Incidente em Roswell

Charles Berlitz e William L. Moore · Capítulo 6 de 13

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Incidente em Roswell

J. F. "Flek" Danley, de Magdalena, Novo…

J. F. "Flek" Danley, de Magdalena, Novo México, foi mais específico:

"Barnett era engenheiro e trabalhou sob minhas ordens em Magdalena, na década de 40 e início da de 50. Era um bom homem... uma das pessoas mais honestas que conheci.”

Pergunta: Alguma vez Barnett falou a respeito de um disco voador?

Resposta: Sim, falou certa vez. Barney entrou no escritório uma tarde, muito excitado e disse: “Aqueles discos voadores de que falam por aí, Flek... Bem, eles existem." Disse então que acabava de ver um disco. Eu estava muito ocupado no momento e sem disposição para engolir uma história daquelas, de modo que me voltei para ele e disse simplesmente: "Porra!" E voltei ao trabalho. Ele falou apenas que vira um. Na época eu não estava disposto a aceitar a história e depois que eu disse "Porra!" ele não explicou mais nada. Pensei então que não devia ter sido tão grosseiro, porque ele não era o tipo de pessoa que anda por aí inventando histórias absurdas, mas quando, um ou dois dias mais tarde, interroguei-o, disse apenas que fora na planície, parecia um disco e ele não estava interessado em falar no assunto.

Flek achava que seria capaz de recordar a data do incidente se lhe dessem tempo para pensar. Em entrevista subseqüente, ocorrida no living de sua casa, cerca de quatro meses depois, riu e disse: Sim, lembro-me agora. Só pode ter sido no início do verão de 1947. A princípio não acreditei quando Barney me contou, mas conversamos depois, embora eu tenha negado antes. Devo dizer que acredito na história, pelo que me contou. Que eu saiba, Barney jamais mentia... sobre o que quer que fosse. Quando lhe perguntaram se poderia repetir o que Barney dissera, Danley respondeu: Tenho que pensar um pouco no assunto. Acho que já falei bastante. O mais importante depoimento sobre a questão do disco despedaçado talvez seja o do Major (agora tenente-coronel) Jesse A. Marcel, oficial de estado-maior encarregado do serviço de informação da Base Aérea de Roswell à época do incidente. Marcel, agora reformado e residente em Houma, Luisiana, pilotava desde 1928 e, segundo ele próprio, "conhecia virtualmente tudo o que voasse". Como um dos poucos cartógrafos familiarizados tanto com o traçado como com a interpretação de mapas aéreos antes da Segunda Guerra Mundial, foi enviado à escola de espionagem pela Força Aérea do Exército após Pearl Harbor, revelando-se aluno tão competente que ao término do treinamento foi mantido como instrutor. Quinze meses após, pediu para ser enviado à linha de frente e foi aceito. Transferido para a Nova Guiné, tornou-se oficial de informação do primeiro esquadrão de bombardeiros e, mais tarde, do grupo inteiro. Voando como bombardeiro, artilheiro e piloto, acumulou 468

horas de combate em B-24 e foi condecorado com cinco medalhas por ter abatido cinco aviões inimigos, tendo sido ele próprio abatido uma vez (na terceira missão).

Lá pelo final da guerra, Marcel foi chamado a integrar a 509º. Esquadrilha de Bombardeio da Força Aérea do Exército, o único grupo de bombardeio atômico da época e um dos poucos grupamentos de elite entre os militares americanos, onde todos os oficiais e soldados eram literalmente escolhidos a dedo para as missões, que exigiam liberação para assuntos de alta segurança. Integrando o grupo, foi um dos que zelaram pela segurança dos testes atômicos de Kwajalein, em 1946 (Operação Crossroads), e recebeu elogios da Marinha dos Estados Unidos por seu trabalho. Em recentes entrevistas (Moore e Stanton Friedman, fevereiro, maio e dezembro de 1979), recordou alguns detalhes interessantes a respeito de sua conexão com o Incidente Roswell e da fascinante possibilidade de ter havido um segundo disco que explodiu no ar, ou então que, após a explosão o material tenha caído do disco descrito por Barnett antes que o objeto colidisse com a terra, um pouco mais a oeste.

Pergunta: Major Marcel, viu pessoalmente um OVNI destruído?

Resposta: Vi uma porção de destroços, mas não um aparelho completo. O que quer que fosse, explodiu no ar, acima do solo. Desintegrou-se antes de chegar ao chão. Os destroços estavam espalhados em uma área de cerca de um quilômetro de comprimento por várias dezenas de metros de largura.

P. - Como foi que a Base de Roswell soube do acidente ocorrido na fazenda de Brazel?

R. - Soubemos no dia 7 de julho por um telefonema do gabinete do xerife de Roswell. Eu almoçava no clube dos oficiais quando me telefonaram dizendo que precisava ir conversar com Brazel. O xerife disse que Brazel contara que algo explodira sobre a fazenda e que havia uma porção de destroços espalhados pelo chão.

Acabei de almoçar e fui à cidade conversar com o sujeito. Depois de ouvir a história concluí que devia levar o assunto imediatamente ao conhecimento do coronel (Coronel Blanchard) para que ele decidisse o que se faria. Eu queria que Brazel me acompanhasse até a base no seu caminhão, mas ele disse que tinha diversas coisas a fazer e que me encontraria em uma hora, mais ou menos. Combinei um encontro no gabinete do xerife e voltei para falar ao coronel.

Em conversa, concluímos que aparentemente se tratava de um veículo aéreo destruído, de tipo estranho, e o coronel achou melhor eu ir até lá, levando o que fosse necessário. Eu e um agente do CIC

(Counter-Intelligence Corps, Serviço de Contra-espionagem) do West Texas, chamado Cavitt (Marcel não se lembra do prenome), acompanhamos o homem até a fazenda; eu dirigia um carro da base (um Buick 42) e Cavitt seguia num jipe Carry-all. Quase não havia estradas e em determinados pontos tivemos literalmente que enveredar pelo campo. Era o próprio confim-do-judas. Seja como for, chegamos ao local no final da tarde, e tivemos que passar a noite na casa do sujeito. Comemos apenas carne de porco fria, ervilhas e biscoitos.

Brazel vivia na parte sudeste de Corona, a uma boa distância dali. A cidade mais próxima ficava a 45 quilômetros. Morava numa casinhola quando estava na fazenda de criação de ovelhas, sem rádio ou telefone, e ficava quase sempre sozinho. A mulher e os filhos moravam em Tularosa, ou Carrizozo (Nota: era Tularosa), para que as crianças pudessem freqüentar a escola.

Parece-me que Brazel me disse que julgava ter ouvido uma estranha explosão no final da tarde, vários dias antes, durante uma tempestade elétrica, mas não prestara atenção especial ao caso na hora porque atribuíra o estrondo a um capricho da tormenta. Só descobrira os destroços na manhã seguinte.

No sábado, 5 de julho de 1947, Brazel foi à cidade - Corona. Enquanto estava por lá ouviu histórias de discos voadores que andavam aparecendo por toda a região e começou a achar que fora aquilo que caíra na sua fazenda; mas ignoro se mencionou o assunto na ocasião.

No domingo, 6 de julho, Brazel decidiu que seria melhor ir à cidade comunicar o fato. Chegando lá, dirigiu-se ao xerife de Chavez County e contou a história. Eu acabava de me sentar para o almoço quando o telefone tocou.

P. - Acha que o que viu foi um balão meteorológico?

R. - Não era. Eu conhecia quase tudo o que voasse na época, tanto nosso quanto estrangeiro. Conhecia também virtualmente todos os tipos de aparelhos para observação meteorológica, ou radares de rastreamento usados tanto por civis como por militares. Não era, definitivamente, um aparelho meteorológico, ou de rastreamento, avião ou míssil. O que era não sabíamos. Limitamo-nos a recolher os fragmentos. Era algo que nunca vi antes, ou desde então, aliás. Ignoro o que fosse, mas não se tratava de coisa alguma construída pelo homem, nem com certeza de um balão meteorológico.