Morto Até o Anoitecer

Charlaine Harris · Capítulo 4 de 13

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Morto Até o Anoitecer

Capítulo 4

Metade dos frequentadores do Merlotte pensava que havia um dedo de Bill nas m arcas encontradas nos corpos das m ulheres. Os outros 50 por cento pensavam que alguns dos vam piros de cidades m aiores ou m etrópoles tinham m ordido Maudette e Dawn quando elas viaj aram para fazer ronda naqueles bares, e que, por quererem ir para a cam a com vam piros, elas não tinham recebido nada além do que m ereciam . Alguns achavam que as garotas tinham sido estranguladas por um vam piro, outros que elas sim plesm ente tinham chegado à tragédia a que sua contínua vida prom íscua acabaria por inevitavelm ente levá-las.

Mas todos que foram ao bar estavam preocupados que outra m ulher pudesse ser assassinada, tam bém . Nem sei quantas vezes m e disseram para ter cuidado, para ficar de olho em m eu am igo Bill Com pton, para trancar m inhas portas e não deixar ninguém entrar em m inha casa… Com o se essas fossem coisas que eu não faria, norm alm ente.

Jason tornou-se alvo de com iseração e suspeita por ser o hom em que tinha “nam orado” as duas m ulheres. Ele veio em casa um dia e perm aneceu por um a hora, ocasião em que Vovó e eu tentávam os anim á-lo a continuar em seu trabalho com o um hom em inocente faria naturalm ente. Mas, foi a prim eira vez em m inha vida em que m eu belo irm ão pareceu realm ente preocupado. Eu não estava exatam ente satisfeita por vê-lo encrencado, m as tam pouco m e com padecia. Sei que era um a atitude pequena e intolerante de m inha parte.

Eu não sou perfeita.

Sou tão im perfeita que, a despeito das m ortes das duas m ulheres que eu conhecia, passei um a grande parte do tem po pensando no que Bill queria dizer ao pedir que eu o deixasse orgulhoso. Eu não tinha ideia do que poderia ser um traj e apropriado para visitar um bar de vam piros. Eu não queria m e vestir com algum a roupa estúpida, com o eu fora inform ada que alguns visitantes faziam .

Claro que eu não tinha ninguém com quem m e consultar num caso desses.

Eu não era alta ou ossuda o bastante para m e vestir naquela roupa de ly cra que eu vira Diane usando.

Por fim , encontrei um vestido lá no fundo do m eu guarda-roupa; um que eu tivera poucas oportunidades para usar. Era um vestido para um Belo Encontro, se você pretendia atrair o interesse de quem quer que fosse lhe acom panhar.

Tinha um corte reto, era decotado e sem m angas. Era j usto e branco. O tecido era delicadam ente salpicado por flores verm elhas lum inosas com longas hastes verdes. Meu bronzeado reluzia e os peitos apareciam . Eu usava brincos de esm alte verm elho e sapatos de salto alto provocantes. Tinha um a pequena bolsa verm elha de palha. Passei m aquiagem leve e soltei m eus cabelos ondulados sobre as costas.

Os olhos de Vovó ficaram arregalados quando eu saí do quarto.

— Querida, você está linda — ela disse. — Você não vai sentir um pouco de frio dentro desse vestido, não?

Eu sorri.

— Não, senhora, acho que não. Está bem quente lá fora, hoj e.

— Não quer pôr um suéter branco bem bonitinho em cim a dele?

— Não, acho que não. — Eu dei risada.

Eu tinha em purrado os outros vam piros para o fundo de m inha m em ória, de m odo que parecer sexy era um a coisa agradável novam ente. Eu estava bem excitada por ter um program a, em bora eu própria o tivesse sugerido a Bill e sua natureza fosse m ais a de um a investigação. Isso, tam bém , eu tentava esquecer, para que pudesse m e deleitar.

Sam ligou-m e para dizer que o cheque do m eu ordenado estava pronto.

Perguntou-m e se eu ia aparecer lá para pegá-lo, o que eu habitualm ente fazia se não fosse trabalhar no dia seguinte.

Eu fui ao bar do Merlotte com certa ansiedade por entrar lá com um a roupa tão chique.

Mas, quando cheguei à porta, ganhei o tributo de um m om ento de silêncio aturdido. Sam estava de costas para m im , m as Lafay ette estava olhando atrás da portinhola de sanduíches e Rene e JB tam bém estavam no bar. Por azar, estava lá tam bém o m eu irm ão Jason, cuj os olhos se arregalaram quando se virou para ver o que Rene olhava com tanta avidez.

— Você está arrasando, garota! — exclam ou Lafay ette entusiasticam ente. — Onde foi que você arranj ou este vestido?

— Oh, eu tenho essa velharia desde que m e entendo por gente — eu disse, gozadora, e ele riu.

Sam virou-se para ver o que estava deixando Lafay ette tão deslum brado, e seus olhos se arregalaram , tam bém .

— Meu Deus — ele suspirou.

Eu andei em sua direção para pedir o m eu cheque, sentindo-m e m uito autoconfiante.

— Venha ao escritório, Sookie — ele disse, e eu o segui até o pequeno cubículo perto da despensa.

Rene deu-m e um m eio abraço quando passei por ele, e JB beij ou m inha bochecha.

Sam deu um a busca entre as pilhas de papéis no topo de sua escrivaninha, e finalm ente em ergiu com m eu cheque. Apesar disso, não o estendeu para m im .

— Você está indo para algum lugar especial? — ele perguntou, quase contrariado.

— Eu tenho um encontro — disse, tentando parecer bem natural.

— Você está linda — ele disse, e o vi engolir em seco. Seus olhos estavam ardentes.

— Obrigada. Hum , Sam , pode m e passar o m eu cheque?

— Claro. — Ele o estendeu para m im , e eu o guardei bem na m inha bolsa.

— Tchau, então.

— Tchau.

Mas, em vez de m e deixar sair, Sam deu um passo à frente e m e cheirou. Pôs o rosto bem perto de m eu pescoço e aspirou. Seus olhos azuis brilhantes fecharam -se rapidam ente, com o se ele estivesse avaliando m eu perfum e. Por fim , expirou docem ente, sua respiração roçando calidam ente m inha pele exposta.

Eu saí porta afora e deixei o bar, intrigada e interessada no com portam ento de Sam .

Quando cheguei em casa, um carro estranho estava estacionado em frente. Era um Cadillac preto, e brilhava com o vidro. O carro de Bill. De onde ele tirava dinheiro para com prar esses carros? Balançando a cabeça, subi os degraus da varanda e entrei. Bill virou-se para a porta, com ansiosa expectativa; ele estava sentado no sofá, conversando com Vovó, que se em poleirara no braço de um a cadeira superestofada.

Quando m e viu, tive certeza que tinha exagerado na dose, e que ele estava furioso com aquele vestido. Seu rosto ficou rígido. Seus olhos flam ej aram . Seus dedos se curvaram com o se ele estivesse escavando algo com eles.

— Tudo certo com igo? — perguntei ansiosam ente. Senti o sangue subir ao m eu rosto.

— Sim — ele disse, finalm ente. Mas sua dem ora em responder fora longa o bastante para irritar m inha avó.

— Qualquer um em são j uízo terá que adm itir que Sookie é um a das m ais belas garotas que existem por aqui — ela disse, com a voz m acia na superfície, m as feita de aço por baixo.

— Oh, sim — ele concordou, m as havia um a curiosa ausência de inflexão em sua voz.

Bem , ele que se ferrasse. Eu fizera o m elhor que pudera. Endireitei a espinha, e disse:

— Vam os em bora, então?

— Sim — ele disse novam ente, e se levantou. — Boa-noite, sra. Stackhouse. Foi um prazer conversar com a senhora outra vez.

— Bem , divirtam -se, vocês dois — ela disse, am olecendo. — Dirij a com cuidado, Bill, e não beba dem ais.

Ele ergueu um a sobrancelha.

— Não, senhora.

Vovó deixara o problem a para lá.

Bill ficou segurando a porta do carona aberta para que eu entrasse, com eço de um a série de m anobras calculadas para evitar que algum a parte do m eu corpo pulasse pra fora do vestido. Ele então fechou a porta e entrou pelo lado do m otorista. Fiquei pensando em quem poderia tê-lo ensinado a dirigir um carro. Henry Ford, provavelm ente.

— Sinto m uito por não estar vestida adequadam ente — eu disse, olhando para a frente.

Estávam os indo lentam ente pela estrada acidentada através das florestas. O carro cam baleou para dar um a parada.

— Quem disse isso? — Bill perguntou, com voz m uito am ável.

— Você olhou para m im com o se eu tivesse feito algum a coisa errada — repliquei.

— Eu só estava duvidando de m inha habilidade para fazer você entrar e sair daquele bar sem ter que m atar alguém que ficasse doido por você.

— Você está sendo sarcástico. — Eu ainda não o olhava.

Suas m ãos apertaram a m inha nuca, forçando-m e a virar para olhá-lo.

— Minha cara é de sarcasm o? — ele perguntou.

Seus olhos negros estavam bem abertos e não piscavam .

— Ah… não — eu adm iti.

— Então, faça o favor de aceitar o que eu digo.

O passeio a Shreveport foi silencioso na m aior parte do tem po, m as não tão incôm odo. Bill foi ouvindo fitas o tem po todo. Ele gostava de Kenny G.

Fangtasia, o bar dos vam piros, estava situado num a área com ercial suburbana de Shreveport, perto de loj as com o a Sam e a Toy s ’R’ Us. Era um a artéria com ercial, que, à exceção do bar, ficava toda fechada àquelas horas. O nom e do am biente estava num letreiro vivo de néon verm elho sobre a porta, e a fachada era pintada de cinza-aço, com a cor verm elha fornecendo o contraste. Quem quer que fosse dono do lugar tinha j ulgado que cinza era m enos óbvio que preto, porque o interior era decorado com as m esm as cores.

Um a vam pira m e pediu docum entos à porta. Naturalm ente, ela reconhecera Bill com o um de sua própria espécie e cum prim entou-o com um aceno frio, m as m e exam inou atentam ente. Pálida com o giz, com o todos os vam piros caucasianos costum am ser, ela era estranham ente chocante em seu longo vestido negro com m angas com pridas. Eu m e perguntava se o exagerado look vam piresco seria m esm o a sua própria inclinação, ou se ela apenas o adotara porque os fregueses hum anos j ulgavam -no apropriado.

— Faz anos que ninguém m e pede docum entos — eu disse, fuçando em m inha bolsa verm elha à procura da carteira de m otorista.

Ficam os retidos lá, num pequeno vestíbulo em form a de caixa.

— Eu j á não posso distinguir idades hum anas, e devem os ser m uito cuidadosos para não receber m enores. De qualquer tipo — ela disse, tentando ostentar o que provavelm ente era para ser um sorriso genial. Lançou um olhar de esguelha para Bill, seus olhos sondando-o de alto a baixo com um interesse ofensivo. Ofensivo para m im , ao m enos.

— Faz alguns m eses que não vej o você — ela disse a ele, com a voz m ais fria e doce que podia em itir.

— Estou m e normalizando — ele explicou, e ela fez um sinal de entendim ento.

— O que você disse a ela? — m urm urei, enquanto descíam os o curto corredor e entrávam os pelas portas duplas verm elhas no salão principal.

— Que estou tentando viver entre seres hum anos norm ais.

Eu queria saber m ais, m as tive então m eu prim eiro vislum bre de entendim ento do que era o Fangtasia. Tudo era em cinza, preto e verm elho. As paredes traziam , em fila, im agens em olduradas de cenas de todo e qualquer film e que tivesse m ostrado dentes caninos∗ na tela, de Bela Lugosi, passando por George Ham ilton e chegando a Gary Oldm an, dos m ais fam osos aos m ais obscuros. A ilum inação era escassa, o que não chegava a ser incom um ; o que era incom um m esm o era a clientela. E os sinais em itidos.

O bar estava cheio. Os clientes hum anos se dividiam entre tietes de vam piros e turistas. Os tietes (vam pirófilos, com o eram cham ados) estavam vestidos na sua roupa m ais chique. Os traj es iam dos tradicionais capas e sm okings para hom ens às m uitas im itações baratas de Mortícia Adam s entre as m ulheres. As roupas variavam entre cópias daquelas usadas por Brad Pitt e Tom Cruise em Entrevista com o vampiro a alguns figurinos m ais m odernos que acho

que tinham sido influenciados por ∗ Fome de viver. Alguns dos vam pirófilos usavam caninos postiços, alguns traziam gotas de sangue pintadas nos cantos das bocas ou m arcas de perfuração em seus pescoços. Eles eram extraordinários, e extraordinariam ente patéticos.

Os turistas pareciam com o que os turistas se parecem em toda parte, talvez um pouco m ais aventureiros do que a m aioria é. Mas, para entrar no espírito desse lugar, estavam quase todos vestidos de preto com o os vam pirófilos. Talvez fosse parte de um pacote de viagens? “Vista-se de preto para fazer uma excitante visita a um legítimo bar de vampiros! Siga as regras, e você ficará numa boa, tendo uma visão desse exótico submundo.”

Espalhados entre essa variedade de seres hum anos, com o j oias verdadeiras num baú de falsos diam antes, circulavam os vam piros, talvez uns quinze deles. A m aior parte preferia roupas escuras, tam bém .

Eu parei no m eio do salão, olhando ao redor com interesse e espanto e tam bém algum noj o, e Bill sussurrou:

— Você parece um a vela branca num a m ina de carvão.

Dei risada, e cam inham os entre m esas espalhadas em direção ao bar. Foi o único bar que conheci que tinha sangue aquecido e engarrafado em exposição. Bül, naturalm ente, pediu um pouco da bebida, e eu respirei fundo, pedindo um gim -tônica. O barm an sorriu para m im , m ostrando que seus caninos tinham até crescido um pouco devido ao prazer que estava tendo por m e servir. Era um índio am ericano, com longos cabelos lisos e pretos feito carvão e um nariz adunco, um a boca em linha reta, e um a constituição vigorosa.

— Com o vão as coisas, Bill? — o barm an perguntou. — Faz tem po que a gente não se vê. Essa aí é tua com ida pra hoj e? — Ele apontou em m inha direção enquanto punha os drinques à nossa frente.

— Esta é m inha am iga Sookie. Ela tem um as perguntas a fazer.

— O que você quiser, lindinha — disse o barm an, sorrindo novam ente. Gostei m ais dele enquanto estava com aquela boca em linha reta bem fechada.

— Você viu esta m ulher, ou esta aqui, neste bar? — eu perguntei, tirando de m inha bolsa as fotos de Maudette e Dawn recortadas de j ornais. — Ou m esm o este hom em ? — Com receio, tirei e m ostrei tam bém a foto do m eu irm ão.

— Sim , para as m ulheres; não, para o hom em , em bora ele pareça delicioso — disse o barm an, sorrindo para m im outra vez. — Seu irm ão, talvez?

— Sim .

— Quantas possibilidades — ele sussurrou.

Tive sorte por ter tanta prática de controle facial.

— Você se lem bra de com quem essas m ulheres andaram circulando por aqui?

— Isso é um a coisa que eu não posso saber — ele replicou rapidam ente, seu rosto se fechando. — Essa é um a coisa que não notam os, aqui. Você não vai notar, tam bém .

— Obrigada — eu disse polidam ente, percebendo que tinha violado um a regra do bar. Era perigoso perguntar quem andava com quem por ali, evidentem ente. — Fico agradecida por ter m e dado atenção.

Ele olhou para m im , refletindo.

— Essa aí — ele disse, pondo o dedo sobre a fotografia de Dawn — ela queria m orrer.

— Com o é que você sabe?

— Todo m undo que vem aqui quer m orrer, de um a m aneira ou de outra — ele disse de m aneira tão displicente que pude notar que ele encarava isso com o coisa natural. — É isso que nós som os. A m orte.

Eu estrem eci. A m ão de Bill em m eu braço m e conduziu para longe, para um a cabine recém -desocupada. Sublinhando a declaração do índio, a intervalos regulares cartazes na parede proclam avam , “Não m orda no local”, “Não dem ore no estacionam ento”, “Conduza seus negócios pessoais em outra parte”, “Sua presença é apreciada. Continue por risco próprio”.

Bill tirou a tam pa da garrafa com um dedo e deu um a bebidinha. Eu tentei não olhar, aversiva. Naturalm ente ele viu isso em m eu rosto, e balançou a cabeça.

— Isto aqui é a realidade, Sookie — ele disse. — Preciso disso para viver.

Havia m anchas verm elhas entre seus dentes.

— É claro — eu disse, tentando im itar o tom displicente do barm an. Tom ei um fôlego profundo. — Supõe que eu queira m orrer, j á que vim para cá com você?

— Eu acho que você quer descobrir por que outras pessoas estão m orrendo — ele disse. Mas não estava certa de que era nisso que ele acreditava realm ente.

Eu não achava que Bill j á tivesse percebido que sua posição pessoal era precária. Eu bebericava m eu drinque, sentindo o florescente calor do gim se espalhar em m im .

Um a vam pirófila se aproxim ou de nossa cabine. Eu estava sem ioculta por Bill, m as, ainda assim , todos tinham m e visto entrando com ele. Ela era esquelética e tinha o cabelo frisado, e usava óculos que guardava num a bolsa ao cam inhar. Ela se curvou sobre a m esa para ficar com a boca bem próxim a de Bill.

— Oi, gostosão — ela disse num a voz que desej ava que fosse sedutora. Deu um tapinha no sangue engarrafado de Bill com um a unha pintada de escarlate. — Se quiser, tenho do legítim o. — Deu outra batida num ponto de seu pescoço para ter certeza de que ele estava entendendo.

Respirei fundo para controlar m eu gênio. Eu m esm a convidara Bill a vir a este lugar; não fora ele quem m e convidara. Eu não podia dizer nada sobre o que quer que ele cism asse de fazer aqui, em bora tivesse um a im agem m ental surpreendentem ente vivida da m arca da bofetada que eu gostaria de deixar no rosto pálido e sardento daquela assanhada. Mantive controle absoluto, para que Bill não tivesse a m enor suspeita do que eu estava querendo.

— Estou acom panhado — Bill disse educadam ente.

— Ela não tem nenhum a m arca de perfuração no pescoço — a garota observou, registrando a m inha presença com um ar de desprezo. Podia ter dito, da m esm a m aneira, “Galinha!” e batido seus braços feito asas. Im aginei se a fum aça não estaria saindo visivelm ente de m eus ouvidos.

— Estou acom panhado — Bill disse novam ente, agora com m enos gentileza.

— Você não sabe o que está perdendo — ela disse, seus grandes olhos pálidos em itindo clarões ofensivos.

— Sei, sim — ele disse.

Ela recuou com o se eu tivesse m esm o lhe dado um a bofetada, e voltou pisando ruidosam ente para a sua m esa.

Para m eu desgosto, era só a prim eira de quatro. Essas pessoas, hom ens ou m ulheres, queriam transar com um vam piro, e não ficavam intim idadas por nada.

Bill lidava com eles sem perder a calm a.

— Você não está falando nada — ele disse, depois que um hom em quarentão tinha se afastado, seus olhos lacrim ej ando de verdade diante da rej eição de Bill.

— Não tenho nada para dizer — eu repliquei, com grande autocontrole.

— Você podia tê-los m andado em bora. Quer que eu a deixe sozinha? Há alguém que faça o seu gênero por aqui? Som bra Longa, o cara lá do bar, gostaria de dar um a transadinha com você, eu bem que notei.

— Oh, pelo am or de Deus, não! — Eu não m e sentiria a salvo na com panhia de nenhum daqueles vam piros, teria ficado tão aterrorizada com o ficara com Liam ou Diane. Bill tinha virado seus olhos escuros para m im e parecia esperar que eu dissesse algum a outra coisa. — Sej a lá com o for, eu tenho que perguntar a eles se viram Dawn e Maudette por aqui.

— Você quer que eu fique com você?

— Por favor — eu disse, e soei ainda m ais aterrorizada do que queria.

Eu estava tentando fazer de conta que ter a com panhia dele seria com o que um prazer apenas casual.

— O vam piro ali na frente até que é bonitão; ele j á deu um as duas olhadas para você — ele disse.

Eu quase pensei se ele não poderia estar m ordendo um pouquinho a língua tam bém .

— Você está m e provocando — eu disse, insegura, um pouquinho depois.

O vam piro que ele indicava era bonito, de fato, radiante; louro e de olhos azuis, alto e de om bros largos. Estava usando botas, j eans e um colete. Anacrônico. Parecido com um desses suj eitos das capas de livros rom ânticos. Ele m e assustava m ortalm ente.

— O nom e dele é Eric — Bill disse.

— Quantos anos ele tem ?

— Muitos. Ele é a coisa m ais antiga daqui deste bar.

— Ele é do m al?

— Nós todos som os m aus, Sookie. Todos nós som os m uito fortes e m uito violentos.

— Você, não — eu disse. Vi o rosto dele se fechar. — Você quer viver entre seres hum anos norm ais. Você não quer com eter atos antissociais.

— Justo quando eu pensei que você era ingênua dem ais para ficar sozinha, você m e diz um a coisa esperta — ele disse, com um a risada curta. — Tudo bem , vam os lá conversar com o Eric.

Eric, que, era verdade, havia lançado olhares para m im um a ou duas vezes, estava sentado com um a vam pira que era tão bela quanto ele. Os dois j á tinham repelido várias investidas de hum anos. De fato, um am ante desprezado j á rastej ara pelo assoalho e beij ara as botas da m ulher. Notava-se que ela fizera esforços para não dar um pontapé naquela cara. Turistas esquivaram -se, e um casal levantou-se e fugiu apressadam ente, m as os vam pirófilos pareciam achar essa cena natural.

Ao nos aproxim arm os, Eric ergueu os olhos com um a expressão m al-hum orada até perceber quem eram os introm etidos.

— Bill — ele disse, fazendo um sinal de reconhecim ento.

Vam piros não pareciam dados a trocar apertos de m ãos.

Em vez de se encam inhar direto para a m esa, Bill m anteve um a distância cautelosa, e j á que estava apertando m eu braço logo acim a do m eu cotovelo, eu tive que parar tam bém . Essa parecia ser a distância cortês, nesse m eio.

— Quem é sua am iga? — perguntou a m ulher.

Em bora Eric tivesse um ligeiro sotaque, a m ulher falava puro inglês am ericano, e aquelas feições redondas e suaves poderiam fazê-la passar facilm ente por um a leiteira. Ela sorriu, e seus caninos despontaram , m eio que arruinando a im agem .

— Oi, sou Sookie Stackhouse — eu disse polidam ente.

— Não é um a gracinha — Eric observou, e eu esperava que estivesse falando de m eu caráter.

— Não, especialm ente — eu disse.

Eric m e olhou, surpreso, por um m om ento. Depois, caiu na risada, e a m ulher fez o m esm o.

— Sookie, esta é a Pam e eu sou Eric — o vam piro loiro disse. Bill e Pam trocaram os sinais de reconhecim ento m útuo dos vam piros.

Houve um silêncio. Eu gostaria de ter falado, m as Bill apertou m eu braço.

— Minha am iga Sookie gostaria de lhe fazer algum as perguntas — Bill disse.

Os vam piros sentados trocaram olhares entediados.

Pam disse:

— Tais com o que com prim ento têm nossos caninos, e que tipo de caixão é aquele em que dorm im os? — Sua voz estava im pregnada de desprezo, e podia-se notar que aquelas eram perguntas feitas pelos turistas que ela odiava ter que responder.

— Não, senhora — eu disse.

Esperava que Bill não arrancasse m eu braço, com seus apertões. Achei que estava sendo calm a e cortês.

Ela olhou para m im com espanto.

O que será que havia de tão surpreendente em m im ? Eu estava com eçando ficar cansada dessa coisa. Antes que Bill pudesse m e fazer m ais alguns sinais doloridos, abri m inha bolsa e tirei as fotografias.

— Eu gostaria de saber se vocês viram algum a destas duas m ulheres neste bar. — Eu que não ia tirar a foto de Jason diante dessa m ulher. Seria com o colocar um pires de leite diante de um gato.

Os dois olharam para as fotos. O rosto de Bill estava vazio. Eric olhou para m im .

— Eu estive com esta aqui — ele disse friam ente, batendo na foto de Dawn. — A curtição dela era dor.

Pam estava surpresa que Eric tivesse respondido à m inha pergunta, notei por suas sobrancelhas. Ela parecia com o que obrigada a seguir o seu exem plo.

— Eu vi as duas. Nunca tive nada com elas. Esta aqui — ela bateu de leve na foto de Maudette — era um a criatura patética.

— Muito obrigada, isso é tudo que eu queria saber de vocês — eu disse, e tentei m e virar para m e afastar. Mas Bill ainda m antinha m eu braço aprisionado.

— Bill, você está com pletam ente ligado à sua am iga? — Eric perguntou.

Dem orou um pouquinho para a m inha ficha cair. Eric, o Gostosão, estava perguntando se eu podia ser em prestada a ele.

— Ela é m inha — Bill disse, m as ele não estava rosnando com o rosnara para os vam piros sórdidos de Monroe. A despeito disso, sua voz soava desdenhosam ente firm e.

Eric baixou sua cabeça dourada, m as m e deu aquela “sacada” outra vez. Ao m enos com eçou pelo m eu rosto.

Bill pareceu aliviado. Ele fez um a reverência para Eric, que de algum m odo incluía Pam , recuou uns dois passos, e finalm ente m e perm itiu dar as costas para o casal.

— Cruz credo, o que foi que aconteceu? — eu perguntei, num sussurro furioso. Ia ficar com um hem atom a no braço, no dia seguinte.

— Eles são alguns séculos m ais velhos que eu — Bill disse, parecendo bem vam piresco.

— Essa é a hierarquia? Por idade?

— Hierarquia — Bill disse, pensativo. — Não é um a definição ruim .

Ele quase riu. Eu notei pelo m odo com o seus lábios se contorceram .

— Se você estivesse interessada, eu teria sido obrigado a deixar você nos braços de Eric — ele disse, depois que retom am os nossos lugares e dem os um gole nos drinques.

— Não — eu disse resolutam ente.

— Por que você não disse nada quando os vam pirófilos vieram à nossa m esa para m e tirar de você?

Não estávam os operando na m esm a sintonia. Talvez as nuances sociais fossem coisas com as quais os vam piros não se im portassem . Eu teria que explicar um a coisa que não podia requerer m uita explicação.

Fiz um som bem pouco fem inino de pura irritação.

— O.k. — eu disse, ferina. — Ouça, Bill! Quando você veio à m inha casa, eu tive que convidar você. Quando você veio até aqui com igo, tive que convidar você. Você nunca m e cham ou pra sair. Ficar escondido na estrada de casa não conta, e pedir para ir à sua casa deixar um a lista de trabalhadores tam bém não. É sem pre assim , eu procuro você. Com o posso lhe dizer que você tem que ficar com igo, se você quiser ir? Se você quisesse chupar o sangue daquelas garotas, e daquele cara, tam bém ; eu não teria m e sentido no direito de ser um em pecilho para seus atos!

— Eric é bem m ais bonito que eu — Bill disse. — Ele é m ais poderoso, e eu sei que o sexo com ele pode ser inesquecível. Ele é tão velho que só precisa de um a chupadinha para m anter a sua força. Ele quase nunca m ata ninguém . Assim , pelo código dos vam piros, é um bom suj eito. Você ainda pode ficar com ele. Ele ainda está olhando para você. Ele tentaria lançar o seu encanto sobre você se você não estivesse com igo.

— Não quero ficar com Eric — eu disse, teim osam ente.

— E eu não quero sair com nenhum daqueles tietes — ele disse.

Ficam os em silêncio por um ou dois m inutos.

— Então, estam os de bem — eu disse, obscuram ente.

— Sim .

Ficam os m ais uns m om entos refletindo sobre isso.

— Quer outro drinque? — ele perguntou.

— Sim , a m enos que você precise ir em bora.

— Não, tudo bem .

Ele foi ao bar. Pam , a am iga de Eric saiu e Eric pareceu estar contando os m eus cílios. Tentei m anter m eu rosto fitando m inhas m ãos, para indicar m odéstia. Senti puxões de energia com o que fluindo sobre m im e tive a sensação inquietante de que Eric estava tentando lançar o encanto sobre m im . Arrisquei um rápido olhar, e foi o bastante para m e certificar de que ele estava olhando para m im com expectativa. Será que eu teria que tirar m eu vestido? Latir com o um cão? Chutar Bill nas canelas? Que m erda.

Bill voltou com nossos drinques.

— Ele vai saber que não sou norm al — eu disse soturnam ente. Bill não parecia precisar de um a explicação.

— Ele está violando as regras tentando encantar você depois que eu lhe disse que você é m inha — Bill disse.

Ele parecia bem puto da vida. Sua voz não ficava cada vez m ais quente com o a m inha teria ficado, m as cada vez m ais fria.

— Parece que você está dizendo isso a todo m undo — eu m urm urei. Sem fazer nada para m erecer isso, acrescentei, em silêncio.

— É a tradição entre os vam piros — Bill explicou novam ente. — Se eu declaro que você é m inha, ninguém pode tentar se alim entar de você.

— Se alim entar de m im , m as que frase m ais delicada! — eu disse ferinam ente, e Bill ficou com um a expressão de verdadeira exasperação por uns m om entos.

— Estou protegendo você — ele disse, sua voz não tão neutra com o de costum e.

— Já lhe passou pela cabeça que eu…?

E eu m e contive, fechando m eus olhos. Contei até dez.

Quando arrisquei dar um a olhada para Bill, seus olhos estavam fixos em m eu rosto, sem dar um a piscadela. Eu conseguia praticam ente ouvir as engrenagens se m exendo.

— Que você não precisa de proteção? — ele perguntou, am avelm ente. — Que você é que está m e protegendo?

Eu não disse nada. Sou capaz de um a coisa dessas.

Mas ele m e pegou pela nuca. Virou m inha cabeça com o se eu fosse um a boneca. (Isso estava se tornando um hábito irritante nele.) Olhou tão firm em ente dentro de m eus olhos que pensei que túneis estivessem sendo construídos dentro de m im .

Prendi m eus lábios e soprei sobre seu rosto.

— Buu — eu disse.

Eu estava m uito pouco à vontade. Olhava para as pessoas no bar, deixando m inha guarda baixar, escutando.

— Que chato — eu disse a ele. — Essas pessoas são chatas.

— São m esm o, Sookie? Que é que eles estão pensando? — Foi um alívio ouvir a sua voz, não im portando que ela estivesse um pouco esquisita.

— Sexo, sexo, sexo.

E era verdade. Cada um a daquelas pessoas no bar só trazia sexo na cabeça. Mesm o os turistas, que em m aioria não estavam pensando em transar com os vam piros, m as pensavam nos tietes transando com os vam piros.

— Em que você está pensando, Sookie?

— Não é em sexo — eu respondi pronta e confiantem ente. Eu tinha acabado de sofrer um choque desagradável.

— É m esm o?

— Estava pensando era nas chances de nós sairm os desta espelunca sem nenhum problem a.

— Por que você estava pensando nisso?

— Porque um dos turistas é um tira disfarçado, e ele acabou de ir ao banheiro; ele sabe que há um vam piro lá dentro, chupando o pescoço de algum tiete. E j á cham ou a polícia com seu pequeno rádio.

— Vam os cair fora — ele disse suavem ente, e nós saím os da cabine rapidam ente, andando rum o à porta.

Pam tinha desaparecido, m as quando passam os pela m esa de Eric, Bill fez a ele algum sinal que não com preendi. Quase tão suavem ente quanto Bill, Eric deslizou de sua cadeira e ergueu-se, com sua m agnífica estatura, seu passo bem m ais largo que o nosso que passou pela porta prim eiro que nós, pegando no braço de um a leoa de chácara e levando-a para fora conosco.

Quando estávam os para ultrapassar a porta de saída, lem brei-m e que o barm an, Som bra Longa, tinha respondido às m inhas perguntas com boa vontade, por isso m e virei e apontei m eu dedo em direção à porta, dizendo a ele, sem possibilidade de equívoco, para que saísse. Ele pareceu ficar alarm ado à m aneira dos vam piros, e enquanto Bill m e puxava para cruzar as portas duplas, j ogou sua toalha.

Lá fora, Eric esperava ao lado de seu carro — um Corvette, naturalm ente.

— Vai haver um a batida — Bill disse.

— Com o você soube?

Bill ficou encrencado com aquilo.

— Por m im — eu tirei-o do em baraço.

Os olhos azuis de Eric brilharam m esm o na claridade do estacionam ento. Eu teria que explicar depois.

— Eu li a m ente de um policial — m urm urei.

Olhei de esguelha para ver com o Eric estava interpretando a coisa, e ele estava olhando para m im da m esm a m aneira que os vam piros de Monroe tinham olhado. Pensativa e avidam ente.

— Isso é interessante — ele disse. — Eu saí com um a garota dotada de poderes psíquicos um a vez. Foi incrível.

— Ela tam bém achou? — Minha voz saiu m ais ácida do que eu calculara.

Ouvi Bill ofegar.

Eric riu.

— Por uns tem pos — ele respondeu, am biguam ente.

Ouvim os sirenes à distância e, sem m ais palavras, Eric e sua leoa de chácara deslizaram para dentro do carro dele e se afundaram dentro da noite, o carro parecendo m ais silencioso que os outros, de algum m odo. Bill e eu pusem os nossos cintos de segurança rapidam ente, e deixam os o estacionam ento por um a saída bem quando a polícia ia entrando por outra. Eles vinham com sua van de vam piros, um veículo especial para transportar prisioneiros, dotado de barras de prata. Era guiada por dois tiras que tinham pertencido à seita dos vam piros, e eles pularam da van e chegaram à porta do clube com um a velocidade que os transform ou rapidam ente em borrões na m inha visão hum ana.

Tínham os percorrido alguns quarteirões quando repentinam ente Bill entrou no estacionam ento de m ais um a loj a com ercial às escuras.

— O quê…? — com ecei a dizer, m as não continuei.

Bill tinha soltado m eu cinto de segurança, recuado o assento, e m e agarrado antes que eu term inasse m inha frase. Com m edo de que ele estivesse furioso, lutei com ele a princípio, m as foi o m esm o que m e debelar contra um a árvore. Depois, sua boca localizou a m inha, e eu soube o que ele queria.

Oh, cara, com o ele beij ava. Tínham os problem as de com unicação em alguns níveis, m as nesse não tínham os nenhum . Nós nos deleitam os por uns cinco m inutos. Eu sentia todas as coisas certas se m ovendo em ondas pelo m eu corpo. Apesar do em baraço de estar no banco da frente de um carro, eu m e aj eitava para ficar à vontade, m ais ainda porque ele era tão forte e atencioso. Eu dava m ordidinhas em sua pele. Ele fazia um som parecido a um rosnado.

— Sookie! — Sua voz estava entrecortada.

Eu m e afastei dele um pouquinho.

— Se fizer isso outra vez, eu possuirei você, queira você ser possuída ou não — ele disse, e eu notei que ele estava falando sério.

— Você não quer — eu disse finalm ente, tentando não transform ar isso num problem a.

— Oh, sim , quero sim — e ele agarrou a m inha m ão e m e m ostrou.

De repente, um a luz clara com eçou a girar ao nosso lado.

— A polícia — eu disse. Vi um a figura saindo do carro-patrulha e vindo na direção da j anela de Bill. — Não o deixe perceber que você é um vam piro — eu disse rapidam ente, tem endo as consequências da batida no Fangtasia.

Em bora m uitas forças policiais gostassem de ter vam piros engaj ados a seu serviço, havia um m onte de preconceitos contra os vam piros nas ruas, especialm ente se constituíssem um casal m isto.

A m ão pesada do policial deu um a pancada breve e seca na j anela.

Bill acionou o m otor, apertando o botão que baixava a j anela. Mas estava em silêncio, e eu percebi que seus caninos não tinham se contraído. Se abrisse a boca, ficaria m ais que óbvio que era um vam piro.

— Alô, policial — eu disse.

— Boa-noite — o hom em disse, bastante polido. Ele se curvou para olhar na j anela. — Vocês dois sabem que todas as loj as daqui estão fechadas, certo?

— Sim , senhor.

— Agora, eu noto que vocês têm feito um a farrinha por aqui, e eu não tenho nada contra, m as vocês precisam ir para casa para fazer esse tipo de coisa.

— Nós vam os — eu concordei ansiosam ente, e Bill fez um a inclinação rígida com a cabeça.

— Estam os dando batida num bar a uns quarteirões atrás — o patrulheiro disse casualm ente. Eu conseguia ver só um pouquinho de seu rosto, m as ele parecia corpulento e de m eia-idade. — Vocês dois estão vindo de lá, por acaso?

— Não — eu disse.

— Bar de vam piros — o tira observou.

— De j eito nenhum . Nós não.

— Deixe-m e só ilum inar seu pescoço com a lanterna, senhorita, se não se im porta.

— Sem problem as.

E ele j ogou aquela luz sobre o m eu pescoço e depois sobre o de Bill.

— O.k., só exam inando. Podem ir em bora, vocês dois.

— Sim , nós vam os.

O assentim ento de Bill foi ainda m ais lacônico. Enquanto o patrulheiro esperava, eu deslizei para o lado e coloquei m eu cinto de segurança, e Bill pôs o carro em funcionam ento e deu ré.

Bill estava furioso. Por todo o traj eto, até em casa, m anteve um silêncio m al-hum orado (suponho), enquanto eu estava inclinada a considerar o incidente todo com o um a coisa bem engraçada.

Eu estava anim ada por notar que Bill não era indiferente aos m eus atrativos físicos, tais com o eram . Com ecei a ter a esperança de que um dia ele quisesse m e beij ar novam ente, talvez por m ais tem po e m ais profundam ente, e talvez até… pudéssem os ir m ais além ? Tentava não deixar m inhas esperanças m e subirem à cabeça. Na verdade, havia um a ou duas coisas que Bill não sabia sobre m im , que ninguém sabia, e eu tom ava m uito cuidado em m anter m inhas expectativas num a escala m odesta.

Quando ele m e levou de volta à Vovó, desceu e abriu m inha porta, o que fez com que eu erguesse m inhas sobrancelhas; m as eu não sou daquelas que bloqueiam um gesto de cavalheirism o. Eu sabia que Bill percebia m uito bem que eu tinha braços funcionais e habilidade m ental suficiente para entender o m ecanism o de abertura da porta. Quando saí, ele recuou.

Fiquei m agoada. Ele não queria m e beij ar novam ente; ele estava se arrependendo de nosso episódio recente. Talvez pensando naquela m aldita Pam . Ou talvez até no Som bra Longa. Eu estava com eçando a ver que a habilidade em fazer sexo por longos séculos deixa lugar para m uita experim entação. Um a telepata seria tão ruim para incluir em sua lista?

Eu m eio que arqueei e encolhi m eus om bros e cruzei m eus braços sobre o peito.

— Você está sentindo frio? — Bill perguntou im ediatam ente, pondo o braço em torno de m im . Mas era o equivalente físico de um a capa, ele estava tentando ficar tão longe de m im quanto fosse possível para o seu braço.

— Sinto m uito por ter lhe aborrecido. Não vou convidar você para m ais nada — eu disse, m antendo m inha voz calm a.

Enquanto falava, percebi que Vovó não tinha estabelecido um a data para Bill falar com os Descendentes, m as ela e Bill ainda teriam que cuidar daquilo.

Ele ficou im óvel. Finalm ente, disse:

— Você… é… incrivelm ente… ingênua. — E não acrescentou aquela cláusula adicional sobre a esperteza, com o fizera anteriorm ente.

— Bem — eu disse inexpressivam ente. — Eu sou?

— Ou talvez um daqueles pobres de espírito do Senhor — e aquilo soou bem m enos agradável, com o se eu fosse um Quasim odo ou algo do gênero.

— Suponho — eu disse acidam ente — que você só terá que descobrir.

— É bem m elhor que sej a eu a descobrir — ele disse som briam ente, o que não entendi de m odo algum .

Ele m e encam inhou até a porta, e eu claro que esperava um outro beij o, m as ele m e deu só um beij inho na testa.

— Boa-noite, Sookie — sussurrou.

Pousei m eu rosto sobre o seu por um m om ento.

— Obrigado por m e levar — eu disse, e m e afastei rapidam ente antes que ele pudesse pensar que eu estava pedindo algum a coisa m ais. — Não vou procurar m ais você. — E antes que eu pudesse perder a m inha determ inação, deslizei para dentro da casa escura e bati a porta na cara de Bill.