Morto Até o Anoitecer

Charlaine Harris · Capítulo 8 de 13

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Morto Até o Anoitecer

Capítulo 8

Juntos novam ente, m inhas dúvidas ao m enos tem porariam ente purgadas pelo m edo que eu sentira ao pensar que poderia tê-lo perdido, Bill e eu entram os num a rotina inquieta.

Se eu fazia trabalho noturno, ao térm ino deste ia para a casa de Bill, e geralm ente passava o resto da noite com ele. Se o trabalho fosse diurno, Bill vinha à m inha casa depois do pôr do sol, víam os televisão, ou íam os ao cinem a, ou j ogávam os Scrabble. Eu tinha folga a cada terceira noite, e Bill tinha que se abster de m ordidas nessas noites, senão eu m e sentiria fraca e rastej ante. E, se ele se alim entasse dem ais de m im , havia o clássico perigo… portanto, eu continuei a m e entupir de vitam inas e ferro até que Bill queixou-se do m eu sabor. Por isso, elim inei o ferro.

Quando eu dorm ia à noite, Bill se ocupava de algum a outra coisa. Por vezes ele lia, por vezes, vagava pela casa; às vezes, ia lá fora e cuidava do m eu quintal sob a ilum inação das lâm padas de segurança.

Se ele chupava sangue de outro alguém , sabia com o m anter isso em segredo, e fazia-o longe de Bon Tem ps, o que eu havia lhe pedido.

Disse que esta rotina era inquieta porque m e parecia que nós estávam os à espera de algo. O incêndio do refúgio dos vam piros deixara Bill furioso e (penso eu) tam bém o assustara. Ser tão poderoso em vigília e tão desam parado ao dorm ir devia ser um a coisa desesperadora.

Nós dois ficávam os im aginando se a irritação pública contra os vam piros se reduziria agora que os piores causadores de problem as na região estavam m ortos.

Em bora Bill não dissesse nada diretam ente, eu percebia, pelo curso que nossas conversas de vez em quando tom avam , que ele ainda estava grandem ente preocupado com m inha segurança devido aos assassinatos de Dawn, Maudette e de m inha avó.

Se os hom ens de Bon Tem ps e das cidades circunvizinhas tinham pensado que ter queim ado os vam piros deixaria suas m entes aliviadas quanto aos crim es acontecidos, estavam errados. Os relatos de autópsia das três vítim as finalm ente provaram que elas tinham todo o suprim ento de sangue intacto em seu corpo ao serem m ortas. Além disso, as m arcas de m ordidas encontradas em Maudette e Dawn não apenas pareciam velhas, com provou-se que eram realm ente velhas. A causa das m ortes fora estrangulam ento. Maudette e Dawn tinham feito sexo antes de m orrer. E depois tam bém .

Arlene, Charlsie e eu ficam os cautelosas com coisas tais com o sair pelo estacionam ento sozinhas, certificando-nos sem pre de que nossas casas estavam bem trancadas quando entrávam os nelas, tentando reparar se carros nos seguiam quando estávam os nos nossos. Mas é difícil ficar atenta assim o tem po todo, é um a verdadeira sobrecarga para os nervos, e estou certa que todas recaím os em nossos hábitos displicentes. Talvez isso fosse m ais desculpável nos casos de Arlene e Charlsie, j á que elas, diferente das duas prim eiras vítim as, m oravam com outras pessoas; Arlene com seus filhos (e Rene Lenier, de vez em quando), e Charlsie com seu m arido, Ralph.

Quanto a m im , era a única que m orava sozinha.

Jason ia ao bar quase toda santa noite, e fazia questão de conversar sem pre com igo. Percebi que ele estava tentando sanar a ruptura que havia entre nós, e correspondi, na m edida do possível. Mas ele andava bebendo m ais, tam bém , e sua cam a tinha tantas ocupantes quanto um banheiro público, em bora parecesse sentir algo m ais sério por Liz Barrett. Trabalham os cautelosam ente na questão da divisão de propriedades de Vovó e de tio Bartlett, em bora ele tivesse m ais a ver com esta últim a do que eu. Tio Bartlett, afora o dinheiro que m e legara, deixara tudo para Jason.

Ele m e contou num a noite em que bebera um a cervej a extra que fora obrigado a ir à delegacia m ais duas vezes, e que isso o estava deixando fulo da vida. Ele conversara com Sid Matt Lancaster, finalm ente, e este o advertira para não ir m ais à delegacia a não ser acom panhado por ele.

— Por que é que eles ficam intim ando você o tem po todo? — perguntei a Jason. — Deve haver aí algum a coisa que você não m e contou. Andy Bellefleur não foi atrás de m ais ninguém , e eu sei que Dawn e Maudette não eram m uito seletivas na escolha dos hom ens que levavam para casa.

Jason parecia m ortificado. Eu nunca tinha visto m eu belo irm ão m ais velho parecer tão envergonhado.

— Film es — ele m urm urou.

Curvei-m e para m ais perto dele para ouvir m elhor.

— Film es? — eu disse, incredulam ente.

— Shhh — ele sibilou, parecendo terrivelm ente culpado. — Fizem os film es.

Acho que estava tão envergonhada quanto Jason. Irm ãs e irm ãos não precisam saber de tudo uns sobre os outros.

— E você deu a elas um a cópia — eu disse, apalpando o terreno, tentando adivinhar o quanto Jason podia ter sido ingênuo.

Ele olhou para outra direção, ao longe, seus olhos azuis enevoados cintilando rom anticam ente com lágrim as.

— Idiota — eu disse. — Mesm o adm itindo o fato de que você não poderia saber com o a coisa ia chegar a público, o que teria acontecido quando você decidisse se casar? E se um a de suas ex-paixões m andasse pelo correio um a cópia da farrinha para a sua noiva?

— Obrigado por m e chutar quando estou por baixo, m ana.

Respirei profundam ente.

— O.k., o.k. Você parou de fazer esses pequenos vídeos, certo?

Ele concordou enfaticam ente. Eu não acreditei nele.

— E você falou a Sid Matt tudo sobre isso, certo?

Ele concordou com m enos firm eza.

— E você acha que é por isso que o Andy anda pegando tanto no seu pé?

— Sim — Jason disse com m au hum or.

— Então, se eles exam inarem seu sêm en e não com binar com o que estava dentro de Maudette e Dawn, você ficará lim po. — A esta altura, eu estava com um a cara tão m atreira quanto a do m eu irm ão. Nunca tínham os falado sobre am ostras de sêm en.

— É o que Sid Matt diz. Eu não confio nesses negócios.

Meu irm ão não confiava na evidência científica m ais digna de crédito que poderia ser apresentada num tribunal.

— Você acha que Andy vai falsificar os resultados?

— Não, Andy é correto. Ele só está fazendo o seu trabalho. Eu tam bém não sei m uita coisa sobre esse negócio de DNA.

— Idiota — eu disse, e dei-lhe as costas para ir buscar outro j arro de cervej a para quatro caras de Ruston, estudantes de colégio que tinham saído para um a grande farra noturna num a folga. Tudo que eu podia esperar era que Sid Matt fosse bom de conversa.

Conversei com Jason m ais um a vez antes que ele saísse do bar.

— Você pode m e aj udar? — ele perguntou, olhando-m e com um rosto que tive dificuldade de reconhecer. Eu estava ao lado de sua m esa, e sua nam orada daquela noite tinha ido ao banheiro das m ulheres.

Meu irm ão nunca tinha pedido m inha aj uda.

— Com o?

— Você não pode ler as m entes dos hom ens que vêm aqui e descobrir se um deles foi o crim inoso?

— Isso não é tão fácil quanto parece, Jason — eu disse lentam ente, refletindo e continuando. — Prim eiro, o hom em teria que estar pensando no crim e que com etera ao sentar-se aqui, no exato m om ento em que eu estivesse lendo a sua m ente. Segundo, os pensam entos que consigo ler nem sem pre são claros. Em algum as pessoas, é com o um a transm issão de rádio, posso ouvir com detalhes. Em outras, só consigo captar um a m assa confusa de sensações, não articuladas; é com o ouvir alguém falar durante o sono, entende? Você pode ouvir a pessoa falando, pode notar se ela está aborrecida ou feliz, m as não pode ouvir as palavras exatas. E, ainda noutras vezes, posso ouvir um pensam ento, m as não posso chegar à sua fonte se o bar estiver cheio.

Jason m e fitava com olhos arregalados. Era a prim eira vez que conversávam os abertam ente sobre m inha deficiência.

— Com o você consegue não ficar louca? — ele perguntou, balançando a cabeça de espanto.

Eu estava para explicar com o colocava m inha guarda em ação, m as Liz Barrett retornou à m esa, com batom recém -passado e de cabelo arrum ado. Vi Jason repor sua persona de sedutor de m ulheres com o quem voltasse a vestir um a capa pesada, e lam entei não ter conseguido conversar com ele quando estava sozinho.

Naquela noite, quando a equipe estava preparada para ir em bora, Arlene m e perguntou se eu podia dar um a de babá para ela na noite seguinte. Seria um dia de folga para nós duas, e ela queria ir a Shreveport com Rene para ver um film e e sair para j antar.

— Claro! —, eu disse. — Faz tem po que não tom o conta de seus filhos.

De repente, o rosto de Arlene esfriou. Ela virou-se um pouco para m eu lado, abriu a boca, pensou bem no que ia dizer, pensou novam ente.

— Bill… ah… vai estar na sua casa?

— Sim , nós planej am os ver um film e. Eu ia passar na locadora, am anhã cedo. Mas pegarei algum a coisa do gosto das crianças. — Repentinam ente, m inha ficha caiu. — Alto lá. Você quer dizer que não quer deixar as crianças com igo se Bill estiver lá? — Eu senti m eus olhos se apertarem até virarem um risco e m inha voz descer a seu registro m ais raivoso.

— Sookie — ela com eçou a falar desalentada — querida, eu gosto de você. Mas você não pode entender, você não é m ãe. Eu não vou deixar m eus filhos com um vam piro por perto. Eu não consigo.

— Não im porta que eu estej a lá, e que am e seus filhos, tam bém ? Não im porta que nem em um m ilhão de anos Bill m olestaria um a criança. — Joguei m inha bolsa no om bro e dei passos decididos em direção à porta, deixando Arlene ficar lá, com um a aparência dilacerada. Por Deus, ela que ficasse com raiva, se quisesse!

Fiquei um pouco m ais calm a à m edida que avançava na estrada para casa, m as ainda estava irritada. Eu estava preocupada com Jason, zangada com Arlene, e quase perm anentem ente gelada com Sam , que, nesses dias, andava fingindo que eu era só um a m era conhecida Fiquei m e debatendo entre ir para casa ou ir para a casa de Bill; concluí que devia ir à dele m ais tarde.

Bill se preocupava tanto com igo que apareceu em m inha casa quinze m inutos depois que eu deveria ter aparecido na dele.

— Você não apareceu, não ligou — ele disse calm am ente quando atendi à porta.

— Estou em crise — eu disse. — Crise das bravas.

Sensatam ente, ele tom ou distância.

— Peço desculpas por lhe trazer preocupações — eu disse, daí a pouco. — Não farei isso novam ente. — Afastei-m e dele, na direção da cozinha. Ele m e seguiu, ou ao m enos suponho que tenha feito. Bill era tão sutil que você nunca sabia, até que notasse.

Ele encostou-se ao batente da porta enquanto eu estava no m eio da cozinha, pensando em por que eu tinha ido parar ali, sentindo um a onda crescente de raiva. Eu estava ficando fula da vida outra vez. Eu realm ente queria j ogar ou quebrar algum a coisa. Este não fora o j eito que eu fora criada, eu não era dada a ceder a im pulsos destrutivos com o esses. Eu m e contive, fechando m eus olhos com força, cerrando m eus punhos.

— Vou cavar um buraco — eu disse, e saí para a porta dos fundos.

Abri a porta do quartinho de ferram entas, peguei a pá, e fui andando a passos firm es para o fundo do quintal. Havia lá um trecho de terra onde nada nunca crescia, não sei por quê. Afundei a pá nele, em purrei-a com o pé, e retirei um naco de terra. Fui em frente. A pilha de suj eira crescia à m edida que o buraco se aprofundava.

— Eu tenho m úsculos excelentes no braço e nos om bros — eu disse, encostando-m e na pá e arfando.

Bill estava sentado num a cadeira do j ardim , observando. Ele nada dizia.

Voltei a cavar.

Finalm ente, tinha diante de m im um buraco bem grande.

— Você ia enterrar algum a coisa aí? — Bill disse, quando notou que eu tinha term inado.

— Não. — Olhei para a cavidade no chão. — Vou plantar um a árvore.

— De que espécie?

— Um carvalho — eu disse, erguendo a cabeça.

— Onde você vai conseguir um ?

— No Centro de Jardinagem . Vou dar um a passada lá nesta sem ana.

— Eles levam m uito tem po para crescer.

— Que diferença isso faria para você? — repliquei. Eu recoloquei a pá em pé e m e encostei nela, subitam ente exausta.

Bill fez com o se fosse m e erguer.

— Eu sou um a mulher adulta — rosnei. — Posso andar pela casa com m eus próprios pés.

— Eu fiz algum a coisa a você? — Bill perguntou. Havia pouca afeição em sua voz, e eu voltei a m im rapidam ente. Minha autoindulgência fora m uito longe.

— Peço desculpas — eu disse. — Outra vez.

— O que é que irritou você tanto assim ?

Eu não podia lhe falar nada sobre a conversa que tivera com Arlene.

— Que é que você faz quando está furioso, Bill?

— Eu quebro um a árvore — ele disse. — Às vezes bato em algum a pessoa.

Cavar um buraco não parecia tão m au. Até que era bastante construtivo. Mas eu ainda estava elétrica — era m ais um tum ulto controlado que um gem ido em alta frequência. Eu ficava olhando ao redor incansavelm ente, à procura de algo que eu pudesse afetar.

Bill parecia perito em ler os sintom as.

— Faça am or — ele sugeriu. — Faça am or com igo.

— Não estou no espírito para isso.

— Deixe-m e tentar convencer você.

A verdade foi que ele conseguiu.

E a coisa ao m enos esgotou a energia excedente da raiva, m as eu tinha ainda um resíduo de tristeza que o sexo não podia rem ediar. Arlene ferira m eus sentim entos. Fiquei de olhos fitos no espaço enquanto Bill trançava m eu cabelo, um passatem po que ele parecia achar tranquilizante.

De vez em quando eu m e sentia um pouco a boneca de Bill.

— Jason esteve no bar ontem à noite — eu disse.

— O que ele queria?

Bill era inteligente dem ais, às vezes, na leitura das pessoas.

— Apelou ao m eu poder de ler pensam entos. Queria que eu penetrasse na m ente dos hom ens que vão ao bar para descobrir quem é o crim inoso.

— Tirando um a dúzia de furos, até que não é m á ideia.

— Você acha?

— Seu irm ão e eu serem os recom pensados com m enos suspeita se o crim inoso for para a cadeia. E você ficará segura.

— É verdade, m as eu não sei com o fazer. Seria difícil, doloroso, e aborrecido atravessar aquela bagunça toda à caça de um pouquinho de inform ação, um lam pej o de pensam ento.

— Não tão m ais doloroso que ser suspeito de assassinato. Você está apenas acostum ada a m anter seu dom reprim ido.

— Você pensa assim ? — com ecei a m e virar para olhar para seu rosto, m as ele m e m anteve im óvel para que pudesse continuar a m e trançar o cabelo. Eu nunca tinha visto a abstenção da leitura das m entes das pessoas com o um ato egoísta, m as nesse caso eu supunha que poderia ser. Eu teria que violar m uitas privacidades. — Um detetive — eu m urm urei, tentando m e ver sob um ângulo m ais lisonj eiro que aquele de um a introm etida.

— Sookie — Bill disse, e algo em sua voz fez com que eu prestasse bastante atenção. — Eric m e pediu para levar você a Shreveport novam ente.

Levei um tem pinho para lem brar-m e de quem era Eric.

— Oh, o vam piro viking grandalhão?

— O vam piro m uito antigo — Bill disse, com precisão.

— Você quer dizer, ele pediu a você para m e levar para lá? — Eu não havia gostado nada, nada, da m aneira com o a coisa soara. Eu estava sentada ao lado da cam a, Bill atrás de m im , e agora eu m e virará m esm o para olhar para seu rosto. Dessa vez ele não m e conteve. Olhei fixo para Bill, vendo em seu rosto algo que nunca vira. — Você tem que fazer isso — eu disse, horrorizada. Eu não podia im aginar alguém dando um a ordem a Bill. — Mas, querido, eu não quero ver o Eric.

Notei que isso não fazia a m enor diferença.

— O que ele é, o Chefão dos vam piros? — perguntei, furiosa e incrédula. — Ele fez algum a oferta que você não pôde recusar?

— Ele é m ais velho que eu. Para ser m ais direto, ele tam bém é m uito m ais forte.

— Ninguém é m ais forte que você — eu disse resolutam ente.

— Bem que eu gostaria que fosse assim .

— Então, ele é o chefe da Região Dez dos Vam piros, ou algo assim ?

— Sim . Algo desse gênero.

Bill sem pre ficara de boca fechada na questão de com o os vam piros controlavam seus próprios negócios. Aquilo fora bom para m im , até agora.

— O que ele quer? O que acontecerá se eu não for?

Bill sim plesm ente pulou a prim eira pergunta.

— Ele m andará alguém — ou vários alguéns — para pegar você.

— Outros vam piros.

— Sim . — Os olhos de Bill estavam im penetráveis, brilhando em sua diferença, castanhos e intensos.

Eu tentei refletir sobre aquilo. Não estava acostum ada a obedecer a ordens dessa espécie. Não estava habituada a ficar sem alternativa algum a. Triturei m eu crânio por vários m inutos, avaliando a situação.

— E aí, você seria obrigado a brigar com eles?

— Claro que sim . Você é m inha.

Lá vinha aquele “m inha” de novo. Parecia que ele afirm ava isso enfaticam ente dem ais. Eu senti vontade de m e queixar, m as sabia que não adiantaria nada.

— Acho que devo ir — tentando não parecer am arga. — É a velha e sim ples chantagem .

— Sookie, vam piros não são como os seres humanos. Eric está usando os m elhores m eios para atingir seu fim , que é levar você a Shreveport. Ele não teve que form ular isso com clareza; eu entendi rapidam ente.

— Bem , eu com preendo isso agora, m as ainda assim , acho odioso. Fico entre a cruz e a espada! Para que ele m e quer, afinal? — Um a resposta óbvia pintou em m inha cabeça, e eu olhei para Bill, horrorizada. — Oh, não, eu não vou fazer um a coisa dessas!

— Ele não fará sexo ou m orderá você, a não ser que m e m ate. — O rosto brilhante de Bill perdeu todos os seus vestígios de fam iliaridade e se tornou totalm ente estranho.

— E ele sabe disso — eu disse, tateando — então, deve haver algum a outra razão para m e querer lá em Shreveport.

— Sim — Bill concordou — m as eu não sei qual é.

— Bem , se não tem a ver com m eus encantos físicos, ou com a qualidade rara do m eu sangue, deve ter a ver com m inha… certa peculiaridade.

— Com seu dom .

— Certo — eu disse, o sarcasm o respingando em m inha voz. — Meu precioso dom .

Toda a raiva que eu pensava haver tirado de m eus om bros retornou sobre eles com o um gorila de peso descom unal. E eu estava m ortalm ente assustada. Tentava im aginar com o Bill estava se sentindo. Estava com m edo até de perguntar isso.

— Quando? — foi o que perguntei.

— Am anhã à noite.

— Acho que este é o lado ruim do nam oro anticonvencional. — Olhei para o papel de parede que m inha m ãe escolhera havia dez anos, por trás de Bill. Prom eti a m im m esm a que, se conseguisse escapar da enrascada, colocaria lá um novo papel.

— Eu am o você. — Sua voz era apenas um sussurro.

A culpa não era de Bill.

— Eu am o você, tam bém — eu disse.

Eu precisava parar de pedir, “Por favor, não deixe o vam piro m au m e m achucar, por favor, não deixe o vam piro m e estuprar.” Se eu estava entre a cruz e a espada, Bill estava em situação duas vezes pior que a m inha. Eu não podia nem ter um a ideia do autocontrole que ele estava tendo no m om ento. Ou será que ele era m esm o m uito calm o? Será que um vam piro conseguia encarar a dor e essa form a de desam paro sem nenhum a torm enta interior?

Procurei seu rosto, as fam iliares linhas claras e a lividez de suas feições, os escuros arcos das sobrancelhas e a linha altiva de seu nariz. Notei que os caninos de Bill estavam apenas ligeiram ente estendidos, e que a raiva e o desej o ardente era o que os deixava salientes.

— Hoj e à noite — ele disse. — Sookie… — Suas m ãos com eçaram a m e pressionar para que eu m e deitasse ao lado dele.

— O quê?

— Hoj e à noite, eu acho, você deverá beber do m eu sangue.

Eu fiz um a careta.

— Argh! Você não vai precisar de toda a sua força para am anhã à noite? Eu não estou ferida.

— Com o você tem se sentido desde que bebeu de m im ? Desde que pus m eu sangue dentro de você?

Eu fiquei pensando.

— Bem — adm iti.

— Você ficou doente?

— Não, m as eu quase nunca fico.

— Você tem tido m ais energia?

— Quando você não a tira de m im ! — eu disse acidam ente, m as sentia m eus lábios se curvando num ligeiro sorriso.

— Você tem se sentido m ais forte?

— Eu, sim , acho que tenho. — Eu percebi isso pela prim eira vez quando, com facilidade extraordinária, carregara um a nova cadeira, sozinha, na sem ana passada.

— Tem sido m ais fácil controlar a sua força?

— Sim , eu notei isso. — Eu tinha atribuído a coisa ao relaxam ento crescente.

— Se você beber de m im hoj e, am anhã à noite terá ainda m ais recursos.

— Mas você ficará m ais fraco.

— Se você não beber m uito, eu m e recuperarei durante o dia no m eu sono. E eu terei que encontrar outra pessoa de quem beber am anhã à noite quando nós form os para lá.

Meu rosto se encheu de m ágoa. Desconfiar que ele andava fazendo isso e saber com certeza que fazia eram duas coisas bem diferentes, é claro.

— Sookie, faço isso por nós. Não faço sexo com nenhum a outra pessoa, eu j uro.

— Você realm ente acha que isso tudo é necessário.

— Talvez. É um reforço, ao m enos. E precisam os de todo reforço possível.

— Oh, tudo bem . Com o farem os? — Eu tinha apenas a m ais vaga lem brança da noite em que levara aquela surra, e era um consolo.

Ele olhou para m im com um ar côm ico. Tive a im pressão de que estava se divertindo.

— Você não fica excitada, Sookie?

— Com a perspectiva de beber seu sangue? Desculpe, m as não é m eu barato.

Ele balançou sua cabeça, com o se isso estivesse além de seu entendim ento.

— Eu esqueço — ele disse com sim plicidade. — Eu esqueço com o as pessoas são de outro j eito. Você prefere pescoço, pulso ou virilha?

— Virilha não — disse bem depressa. — Eu não sei, Bill. Credo. Qualquer coisa.

— Pescoço — ele disse. — Deite-se sobre m im , Sookie.

— É com o sexo.

— É o j eito m ais fácil.

Então, pus-m e de cavalinho sobre ele e delicadam ente m e abaixei. Era um a sensação m uito peculiar. Era um a posição que usávam os para o am or e nada m ais.

— Morda, Sookie — ele sussurrou.

— Não posso fazer isso! — protestei.

— Morda, ou eu terei que usar um a faca.

— Meus dentes não são pontudos com o os seus.

— São pontudos o bastante.

— Vou m achucar você.

Ele riu surdam ente. Senti seu peito chacoalhando sob m im .

— Maldição.

Eu tom ei fôlego, e, endurecendo, m ordi seu pescoço. Fiz um bom trabalho porque não havia sentido em prolongar aquilo. Senti o sangue m etálico em m inha boca. Bill gem eu suavem ente, e suas m ãos roçaram m inhas costas e continuaram a descer. Seus dedos chegaram lá.

Soltei um grito sufocado de choque.

— Beba — ele disse em balbucios, e eu suguei m ais fundo.

Ele gem eu, m ais alto, m ais profundo, e eu o senti se encostando em m im . Um pequeno arrepio de loucura m e percorreu, e eu grudei-m e nele com o um crustáceo, e ele entrou em m im , com eçou a se m over, suas m ãos agora prendendo os ossos de m eus quadris. Bebi e tive visões, visões que tinham toda a escuridão com o pano de fundo, visões de coisas brancas que se erguiam do chão e saíam em caça, a em oção da corrida pelas florestas, a presa que ia arfando lá na frente e a excitação que em anava de seu m edo; perseguição, pernas que se aproxim avam , que sentiam o zum bido do sangue a correr pelas veias do perseguido…

Bill fez um barulho no fundo de seu peito e teve um espasm o dentro de m im . Ergui m inha cabeça de seu pescoço, e um a onda de escuro deleite conduziu-m e para o m ar.

Era um negócio bem exótico para um a sim ples garçonete com dons de telepatia do norte da Louisiana.