Lemúria, terra da luz: acessando os registros akáshicos
Capítulo 13 Malía Millyanta
Capítulo 13
Malía Millyanta
Após a apresentação oficial em frente a pirâmide do conhecimento, fomos levados para nossos alojamentos e lá mesmo fomos apresentados ao professor responsável. Os alunos eram divididos em grupos de até 20 pessoas, cada grupo estava sob os cuidados de um professor, além dos professores também trabalhavam lá os instrutores, o professor era o principal responsável pelo grupo, era ele que avaliava e direcionava cada um dos alunos para suas futuras funções. O professor se reunia constantemente com os instrutores, trocavam idéias durante todo o processo de avaliação, o objetivo maior era compreender a essência de cada um e direcioná-la da melhor forma possível.
A nossa professora chamava-se Millyanta, era uma mulher de idade indefinida, aproximadamente entre 30 e 40 anos, mas não dava para saber ao certo, ela falava pouco, como de costume, tinha uma pele muito branca, cabelos loiros, olhos azuis, usava um vestido branco longo e bem simples, os cabelos sempre em trança, sem nenhum tipo de adorno. Sua voz era suave e delicada, sempre sorrindo de forma discreta, seu olhar era profundo e bondoso. Logo no primeiro dia ela veio nos receber, nos reunimos para ouvir suas instruções:
Sejam todos bem-vindos queridos alunos à escola da consciência, vocês passarão pelo treinamento básico que também é período de avaliação onde poderemos observar vocês e ver se a escola está em sintonia com o propósito divino de cada um, caso não estejam, não se preocupem pois sairão daqui com um direcionamento onde poderão prosseguir em harmonia com o propósito divino, afinal todos caminhamos juntos e o papel de cada um é fundamental para a harmonia do Todo.
Aqui é apenas o início do trajeto, um momento de descoberta através do amor e da paz.
Vocês ficarão aqui conosco por um período, onde poderemos observa-los, e avalia-los separadamente e também em atividades de grupo.
Que o Bem e o amor prevaleça hoje e sempre - Concluiu ela com uma saudação (a mão esquerda no coração e a direita para cima com a palma da mão para fora)
Todos responderam a saudação com o mesmo gesto e disseram: - Paz e Bem!
Depois deste primeiro contato ela se retirou e nós fomos direto para nosso alojamento para nos instalarmos, pois no dia seguinte começaria nosso treinamento.
O alojamento era um lugar bem confortável, tinham grande quartos, com várias camas cada um, nós podíamos escolher onde ficar, eu e Malóra escolhemos duas camas próximas uma da outra, assim poderíamos conversar e trocar idéias em nossos momentos de descanso e antes de dormir também, essa era nossa intenção.
Do lado de fora as paredes eram de pedra como as da pirâmide, do lado de dentro eram lisas e com pinturas de paisagens e campos floridos, as cores eram suaves e as pinturas traziam uma certa leveza para o lugar. O clima era quente, mas dentro dos alojamentos não sentíamos calor, tinha um frescor sempre agradável, de alguma forma aquelas construções foram feitas para manter a temperatura ambiente sempre fresca. Gostei de lá desde o momento que entrei.
Tínhamos o resto do dia livre, já que o treinamento só começaria no dia seguinte. Resolvemos dar uma volta no bosque para nos familiarizarmos com o lugar e também ter um momento só nosso, não estávamos acostumadas a estar com outras pessoas, era sempre só nos duas. Chegando no bosque, fomos direto para um gazebo, lá começamos a conversar:
- O que você está achando? Perguntei eu curiosa.- Não sei ainda, acabamos de chegar, mas parece legal, mal vejo a hora de começar o treinamento! Respondeu Malóra animada.- Verdade, mas para você é diferente, você vai ficar, eu não! Não tenho idéia de como vou me sentir.
- Não diga isso Malena, viva o momento e deixe fluir, viva um dia de cada vez, estou com você! Somos amigas irmãs para sempre, vamos aproveitar ao máximo nosso tempo aqui!
- Combinado, respondi sorrindo. Um dia de cada vez.
Depois disso fomos dar uma volta no bosque e retornamos para o alojamento, no dia seguinte nosso treinamento começaria logo cedo e estávamos curiosas para saber como seria.
O dia amanheceu , fizemos uma refeição leve e fomos para nossa primeira aula em grupo , fomos levados para um outro lugar com muitas salas e lá nos levaram para uma sala onde teríamos nossa primeira aula , foi lá que aprendemos sobre os centros de energia que existiam no nosso corpo , nosso instrutor nos ensinou que somos pura energia e que em nossos corpos energéticos existem pontos específicos onde recebemos e transmitimos energias para todo o corpo físico , eles são muito importantes para a nossa saúde , harmonia e bem estar , quando não estamos nos sentindo bem , ou quando estamos doentes , significa que existe algum tipo de obstrução em alguns desses centro de energia e se faz necessário , desobstrui-los para que o estado natural de saúde se estabeleça .
Foi uma aula muito bacana, eu fiquei encantada, um mundo novo se abria na minha frente, um mundo que eu jamais imaginei, era o mundo das energias! Eu queria saber mais sobre ele! Entender como tudo funcionava e no meio de toda aquela empolgação, me lembrei da leitura, que eu não ficaria lá e isso me trouxe uma tristeza enorme dentro de mim, a cada aula, a cada estudo, a cada novo aprendizado eu só conseguia pensar que em breve aqueles dias incríveis iriam acabar e eu teria que ir embora. Foi só aí que eu me dei conta da minha própria história, do que estava prestes a acontecer comigo, ficar lá e depois ir embora, o caminhante disse que um dia a escola da consciência iria até a mim, no momento que ouvi isso não me incomodou, mas agora incomodava demais, eu não queria que ela viesse até a mim no futuro, eu queria agora, eu estava lá e queria ficar, mas meu coração me dizia que isso não iria acontecer. O treinamento foi seguindo e eu sempre dividida entre a alegria dos estudos e a tristeza da partida, tudo isso acontecendo dentro de mim, eu não podia falar isso com ninguém, somente com a Malóra, mas ela também estava radiante com os aprendizados e só pensava nisso. Embora estivéssemos alojadas no mesmo lugar e nossas camas muito próximas, nos falávamos pouco e fomos nos distanciando sem perceber, algo estava acontecendo, não era mais como antes, éramos inseparáveis, partilhávamos tudo, agora cada uma vivia mais seu próprio momento, continuávamos amigas, mas era diferente. O motivo deu não ter contato tudo a meus pais era para poder passar mais tempo com ela e isso não estava acontecendo, tudo estava sendo diferente do que imaginamos e minha tristeza só aumentava. Numa manhã, fui chamada pela Malía Millyanta, Malía era como chamávamos os professores na Lemuria, as professoras mulheres eram chamadas de Malía e os professores homens eram chamados de Malí. Fui ao encontro dela e ela me convidou para dar uma volta no bosque, somente nós duas, para conversarmos um pouco. Na hora do convite fiquei um pouco assustada, pensei comigo mesma, será que ela sabe de alguma coisa? Mas depois relaxei, porque me lembrei que todos nós seríamos avaliados individualmente e isso fazia parte do nosso treinamento. Fomos caminhado no bosque e conversando ...- Como você tem se sentido aqui Malena? Perguntou ela.- Muito bem, estou gostando muito, aprendendo muitas coisas novas. Respondi apreensiva.
- Então porque a tristeza? Disse ela olhando fundo nos meus olhos Quando ela me fez esta pergunta eu gelei por dentro, como ela sabe disso? Será que eu deixei transparecer? O que fazer agora? Conto a verdade, conto tudo? E se ela me mandar embora agora? Eu não quero ir, quero pelo menos ficar até o final do treinamento básico, o máximo que eu puder! Respirei fundo e respondi:
- Não sei o motivo exato, talvez saudade de casa. Respondi Olhando para baixo, não conseguia olhar nos olhos dela, eu não estava falando a verdade e isso era um erro gravíssimo.
Ela sorriu e mudou de assunto, ela percebeu que eu estava escondendo algo e mudou de assunto para que eu não me comprometesse, eu não disse a verdade e ela sabia disso, por isso mudou o assunto, na Lemuria aprendemos que somos responsáveis por nossos atos e que nossa consciência sempre nos convoca para reparar nossos erros, não é necessário que ninguém faça isso por nós, é algo que não podemos fugir, está dentro de nós.
Continuamos a falar sobre as aulas e ela me ela me explicou muitas coisas, fui me esquecendo do outro assunto e me empolgando com a nova conversa, eu me sentia muito bem perto dela, ela me passava muita segurança, tinha muita sabedoria e conhecimento e isso me deixava fascinada, no pouco tempo que lá fiquei, criei um elo de amor com Malía Millyanta e ela comigo.
De certa forma ela estava ocupando o espaço que ficou vazio desde que eu e Malóra nos afastamos.
Sempre que eu podia eu procurava a Malía Millyanta para conversar e ela sempre me atendia com muita gentileza e dedicava um tempo para mim, fomos nos aproximando muito e admirava ela cada vez mais. Juntamente com isso, minha aflição interior também foi aumentando, tudo aquilo iria acabar para mim, dentro do meu coração eu me sentia como se todo aquele mundo novo que eu estava descobrindo fosse ser arrancado de uma vez só! Esse pensamento me corroía internamente, aqueles momentos tinham dia e hora para terminar e as coisas foram se complicando cada vez mais, minha situação só piorava.
Eu comecei a culpar a Malóra por tudo que estava acontecendo dentro de mim. Eu pensava, se ela não tivesse tido a idéia de falar com o caminhante, se ela não tivesse me convencido a não contar para meus pais, eu nem conheceria esse lugar e não iria sofrer como estou sofrendo, tudo que eu pensava só existia uma culpada, O nome dela era a Malóra.
O amor que eu sentia por ela foi se transformando em mágoa, em nenhum
momento assumi minha responsabilidade por minhas escolhas, era mais
fácil culpar a Malóra, ela era a razão do meu sofrimento. Eu não conseguia
ver que nós duas erramos, e que todas as sugestões que ela me deu eu aceitei! Ela sugeriu e eu concordei! Ela nunca me obrigou, foi decisão
minha! E nossa intenção era somente estarmos juntas, nós não poderíamos
imaginar o que aconteceria depois. Levei muito tempo para entender isso,
muitas vidas. Lá no calor do momento eu estava cega, já tinha escolhido um
culpado para minha dor e o nome dela era Malóra.
OceanofPDF.com