaves. Como prova, a fonte da Anglia cita os seguintes fragmentos de conversação supostamente "apagada", obtida através de intermediário anônimo e que se supõe ter ocorrido entre o astronauta Coronel Edwin "Buzz" Aldrin e o controle da missão da NASA, em data anterior ao pouso na Lua de 20 de julho de 1969.
Aldrin: Que é isso?... Que diabo é isso? É só o que quero saber. Controle da Missão: Que foi que houve? ... (ruídos confusos) ... Controle da missão chamando Apoio 11...
Aldrin: Eram brinquedos enormes, rapaz... enormes... Oh, meu Deus, vocês não acreditariam!... Aviso a vocês que há outras espaçonaves por aqui... alinhadas na outra borda da cratera... Estão na Lua, observando a gente...
Embora vários dos astronautas tenham negado veementemente avistar OVNI no espaço e a NASA, segundo se diz, tenha despedido alguns dos seus funcionários por venderem "gravações falsificadas" de conversações semelhantes à reproduzida acima, Chatelain afirma que sua informação é das mais fidedignas, e publicou-a nos seus livros vendidos na França, Inglaterra e Estados Unidos. Conforme ele diz: "Todos os vôos Apolo e Gemini foram acompanhados, a distância e às vezes... bem de perto, por veículos espaciais de origem extraterrena. Toda vez que isso aconteceu, os astronautas informaram ao controle da missão, que ordenava então silêncio absoluto.”
E é claro que esses encontros não incluem os ocorridos com os russos e as supostas observações, de astronautas tanto russos como de americanos, das ruínas, construções e "pirâmides" lunares, o que pode ou não relacionar-se com a atual atividade dos OVNl’s. Indica, porém, viva curiosidade, por parte de entidades desconhecidas, acerca das nossas missões espaciais. Além desses encontros no cosmos, milhares de observadores casuais da Terra, olhando para o céu à noite ou de dia, tiveram visões próximas e distantes. Há notícias insistentes, embora de difícil comprovação, de seqüestros cósmicos, nos quais estarrecidos seres humanos foram arrebatados para bordo de OVNI’s, ali mantidos, interrogados, submetidos a lavagem cerebral e depois libertados, em geral com lapsos de memória e de tempo, já
que o que lhes pareceu alguns minutos ocorreu na verdade em vários dias do tempo terreno. O desaparecimento de pessoas em locais isolados, as mortes inexplicáveis e o dreno de animais para obtenção de sangue foram com freqüência atribuídos aos OVNI’s alvo conveniente -, como se eles andassem sondando a Terra como uma gigantesca reserva de caça para alimento ou captação de espécimes. Apesar da ubiqüidade e freqüência dos aparecimentos dos OVNI’s e dos supostos encontros, até o momento não se dispõe de prova concreta de sua existência, ou de que não sejam algum fenômeno natural como, por exemplo, gás brilhante dos pântanos, refração da luz este lar, enxames de insetos geradores de eletricidade, ou retenção visual da imagem da Lua ou das estrelas - explicações um tanto imaginosas, à altura de alguns dos relatos mais pitorescos referentes aos OVNI’s. Além disso, muitas das narrativas de
"encontros" com esses objetos voadores são feitas por fazendeiros, motoristas de caminhão, soldados da Polícia Estadual, xerifes e outras pessoas cujas obrigações as conduzem em geral a locais solitários à noite. (Os incidentes do filme Contatos Imediatos de Terceiro Grau basearam-se em registros de ocorrências com OVNI’s.) Mas se seres extraterrenos, a bordo de OVNI’s, desejassem entrar em contato com a raça humana, por que escolheriam indivíduos relativamente insignificantes, em lugar de fazer um pouso nas fontes do poder, tais como o pátio central do Pentágono, o centro da Praça Vermelha, ou o Portão Tein-an-men, para conversações de cúpula mais diretas?
É natural que os cientistas, e em especial os astrônomos, abordem com precaução um assunto que, embora popular, permanece carente de aceitação positiva. Um astrônomo (anônimo, naturalmente) citado no Relatório Acerca do Estudo Sobre os Membros da Sociedade Americana de Astrônomos, Referente ao Problema dos OVNI’s (Stanford, 1975), do Dr. Peter Sturrock, fala pela maioria: "... Acho difícil ganhar a vida como astrônomo, hoje em dia. Seria um suicídio profissional dedicar tempo significativo aos OVNI’s...”
No mundo inteiro, que seja ao menos de conhecimento público, não existe prova definitiva de que os OVNI’s sejam produto de hipnotismo individual ou coletivo. Embora saibamos que pilotos desapareceram ou morreram enquanto perseguiam ou eram perseguidos por OVNI, a maioria dos cientistas e astrônomos presume que foram vítimas da imaginação.
Suponhamos, porém, que um desses OVNI’s "imaginários" fizesse um pouso de emergência em local que podia ser alcançado pela Força Aérea, ou outros grupos de investigação. Suponhamos, além disso, que estivesse em condições de ser identificado como OVNI e contivesse humanóides extraterrenos relativamente intactos, embora mortos, na sua cápsula. Suponhamos que houvesse sinais de escrita no painel de controle e substância parecida com pergaminho espalhada no interior, e que a escrita, conforme se verificaria mais tarde, nada tivesse a ver com um idioma humano. Se isto acontecesse, reforçaria consideravelmente a convicção na vida extraterrena e na tecnologia avançada, mas simultaneamente apresentaria ao governo do país onde a nave tivesse pousado o problema de como enfrentar a questão - partilhá-Ia com o mundo (mantendo secreta a sua operação), ou negar a sua existência. Diversos elementos deste script de ficção científica estiveram presentes, de modo convincente, no Novo México, há alguns anos. A primeira cena poderia ser descrita da seguinte maneira:
Local: Sala do teletipo da Rádio KOAT, Albuquerque, Novo México. Época: 7 de julho de 1947, quatro horas da tarde.
2
Incidente em Roswell
LYDIA SLEPPY, que, além de suas outras obrigações burocráticas e administrativas, era operadora do teletipo na estação de rádio KOAT
de Albuquerque, Novo México, estava sentada diante da máquina aproximadamente às quatro horas do dia 7 de julho de 1947. Súbito, o telefone tocou, transmitindo uma mensagem que afetaria o noticiário dos dias subseqüentes no mundo inteiro e cuja importância não se tornou logo evidente. A chamada foi feita por Johnny McBoyle, repórter e um dos proprietários da estação irmã KSWS de Roswell, Novo México, que não possuía teletipo próprio, mas usava com freqüência a máquina da KOAT quando tinha algo a transmitir. Desta vez Johnny falava, muito excitado:
- Lydia, prepare-se para um furo sensacional! Queremos transmitir imediatamente para a ABC. Escute isso! Um disco voador espatifouse... Não, não estou brincando... espatifou-se próximo de Roswell. Estive no local e vi. Parece uma grande frigideira amassada. Um fazendeiro arrastou-o com o trator até um abrigo para gado. O
Exército está lá e vai recolher a coisa. Toda a área está isolada. Escute isso... Estão falando em homenzinhos a bordo... Comece a transmitir a notícia pelo teletipo, enquanto fico no telefone. Compreensivelmente intrigada, Lydia ajeitou o fone em posição incômoda entre o ouvido e o ombro e começou a transmitir pelo teletipo a surpreendente notícia de McBoyle. Mal batera algumas sentenças, a máquina imobilizou-se. Trata-se de ocorrência comum em teletipos, por diversas razões, de modo que Lydia não se preocupou, embora nunca tivesse sido interrompida no ar, em meio a uma transmissão. Passando o telefone do pescoço para a mão, informou a McBoyle que a máquina parara.
Desta vez, segundo Lydia recorda, ele parecia não só excitado como sob pressão e aparentemente falando com outra pessoa ao mesmo tempo. Disse, a voz tensa:
- Espere um minuto, falo já com você... Espere... Volto já. Mas não voltou. Em vez disso, o teletipo começou a funcionar sozinho, dirigindo-se a Albuquerque, ou a Lydia, diretamente. Quem transmitia não se identificou, e o tom da mensagem era formal e seco:
"ATENÇÃO ALBUQUERQUE: NÃO TRANSMITA. REPITO, NÃO
TRANSMITA ESTA MENSAGEM. INTERROMPA IMEDIATAMENTE
A COMUNICAÇÃO.”
Como Lydia continuasse com o telefone ligado para McBoyle, contou o que acabara de acontecer à máquina e perguntou:
- Que é que faço agora?
A resposta de McBoyle foi inesperada:
- Esqueça. Você não ouviu nada. Você não deve saber. Não toque no assunto com ninguém.
McBoyle contou mais tarde a Lydia Sleppy que vira um avião com destino ao Campo de Wright-Patterson levantar vôo com o objeto, ou partes dele, a bordo, mas não conseguira aproximar-se por causa das severas medidas de segurança mantidas por guardas armados. Embora este tenha sido o último contato de Lydia com o
"acontecimento", ela dispôs de muito tempo para reflexão subseqüente, já que o caso foi muito discutido após o regresso de seu chefe, Merle Tucker, que na ocasião se achava fora da cidade. Tucker preocupou-se com o envolvimento de sua estação no incidente, achando que poderia prejudicar seu recente pedido de licença federal para uma estação subsidiária, que pretendia acrescentar à sua Rio Grande, Broadcasting Network. O que o aborreceu em particular foi o fato de, por mais que tentasse, não conseguir comprovar se o incidente ocorrera ou não.
O mais interessante é que muitas das pessoas com quem tentou conversar sobre o assunto insistiram em que o objeto aterrissara na vasta região a oeste de Socorro, Novo México, e não nas proximidades de Roswell, e que um delegado do xerife daquela cidade estivera no local, examinara os destroços de uma espécie de objeto em forma de pires, juntamente com uma pequena mancha calcinada no solo.
- Tornou-se de repente impossível encontrar alguém que quisesse falar no assunto - declarou, em recente entrevista.
O próprio Tucker, embora recordasse nitidamente o incidente, mostrou-se relutante em ser entrevistado sobre o assunto e recusouse de modo categórico a que a entrevista fosse gravada. O físico nuclear e pesquisador Stanton T. Friedman deparou com igual muro de silêncio quando localizou e tentou entrevistar McBoyle acerca do mesmo tópico. A reação de McBoyle foi:
- Esqueça... Aquilo nunca aconteceu.
Mas deve ter ocorrido a Lydia, assim como a outros moradores e investigadores daquela área, que o incidente girava em torno da presença de "discos voadores" (na época ainda não eram chamados de OVNI’s), aparentemente operando com intensidade na área do Novo México e do Arizona, em junho e julho de 1947. O período é, aliás, relativamente próximo do aparecimento, a 24 de junho, da famosa esquadrilha de nove "frigideiras" que sobrevoaram Mount Rainier, Washington, e foram vistas por Kenneth Arnold - visão espetacular, que desencadeou a primeira onda intensa de interesse pelos OVNI’s e conduziu ao uso generalizado da expressão "discos voadores".
Esses relatos subseqüentes indicaram intensa atividade dos OVNI’s, diurna e noturna, no Arizona e Novo México - atividade facilmente justificada pelo fato de em finais de 1940 ser o Novo México o local onde se desenvolvia a maior parte dos programas de defesa pós-guerra no setor da pesquisa atômica, foguetes, naves espaciais e desenvolvimento de mísseis, além de experiências eletrônicas e de radar. Los Alamos, a ampla comunidade científica criada pelo Projeto Manhattan em 1943 com a finalidade específica de proporcionar mãode-obra e instalações necessárias, durante a guerra, à construção e testes das primeiras bombas atômicas, era ainda, em 1947, uma
"cidade secreta", uma área altamente reservada. Status similar tinha a Área de Mísseis e Terreno de Provas de White Sands, nas imediações de Alamogordo, onde pesquisa de alto nível era realizada nos únicos foguetes alemães V-2 capturados deste lado da Cortina de Ferro. Também em Novo México, Roswell, encontrava-se o único agrupamento treinado para combate à bomba atômica existente no mundo àquela época - o 509º. Grupo de Bombardeio da Força Aérea dos Estados Unidos. Tudo isso ajuda a compreender por que naqueles meses de verão de 1947 o Novo México avistou mais OVNI’s per capita e por quilômetro quadrado do que qualquer outro Estado da União. Inteligências alienígenas que estivessem observando
sistematicamente
o
planeta
e
sua
civilização
concentrariam sem dúvida seus esforços nas áreas que exibissem os mais altos níveis de atividade científica e tecnológica. Os relatórios abaixo são não apenas típicos, mas de interesse particular devido à capacidade dos observadores para descrever a forma (o que é difícil à noite) do que viram:
25 de junho de 1947: Um objeto em forma de pires, tendo cerca de metade do tamanho da lua cheia, foi visto movimentando-se para o sul sobre Silver City, Novo México, pelo dentista local, o Dr. R. F. Sensenbaugher.
26 de junho de 1947: O Dr. Leon Oetinger, médico de Lexington, Kentucky, e três outras testemunhas disseram ter visto um grande objeto prateado, em forma de bola - obviamente nem balão, nem dirigível -, movimentando-se a alta velocidade, próximo à orla do Grand Canyon.
27 de junho de 1947: John A. Petsche, eletricista da Phelps-Dodge Corporation, e outras testemunhas viram um objeto em forma de disco sobrevoar e aparentemente pousar, cerca de 10h30min, nas imediações de Tintown, próximo a Bisbee, no sudeste do Arizona, próximo à fronteira com o Novo México.
27 de junho de 1947: O Major George B. Wilcox, de Warren, Arizona, avistou uma série de oito ou nove discos perfeitamente espaçados, deslocando-se a alta velocidade e com movimentos oscilantes. Declarou que os discos passaram sobre sua casa a intervalos de três segundos, rumando para leste, e calculou que voavam uns trezentos metros acima dos picos das montanhas.
27 de junho de 1947: Um "disco branco, brilhante como uma lâmpada elétrica", foi visto sobrevoando Pope, Novo México, pelo morador local W.C. Dobbs, às 9h50min. Minutos depois, o mesmo objeto, ou outro similar, foi avistado rumando para sudoeste sobre a Área de Mísseis de White Sands, pelo capitão E.B. Detchmendy, que comunicou o fato a seu comandante, o Tenente-coronel Harold R. Turner. Ás 10h a Sra. David Appelzoller, de San Miguel, Novo México, declarou ter visto objeto similar sobrevoando a cidade, também na direção sudoeste. O Coronel Turner, de White Sands, reagiu inicialmente declarando que nenhum foguete fora lançado naquela base desde o dia 12 de junho. Mais tarde, temendo pânico,
"identificou" oficialmente o objeto como um "meteorito diurno" (sic).
28 de junho de 1947: O Capitão F. Dvyn, piloto em vôo nas proximidades de Alamogordo, Novo México, viu "uma bola de fogo, com uma cauda azul brilhante" passar por baixo do seu avião e aparentemente desintegrar-se diante de seus olhos.
29 de junho de 1947: Pilotos da Força Aérea do Exército realizaram uma busca tendo por alvo um objeto que se dizia ter caído nas proximidades de Cliff, Novo México, durante a tarde, mas nada encontraram, exceto um estranho cheiro no ar.
29 de junho de 1947: Uma equipe de especialistas em foguetes chefiada pelo Dr. C. J. Zohn, de serviço na Área de Provas de White Sands, viu um disco prateado fazer uma série de manobras em elevada altitude sobre a área secreta de provas.
30 de junho de 1947: Treze objetos prateados em forma de disco foram observados por um empregado da estrada de ferro chamado Price, movendo-se um após outro sobre Albuquerque, Novo México. A princípio rumando para o sul, mudaram bruscamente de rumo para leste e, num movimento dramático, voltaram-se para oeste, antes de desaparecerem. Price alertou os vizinhos e todos saíram de casa, observando, deitados na relva, as manobras que os discos faziam no céu.
30 de junho de 1947 (segundo relato do Daily News de Tucumcari, Novo México, de 9 de julho): "A Sra. Helen Hardin, funcionária da Quay County Abstract Co., contou na terça-feira, 8 de julho, que viu um disco voador quando se achava na varanda da frente de sua casa, às 23h do dia 30 de junho. O disco movia-se de leste para oeste a alta velocidade. Observou-o durante cerca de seis segundos em baixa altitude e viu-o descer nos arredores da cidade, não muito próximo. A princípio julgou tratar-se de meteoro, mas notou um movimento circular à medida que o objeto se aproximava do solo. Além disso, não caiu com a velocidade dos meteoros.
1º. de julho de 1947: Max Hood, executivo da Câmara de Comércio de Albuquerque, contou ter visto um disco azulado ziguezagueando pelo céu, a noroeste de Albuquerque.
1-6 de julho de 1947: Sete notícias independentes sobre discos voadores sobrevoando o norte do México, de Mexicali a Juarez.
1º. de julho de 1947: O Sr. e a Sra. Frank Munn declararam ter visto um grande objeto sobrevoando Phoenix por volta das 21h.
2 de julho de 1947: O Sr. e a Sra. Dan Wilmot, de Roswell, Novo México, avistaram um grande objeto brilhante, que passou sobre sua casa, na direção noroeste, a grande velocidade. (Vide Capítulo 3.)
O que viam essas pessoas? Não os testes dos modelos de foguete V2, lançados de White Sands à época, conforme sugeriram alguns céticos. Um exame dos registros de White Sands revela que os únicos testes com V-2 realizados no período em questão datam de 12 de junho e 3 de julho.
Seria fácil sugerir que essas visões, ocorridas após os relatos de Mount Rainier, que receberam muita publicidade, não passaram de ilusão de ótica auto-induzidas pelas testemunhas, pessoas que examinavam o céu em busca de objetos voadores como os debatidos na imprensa daquela época em diante, tendo os observadores tendência a confundir com OVNI qualquer nuvem, pássaro ou reflexo. Esta era a reação oficial mais freqüente às notícias de OVNI e um fator contributivo para o cálculo de que milhares de aparecimentos de OVNI’s
deixam
de
ser
registrados
anualmente,
e
assim
permanecerão, a menos que se encontre e divulgue uma prova concreta, seja de um verdadeiro objeto voador não identificado, seja de um exemplar vivo ou morto de existência extraterrena. É interessante considerar que no início da onda de OVNI’s de 1947, em fato comprovado por testemunhas, press releases, entrevistas, reportagens radiofônicas e sem restrições da censura, a Força Aérea do Exército tomou posse de um verdadeiro OVNI, juntamente com os despojos de sua tripulação. E, ao que parece, desde então a Força Aérea e o governo dos Estados Unidos vêm tentando decidir o que fazer com eles.
3
A FAA enfrenta um OVNI destruído e mortos
extraterrenos
ERAM CERCA de 21h50min do dia 2 de julho de 1947 e Dan Wilmot e sua mulher achavam-se na varanda de sua casa, situada à Rua South Penn, em Roswell, Novo México, gozando da brisa após um tórrido dia de verão. Segundo Wilmot, dono da loja de ferragens local,
"de repente, um grande objeto brilhante surgiu no céu, vindo do sudoeste. Seguia para noroeste (rumo a Corona, Novo México) a grande velocidade".
Espantados, Wilmot e sua mulher correram ao pátio para observar o objeto oval, em forma de "dois pires invertidos, um contra o outro", brilhando como se estivesse iluminado por dentro, e que passou sobre a casa, desaparecendo rumo ao noroeste em quarenta ou cinqüenta segundos. Embora Wilmot descrevesse o objeto como totalmente silencioso, sua mulher declarou mais tarde ter ouvido um leve rumor, por breve espaço de tempo, enquanto ele sobrevoava a casa.
Temendo expor-se ao ridículo, Wilmot, que foi descrito pelo Daily Record de Roswell como "um dos mais dignos e respeitáveis cidadãos da localidade", não fez comentários acerca de sua experiência durante uma semana, esperando que "outra pessoa contasse ter visto o objeto".
Mas ninguém disse a Wilmot coisa alguma que corroborasse a sua aventura, até que a 8 de julho o oficial de informação da Base de Roswell entregou à imprensa uma nota inusitada. Diante da agitação subseqüente, talvez tenha ocorrido a Wilmot que ele vira um prenúncio do incidente que veio a ser um bem guardado e permanente segredo, pelo menos no que tocava ao público. A princípio, porém, não recebeu esse tratamento.
A 8 de julho, um dia depois do extraordinário incidente da Sra. Sleppy com o teletipo TWX, o Tenente Walter Haut, oficial de informação da Base Aérea de Roswell, fundamentado em informes que começavam a se infiltrar na base, entusiasmado, precipitou-se e distribuiu a seguinte nota ao pessoal da imprensa, sem se dar ao trabalho de obter a autorização do comandante da base, Coronel William Blanchard, deslize pelo qual sofreria penosas conseqüências:
Base Aérea de Roswell, Roswell, N .M.
8 de julho de 1947.
Os diversos boatos relativos ao disco voador tornaram-se ontem uma realidade quando o setor de informação do 509º. Grupo de Bombardeio da VIII Força Aérea, Aeroporto Militar de Roswell, teve a sorte de tomar posse de um disco, graças à cooperação de um fazendeiro local e do gabinete do xerife de Chaves County. O objeto voador pousou em uma fazenda das proximidades de Roswell no decorrer da semana passada. Como não tinha telefone, o fazendeiro guardou o disco até poder entrar em contato com o gabinete do xerife, que por sua vez notificou o Major Jesse A. MarceI, do Setor de Informação do 509º. Grupo de Bombardeio.
Providenciou-se imediatamente para que o disco fosse recolhido na residência do fazendeiro. Examinado na Base Aérea Militar de Roswell, foi mais tarde confiado pelo Major MarceI às autoridades competentes.
A notícia, entusiasticamente recebida pela Associated Press, o serviço de informações do New York Times e outras agências, foi repetida em numerosos jornais de todo o país, assim como alguns estrangeiros, inclusive o prestigioso Times de Londres. No dia anterior ao da nota expedida pela base aérea, 7 de julho, um telegrama da AP foi divulgado de São Francisco sob o título: DISCOS
VOADORES EM QUASE TODOS OS ESTADOS. Em vista do fenomenal aumento das aparições de OVNI nos Estados Unidos nas duas semanas anteriores, era quase uma introdução ao incidente que alcançaria no dia seguinte destaque mundial.
O Daily Record de Roswell publicou a 8 de julho uma reportagem sob o título de FAA CAPTURA DISCO VOADOR NA REGIÃO DE
ROSWELL. DETALHES MANTIDOS EM SEGREDO. O artigo tanto sugeria uma solução da Controvérsia dos Discos Voadores como dava a entender que a FAA já começava a boicotar informações. Os pontos pertinentes do artigo são os seguintes:
O Bureau de Informações do 509º. Grupo de Bombardeio da Base Militar de Roswell anunciou ao meio-dia de hoje que a base estava de posse de um disco voador.
Segundo informação divulgada pelo departamento, por ordem do Major J. A. MarceI, oficial de informação, o disco foi recolhido numa fazenda das proximidades de Roswell depois que um fazendeiro não identificado notificou o xerife George Wilcox ter encontrado o aparelho nos seus terrenos.
O Major MareeI e um destacamento do seu Setor dirigiram-se à
fazenda e recolheram o disco, segundo declarações.
Depois de examinado no local pelo oficial de informação, o aparelho foi remetido (por via aérea) para "as autoridades competentes".
O oficial de informação declarou não ter sido revelado qualquer detalhe da construção ou aparência do disco.