Lemúria, terra da luz: acessando os registros akáshicos

Capítulo 10 De volta ao passado

Capítulo 10

De volta ao passado

 

Era um lindo dia ensolarado na abençoada em Mu terra da luz (Lemuria), ou simplesmente como era chamada terra Mãe, a palavra Mu, significa mãe. Pois todos somos filhos dela e sem ela não existe vida, a mãe terra nos dá abrigo, alimento, mata a nossa sede, nos brinda com todo seu amor e carinho e nos alimenta vibracionalmente permitindo viver a experiência terrestre no corpo físico. Aprendemos isso desde que nascemos, vemos e ouvimos nossos pais se conectarem a terra, somos todos filhos de Mu. Eu estava andando pelos campos floridos próximo a minha casa, quando ouvi uma voz familiar me chamar:

- Malena!!!!!!!!! 

- Estou aqui! Respondi eu sorrindo. Era minha melhor amiga, seu nome é Malóra, tínhamos praticamente a mesma idade, ela um pouquinho mais velha que eu, um diferença de um pouco mais de um ano, eu tinha 12 anos e ela 13. Nem me lembro de como começou nossa amizade, pra mim Malóra era uma irmã, uma alma afim, desde quando pude brincar sozinha nos campos nos encontramos e nunca mais nos afastamos uma da outra. Tínhamos uma vida muito pacata, vivíamos numa região agrícola, longe da cidade, com poucas casas e poucas crianças. Em Mu, tudo era especial, a espiritualidade era a coisa mais importante que existia, a vida material era apenas um meio para vivenciar o espírito, não existia competição, nem vencedores, nem fracassados, acreditava-se que cada indivíduo nascia com um propósito divino e que o mais importante era estar em sintonia com esse propósito e que só através da união entre todos, que esse propósito poderia ser alcançado. As crianças cresciam livres e os adultos observavam a cada uma delas para auxiliar na descoberta do propósito divino, tudo com muito amor e tranquilidade.

Meus pais eram agricultores, cultivavam diversos tipos de vegetais e também muitas frutas, eles se dedicavam ao contato com os espíritos da natureza, em Mu, todos tinham consciência de que o Criador vive em tudo que existe e que se fazia necessário a harmonia entre os mundos. Em nosso mundo todos eram vegetarianos, com exceção daqueles que viviam perto do mar, esses comiam pequenos peixes, mas somente o necessário para se alimentar.

Nosso continente era enorme, muito vasto, as cidades eram sagradas e viviam nelas apenas aqueles cujo propósito divino assim necessitavam. Os lemurianos visitavam as cidades em datas especiais, para buscar orientação espiritual, tratamento ou troca comercial, não existia dinheiro, não tinha necessidade, todos eram igualmente importantes para a coletividade, tinham consciência de que precisavam uns dos outros, que o trabalho era sagrado e essencial para a evolução. Ninguém era mais importante que ninguém, todos eram igualmente respeitados. Uma outra característica dos lemurianos era que falavam muito pouco, herança de sua origem cósmica, os lemurianos eram os descendentes dos plêiadianos que colonizaram o planeta há muito tempo atrás juntamente com os sirianos e arcturianos, muito antes do que podemos imaginar.

 

-Malena! 

-Eu estava te procurando! Disse Malóra preocupada.- Que isso Malóra, porque a preocupação? Você sempre sabe onde me encontrar, conhece esses campos tão bem quanto eu e sabe nossos lugares prediletos -Respondi sorrindo 

- Desculpe amiga, acho que estou ansiosa, está se aproximando da data da nossa visita a escola da consciência, mal vejo a hora de ir, estou ansiosa, será que nosso propósito divino está lá? Perguntou Malóra apreensiva. -Acredito que sim - respondi confiante.

Afinal se nossos pais nos inscreveram para a seleção, então é porque eles acham que temos algum tipo de habilidade certo? É verdade que todos passam por essa experiência quando estão na época do florescimento, porque é nessa idade que os talentos e habilidades florescem.- Tudo que eu mais quero é ser aprovada junto com você, já pensou nós estarmos lá juntas? Quem sabe nosso propósito divino está interligado? Afinal nos conhecemos desde pequenininhas e estamos sempre juntas, somos almas afins. Falou Malóra confiante. 

 

Eu concordei, mas não quis pensar muito no assunto, a chance de entrar na escola da consciência era algo novo e empolgante, mas eu não tinha pressa para crescer, por mim minha vida continuaria da mesma forma, já Malóra era bem mais amadurecida que eu e ansiava pelo dia que iríamos nos apresentar na escola.

Estávamos na idade certa, na Lemuria dos 12 aos 15 anos era considerado o período do florescimento, uma idade muito especial onde os talentos e habilidades individuais começavam a se manifestar. Os lemurianos eram muito ligados à seus filhos e achavam muito importante estar perto deles na fase inicial da vida, mesmo que apresentassem cedo os dons e talentos, eles aguardavam o período do florescimento ( como era chamada na Lemuria a adolescência ), então dentro deste período os pais inscreviam seus filhos na escola da consciência , que era um lugar onde os lemurianos aprendiam a desenvolver suas habilidades extra sensoriais , para servir a coletividade através do trabalho de cura ou orientação de espiritual. Em cada cidade da Lemuria existia uma escola da consciência . Era necessário passar por um período de avaliação, um treinamento básico, ao término todos os inscritos recebiam a resposta se o propósito divino estava em sintonia com a escola da consciência ou não, caso não estivesse, o aluno saia com uma orientação para onde deveria ir, sempre era uma alegria, pois todos recebiam orientações de acordo com sua própria natureza e propósito divino, que era a coisa mais importante para os lemurianos.

Aqueles que eram aprovados, davam continuidade a seus estudos e ao concluir poderiam ficar para trabalhar na própria escola, ir para uma nova escola como professor ou ser encaminhado para a cidade do Círculo sagrado (conselho formado pelos principais sacerdotes e sacerdotisas de Mu) que ficava ao pés da montanha sagrada, onde viviam os sacerdotes e sacerdotisas que trabalhavam no Grande templo de cura do universo. Tudo dependia do desempenho do aluno e qual função estaria em sintonia com seu propósito divino.

O tempo foi passando e se aproximava a data onde eu e Malóra nos apresentaríamos na escola da consciência, de modo geral todos os jovens nessa idade eram encaminhados para a escola da consciência mais próxima de suas moradias, participando do treinamento básico. Isso fazia parte da cultura, ensinar aos jovens os princípios fundamentais das energias e da história do universo.

Eu e Malóra estávamos brincando no bosque que existia perto de nossas casas, era um dos nosso lugares preferidos, tinha muitas árvores e arbustos variados, um verde lindo, os raios de sol atravessavam o verde formando pontos de luz por todos os lugares. No centro do bosque havia um gazebo, isso era bem comum na Lemuria, em todos os bosques haviam um desses, era um lugar sagrado, para meditar, ou simplesmente apreciar a obra do Criador, o silêncio era visto como sinal de sabedoria e evolução, momentos de silêncio e introspecção eram muito bem vindos e respeitados.

 

-Vamos para os campos floridos? Disse eu animada.- Por que você quer ir pra lá agora? Perguntou Malóra. - Não sei, só me deu uma vontade de ir para lá - respondi. Ok, então vamos, mas depois voltaremos ao bosque, me sinto muito bem aqui, gosto da paz que ele me passa.

E fomos as duas em direção aos campos floridos, era um lugar muito vasto, uma planície verde com flores do campo, existiam apenas estradas de terra onde raramente passava alguém, era um lugar calmo e tranquilo, as únicas pessoas que se viam eram os agricultores que moravam nos arredores, fora isso a estrada era praticamente deserta. Mas nesse dia aconteceu algo diferente. Estávamos nós duas deitadas olhando para o céu e imaginando como devia ser lá em cima. 

-Visitar outros planetas deve ser bem legal. Disse eu.- Deve mesmo, você sabia que que através da expansão da consciência isso é possível? Quem sabe se a gente for aprovada na escola a gente tenha acesso a esse tipo de treinamento? Eu ia adorar! Disse Malóra rindo. Nós duas começamos a rir, foi quando algo aconteceu que chamou nossa atenção para outra direção.

-Olha só Malena! Tem alguém caminhando na estrada! Vamos nos aproximar para ver um pouco melhor!

Estávamos distantes da estrada, fomos caminhando vagarosamente para investigar quem era figura misteriosa, não era ninguém que morava no local, eram por volta das dez horas da manhã e todos estavam trabalhando, somente as crianças estavam livres.

Quando nos aproximamos um pouco mais o suficiente para ter uma visão melhor, percebemos que não era uma pessoa comum, era um caminhante. O caminhante na Lemuria era um sacerdote do círculo sagrado , eram pessoas que tinham muitas habilidades extrassensoriais , muito sensíveis , que haviam sido treinados para trabalhar como curadores , eles normalmente carregavam ervas medicinais e também tinham habilidades curativas e podiam fazer leituras de alma , isto é, eles tinham acesso aos registros akashicos , podiam acessar tanto o passado , como o futuro , para que uma pessoa se tornasse um caminhante era preciso ser admitido como aspirante no círculo sagrado , que por sua vez recebia esses candidatos a sacerdotes e sacerdotisas das escolas da consciência espalhadas pelo continente. Eles passavam por um treinamento rigoroso, apenas aqueles que concluíssem o treinamento do Círculo eram autorizados a peregrinar pelo continente, muitos eram aspirantes a sacerdotes e deveriam cumprir um período como caminhante antes de consagrarem suas vidas ao círculo sagrado. Após a consagração, muitos ficavam em definitivo na cidade sagrada trabalhando no templo e outros retornavam a peregrinação de forma definitiva, vivendo de cidade em cidade, levando amor, cura e gentileza por onde passavam. Ter um caminhante passando próximo à sua casa ou região era considerado um benção, as pessoas ofereciam alimentos e abrigo, como também provisões para a jornada, eles tratavam os doentes, faziam leituras de alma e assim cumpriam sua missão. 

Os caminhantes que viajavam, retornavam a cidade sagrada sempre que chamados pelo círculo, o círculo sagrado era uma espécie de conselho, formado pelos sacerdotes e sacerdotisas mais antigos, esse chamado era telepático, sempre que chamados eles retornavam a cidade sagrada sempre que necessário.

Eram pessoas muito diferentes, apreciavam a paz e o silêncio, eram solitários, não se casavam, mas podiam ter relacionamentos, mesmo que suas vidas não permitissem constituir uma família, tinham muito amor no coração, viviam em paz, sua consciência de seu propósito divino e da missão a cumprir lhes proporcionava equilíbrio e harmonia, suas almas já nasciam prontas para isso. 

 

-É um caminhante! Com certeza! Disse Malóra super empolgada.- Nossa, um caminhante é assim? Eu nunca tinha visto um antes, só ouvido falar, é um homem ou uma mulher? Não consigo ver a diferença. Respondi curiosa

 Olhando mais de perto era possível ver melhor , ele era alto , bem magro , com braços longos , muito branco , quase transparente , o cabelo era louro nem curto e nem comprido , os olhos eram azuis e tinham um brilho diferente , suas vestes eram brancas , uma túnica longa muito simples sobre uma calça de pano da mesma cor , usava sandálias que pareciam ter sido feitas de material vegetal , era uma figura muito intrigante , usava uma bolsa de pano atravessada no corpo , provavelmente onde deveria guardar algum alimento e suas ferramentas de trabalho, ele não tinha nos visto e caminhava calmamente pela estrada .

Foi quando eu e Malóra começamos a conversar:- Malena, vamos até lá falar com ele?

- Pra que? Perguntei desconfiada.

- Você sabia que se alguém pedir a um caminhante que faça a leitura da alma da pessoa, ele não pode dizer não? Pois a pessoa está colocando em prática a lei do livre arbítrio e ele é obrigado a fazer.- Vamos pedir para ele fazer nossas leituras de alma? Sugeriu ela super animada.

-Você tem certeza Malóra? Será que ele vai aceitar? - Ele tem que aceitar, faz parte do trabalho dele.-Ok, então vamos tentar, você fala primeiro, depois eu falo! Disse eu despretensiosamente.

-Combinado! Vamos até lá! Malóra respondeu confiante.

 

Nós duas fomos caminhando na estrada na direção dele e nessa altura ele já havia percebido nossa presença, foi quando ele nos olhou fundo nos olhos, Malóra simplesmente congelou nessa hora e ficou muda, toda aquela confiança havia ido por água abaixo, na frente do caminhante estava imóvel parecendo uma estátua, foi quando eu tomei a frente e comecei a conversar com ele.

- Bom dia, paz e Bem. Você é um caminhante certo? - Sim (respondeu ele) 

- Você poderia fazer a nossa leitura de alma? 

- Só posso fazer de quem me pede, assim é a lei do livre arbítrio.- Então você pode fazer a minha leitura? Disse eu meio trêmula. - Você tem certeza criança? - disse o caminhante. - Sim tenho, respondi rapidamente.

- Tem algum bosque por aqui que possamos ir ao gazebo? - Sim tem, é bem perto, só nos seguir por favor.

 

Fomos caminhado na direção do bosque, naquele momento era como se o tempo congelasse, só existia o agora, Malóra continuava muda, sem emitir nenhum som, mas nos seguia e ficou do meu lado todo o tempo. Ao chegarmos no gazebo ele se sentou e me pediu que eu me sentasse em frente a ele e estendesse minhas mãos. 

Eu não contive a minha curiosidade e perguntei:- Você é ele ou ela? Como eu te chamo? 

Ele me olhou nos olhos e disse:

Faz diferença? Respondeu ele sorrindo.

Depois ignorou minha pergunta, começou a se concentrar e me pediu que eu fechasse os olhos, procurasse relaxar, esvaziar a mente depois pediu que eu me mantivesse em silencio, ele/ela fechou os olhos, respirou fundo, passaram mais ou menos uns 20 minutos (parecia uma eternidade pra mim) foi quando ele abriu os olhos, me pediu que fosse retornando do relaxamento que eu me encontrava e logo que eu abri meus olhos ele/ela começou a falar:

 

- Você tem um lindo caminho de alma , de muita luz , mas até alcançar esta luz plenamente você passará por muita dor e sofrimento , seu aprendizado neste planeta será intenso , mas você jamais estará sozinha , passada as vidas difíceis , resultados das suas próprias ações , você terá uma grande oportunidade e reencontrará a todos a quem ama , renovará seus votos espirituais de um passado distante , também não irá para a escola da consciência, como planeja , mas não fique triste , porque a escola da consciência virá até você . Num futuro distante, eu me reencontrarei com você novamente, e você estará pronta para me ajudar, os papéis se inverterão, e o Bem prevalecerá, pois sua missão com a Lemuria, não estará completa até que isso aconteça. Quando for chegado o momento da iluminação, quando nos reencontrarmos, relembraremos este momento e a Lemuria despertará dentro de você. 

 

Após estas palavras o caminhante silenciou e não disse mais nada, eu estava totalmente sem reação, não sabia o que pensar, não tinha certeza de ter entendido tudo, naquele momento o que ficou gravado na minha cabeça foi que eu não ficaria na escola da consciência, isso me gerou uma tristeza, mais também uma alegria ao saber que um dia ela viria até a mim. A tristeza maior era saber que eu iria me separar da Malóra, tínhamos nossos planos para a escola e pelo o que o caminhante falou, as coisas não iriam acontecer como planejamos.

Eu agradeci a ele por tudo, ele seguiu seu caminho. Eu e Malóra, voltamos para nossas casas sem dizer sequer uma palavra, estávamos em choque, meio atordoadas. Eu precisava pensar, tentar entender o que ele quis dizer. Não tinha a menor idéia do que viria pela frente.

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