Lemúria, terra da luz: acessando os registros akáshicos
Capítulo 14 A separação
Capítulo 14
A separação
Eu não consegui pensar em nada mais, apenas que a Malóra era a causa da minha dor, eu projetei toda a minha insatisfação. Toda minha frustração nela, Malóra porque você fez isso comigo? Definitivamente eu havia escolhido ela como causa de todos meus problemas. Naquele mesmo dia eu havia decidido que estava na hora dela saber tudo que me causou , antes de dormir , nós teríamos uma conversa , eu vinha evitando contato o máximo possível , ela já tinha notado minha mudança de comportamento mas não disse nada , só que essa noite seria diferente , eu estaria a espera e quando ela chegasse no alojamento , nós conversaríamos e eu iria abrir meu coração e falar tudo que estava sentindo, o mínimo que ela poderia fazer era me pedir desculpas , eu dizia para mim mesma, afinal tudo isso estava acontecendo por causa dela .
Anoiteceu e após a refeição da noite voltamos para os nossos quartos e eu fiquei sentada na cama aguardando ela chegar, nossas camas eram próximas e eu fiquei lá esperando por ela, quando ela chegou eu disse:- Malóra, precisamos conversar, tenho um assunto importante para falar com você. Disse eu muito séria (ela não estava acostumada a me ver assim)- Você está bem Malena? Nunca te vi assim tão séria! Aconteceu alguma coisa? Perguntou ela.
- Sim aconteceu e preciso te contar porque tem haver com você também.- Então vamos conversar! Você quer falar aqui? Ou prefere ir lá fora no jardim onde poderemos ficar mais à vontade? - Prefiro lá fora, vamos? Disse eu muito nervosa. Saímos as duas e buscamos um lugar mais afastado onde poderíamos conversar livremente sem incomodar ninguém. Eu comecei dizendo a ela:
- Na verdade Malóra, você sabe qual o assunto, aliás você é a única que sabe, mas o que eu queria te dizer é que eu andei pensando muito sobre isso e cheguei à conclusão que você é a culpada do meu martírio, se não fosse você ter insistido nós não teríamos pedido ao caminhante para fazer a leitura de alma, se não fosse você ter me pedido eu teria contado aos meus pais sobre o que aconteceu e eu não estaria aqui vivendo esse treinamento e sofrendo por saber que não ficarei.
Por que você fez isso comigo Malóra? Eu só queria entender, como você pode fazer isso comigo? Eu perguntei com os olhos marejados de lágrimas, naquele momento eu me sentia muito machucada. Conforme eu ia falando, a expressão dela mudava, seu rosto doce e amoroso se transformou num rosto triste e amargurado, seu olhar estava carregado de tristeza e dor. Foi quando ela falou:- Como você pode estar dizendo isso para mim? Quem fez a escolha foi você, quem pediu ao caminhante para fazer a leitura foi você, quem decidiu não contar aos seus pais foi você, quem escolheu vir para o treinamento foi você! Como você pode pensar isso de mim que te amo e sou sua irmã de alma? Eu te sugeri não contar porque queria ficar mais tempo com você, foi só isso, minhas intenções sempre foram as melhores possíveis, eu me arrisquei tanto quanto você em não contar nada, nós tomamos essa decisão juntas e você concordou com tudo! Ah Malena, como você pode dizer estas palavras? Eu vejo em seus olhos raiva, nunca imaginei ver isso, muito menos em você, nós crescemos juntas, você sempre foi minha melhor amiga, tudo pra mim, como pode pensar isso de mim? Disse ela com as lágrimas escorrendo no rosto.
- O mínimo que eu esperava de você era um pedido de desculpas, mas pelo visto não vai acontecer, você não entende o que me fez. Disse eu, cega de orgulho.
- Desculpas? Eu não fiz nada de errado! Meu único erro foi prezar a nossa amizade e passar mais um tempo na sua companhia, esse foi meu grande erro, deveria ter deixado as coisas como estavam. - Deveria mesmo! Disse eu magoada.
-Mediante o rumo da nossa conversa, onde posso perceber que você não tem intenção de se desculpar nem de assumir seus erros, o melhor que podemos fazer é não sermos mais amigas, daqui em diante pra mim você não existe, como se eu nunca tivesse te conhecido. Essas minhas palavras atingiram Malóra como uma apunhalada no coração. Foi um golpe muito duro para ela, dentro dela era como se eu tivesse traído a nossa amizade, nosso laço de amor incondicional, nenhuma de nós duas havíamos passado por nada parecido, foi um momento muito duro, muito sofrido e nos abalou profundamente.
Malóra disse:
-Se é assim que você quer, assim será. E retornou para o alojamento, arrasada, tentando conter as lágrimas.
O que eu não sabia é que essa conversa iria gerar uma culpa dentro da Malóra que traria ainda muito sofrimento para ela. Logo depois retornei em silêncio para o alojamento com o coração queimando de raiva, quanto mais eu ficava na escola, quanto mais eu recebia os ensinamentos e passava pelo treinamento, mais eu sofria e mais revoltada eu ficava, eu achava que dizendo tudo que eu sentia para a Malóra aliviaria a minha dor, mas estava enganada, ela só aumentava. Retornei logo depois em silêncio para o alojamento e fui dormir. Ao acordar percebi que a Malóra já havia levantado, ela não estava lá, a esta altura também não fazia mais diferença, para mim ela não existia mais. Fui para a aula normalmente, mas internamente a angústia só aumentava, fiquei me perguntando, o que eu estou fazendo aqui? Não serei selecionada, briguei com a minha melhor amiga que era o motivo principal da minha permanência lá, por que me torturar? Aprender e ser treinada para algo que não poderei dar continuidade? Dentro da minha cabeça parecia um tsunami de pensamentos confusos, impulsivamente decidi ir embora, não tenho mais o que fazer aqui, pensei comigo mesma, está na hora de voltar para casa e encarar a verdade, contar tudo para os meus pais, por mais doloroso que seja. Eu não me reconhecia, a revolta e a raiva haviam tomado conta de mim, estava completamente perdida e emocionalmente muito desequilibrada.
Voltei da aula, almocei e quando todos estavam retornando para o treinamento, voltei ao alojamento, arrumei minhas coisas, escrevi uma carta endereçada a Malía Millyanta contando tudo, desde o início, explicando em detalhes tudo que aconteceu e pedindo perdão por ter omitido informações tão importantes. Deixei esta carta em cima da minha cama, quando notassem minha ausência, encontrariam a carta e ela chegaria as mãos dela. A escola da consciência, não tinha muros, todos estavam lá porque queriam, nada era obrigado, sai silenciosamente sem me despedir de ninguém, estava desesperada por paz interior e mal sabia que estava longe de sentir paz novamente, as coisas ainda iriam piorar muito antes de melhorar. Sair assim sem se despedir era uma grosseria muito grande e coisas assim raramente aconteciam na Lemuria eu sabia disso, mas estava transtornada, certa de que havia sido prejudicada pela minha melhor amiga. Não queria ver ninguém, só queria ir embora de lá, como se isso fosse resolver alguma coisa.
Voltei para casa caminhando solitariamente pela pequena estrada que me levaria ao meu lar, ao campo que eu tanto amava e que nunca deveria ter saído, parava de tempos em tempos para descansar, beber água e comer algumas frutas pelo caminho, eu não sentia fome. Ter deixado a carta explicando tudo, ajudou um pouco, pelo menos eu havia dado alguma satisfação aquelas pessoas que sempre me trataram tão bem, mas não foi suficiente, a angústia só aumentava, como seria voltar para casa? Eles me perdoariam? Me aceitariam de volta? Entenderiam a minha dor? Já quase chegando a minha casa, ainda na estrada, de repente parei, minhas pernas tremiam, não conseguia andar, não podia acreditar no que meus olhos estavam vendo! Era o caminhante! O mesmo que fez a minha leitura de alma! Em segundos minha cabeça começou a girar, foi tudo culpa dele também! Se ele não tivesse me dito aquela coisas, nada disso estaria acontecendo! Ele precisava saber do mal que me fez! Não terei outra oportunidade, tem que ser agora! Foi quando comecei a caminhar rapidamente e me aproximar dele, estava decidida a despejar toda minha revolta nele, mas quando ele percebeu minha presença se virou e me olhou nos olhos eu gelei, seu olhar era profundo, parecia que enxergava dentro de mim e já sabia de tudo, mas tomei coragem e falei, disse a ele:- Você acabou com a minha vida, todo sofrimento que estou passando começou com você, naquele fatídico dia quando te pedi para fazer minha leitura de alma - disse eu falando baixo mas carregada de emoção.- Eu perguntei a você se você tinha certeza que queria que eu lesse, não posso fazer nada, foi escolha sua. Disse ele calmamente sem se alterar. Como podia ele/ela estar tão tranquilo? Ele não tinha sentimentos? Não se comovia? Que espécie de pessoa é essa? Eu estava atônita com a ausência de emoção.
- Eu disse a você a verdade, também disse que a escola da consciência irá até você, que num futuro distante nos encontraremos, os papéis se inverterão e você irá me ajudar, quando acontecer você saberá que sou eu, meu nome é Milhat! Quando chegar o momento de nos encontrarmos novamente, daqui a muito tempo, você me reconhecerá e lembrará do meu nome, nesta hora ambos nos libertaremos dos erros do passado e uma nova etapa de luz e Bênçãos se abrirá para nós e seguiremos nosso caminhos em paz e com alegria, será o amanhecer de uma Nova Era para todos. Disse ela em tom profético.
Eu estava em choque! Era uma mulher, pelo nome pude identificar! Logo em seguida ela voltou para a direção que estava indo e continuou a caminhar, sem olhar para traz.
Eu mal conseguia raciocinar, como da primeira vez fiquei tentando entender todas aquelas palavras, encontrar o caminhante era para mim sempre uma experiência que tocava a minha alma, não sabia explicar exatamente. De tudo que ela falou, ter dito seu nome foi o que mais me impressionou, ainda mais naquela circunstância. Passaram-se alguns minutos e sai daquele estado meio de transe que eu estava e voltei a sentir tudo igual como antes, esqueci a conversa com o caminhante e minha atenção voltou para a conversa com meus pais de como seria, o que iria acontecer. Deixei as palavras dela guardadas dentro de mim, não queria mais pensar nelas, não tinha tempo para isso.
Eu só estava pensando em mim, na minha dor, na minha tristeza, na minha culpa e nem por um segundo me passou pela cabeça como minhas palavras estavam afetando as pessoas ao meu redor, naquele momento tudo que me importava era comigo mesma, que isso poderia trazer consequências mais graves. Meu Deus, quanto mais o tempo, passava mais eu me comprometia espiritualmente e envolvia outras pessoas, minha melhor amiga, a pessoa que eu queria mais bem, o caminhante que só cumpriu o seu papel e nada mais, eu sem perceber estava semeando dor e sofrimento por onde passava, mal sabia que levaria milhares de anos para resgatar e consertar esses erros devido ao meu orgulho e egoísmo.
Nesta altura já estava próxima de casa, o sol já estava se pondo quando me aproximei da porta, respirei fundo e entrei.
A primeira reação dos meus pais foram me abraçar! Fui recebida com todo amor e carinho, logo depois eles me perguntaram com muita calma e tranquilidade o que eu estava fazendo lá, foi quando expliquei para eles tudo, sem poupar nenhum detalhe, tudo mesmo. Eles ouviram eles silêncio, percebi que em alguns momentos os olhos da minha mãe se encheram d’água, mas ela tentou disfarçar, meu pai estava sério mas atento às minhas explicações. Eles não me censuraram, nem sofri nenhuma crítica, meu pai apenas disse o seguinte:
- Minha filha, não podemos ir contra a nossa programação divina, O Criador sabe o que é melhor para você. Não te censurarei, pois tua própria consciência já o fez, errar faz parte da evolução, você é bem -vinda de volta, o que você precisa agora é começar a consertar os seus erros. Malóra não teve culpa, você usou seu livre arbítrio, a única responsável por tudo que você passou foi você mesma e é daí que você irá encontrar a paz que tanto sente falta. Disse meu pai com muito amor. As palavras dele soaram para mim como uma facada no peito, eu preferiria que ele tivesse me censurado a ouvir que eu era a única culpada! Eu ainda estava cega pelo orgulho e o egoísmo e nem percebia. Minha mãe demonstrou pensar exatamente como meu pai. Estavam os dois me traindo? Meus próprios pais não me entendiam? Eu não conseguia enxergar que eles só queriam meu Bem, estavam me ensinando que só pelo amor podemos consertar nossos erros, mas eu não estava pronta para essa lição.
Mais uma vez achei que voltando para casa encontraria a paz, mas não estava encontrando, na verdade a paz eu só iria encontrar dentro de mim, independente do lugar onde estivesse, mas eu não estava procurando dentro, estava procurando do lado de fora e só encontrava mais angústia. Viver com eles em casa estava me deixando louca, eu precisava ir embora, não sabia para onde iria mas eu tinha que sair de lá.
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