Lemúria, terra da luz: acessando os registros akáshicos

Capítulo 20 O tormento de Malena

Capítulo 20

O tormento de Malena

 

Passados momentos de reflexão, as memórias continuaram a ser reativadas e a história foi seguindo seu rumo, me vi novamente como Malena, muito angustiada e mergulhada em profundo sofrimento e dor, consequências do egoísmo e da minha imaturidade espiritual na época. O breve encontro entre eu (Malena) e Milhat, (que eu identifiquei imediatamente, Milhat da Lemuria é minha cliente Geórgia) tiveram consequências desastrosas para ambas, ali algo aconteceu e um nó karmico foi criado entre nós exatamente como a própria Milhat havia previsto e somente muitas Eras depois uma nova oportunidade nos seria oferecida para que pudéssemos desfazer, dissolver o nó que persistiu por tantas e tantas vidas e que finalmente nessa atual eu estava tendo a grande oportunidade de resgatar.

As lembranças continuaram....

 

Eu ( Malena) ter retornado ao meu lar , não aliviou o meu sofrimento, muito pelo contrário , me fez me sentir pior do que já me sentia , era insuportável pra mim ficar em casa , eu havia mudado de tal forma que me desconectei completamente , algo dentro de mim foi despertado , sentimentos de baixa frequência ,que foram ativados de forma inconsciente , eu não sabia explicar , mas toda a doçura , a ingenuidade , a leveza e a felicidade que eu sentia antes do dia fatídico da leitura da minha alma , não existia mais, eu havia me tornado algo que eu nem sabia que existia e no auge da minha angústia eu estava tão transtornada que fugi de casa , não tive coragem de falar com meus pais , deixei um bilhete para que eles não se preocupassem dizendo as seguintes palavras :

 

" Me desculpem por não me despedir, estou indo embora e não sei quando volto, estou em busca do meu proposito divino, quando encontrar, aviso a vocês.

Paz e Bem, 

MALENA " 

Segui sem rumo definido, minha cabeça rodava, estava envolvida pela revolta e cega pelo meu próprio egoísmo, só conseguia pensar em mim e na minha dor, não me dava conta do mal que eu ia fazendo aqueles ao meu redor.

Andando sem direção certa, ia seguindo pelas estradas mais desertas, não queria encontrar com ninguém, não sabia o que fazer nem para onde ir, passei muito tempo assim, dormindo ao relento, me alimentando de frutos e sementes que encontrava pelo caminho, bebendo agua dos riachos, uma vida sem propósito, sem equilibro, sem harmonia, meus pensamentos todos voltados para mim mesma, eu sentia pena de mim, me sentia vítima de tudo e todos, por que o Criador tinha permitido tudo isso? No auge do meu desequilíbrio questionei Deus! Que horror! A que ponto cheguei? o egoísmo havia me cegado por completo, vítima de minhas próprias fraquezas, a única responsável por tudo que estava acontecendo era eu mesma e quanto mais eu culpava Deus e aos outros mais eu me afastava da luz.

Para piorar a situação, caminhando por uma pequena estrada no meio da floresta, avistei ao longe a caminhante e pensei comigo, vou até lá pedir uma ajuda, quem sabe um caminhante poderá me ajudar! O que eu jamais poderia imaginar é que ao me aproximar pude constatar que o caminhante era Milhat! Eu não podia acreditar no que meus olhos estavam vendo! A causadora de tudo! Onde todo meu tormento começou! Eu imediatamente fui tomada pela ira e naquele momento projetei toda minha revolta nela, acelerei o passo e chamei alto:

- MILHAT! Esse é seu nome certo? perguntei já afirmando.- Sim, é meu nome. respondeu ela calmamente.- Você me disse e eu jamais poderia esquecer, afinal depois de nosso encontro e da leitura de alma que você fez, minha vida desmoronou, toda a minha alegria foi embora, perdi minha melhor amiga, minha família, graças as suas palavras tudo acabou pra mim. Não vou te importunar mais, queria apenas que você soubesse do mal que me fez e do que sua leitura me causou. Eu estava no auge do meu desequilíbrio, revoltada, transbordando raiva me virei e saí andando, não esperei a resposta, eu queria que ela soubesse o que me fez, eu tinha dado meu recado, em momento algum eu pensei no que aquelas palavras representariam para ela, cega pelo egoísmo só conseguia pensar em mim, na minha dor, a dor dos outros nem passava pela minha cabeça.

Milhat, ficou sem ação, estava congelada, não se movia, não reagia, na verdade estava em choque, foi uma situação totalmente inesperada e ela jamais imaginava ouvir as palavras que ouviu. As minhas palavras atravessaram ela como uma flecha, embora ela soubesse que não fosse responsável por nada do que se sucedeu após a leitura de alma, que havia respeitado a lei do livre arbítrio e tinha absoluta certeza que tudo que havia acontecido comigo era resultado dos meus próprios atos, a começar por eu ter pedido a ela que fizesse a leitura, foi eu quem fui atrás dela. Racionalmente ela tinha certeza que não havia feito nada de errado, emocionalmente minhas palavras surtiram um efeito diferente, voltava a crescer nela uma insegurança com sua capacidade de cumprir sua missão. Essa insegurança já existia dentro dela, mas as minhas palavras afetaram ela de forma profunda e a partir dali, seus medos e apreensões foram crescendo e tomando força, a peregrinação foi surtindo o efeito contrário, ao invés de se sentir mais segura e firme como toda sacerdotisa deve ser, ela foi se sentindo mais vulnerável, como se não estivesse preparada para o trabalho. Ela seguiu em frente, persistiu, mas a peregrinação não foi mesma coisa, a alegria tinha ido embora, a confiança que crescia foi murchando e a satisfação foi desaparecendo.

 

Eu, envolta no meu tormento, na minha própria dor, acrescentava a minha alma mais uma pessoa que fiz sofrer, a caminhante Milhat, que só atendeu aos meus pedidos e me tratou com gentileza, nada fez para merecer as minhas duras palavras carregadas de revolta e raiva. Primeiro Malóra, Malía Millyanta, a escola da consciência meus pais e Milhat, a lista só crescia, precisei descer muito fundo, nas profundezas das sombras para conseguir enxergar a luz novamente. No auge da revolta me associei com energias inferiores que pairavam na quarta dimensão no continente lemuriano, energias invisíveis que tentavam encontrar uma brecha para entrar em nossa civilização, para semear a discórdia e o mal. Infelizmente eu fui uma dessas brechas ,me deixei levar por essas más influências astrais , me associei com seres de frequências inferiores que estavam tão doentes do espírito como eu , desci ao fundo do poço, minha energia foi se tornando mais densa , cada vez mais material , estava irreconhecível , fui me transformando em um ser sombrio , amargurado com um olhar de raiva e revolta . Eu comecei a viver sob o olhar atento daqueles seres sombrios que faziam de tudo para me conquistar, o assédio era forte, eles alimentavam meus pensamentos dizendo que eu estava certa e que todos os outros estavam errados, isso me alimentava e nutria a revolta que existia dentro de mim. Eu não era mais aquela menina alegre e jovial que brincava nos campos com a melhor amiga, se meus pais ou Malóra me vissem, jamais me reconheceriam, eu estava transfigurada, nem eu mesma estava conseguindo me olhar. Eu passava os dias evitando o contato com as cidades , não queria ver ninguém, as influências negativas me empurravam para que tentasse uma aproximação com outras pessoas , eles queriam se infiltrar em nossa sociedade de alguma forma e queriam me usar para isso , eu vivia como se fosse um zumbi, totalmente subjugada por aquelas energias que viam em mim uma forma de se infiltrar , de tentar causar discórdia , intrigas , medo, pânico , raiva , entre outros sentimentos que os alimentavam e os fortaleciam, até aquele momento seus esforços haviam sido inúteis , pois a lei divina do livre arbítrio é absoluta e nenhum mal pode entrar sem a nossa permissão e como a civilização lemuriana foi construída sob puro amor, caridade e gentileza , se infiltrar se tornava muito difícil, esses seres de frequências inferiores já haviam se infiltrado em outras regiões do planeta , mas em nosso continente encontraram grande dificuldade , as tentativas fracassavam em sua maioria , mas ainda assim eles tentavam sempre que uma oportunidade aparecia , como foi meu caso. Eles viram em mim uma chance, pois eu emanava revolta e raiva e esses sentimentos se tornam facilmente portas de entrada para energias inferiores, eles nos afastam do propósito divino e da proteção que ele traz consigo. Sabia -se que nos outros continentes do planeta essas energias inferiores haviam conseguido se infiltrar com certa facilidade, mediante a maioria espiritualmente imatura que prevalecia no planeta, mas a Lemuria era um continente isolado, não interagia com os outros e vivia intocada, pura e com valores morais muito evoluídos e isso dificultava o acesso dessas energias malignas em nossa civilização.

Não me lembro por quanto tempo vivi sob o domínio deles, não foi pouco, anos se passaram, na verdade parecia um eternidade, me sentia como se fosse uma escrava que recebia telepaticamente as sugestões mentais e seguia sem pestanejar, totalmente dominada e influenciada pelas entidades sombrias, até que chegou o dia em que eles me conduziram a cidade sagrada. Era um plano ousado, tentar se infiltrar no lugar mais importante do continente, que ficava aos pés da montanha do grande templo de cura do universo, o santuário mais iluminado de toda Lemuria. Na cidade sagrada viviam os sacerdotes e sacerdotisas do círculo, os zeladores do grande templo de cura do universo que lá existia sob os cuidados atentos dos sacerdotes.

 Um lemuriano só se dirigia a cidade sagrada se fosse chamado pelo círculo, por algum motivo importante como alguém seriamente doente, ou para levar algum aluno da escola da consciência que apresentasse habilidades para ser um possível sacerdote / sacerdotisa, visitar algum parente, fora isso ninguém ia lá. 

As energias malignas tinham pleno conhecimento que o círculo sagrado era o pilar de sustentação vibratória de Mu e que se eles conseguissem lá se infiltrar , todo resto seria muito mais fácil e para dar continuidade ao plano maligno , eles resolveram me usar como isca , me sugestionaram mentalmente para que eu me dirigisse a cidade sagrada , no meu íntimo eu sabia que isso era errado, mas a minha vontade própria estava muito enfraquecida para lutar contra a forte sugestão mental e aceitei de imediato e me dirigi a cidade sagrada aos pés da montanha, mal poderia imaginar o que aconteceria lá comigo e com o desfecho que aquela direção me traria. Sempre sozinha, porém sempre acompanhada espiritualmente por entidades malignas, eu seguia caminhado sem pensar, era um sensação muito estranha, comia muito mal, alguns poucos frutos pelo caminho, estava muito magra, praticamente definhando. As estradas eram quase desertas e sempre que vinha alguém eu me escondia, não queria nenhum tipo de contato. Quanto mais me aproximava da cidade sagrada mais deserto era o caminho , eu dormia ao relento , sempre um sono agitado e sufocante , ao dormir , por motivo das minhas baixas vibrações , eu sempre em desdobramento noturno ia ao encontro daquelas entidades que a cada dia me dominavam mais , acordava com primeiros raios de sol sempre cansada e com dores por todo o corpo , era um verdadeiro tormento , mas na minha cabeça eu só conseguia pensar em chegar na cidade , nem sabia o que iria dizer lá , já que era conhecido de todos que não se ia até lá sem ser chamado ou por um motivo muito importante , mas as entidades diziam para eu não me preocupar que na hora seria informada do que dizer . Minha energia pessoal se tornava mais e mais densa e minha vontade interior, mais e mais fraca.

Ao chegar na cidade, a princípio o meu sentimento foi de decepção, eu esperava encontrar um lugar enorme, grandioso e no lugar encontrei uma cidadela simples, humilde aos pés de uma montanha que eu não via nada de especial, naquele momento não entendi porque a chamavam de montanha sagrada, para mim era somente uma montanha muito alta. Fiquei parada apenas pensando e criticando o lugar, foi quando minha cabeça começou a doer muito, a dor ia aumentando e ficando cada vez mais forte, comecei a chorar e cai ajoelhada no chão, não conseguia me manter de pé, foi quando percebi as presenças das entidades ao meu redor, eram eles que estavam provocando aquelas dores, fiquei sem entender porque, afinal eu não estava fazendo tudo que as entidades queriam? Por que me castigavam? Continuei ajoelhada com as mãos na cabeça e chorando muito, foi quando um jovem rapaz que deveria ser sacerdote ou aspirante a sacerdote me viu e imediatamente veio em eu meu auxílio, como qualquer lemuriano faria ao presenciar uma cena dessas, foi nesse momento que ouvi uma voz na minha cabeça que dizia:

Deixe que ele te leve, vá com ele. Dizia a voz friamente. Eu estava com tanta dor que mal conseguia pensar e me deixei levar pela ajuda, eu estava exausta e com a cabeça parecendo que ia explodir, apenas me entreguei e literalmente desabei no chão inconsciente, na mesma hora o jovem sacerdote me pegou no colo e me levou direto para o círculo sagrado, para os outros sacerdotes. Fui colocada no alojamento das sacerdotisas e lá recebi toda a atenção e carinho, quando acordei, estava banhada, de roupas limpas, deitada em uma cama simples e muito confortável, a dor tinha passado (provavelmente as entidades malignas haviam causado de propósito, justamente para que eu fosse acolhida e assim entrasse naquele núcleo tão restrito do círculo sagrado)

Ainda deitada quando olhei para o lado, vi que tinha uma sacerdotisa sentada perto de mim e me olhando fixamente, como se estivesse lendo a minha alma, naquele momento me senti invadida e minha primeira reação foi querer sair de lá, mas logo em seguida me lembrei do meu objetivo e fiquei com medo da retaliação que receberia das entidades caso eu fosse embora e resolvi ficar e ver o que iria acontecer. Ela então se dirigiu a mim e disse:

Paz e Bem!

Meu nome é Millie, sou sacerdotisa do círculo sagrado e você é bem vinda em nossos alojamentos. Qual seu nome minha filha? - Me chamo Malena, respondi timidamente e meio assustada. Os olhos dela pareciam penetrar na minha alma, fiquei com vergonha do que ela iria encontrar dentro de mim. Foi quando subitamente ela se levantou e disse: Você precisa descansar, nos falamos depois. Tente dormir um pouco, vai te fazer bem. Disse ela calmamente e logo depois saiu de lá e eu passei um bom tempo sem vê-la novamente.

A exaustão era tão grande que não consegui pensar em nada mais e simplesmente apaguei, dormi profundamente, como não dormia há muito tempo, um sono tranquilo e pacífico, não sei quanto tempo se passou, mas quando despertei já era o dia seguinte. Uma jovem aspirante me saudou e disse, venha comer alguma coisa e hoje depois da refeição do meio dia, a Grã sacerdotisa irá te receber! Ela quer conversar com você. Disse a moça sorridente.

Neste momento um arrepio gelado me subiu pela espinha e eu me dei conta de onde estava e porque, o que eu iria fazer? Se eles descobrissem o motivo do meu aparecimento lá? Se as entidades malignas soubessem do que estava acontecendo? Eu não ouvia mais vozes, onde eles foram? O que eu ia fazer? Mais uma vez o desespero tomou conta de mim, mais uma vez eu não podia ser eu mesma, existia uma nova mentira, uma nova omissão, era tudo acontecendo de novo, só que desta vez era pior, existiam forças maléficas por traz, só a minha presença lá era um sacrilégio, oh o que ia ser de mim? Eles iriam me punir? O que iria acontecer? E a Grã sacerdotisa? Ela iria perceber o plano perverso que eu fui designada para executar? Os tormentos voltaram com força total, me restava somente aguardar o desenrolar dos acontecimentos, decidi ficar e ver o que o destino me reservava, já estava mesmo no fundo do poço, não teria como piorar mais ainda (eu dizia isso para mim mesma como tentativa de me manter calma). Quando chegou ao meio dia, que era a refeição mais importante para os lemurianos, pois o Sol estava emanando sua energia com força total, a mesma jovem sacerdotisa me trouxe a refeição, que eu comi no mesmo aposento e disse que em breve viria me buscar para encontrar a Grã sacerdotisa.

Agradeci a ela e obedientemente segui todas as instruções. A hora decisiva estava chegando, em breve saberia o que aconteceria comigo.

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