Lemúria, terra da luz: acessando os registros akáshicos
Capítulo 33 A partida
Capítulo 33
A partida
Conforme eu caminhava o círculo sagrado ia ficando para trás, nós saímos em duplas e a minha dupla era uma irmã muito querida chamada Thalúia. Eu conheci a Thalúia durante o treinamento , logo ficamos amigas , ela sempre muito animada , com muita vontade de aprender tudo que pudesse, do mesmo jeito que eu me identifiquei com as leituras dos registros akashicos Thalúia se identificou muito com o estudo das propriedades curativas e espirituais das ervas e dos vegetais , como todos nós ela passou pelo treinamento completo , mas o que ela realmente gostava era de andar pela floresta colhendo as ervas medicinais e frutos para futuros remédios , ela podia passar horas e horas fazendo isso, praticamente para ela esses momentos tornaram-se momentos de meditação , interiorização e profunda conexão com a natureza face do Criador .
Quando fomos informados que partiríamos em dupla, uma escolheu a outra imediatamente, havia uma sintonia muito harmoniosa entre nós. Sabíamos que não ficaríamos juntas por muito tempo, já que a peregrinação era individual, as duplas eram reunidas apenas para trilharem os primeiros dias, logo depois cada uma seguia seu rumo de acordo com seu próprio coração. Partir em dupla deixava o momento da separação mais suave e assim aconteceu conosco.
Os primeiros dois dias passamos juntas seguindo pela estrada principal, ao chegar numa bifurcação sabíamos que era a hora de seguirmos nosso próprio caminho.
- Está na hora de nos separarmos querida irmã Malena, é o momento da nossa peregrinação começar de verdade. Disse Thalúia sorrindo.- Sim querida irmã! Que o Criador abençoe seus passos e que você possa levar aos nossos irmãos de Mu a cura para seus males que seu propósito divino se cumpra de acordo com a vontade divina. Disse eu sob inspiração.
- Gratidão querida irmã, desejo o mesmo para você. Nos vemos no círculo sagrado para nossa consagração, Paz e Bem. Concluiu ela com a saudação Lemuriana tradicional.
Assim cada uma de nós tomou seu caminho e seguiu sem olhar para trás, tínhamos uma missão a cumprir e isso era a coisa mais importante de nossas vidas naquele momento.
Quando me encontrei sozinha já algum tempo, parei, me sentei próxima a uma linda árvore frondosa e comecei a meditar, toda a disciplina que eu recebi no treinamento e também dos ensinamentos de Millie, foram meu chão durante a peregrinação, eu meditava disciplinadamente duas vezes ao dia e isso me mantinha focada na missão. Sempre ao meditar, eu recebia algum insight da divindade interior e naquele momento foi exatamente isso que aconteceu. Quando terminei de meditar eu sabia exatamente para onde tinha que ir, minha peregrinação começaria onde eu havia deixado tudo para trás. Me levantei e fui caminho na direção da casa dos meus pais, para que minha vida como sacerdotisa fosse harmoniosa e completa era preciso me redimir dos meus erros do passado, tomei o rumo da minha cidade natal, da casa que eu nasci, lá estava meu começo, e assim eu o fiz. Muitos dias se passaram, a viagem do peregrino do círculo sagrado era lenta e requeria muita paciência , conforme eu ia passando pelos vilarejos do caminho , logo eu era reconhecida pelos habitantes locais , que me recebiam muito bem , me ofereciam alimento , um teto para eu dormir , até mesmos roupas para eu vestir enquanto as minhas eram lavadas , em retribuição eu procurava colocar em prática tudo que eu aprendi , eu trazia comigo algumas ervas que usei algumas vezes para tratar algumas pessoas, também usei muito os cristais, mas comecei a perceber que minha maior contribuição era quando alguém me pedia para fazer a leitura da alma , isto é acessar o registro akashico, eu comecei a perceber que a cada dia eu acessava melhor e conseguia traduzir de forma amorosa as informações e ser um canal para que a verdade se fizesse presente. Jamais poderia imaginar como isso fazia diferença para aquelas pessoas, através da leitura da alma, elas podiam compreender um pouco mais suas próprias questões e isso trazia alívio, cura e renovação para suas vidas. Ao ver os resultados meu coração se alegrava em saber que eu estava podendo ser um bom instrumento do divino Criador. Por este motivo, não tinha como ter pressa, cada dia era uma experiência nova e existia um porquê. Depois de bastante tempo, finalmente alcancei os campos que eu tanto amava próximos a minha casa na zona rural. A primeira coisa que me veio à mente foi um imagem minha da Malóra brincando e correndo entre as flores, nós éramos inseparáveis, sempre juntas, onde estaria minha amiga irmã? Acalmei meu coração e me dirigi a casa de meus pais, eu estava um pouco nervosa, não sabia como seria recebida. Quando avistei a casa deveria ser aproximadamente meio dia, pelo horário, sabia que eles deveriam estar reunidos para a refeição do meio do dia, me apressei para chegar a tempo e encontrar com os dois, quanto mais próximo eu chegava meu coração batia mais rápido, era uma emoção enorme e eu comecei a chamar por eles. Quando vi eles correndo pela porta na minha direção com os braços abertos, eu também comecei a correr até que nos abraçamos e ficamos lá abraçados, chorando em silêncio por um bom tempo, eu não tinha me dado conta da saudade que senti deles... Fomos em silêncio caminhando para dentro de casa, a mesa estava posta, minha mãe me serviu, comemos em silêncio e quando terminamos de nos alimentar, eu comecei a falar. Em momento algum eles disseram nada só ouviram e se emocionaram muito em algumas partes. Contei tudo que eu passei, todo sofrimento, o egoísmo, as mentiras, o tormento espiritual e também como fui resgatada, as oportunidades que recebi e a peregrinação que me permitiu chegar até o momento presente.
Eles ouviram tudo com muita atenção e me disseram que quando eu saí de casa eles ficaram muito preocupados e pediram muito ao Criador que cuidasse de mim, por mais que amassem eles sabiam que era uma escolha minha e que tudo que podiam fazer era elevar os pensamentos ao alto e assim fizeram incessantemente até um dia que apareceu um enviado do círculo sagrado levando uma carta da Grã sacerdotisa, explicando que eu estava na cidade sagrada sob os cuidados do círculo sagrado e que lá ficaria enquanto eu quisesse . Essa notícia foi um alívio para meus pais e também motivo de muita alegria, ter um filho no círculo sagrado era uma das maiores honras que uma família podia receber. Isso os confortou muito e desde então eles sabiam que um dia eu iria aparecer e que eu havia encontrado meu propósito divino.
Meus pais deixaram claro pra mim que o passado não importava, que a coisa mais importante, era o tempo presente e que eu me dedicasse ao máximo e cumprisse minha peregrinação da melhor forma possível. Agradeci demais a eles, me sentia muito amada e fortalecida pelo encontro. Não tive coragem de perguntar sobre a Malóra, eles também não disseram nada a esse respeito. Fiquei com eles mais uns dois dias e depois parti para a etapa seguinte, eu precisava ir na cidade, visitar a escola da consciência, me desculpar, encontrar os professores, a Malía Millyanta, isso era muito importante pra mim, pedir perdão, desculpas pelos meus erros, eu precisava enfrentar os fantasmas do passado que eu mesma criei em meu desequilibro, só assim poderia seguir na peregrinação. Me despedi de meus pais com o coração leve e disse a eles que agora eles saberiam onde me encontrar e que eu os amava muito e que era muito grata por tudo que fizeram por mim e por todo amor que eu sempre recebi. Segui caminhado sem olhar para trás, rumo a escola da consciência.
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