Incidente em Roswell
Fim
Analisada esta importante peça de comunicação, vários pontos se tornam imediatamente óbvios:
(1) Em momento algum teve o FBI acesso ao disco, ou aos destroços recolhidos, conforme indica o memorando de 15 de julho, assinado por Hoover.
(2) Alguém do gabinete de Ramey, em Fort Worth, provavelmente o próprio Ramey, conferenciou por telefone diretamente com o Campo de Wright a respeito da exata natureza e descrição do estranho objeto que caíra em suas mãos. O resultado desta conversação foi a conclusão nítida de que, fosse qual fosse o objeto que explodira sobre a fazenda de Brazel, não era em definitivo "um balão meteorológico de elevada altitude, com refletor de radar", embora alguns de seus elementos lembrassem em parte tal instrumento.
(3) A declaração do General Ramey no sentido de que o vôo especial para o Campo de Wright fora cancelado e que os despojos espalhados no chão do seu gabinete permaneceriam provavelmente onde estavam, conforme já haviam declarado tanto o Major Marcel como o Coronel DuBose, era uma óbvia e deliberada mentira, com a finalidade exclusiva de afastar a imprensa.
(4) Aparentemente, a Força Aérea do Exército informou ao FBI do caso apenas para garantir a sua ajuda em conter a reação pública se a NBC e a AP fossem bem sucedidas nas tentativas de publicar a história completa.
Se a FAA, no Campo de Wright, chegou a comunicar ao FBI os resultados das investigações referentes ao disco, tais resultados jamais vieram à tona. A incapacidade do Bureau para obter os detalhes corretos do Incidente Roswell não afastou Hoover, porém, da convicção de que a melhor maneira de se obter o máximo de informes a respeito desses misteriosos discos era cooperar com a FAA, em vez de tentar esquivar-se. Assim, a 30 de julho de 1947, a seguinte diretriz foi expedida a todos os agentes:
30-7-47
Boletim no. 42 do Bureau
Série 1947
É seu dever investigar todo caso de aparecimento de disco voador levado ao seu conhecimento, verificando se se trata de visão autêntica, imaginária, ou brincadeira. É preciso ter em mente que certos indivíduos comunicam ter visto discos voadores por diferentes razões. É concebível que alguém procure publicidade pessoal, causar histeria, ou fazer uma brincadeira.
O Bureau deve ser imediatamente notificado por telex de todos os aparecimentos e dos resulta dos das investigações. Nos casos em que a notícia parecer merecer crédito, o telex será acompanhado de carta ao Bureau, contendo os resultados minuciosos das investigações. A Força Aérea do Exército garantiu ao Bureau total cooperação no assunto e sempre que deixar de fornecer a informação disponível, ou recusar o exame de discos voadores capturados, o fato deve ser prontamente comunica do ao Bureau.
Qualquer informe em conexão com esses discos deve ser prontamente levado ao conhecimento do Exército através dos canais competentes.
62-83894
COPIA ARQUIVADA
70
252
58 18 Ag. 1947
4 de Agosto de 1947
Embora os documentos acima indiquem claramente o amplo envolvimento do FBI na investigação dos discos voadores, esse envolvimento foi mais tarde ocultado e negado pela agência. De posse do autor acham-se várias cartas do FBI, com datas entre 1966
e 1972, escritas em resposta a indagações do público referentes à
natureza e âmbito do envolvimento do Bureau no fenômeno dos discos voadores. Em cada uma dessas cartas, todas assinadas por J. Edgar Hoover, a resposta clássica é: "Para sua informação, o inquérito de Objetos Voadores Não-Identificados não está e nunca estará no âmbito de investigação do FBI.”
Outra descoberta inesperada foi feita entre os documentos liberados. Trata-se de um memorando datado de 23 de setembro de 1947, assinado pelo General Nathan Twining, da Força Aérea, e enviado ao chefe do Comando de Material Aéreo da FAA, dirigido ao Comando de Informação Técnica Aérea de Dayton, Ohio, que aparentemente solicitara ao seu gabinete orientação acerca dos "discos voadores". Segue-se um excerto do memorando:
23 de setembro de 1947
Assunto: CMA - Opinião Acerca dos "Discos Voadores .. Para: Comando Geral
Força Aérea do Exército
Washington, D.C.
ATENÇÃO: General-de-brigada George Schulgen
AC/ AS-2
1. Conforme solicitado pela AC/AS-2, apresentamos abaixo a opinião ponderada deste Comando com respeito aos chamados "Discos Voadores". Baseia-se esta opinião nos dados do relatório fornecido pela AC/AS-2 e estudos preliminares do pessoal da T-2 e Laboratório Aircraft, Divisão de Engenharia T-3. Chegou-se a esta opinião em uma conferência entre o pessoal do Instituto de Tecnologia Aérea e a Aircraft, Usina de Força e Laboratório de Propulsão da Divisão de Engenharia T-3.
2. É opinião que:
a. O fenômeno mencionado é algo real e não visionário ou fictício.
b. Existem objetos com a forma aproximada de um disco, de tamanho apreciável, a ponto de parecerem aeronaves fabricadas pelo homem.
c. É possível que alguns dos incidentes sejam causados por fenômeno natural, tais como meteoros.
d. As características operacionais observadas, tais como a extrema velocidade de ascensão, flexibilidade de manobra (sobretudo rotativa) e ação que deve ser considerada evasiva ao serem avistados ou contactados por aviões amigos, ou por radar, fazem crer na possibilidade
de
que alguns
dos
objetos
sejam
acionados
manualmente, ou por controle automático ou remoto.
e. A descrição comum aos objetos, ao que parece, é a seguinte:
(1) Superfície metálica, ou que reflete a luz.
(2) Ausência de rastro, exceto nos poucos casos em que o objeto operava aparentemente em condições de alto desempenho.
(3) Forma circular, ou elíptica, fundo achatado e topo arredondado.
(4) Há várias notícias de vôos em formação regular, variando de três a nove objetos.
(5) Nenhum som em geral associado ao objeto, à exceção de três casos em que foi notado um ronco substancial.
Compreende-se que o memorando Twining não se referia ao disco de Roswell, mas a data do documento, dois meses e meio após o incidente, e o fato de aceitar a realidade dos "discos voadores" indicam o clima oficial de urgência gerado pelo Incidente de Roswell. Quanto à questão levantada pelo processo do CAUS referente à data específica do acidente com um OVNI e operação (ou operações) de captura, a CIA respondeu em agosto que "esses dados cairiam no âmbito da Força Aérea e teriam que ser solicitados à USAF". Prevendo a resposta, a CAUS já fizera um requerimento FOIA à Força Aérea no mês anterior, solicitando especificamente os informes sobre discos caídos em 1947-48 e indicando como participantes do incidente um coronel da reserva da USAF, que, segundo se dizia,
"estava encarregado de policiar a área durante a operação de captura” e um tenente-coronel da reserva, que se achava em vôo na ocasião do suposto acidente e fora alertado quanto à intrusão do objeto no espaço aéreo dos Estados Unidos por um comunicado de rádio na freqüência scramble do seu aparelho.
A Força Aérea confirmou que o primeiro indivíduo, identificado apenas como "Coronel John Bowen", de fato servira como chefe de polícia militar na Base Aérea de Carswell, Fort Worth, à época do suposto incidente, mas não quis fornecer outros informes. Em agosto foi expedida uma negativa pro forma, na qual a Força Aérea caracteristicamente negava a existência de documentos ou registros relacionados com a queda e captura de qualquer aparelho extraterreno.
Mais tarde, em resposta à subseqüente apelação desta negativa, registrada de acordo com os requisitos da FOIA, a Força Aérea sustentou não estar sujeita a tal apelação, já que não negara acesso a documentos, e sim a própria existência do material. A FOIA, dizia, levava em conta apenas os casos de negativa de acesso aos registros, não os casos em que a existência específica de registros era negada.
E nisso ficou temporariamente a questão. A época em que escrevemos, uma famosa firma de advocacia de Washington, D.C., prevendo prolongada demanda, aceitou o caso CAUS vs Força Aérea a honorários reduzidos, como "processo de interesse público", enquanto simultaneamente o caso GSW/CIA prossegue nos tribunais, em mãos de uma firma de advocacia de Nova York. Peter Gersten, o advogado encarregado do caso, não se mostra muito entusiasmado com o material que a questão obteve até o momento:
"Desconfiamos que a agência esteja sonegando pelo menos 200
documentos, além dos 57 que confessa não nos entregar para salvaguardar fontes de informação." Contudo, pretende seguir com o processo de agência em agência, até obter os dossiês desaparecidos (inclusive os do Incidente de Roswell).
Superficialmente, pelo menos, o clima de cooperação oficial sofreu uma recente e relativa mudança. Pedidos de informação acerca de OVNI’s são agora atendidos, ou pelo menos acusados, com grande rapidez. Há exceções, é claro, nos casos importantes, entre os quais a ocorrência de Roswell pode ser classificada como chave e, de certo modo, antevisão do futuro.
Consideremos as implicações do Incidente de Roswell: se apenas um dos muitos indivíduos mencionados neste livro, que alegam ter visto o acidente e/ou subseqüente captura de um veículo extraterreno, estiver dizendo a verdade, talvez neste mesmo instante nós nos encontremos no limiar do maior acontecimento do século 20 - o primeiro contato com seres extraterrenos vivos (ou mortos). Esta ocorrência, caso verdadeira, seria pelo menos comparável ao encontro de Colombo com os surpreendidos nativos, na sua visita ao Novo Mundo. Com uma exceção: no caso, os nativos surpreendidos seríamos nós.
9
O Contato Russo
GRAÇAS aos empoeirados arquivos de outras décadas, soubemos da tremenda e inexplicável explosão de um meteoro ou cometa, que colidiu com a Terra, caindo sobre a Sibéria em 1908; do alto do planalto andino, na América do Sul, chegam notícias de uma recente bola de fogo que espatifou o pico de uma montanha em 1979; em 1978, tremendas explosões não identificadas foram ouvidas nas costas de Nova Jersey e da Virgínia, vindas do Atlântico; houve alusões também a estrondos ou explosões em início do século 19. A NASA, AEC, FAC, NOAA, Força Aérea, Guarda Costeira, Marinha e outras corporações têm dado explicações, dizendo o que esses estrondos não são, mas não conseguiram definir o que são em cada caso. E não têm explicações para os seguintes fenômenos satisfatoriamente comprovados: a bola de fogo siberiana, ou Tunguska, explosão de espaçonave, explosão atômica, ou fosse o que fosse, não deixou traços de corpo meteórico, ou extraterreno. Restou apenas um trecho achatado, ou queimado, de floresta (mas não cratera), um número considerável de renas mortas, lendas locais de uma grande explosão e vestígios de radiação que permaneceram através dos anos.
A prova do incidente andino, que se supõe ter ocorrido na Bolívia, permanece tão tênue como o ar da montanha, enquanto os grandes estrondos de 1978, ouvidos na costa do Atlântico, talvez se tenham originado no espaço, ou na própria Terra. Além das hipóteses de colisões e explosões espaciais, existem outros boatos, em geral ligados a OVNI’s caídos nos Estados Unidos e que talvez sejam, é
claro, variações do Incidente de Roswell, melhoradas e deslocadas para outros lugares, ao passarem de boca em boca. Ao que parece, nos anos subseqüentes nada do que veio à tona deixou indícios concretos de visitantes extraterrenos além de faixas queimadas na floresta e do inexplicável chamusco do solo do deserto. Nos últimos anos, porém, vieram à luz boatos e uma certa quantidade de documentação semi-oficial referente a outro "visitante do espaço". Este deixou prova concreta do seu encontro com a Terra: um OVNI, ao que parece, sofreu uma explosão e subseqüentemente colidiu com o solo antes de se recuperar e prosseguir em sua rota celeste. Existem certas semelhanças entre o incidente russo, que se supõe ter ocorrido nas proximidades do lago Onega, na República Socialista da Carélia, União Soviética, e o Incidente de Roswell.
O incidente do lago Onega ocorreu em 1961, mas só recentemente alusões ao assunto chegaram ao Ocidente. Foi descrito em OVNI na União Soviética. VoI. II (1975), pelo Prol. Felix Ziegel, e em As Novas Descobertas Psíquicas dos Soviéticos, por Gris e Dick (Prentice Hall, 1978). Os relatórios originais à época do incidente foram redigidos pelo Prof. Ziegel, do Instituto de Aeronáutica Soviético, e por Yuri Fomin, engenheiro do Estado. É digno de nota que já antes dos relatórios oficiais começou a circular na União Soviética grande volume de comentários referentes à ocorrência, que apareceram em publicações samisdat, ou ilegais, exatamente como se noticias de publicações de OVNI não-oficiais dos Estados Unidos tivessem sido mais tarde confirmadas pelo governo. Isto ainda não aconteceu. O incidente ocorreu próximo à aldeia agora abandonada de Entino, no extremo norte do lago Onega. Na manhã de 27 de abril de 1961, um grupo de 25 caçadores e lenhadores viu um "objeto aéreo de origem desconhecida" aproximar-se do solo e colidir contra ele junto a uma enseada. (Segundo as testemunhas, isto aconteceu às 8h ou 10h. As variações de tempo podem ser atribuídas a diversas razões, tais como confusão entre a hora de Moscou e a hora local, problema freqüente na União Soviética; a probabilidade de os caçadores não terem relógio, e o compreensível nervosismo de cidadãos soviéticos em face de explosões vindas do céu. Mas as descrições das testemunhas são exatamente acordes quanto ao que viram.) O objeto tinha forma oval, o tamanho de um grande avião de passageiros, e brilhava com luz azul-esverdeada. Viajava em baixa altitude e a tremenda velocidade. Seguia de leste para oeste quando bateu no chão próximo à margem norte do lago, provocando estrondo semelhante a uma explosão e causando considerável dano no solo e na vegetação circundante.
O alarmado grupo de caçadores procurou o guarda-florestal do distrito, Valentin Borsky, com um pedido urgente de ajuda. Borsky chegou ao local por volta das oito horas da manhã seguinte. Investigações feitas por Borsky revelaram que outras pessoas da região haviam observado a mesma seqüência de fatos que os caçadores. Segundo testemunhas, o objeto sobrevivera ao impacto com a terra e prosseguira para oeste com movimentos ligeiramente ondulantes, numa trajetória ainda próxima ao solo, desaparecendo em seguida. Todas as testemunhas declararam não haver som associado ao objeto, afora o resultante do próprio impacto.
Subseqüente investigação no local do incidente, feita por Borsky e mais tarde por uma equipe civil-militar da cidade de Povenets, com o ecologista Fydor Denisov chefiando o contingente civil e o engenheiro do exército soviético Major Anton Kopeikin no comando do setor militar, juntamente com o técnico sênior Tenente Bóris Lapunov, revelou que a colisão do objeto com a margem do lago produzira três sulcos, um maior e dois menores, e a conseqüente destruição da vegetação local. O impacto com o próprio gelo despedaçou grande faixa da superfície do lago, destroçando fragmentos e atirando outros maiores e menores ao solo. Aparentemente o gelo adquiriu intensa coloração esverdeada em conseqüência do impacto. Os sulcos produzidos no declive ao longo da costa consistiam em uma trincheira maior, com cerca de 27 metros de comprimento por 15 de largura e profundidade máxima de três metros; uma segunda trincheira, iniciando no extremo ocidental da primeira e dela separada por cerca de cinco metros e meio; e uma terceira, menos definida, com cerca de 40 centímetros de largura e conduzindo ao próprio lago. A escarpa tem, neste ponto do lago, inclinação de cerca de 60° em relação à
superfície da água. Além das mencionadas marcas que lembram trincheiras e dos danos causados pelo impacto no gelo do lago, não houve aparentemente outros sinais de colisão na área.
Exame minucioso dos sulcos ao longo do declive e do solo sublevado na margem do lago foi realizado pelo Major Kopeikin, levando à
descoberta de partículas minúsculas, pretas, de aparência metálica, forma geométrica e origem, ao que tudo indica, artificial, e de um pequeno fragmento de substância fina, também de aparência metálica, lembrando folha estanhada (grifo do autor), de um milímetro de espessura, dois centímetros de comprimento, e meio de largura, e que mais tarde descobriu-se ter a mesma composição das partículas pretas. Estas, juntamente com diversas amostras de gelo colorido de "verde-cromo" brilhante, assim como os grãos pretos, foram recolhidos e mais tarde enviados para análise ao Instituto Tecnológico de Leningrado.
A análise produziu os seguintes resultados:
A. O gelo verde, quando derretido, deixou um resíduo de fibra parecida com barbante. Essa fibra, ao ser analisada, proporcionou um composto orgânico desconhecido, acusando a presença de pequenas quantidades de alumínio, cálcio, bário, silício, sódio e titânio.
B. As partículas de aparência metálica e forma geométrica, segundo se verificou, eram resistentes ao ácido e a altas temperaturas, não eram radiativas, e pareciam consistir de uma liga sílico-ferrosa, combinada com quantidades menores de alumínio, lítio, titânio e sódio.
C. A substância que lembrava folha metálica parecia ter a mesma composição das partículas maiores.
O famoso geofísico soviético Professor Vladimir Sharanov, do Instituto Tecnológico de Leningrado, interessou-se de tal modo pelo incidente que tomou providências para visitar pessoalmente aquele local isolado. Baseando suas conclusões na análise acima, e na evidência do local da colisão, o Professor Sharanov manifestou a sua opinião:
Não creio que o objeto fosse um meteorito. A destruição e sublevação do solo causadas pela queda de um meteorito estão ausentes no caso. Especificamente, a queda de um meteorito deixa uma cratera duas a cinco vezes maior que o seu tamanho. Neste caso, não se encontrou cratera alguma. A queda de um meteorito vem acompanhada de efeitos auditivos e visuais nitidamente identificáveis. Não houve nenhum neste caso.
Por fim, a substância química deixada no solo pelos meteoritos não se acha presente no caso.
Os grãos encontrados no fundo do lago, embora inexplicáveis no momento, eram claramente de origem artificial.
A possibilidade de o objeto ser uma aeronave comum, ou mesmo um avião-espião americano (reação normal na União Soviética), fazendo. reconhecimento em baixa altitude para escapar à detecção pelos radares, foi totalmente afastada por Sharanov e pelos cientistas do Instituto de Leningrado. Concluíram eles que nenhum avião resistiria a tal impacto contra o solo gelado sem sofrer graves avarias estruturais e perder parte significativa de seus componentes que seriam mais tarde localizados na região.
O Professor Felix Ziegel, respeitado astrônomo, e cientista espacial soviético, autor de cerca de 28 livros sobre astronomia e astronáutica e numerosos artigos científicos sobre o assunto, seria altamente capaz, e, compreensivelmente cauteloso, de estabelecer a diferença entre aviões, cometas e meteoros. Suas próprias conclusões sobre o objeto voador não-identificado do lago Onega, baseadas em investigação pessoal do caso, são de considerável interesse. Qualificou-o de "sonda espacial vinda de outro planeta, (que) raspou o solo, mas conseguiu prosseguir o caminho, apesar de danos supostamente superficiais". E prossegue: "É o único caso registrado em território da União Soviética." O Professor Ziegel, nesta observação, refere-se apenas, é óbvio, a "acidentes" e não às muitas aparições de OVNI’s na União Soviética, inclusive rápidos encontros com aviões de combate, às vezes com resultados fatais para os pilotos.
O Professor Aleksander Kazentsev, famoso pesquisador cientifico russo, escritor e membro da Academia de Ciência Soviética, foi um tanto mais direto: Era, evidentemente uma sonda espacial. Se alguém tentasse identificá-Ia de outro modo, descobriria que toda evidência apontava em sentido contrário. É claro que, o dossiê sobre o mistério Onega está longe de encerrado.
Os incidentes de Roswell e do lago Onega são muito semelhantes. Consideremos os ingredientes: um objeto desconhecido, voando de leste para oeste, em altitude extremamente baixa e a alta velocidade; ocorre uma colisão, ou explosão, produzindo danos no solo; destruindo a vegetação e, no caso do lago Onega, o gelo; destroços de aparência metálica espalham-se pela área; não se houve som algum, exceto o da colisão, impacto ou explosão; o objeto permanece no ar, continua viajando para oeste após bater no solo, embora no incidente de Roswell tenha caído em seguida à primeira pane. Mas o objeto do lago Onega teria sofrido danos suficientes para causar a sua queda em algum ponto mais distante a oeste, como parece ter ocorrido ao objeto de Roswell? Dada a extrema vastidão e pequena concentração populacional da área que circunda o local do impacto no lago Onega, tal acontecimento poderia ter facilmente ocorrido e os destroços resultantes estariam ainda à espera de ser descobertos por algum caçador de peles, lenhador, membro de tribo nômade, ou talvez integrante de turma de trabalho. É possível ainda, sendo tão escassa a população, que os destroços do objeto (e talvez corpos da tripulação) tenham sido encontrados e recolhidos por unidades militares soviéticas, sem que a população civil tomasse conhecimento do fato, situação mais provável na União Soviética do que nos Estados Unidos, onde o Incidente de Roswell foi anunciado na imprensa e no rádio antes de ser abafado pelas autoridades. Durante décadas os Estados Unidos e a União Soviética entretiveram mútua desconfiança de que a outra superpotência é a origem dos insondáveis e persistentes OVNI’s. Uma ampla faixa da opinião pública de ambos os países acha-se agora mais ou menos convicta de que os nossos misteriosos visitantes existem de fato e vêm de algum ponto do espaço, ou talvez do tempo. Como ambos começam agora a explorar a nossa mais próxima vizinha do cosmos, a Lua, seria aconselhável que as duas potências, e outras que eventualmente ingressem na exploração lunar, partilhassem a informação obtida, sobretudo a que se refere à possibilidade de vida presente ou passada em nosso satélite.
Há insistentes boatos de que os astronautas americanos e os cosmonautas soviéticos observaram e fotografaram o que parecem construções na superfície da Lua, e que incluem muralhas, cúpulas, formações em feitio de ponte, agulhas e pirâmides agudas, calculadas em 450 metros de altura, no interior do Mar das Tempestades, onde Conrad e Gordon observaram também "algo que parecia um muro retilíneo". No lado escuro do satélite, a Luna 9 soviética registrou disposições geométricas de pedras imensas que, segundo o Professor Ivanov, cientista espacial russo, poderiam ser marcações de vôo de uma pista lunar. No Mar da Tranqüilidade, diversas sombras agudas parecem ser causadas por imensas estruturas e uma delas, de acordo com a descrição, tem a forma de uma torre "da altura do monumento de Washington". Outra lembra uma gigantesca antena, nos bordos da Cratera Jansen e, segundo descrições, é de
"altura improvável", sugerindo que talvez seja uma gigantesca torre de eletricidade.
Esses boatos e notícias têm sido, é claro, sistematicamente negados ou,
quando
já
fotografados,
depreciados
como
formações
perfeitamente naturais. Astrônomos e intérpretes de fotografias, cautelosos, compreende-se, no que respeita a sua reputação, explicaram as pirâmides como sombras, às pontes e muralhas como encostas recurvas, as disposições rochosas como penhas espalhadas ao acaso, e as cúpulas como relevos da superfície lunar resultantes de atividade vulcânica. (Mas se isto fosse exato, a superfície das próprias cúpulas seria da mesma cor da região lunar circundante, e não de um branco translúcido, como na verdade são.)
Outros fenômenos inexplicáveis observados na Lua sugerem movimento. Uma fotografia (que se supõe ser da missão Apolo 11), publicada nos Estados Unidos, Grã-Bretanha e outros países, mostra dois discos brilhantes não-identificados saindo de uma cratera lunar. Jorros de luz fixa e cintilações lunares intermitentes, em cores cambiantes, têm sido há muito observados em diferentes partes da Lua por grande quantidade de astrônomos de diversos países e em múltiplas ocasiões. Segundo se observou, originam-se em especial da Cabeça de Cobra do Vale Schroter e das crateras de Aristarco e Maskelyne. Um dos fenômenos registrados, uma estranha névoa que parece de silício e se ergue ocasionalmente na superfície lunar, foi atribuído, por um observador, considerando-se a ausência de vapor d'água, à possibilidade de "operários lunares" estarem escavando uma das crateras. Estes últimos fenômenos, se melhor estudados, seriam sem dúvida atribuídos ao interior ainda ligeiramente ativo da Lua.
Se adotarmos, porém, a hipótese lógica de que não estamos sozinhos em nossa galáxia, não será excesso de imaginação especular sobre a possibilidade do uso da Lua por outros seres não-especificados, como base de observação da nossa Terra. O lado escuro do satélite apresenta diversas vantagens importantes para esta finalidade. Está
protegido de interferência do rádio terrestre e não apresenta problemas climáticos, ou de corrosão. Sendo a maior lua do sistema solar em relação ao tamanho do planeta - quase um planeta-irmão da Terra - acha-se convenientemente próxima da vida planetária desenvolvida aqui existente.
O físico Stanton Friedman sugeriu que talvez os OVNI’s relativamente pequenos sejam "módulos de exploração" levados à Lua por naves maiores, vindas de outros pontos desta ou de outras galáxias. As dezenas de milhares de OVNI’s que têm sido vistos na Terra começaram a surgir em 1947, pouco depois que a bomba atômica introduziu a era que poderia ser chamada "fim do isolamento cósmico", ou "final da inocência". A proximidade entre a série intensiva de aparições de OVNI’s e os bombardeios atômicos, seguidos de testes continuados, talvez tenha provocado interesse mais vivo na atividade atômica da Terra por parte dos nossos vizinhos (se aceitarmos sem discussão que eles existem) do espaço interior ou exterior, intensificando suas observações e patrulhas, sobretudo nas extensas regiões onde as superpotências se preparam ativamente para a guerra atômica.
É lógico supor que, já que o maior número de aparições tem sido observado sobre os Estados Unidos e nos oceanos que o cercam, e mais recentemente em número progressivo nas planícies e florestas da União Soviética, haveria problemas ocasionais nas operações dos OVNI’s nessas duas extensas áreas do mundo. Embora se apontem pelo menos dois casos em que deixaram material aqui na Terra, pode ter havido outros que ambos os lados se ocultam mutuamente e escondem do seu próprio povo.
O perigo do constante sigilo acerca dos OVNI’s, agora em julgamento nos tribunais dos Estados Unidos, é bastante óbvio. A pane individual de um OVNI, resultando em grandes explosões ou ataques retaliatórios por parte de outros OVNI’s, poderia ser facilmente atribuída à ação inimiga em potencial (já que os OVNI’s não existem oficialmente), desencadeando uma reação em cadeia que conduziria ao uso de ogivas nucleares entre o crescente número de países possuidores de armas atômicas. As nações da Terra que as possuem devem-se a si mesmas e umas às outras a partilha de informes acerca dos OVNI’s que cruzam os nossos céus, como evidência de atividades espaciais não-identificadas.
Werner von Braun, o famoso pai dos foguetes, que contribuiu para o desenvolvimento da V-2 alemã na Segunda Guerra Mundial e mais tarde auxiliou os Estados Unidos nos seus lançamentos espaciais, fez uma declaração profética pouco antes de sua morte, a respeito da qualidade difusa, mas difícil de definir, dos OVNI’s e sua inferência de vida extraterrena: "É tão impossível confirmá-los no presente como o será negá-los no futuro.”
Esperemos que, à medida que o nosso presente se transforma em futuro incerto, nos disponhamos a aceitá-los com compreensão e boa vontade e, ao mesmo tempo, com o necessário preparo técnico, tanto em terra como no espaço.
Para isso é necessário um esforço comum, global, um livre intercâmbio entre organizações científicas e tecnológicas do mundo inteiro. Partilhar o nosso conhecimento de técnicas inventivas, informar ao público o que está acontecendo, e contribuir, tanto quanto possível, para o seguro andamento da nossa espaçonave, a Terra, através dos perigos inerentes ao cosmos. E embora ignoremos ainda se os OVNI’s representam ou não uma ameaça, torna-se evidente, à
medida que as superpotências fazem experiências com mísseis de alcance cada vez mais longo e satélites assassinos, que a humanidade representa para si mesma um perigo, tanto no espaço como na terra.
A presença cada vez mais óbvia dos OVNI’s sobre os continentes e oceanos terrestres leva-nos a refletir sobre o uso que fazemos dos grandes progressos científicos do último século e que estão agora, quem sabe, escapando ao nosso controle.
Inúmeros motivos foram atribuídos aos que enviam e tripulam os OVNI’s, que giram em torno sobretudo de agressão, exploração, reconhecimento para conquista, captura de espécimes humanos, ou futura ocupação planejada da Terra, e que apenas refletem todos as imagens de como nós reagiríamos no lugar deles. Mas, em vista do perigo que representamos para nós mesmos e nosso meio-ambiente, talvez haja outra explicação.
Aquilo a que chamamos OVNI será parte de um plano - ou mensagem
- cujo sentido se nos tornará claro, espera-se, antes que seja tarde demais.
OceanofPDF.com
Você terminou Incidente em Roswell
Charles Berlitz e William L. Moore