Incidente em Roswell

Charles Berlitz e William L. Moore · Capítulo 7 de 13

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Incidente em Roswell

P. - É capaz de descrever o…

P. - É capaz de descrever o material que encontrou no local?

R. - Havia todos os tipos de materiais - pequenas traves com cerca de quinze centímetros, cobertas com uma espécie de escrita hieroglífica que ninguém foi capaz de decifrar. O material parecia pau-de-balsa e tinha mais ou menos o mesmo peso, só que não era absolutamente madeira. Era muito duro, embora flexível, e não-inflamável. Havia uma vasta quantidade de substância que lembrava pergaminho, de cor marrom e extremamente resistente, e grande número de pequenas peças de metal parecido a papel estanhado, só que não o era. Interessado na parte eletrônica, saí à procura de algo que lembrasse instrumentos, ou equipamento eletrônico, mas não encontrei coisa alguma. Um dos outros sujeitos, Cavitt, creio, encontrou uma caixa preta, de aparência metálica, de vários centímetros. Como não descobrimos meios de abri-Ia e aparentemente não se tratava de uma caixa de instrumentos de qualquer tipo (era também muito leve), acrescentamo-Ia ao restante do material. Não sei que fim levou, mas seguiu com o resto dos destroços que levamos mais tarde a Fort Worth.

P. - Que é que havia de particularmente interessante no material?

R. - Uma coisa me interessou nos destroços: o fato de grande parte dele lembrar o pergaminho e apresentar pequenos símbolos que chamarei hieroglíficos porque não consegui decifrá-Ios. Impossível lêIos. Eram apenas símbolos, algo com alguma significação. Não eram todos iguais, mas eu diria que seguiam o mesmo padrão. Eram rosa e vermelho. Pareciam pintados. Esses pequeninos símbolos eram inquebráveis e à prova de fogo. Cheguei a tirar o meu isqueiro, tentando atear fogo ao material que parecia pergaminho e pau-de-balsa, mas ele não se queimou. Nem sequer soltou fumaça. O mais surpreendente é que os pedaços de metal que recolhemos eram muito finos, parecidos ao papel estanhado dos maços de cigarros. Não prestei muita atenção a princípio, até que um dos rapazes se aproximou, dizendo: "Conhece aquele metal? Tentei dobrá-Io e não consegui. Tentei até com marreta. Sequer deixou marca..." Esse pedaço de material em particular tinha cerca de 60 centímetros de comprimento por 30 de largura. Era tão leve que quase não pesava. O

mesmo acontecia a todo o material transportado. Não pesava quase nada... era tão fino! Tentamos dobrar a coisa. Fizemos o impossível. Não dobrou, não rasgou, nem cortou. Tentamos até marcá-Io com uma marreta de oito quilos e não conseguimos... É ainda um mistério para mim toda aquela história. Quando falo em dobrar, refiro-me a vincar. Podia-se flexionar o material para a frente e para trás e até

enrugá-Io, mas não marcá-Io, ou vincá-Io, fosse como fosse. Eu quase o descreveria como um metal com as propriedades do plástico. Um dos rapazes tentou reunir algumas das peças, como se fosse um quebra-cabeças. Conseguiu juntar cerca de três metros, mas não era o bastante para se ter uma idéia da forma geral do próprio objeto. O

que quer que fosse, era grande.

P. - Que fizeram com o material que coletaram?

R. - Recolhemos todos os destroços que podíamos. Depois de encher o jipe comecei a pôr o restante na mala e no banco traseiro do Buick. Naquela tarde (7 de julho) voltamos a Roswell, onde chegamos ao anoitecer.

Descobrimos então que a história de que havíamos encontrado um disco voador chegara antes de nós. Tínhamos um oficial de informação pública muito precipitado na base, que decidira telefonar à

AP dando a notícia. Recebemos diversos telefonemas durante a noite e um repórter veio até minha casa, mas é claro que eu não podia confirmar coisa alguma pelo telefone, e o homem que me procurou foi enviado por minha mulher ao coronel. Na manhã seguinte o press release foi publicado e então a coisa estourou mesmo. O telefone tocava sem parar. Ouvi dizer que ele foi muito censurado pelos altos escalões por divulgar a notícia, mas não sei ao certo... Na tarde seguinte colocamos tudo num B-29 por ordem do Coronel Blanchard e voamos para Fort Worth. Eu estava escalado para acompanhar a carga até o campo de Wright, em Ohio, mas quando chegamos a Carswell, Fort Worth, o general vetou a ordem. Assumiu o controle a essa altura, disse à imprensa que se tratava de um balão meteorológico e ordenou-me que não falasse à imprensa sob circunstância alguma. Fui afastado do vôo e substituído por outra pessoa, que acompanhou os destroços até o Campo de Wright (Patterson). Tudo foi remetido para lá, a fim de ser analisado. Assim que chegamos a Carswell, Fort Worth, recebemos ordem de levar parte do material para o gabinete do general. Ele queria dar uma olhada. Obedecemos e ele espalhou tudo pelo chão, sobre um papel pardo.

Ali se achava apenas uma reduzida quantidade dos destroços. Havia muito mais. Havia lá fora metade da carga de um B-29. O General Ramey

permitiu

que

alguns

representantes

da

imprensa

fotografassem o material. Tiraram fotos minhas no chão, segurando um dos fragmentos que encontramos. Não foi uma foto trucada. Mais tarde retiraram os destroços, que foram substituídos por outros. E

permitiram novas fotos. Estas foram tiradas enquanto o material verdadeiro seguia para o Campo de Wright. Não apareço nelas. Creio que foram tiradas fotos do general e de um dos seus ajudantes. Tenho visto uma porção de balões meteorológicos, mas nunca um como aquele. E não creio que eles tenham visto também.

P. - Voltemos ao envolvimento do pessoal de imprensa e rádio. Podemos repetir a passagem?

R. - Foi o oficial de informação pública - Haut, creio que se chamava assim -que ligou para a AP e escreveu o press release. Soube que não fora autorizado a fazê-Io e creio que o censuraram severamente, inclusive de Washington. Recebemos telefonemas de toda parte do mundo. Foi o General Ramey que inventou a história do balão só

para afastar a imprensa. A esta dissemos que se tratava apenas de um balão e que o vôo para Wright-Patterson fora cancelado; mas o que realmente aconteceu foi que me afastaram do vôo e outra pessoa me substituiu até o Campo Wright-Patterson. Não me permitiram sequer falar à imprensa, exceto para dizer o que o general ordenara. Todos queriam me interrogar, mas eu não podia falar coisa alguma.

P. - Quer dizer então que essa história de balão meteorológico não passou de ocultamento?

R. - Bem, quero dizer uma coisa: os jornalistas pouco viram do material e nada das partes importantes, que tinham os hieróglifos ou marcações. Não viram porque não se achavam presentes. Queriam que eu falasse a respeito, mas era impossível. Quando o general entrou deu ordens para que eu nada dissesse. Ele cuidaria do caso. E

declarou aos jornalistas: "Sim, é este o balão meteorológico." Os jornalistas foram obrigados a aceitar sua palavra porque nada tinham em que se basear. Tentaram fazer-me falar no assunto, mas o general dera ordens e nada pude esclarecer. Foi quando o general me disse: "É melhor voltar para Roswell. Você tem obrigações a cumprir. Nós assumiremos tudo daqui por diante..." Em outubro de 1947, apenas três meses depois do Incidente Roswell, MarceI foi subitamente transferido para Washington, D.C., apesar dos protestos do Coronel Blanchard. Uma vez na capital, foi logo promovido a tenente-coronel (em dezembro) e designado para o Programa de Armamento Especial, encarregado de coletar amostras atmosféricas do mundo inteiro e analisá-Ias, num esforço para descobrir se os russos haviam explodido a sua primeira bomba nuclear. "Quando finalmente descobrimos que tinha havido uma explosão atômica, coube-me a tarefa de escrever o relatório sobre a questão", contou MarceI. "De fato, quando o Presidente Truman comunicou à nação que os russos haviam explodido um artefato nuclear, era o meu relatório que estava lendo.”

Quando lhe perguntaram se sabia que os destroços da fazenda de Brazel se relacionavam com a notícia de que um disco voador se espatifara próximo a Socorro mais ou menos naquela data, Marcel respondeu:

- Soube da notícia, mas não pude verificar a ocorrência pessoalmente. E claro que se outro grupo militar estivesse lidando com uma parcela maior de destroços não havia razão para que eu fosse oficialmente informado. Só posso afirmar o que vi e, repito, o material que examinei não provinha de balão meteorológico.

P. - Haveria alguém capaz de recordar alguma coisa sobre o que se encontrou na fazenda de Brazel?

R. - Meu filho talvez lembre alguma coisa. Tinha cerca de doze anos na época e viu parte dos destroços retirados do local antes de serem embarcados.

O filho do Major Marcel é agora médico em Helena, Montana. Em menino, o Dr. Marcel interessava-se, naturalmente, por aeronáutica e viagens espaciais. Vivia fascinado pelo que o pai trouxera para casa e pelas notícias de que um veículo espacial se despedaçara próximo à

Base de Roswell, mas não teve muita oportunidade de examinar os destroços.

O Dr. Marcel recorda:

- Papai recebeu um telefonema para investigar um aparelho caído, ou algo semelhante. Ficou ausente uns dois dias e voltou com um caminhão e parte do carro cheio de destroços e fragmentos. O material lembrava papel estanhado muito fino, metálico, mas não era metal, e parecia resistente. Havia também alguns elementos estruturais - vigas, etc. E, além disso, uma quantidade de material plástico preto, que parecia de natureza orgânica.

Papai voltou ao anoitecer. Esteve ausente uma noite inteira e a maior parte do dia seguinte. Trazia um Buick 1942 e um trailer Carry-all, ambos atulhados de material que era apenas uma pequena fração do total dos destroços.

Recorda o Dr. Marcel que estava com cerca de onze anos na época. Quando perguntaram se conseguira guardar um fragmento do material, respondeu:

R. - Eu seria capaz de me chutar mil vezes por não ter guardado. Papai disse que era material secreto e não se podia tocar em nada, e obedeci. Mas me arrependo agora.

O Dr. Marcel se recorda de ter ouvido mais tarde alguma coisa a respeito do incidente.

R. - Sim. A história se espalhou e fomos assediados pelos repórteres, etc. Não me envolvi demais no assunto. Minha mais forte impressão é

de que os objetos e fragmentos metálicos pertenciam a uma espécie de máquina, não a um balão meteorológico. Disseram-me que se tratava de uma aeronave, mas não de tipo conhecido, com certeza. Papai disse que a velocidade do impacto não se coadunava com qualquer espécie de aeronave existente na época.

Várias semanas depois, em abril de 1979, o Dr. Marcel recordou ainda:

Com referência ao incidente do OVNI em 1947, ou 1948, omiti uma descrição espetacular dos destroços, temendo que fosse resultado da viva imaginação de um garoto de doze anos. Gravados ao longo da borda de um fragmento de trave havia sinais hieroglíficos. Interroguei recentemente meu pai a respeito e ele recordou ter visto também sinais e até os descreveu como sendo cor-de-rosa, ou rosaarroxeado. Hieróglifos egípcios seriam uma imagem próxima dos caracteres, mas não creio que houvesse figuras de animais, como nos verdadeiros hieróglifos.

Pergunto-me muitas vezes se haveria ainda fragmentos do desastre no solo do deserto do Novo México. Segundo meu pai, parte dos destroços foi deixada para trás quando ele e sua equipe investigaram o local. Desconfio, porém, que quando a verdadeira natureza da nave se tornou conhecida do Serviço Secreto da Força Aérea, toda a região foi minuciosamente revistada e limpa.

Conforme sabe, meu pai trouxe parte dos destroços para casa e espalhou-os no chão da cozinha, tentando reunir alguns dos fragmentos maiores. Havia literalmente pilhas de destroços metálicos, juntamente com resíduos de um material preto, frágil, que lembrava plástico derretido ou queimado. A tarefa era impossível porque havia fragmentos demais para o chão de uma cozinha.

Duvido que todos os pedaços menores tenham sido recolhidos do chão. De fato, minha mãe observou que parte deles foi provavelmente varrida porta afora. Mais ou menos naquela época mandamos fazer uma laje de concreto nos fundos, formando um pátio. Não me lembro se antes ou depois do incidente, mas se foi depois, haveria melhor maneira de preservar esses fragmentos que foram varridos? (As chances de) Recuperação seria, de qualquer modo, infinitamente reduzida, mas não inexistente...”

Embora, nas crônicas da arqueologia, não seja esta a primeira vez em que fragmentos ou registros de potencial incalculável foram inconscientemente destruídos, os pesquisadores teriam sem dúvida certa dificuldade em explicar aos atuais proprietários da casa dos MarceI a necessidade imperiosa de quebrar o piso do pátio pedacinho a pedacinho, a fim de localizar fragmentos de escrita espacial. Walter Haut, hoje proprietário da Galeria de Arte W. H. de Roswell, embora oficial de informação da base à época do incidente, não foi uma

de

suas

testemunhas.

Suas

atividades

limitaram-se

principalmente à agitação causada pela chegada de visitantes interplanetários, ao que parecia. Em entrevista de março e junho de 1979 recorda o seguinte:

Chamado pelo Coronel William Blanchard, recebeu ordem de escrever e distribuir um comunicado à imprensa no sentido de que a FAA recolhera os despojos de um disco voador. Ao indagar se poderia ver o objeto em questão, soube pelo Coronel Blanchard que era impossível. Ele escreveu a notícia e distribuiu o comunicado. Haut foi informado de que o Major Marcel viajara no avião que transportava o material a Fort Worth, mas não o acompanhou. Recebeu ordens para ficar e "atender ao telefone" (é bom lembrar que não passava de tenente), o que fez sem interrupção nas oito horas seguintes, recebendo pedidos de informação do mundo inteiro, inclusive, ele bem recorda, de Hong-Kong. Quando o Coronel Blanchard soube dessa explosão internacional "ficou furioso" e disse ao Tenente Haut: "Se houver um meio de acabar com isso, vá em frente e acabe logo." A pressão cessou quando foi expedida a história do balão meteorológico em Fort Worth, acompanhada das negativas do General Ramey à imprensa e pela Rádio WBAP de Fort Worth. Haut pediu demissão em abril de 1948, ao saber que seria transferido. (N.B. Foi promovido a capitão antes mesmo de sair do serviço militar, mas não antes de manifestar seu desejo de pedir demissão.) Um certo Sargento Edward Gregory, que trabalhou no Setor de Informação Pública com o Tenente Haut na época do incidente, observou em entrevista telefônica com Stan Friedman, de sua casa em Livermore, Califórnia, que nunca chegou a entender por que o Tenente Haut deixara a Força Aérea. Se tivesse continuado faria uma bela carreira porque era excepcionalmente inteligente. O Coronel Blanchard, segundo o Sargento Gregory, era "dos melhores... de primeira classe, e não haveria de sugerir qualquer press release, a menos que tivesse certeza de não se tratar de balão meteorológico". A série de negativas do primeiro comunicado poderia ser atribuída a um engano normal e desculpada com base na onda de OVNI que corria o país na época, por mais que isso afastasse o comando local da tradição militar de "nada de desculpas - nada de explicações". Mas haveria uma diversidade de outras testemunhas diretas e indiretas e, se os escalões superiores decidissem abafar a história, seria necessário encontrar meios para silenciar eficazmente essas testemunhas, fosse pelo ridículo, fosse levando-as a modificar sua história.

Uma pessoa dotada com certeza de informes em primeira mão sobre a suposta espaçonave seria William W. "Mac" Brazel, o fazendeiro que descobriu nas suas terras os estranhos destroços e o responsável, em última análise, por levar o assunto ao conhecimento do Major Marcel, em Roswell. Embora Brazel pai tivesse morrido em 1963, um filho e uma nora, Bill e Shirley Brazel, de Capitan, Novo México, recordam bem o incidente. Bill é empregado da Texas Instruments e passa a maior parte do tempo trabalhando fora de casa, como técnico em geossismologia, na região petrolífera do North Slope do Alasca.

Moore: (Entrevistas de março, junho e dezembro de 1979)

Pergunta: Sr. Brazel, que me diz da experiência de seu pai referente à

descoberta de destroços de um artefato aéreo nas terras de sua fazenda?

Resposta: Bem, na verdade não posso contar toda a história porque não a conheço por inteiro. Papai relutava muito em falar no assunto e sei apenas o que consegui obter dele no decorrer dos anos. Ele levou para o túmulo quase tudo o que sabia. Eles (os militares) forçaram-no a jurar segredo, compreende, e ele levava o assunto muito a sério. Um sinal de como levava a sério é que jamais comentou o caso com mamãe. Para dizer a verdade, Shirley era mais próxima dele que qualquer outra pessoa da família, e se ele resolvesse contar a alguém o que sabia, seria a ela. Mas nunca revelou, nem mesmo a Shirley, toda a história, de modo que se o exército não decidir contar tudo o que sabe, é provável que nunca se descubra coisa alguma sobre o caso.

Na realidade soubemos da história ao comprar, uma noite, um exemplar do Journal de AIbuquerque, com uma foto de papai na primeira página. Havia outra reportagem no Lincoln County News. Shirley disse: "Meu Deus, em que ele foi se meter agora?" Respondi:

"Não sei, mas talvez seja melhor ir até a fazenda amanhã e investigar." Éramos recém-casados na época e morávamos em Albuquerque. Mas quando chegamos à fazenda, papai não estava. Não havia ninguém em casa. Bem, sabíamos que ele fora a Roswell, pelo que dizia o jornal, de modo que resolvi ficar cuidando da fazenda até que ele voltasse. Shirley regressou a Albuquerque naquela noite. Na segunda-feira (14 de julho), como papai ainda não tivesse aparecido, comecei a me preocupar e foi então que decidi ir até Corona fazer alguns telefonemas para descobrir o que se passava. Disseram que não me preocupasse, que papai estava bem e que voltaria para a fazenda em um ou dois dias.

De fato voltou, mas ao chegar não quis dizer onde estivera ou o que fizera. Parecia muito aborrecido Com a história toda e não se sentia disposto a falar sobre o assunto. "Você leu o jornal", disse ele. "E isso basta. Assim ninguém vai aborrecer você com a história." Mais tarde disse que "encontrara essa coisa e entregara em Roswell" e que por causa disso o haviam detido cerca de uma semana. Parece que ainda o escuto. "Poxa, tentei fazer uma boa ação e por causa disso me prenderam." Falou em seguida que, já que tínhamos lido o jornal, sabíamos de tudo o que era preciso. Disse ainda que haviam recomendado que ele calasse a boca porque isso era importante para o país, um gesto patriótico, e era o que ele pretendia fazer. Disse que o haviam fechado num quarto, não permitindo que saísse. Estava muito desanimado e aflito pela maneira como o haviam tratado. Chegaram a fazer um "exame físico de exército, da cabeça aos pés", antes de permitirem que ele voltasse para casa.

O que acabei por arrancar dele veio aos pouquinhos, no decorrer dos anos. Pelo que consegui reunir, aconteceu o seguinte:

Papai estava na casa da fazenda com os dois garotos menores, no final da tarde, quando desabou uma terrível tempestade elétrica. Disse que foi a pior tempestade que jamais viu (e pode ter certeza de que viu muitas). Não havia muita chuva, apenas raios, um após outro. Achou estranho que os raios incidissem repetidamente sobre os mesmos pontos, quase como se houvesse algo a atraí-Ios. Pensou em depósitos minerais, ou coisa semelhante. Seja como for, no meio da tempestade ouviu uma espécie de estranha explosão; não parecia um trovão comum, era diferente. Disse que não prestou muita atenção no momento, porque a tempestade era tão violenta que julgou tratarse apenas de uma anomalia qualquer; porém mais tarde começou a pensar no caso. Na manhã seguinte, a caminho do pasto para inspecionar as ovelhas, encontrou o monte de destroços espalhados por cerca de um quilômetro de comprimento por várias dezenas de metros de largura. Disse uma vez que, fosse o que fosse, tinha-se a impressão de ser resultado de uma explosão. Falou também que, pela maneira como estavam espalhados os destroços, via-se que era "uma aeronave a caminho de Socorro", que fica a sudoeste da fazenda. A princípio ele não reconheceu a importância do fato. Só depois de pensar no caso um dia ou dois é que resolveu que seria melhor voltar e espiar de perto.

Foi então que pegou alguns fragmentos e os levou para a fazenda. Naquela noite visitou Procter (Floyd Procter, o vizinho mais próximo) e falou-lhe sobre o acontecido. Mas Procter não se interessou em ir examinar os destroços, ao passo que papai estava mais curioso do que nunca. Na noite seguinte foi a Corona e só então, discutindo com meu tio, Hollis Wilson, e um conhecido dele de Alamogordo, ouviu falar pela primeira vez nas histórias de disco voador que corriam a região naquela época. Tanto Hollis como o sujeito de Alamogordo acharam que papai talvez tivesse recolhido fragmentos de um desses objetos e aconselharam-no a procurar as autoridades. Papai ainda não estava convencido, mas sabia que o material não se parecia com coisa alguma que já tivesse visto, de modo que no dia seguinte chamou os dois garotos e partiu para Roswell, passando antes por Tularosa, onde deixou os meninos com mamãe. Creio que sua intenção fosse seguir para Roswell e comprar um novo jipe. Não faria com certeza a viagem só por causa do achado, mas não deve ter previsto em que se estava envolvendo. Uma coisa é certa: não comprou o jipe naquela viagem.

Algumas das reportagens dizem que ele foi a Roswell para vender lã. Não sei de onde tiraram a história, ou a outra informação incluída na reportagem, mas posso dizer com certeza que papai nunca vendeu lã

em Roswell. Sempre firmava contrato com uma companhia de Utah, que recolhia o material na fazenda com seus próprios caminhões. De qualquer modo, sei que não foi à cidade para vender lã, e sim para trocar o jipe.