Incidente em Roswell

Charles Berlitz e William L. Moore · Capítulo 8 de 13

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Incidente em Roswell

P. - Ele alguma vez descreveu para…

P. - Ele alguma vez descreveu para vocês o que encontrou? R. - Não, não propriamente. Mas não era preciso, porque eu próprio possuía fragmentos do material. Ele mostrara o local onde o encontrara, mas é claro que não se achou coisa alguma depois que a Força Aérea mandou um pelotão de soldados recolher todos os destroços e fragmentos. Ainda assim, toda vez que eu passava por aquele pasto fazia questão de procurar. Depois de uma boa chuvarada conseguia encontrar um ou dois fragmentos que haviam ficado esquecidos. Após um ano e meio ou dois consegui acumular uma pequena coleção. Se a colocasse aqui sobre esta toalha ocuparia a área aproximada desta sua pasta.

P. - É capaz de descrever o que encontrou?

R. - Sim. Havia diferentes tipos de material. Claro que tudo pequenino, mas uma coisa posso dizer: era muito leve. Não pesava quase nada. Recolhi partículas que lembravam madeira. No peso pareciam pau-de-balsa, mas na coloração eram um pouco mais escuras e bem mais resistentes. Conforme sabe, quanto mais dura a madeira, mais pesada. Mogno, por exemplo, é muito pesado. Esse material, por outro lado, nada pesava, mas era impossível arranhá-lo com a unha, como a balsa comum. Impossível também quebrá-lo. Era flexível, mas não quebrável. Claro que eu possuía apenas algumas lascas. Nunca me ocorreu queima-lo, de modo que não sei se era ou não à prova de fogo.

Havia também vários fragmentos de uma substância parecida com metal, algo assim como folha de estanho, só que não rasgava e era de coloração um pouco mais escura. Parecia folha de chumbo, só que muito fina e extremamente leve. O estranho era que essa folha, quando enrugada, recuperava imediatamente a forma original. Era extremamente flexível, mas não se podia marcá-Ia ou torcê-Ia como ao metal comum. Mais parecia uma espécie de plástico, só que era definitivamente de natureza metálica. Não sei o que era, mas papai falou uma vez que o exército dissera que haviam concluído definitivamente não ser coisa fabricada na Terra.

E havia também material parecido com linha. Assemelhava-se à seda, e eu tinha vários fragmentos. Não era suficientemente espesso para ter o nome de barbante, mas também não era fino como linha de coser. Tinha toda a aparência de seda, mas não o era. Fosse o que fosse, também era material muito resistente. Quem o pegasse com as duas mãos e tentasse arrebentá-Io não o conseguiria. Não apresentava fios ou fibras, como a seda. Parecia mais um arame, algo de substância inteiriça. Creio mesmo que era uma espécie de arame, idéia que nunca me ocorreu antes.

Nunca vi material semelhante na minha vida. Nada disso tinha aparência natural. Agora que penso no caso, acho que parecia sintético.

P. - Havia escrita ou marcação em qualquer parte do material que recolheu?

R. - Não, não no que eu recolhi. Mas papai disse uma vez que havia o que chamou de "figuras" em alguns dos fragmentos encontrados por ele. Referia-se muitas vezes aos petróglifos, desenhados pelos antigos índios nas rochas destas imediações, como "figuras", e creio que os comparava a eles.

P. - Que fim levou a sua coleção? Ainda a conserva?

R. - Esta é a parte mais estranha da história. Não, não a tenho mais. Uma noite, cerca de dois anos após o incidente com papai, fui a Corona à noite. Creio que lá falei demais. Mais do que devia. Sei que mencionei a coleção a alguém. De qualquer modo, no dia seguinte um carro oficial apareceu na fazenda, vindo de Roswell e trazendo um capitão e três soldados. Papai estava ausente na ocasião, mas não andavam à procura dele. Queriam falar comigo. Parece que o capitãoArmstrong, creio que se chamava Capitão Armstrong - ouvira falar na minha coleção e pedia para vê-Ia. Claro que a mostrei e ele disse que aquele material era importante para a segurança do país e que eu devia entregá-lo. Parecia mais interessado no material que lembrava barbante do que em qualquer outra coisa. Eu não sabia o que fazer, de modo que concordei. Pediu então que o levasse até o pasto, onde eu encontrara os fragmentos, e obedeci. Remexeram um pouco por lá, verificaram que aparentemente nada mais restava do material, e mais uma vez o capitão me perguntou se eu tinha algum outro fragmento, ou sabia de alguém que o tivesse. Respondi que não, não tinha; e ele disse que se algum dia eu encontrasse mais alguma coisa era importante que me comunicasse imediatamente com ele, em Roswell. Naturalmente concordei, mas nunca o procurei porque não encontrei mais nada.

P. - Esse material poderia fazer parte de uma espécie de balão?

R. - Não, isso posso dizer com certeza. Definitivamente, não era nenhum tipo de balão. Recolhemos balões por toda esta região e sempre que encontrávamos algum nós o devolvíamos porque às vezes nos davam alguma recompensa. Aquilo não era balão, embora eu tenha perguntado uma vez a papai se ele encontrara algo parecido com uma caixa de instrumentos, em conexão com essa história. Ele respondeu que não, não havia nenhuma caixa de instrumentos. Estranho é que quando papai foi a Roswell, dirigiu-se primeiro ao Bureau de Meteorologia para dar parte do que encontrara. Foi o Bureau que o aconselhou a procurar o xerife. Mais uma coisa que pode interessar: certa vez perguntei a papai se havia algum ponto queimado no chão onde estavam os destroços. Ele disse que não, mas na segunda viagem até lá notara que parte da vegetação daquela área parecia um tanto chamuscada nas pontinhas. Não queimada, apenas chamuscada. Não me lembro de ter visto isso, mas foi o que ele disse.