Morto Até o Anoitecer

Charlaine Harris · Capítulo 9 de 13

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Morto Até o Anoitecer

Capítulo 9

Com ecei a m e preparar quando o sol caía, no dia seguinte. Bill m e dissera que ia se alim entar de algum a outra pessoa antes que nós saíssem os e, conquanto a ideia m e irritasse, tinha que adm itir que fazia sentido. Ele estava certo sobre com o eu m e sentiria depois de tom ar m eu pequeno suplem ento inform al de vitam ina na noite passada, tam bém . Eu m e sentia form idável. Muito forte, m uito alerta, com a inteligência ágil e, em bora fosse estranho, m e sentia tam bém m uito bonita.

O que eu vestiria para m inha pequena entrevista com o vam piro? Eu não queria parecer que estava tentando ser sexy, m as não queria m e fazer de tola usando um saco de aniagem sem form a, tam pouco. Jeans m e pareceram a resposta ideal, com o costum am ser. Calcei sandálias brancas e vesti um a cam iseta azul-claro decotada. Não a usava desde que com eçara a nam orar Bill porque ela revelava as m arcas de seus dentes. Mas o fato de eu ser propriedade de Bill, supus, não poderia ser reforçado dem ais nesta noite. Lem brando-m e do policial que exam inara m eu pescoço daquela vez, enfiei um lenço na bolsa. Pensei de novo e acrescentei um colar de prata. Escovei m eu cabelo, que parecia pelo m enos três tons m ais claro, e deixei-o cair em ondas nas m inhas costas.

Bem quando eu estava realm ente brigando com a ideia de visualizar Bill com outra pessoa, ele bateu. Eu abri a porta e ficam os olhando um para o outro por um m inuto. Seus lábios estavam m ais coloridos que habitualm ente, sinal de que tinha feito o que precisava. Mordi m eus próprios lábios para não dizer nada.

— Você m udou bastante — ele disse a princípio.

— Você acha que outra pessoa seria capaz de notar? — Eu esperava que não.

— Eu não sei. — Ele ergueu a m ão, e fom os para o seu carro. Ele abriu a porta para m im , e eu rocei nele para entrar. Enrij eci.

— Que há de errado? — ele perguntou, daí a pouco.

— Nada — eu disse, tentando m anter m inha voz inalterada, e sentei-m e no banco de passageiros e olhei direto para a frente.

Eu disse a m im m esm a que poderia do m esm o m odo ficar furiosa com a vaca que lhe fornecera o ham búrguer de que se alim entara. Mas de algum m odo a com paração não servia.

— Você está com um cheiro diferente — eu disse, depois que j á estávam os na estrada havia alguns m inutos. Tínham os ficado em silêncio por certo tem po.

— Agora você sabe o que vou sentir se Eric tocar você — ele m e disse. — Mas eu m e sentirei ainda pior porque Eric vai gostar de tocar você, e eu nem m esm o gostei m uito de m eu alim ento de hoj e.

Supus que aquilo não era total e irrestritam ente verdadeiro: eu sabia que sem pre gostava de com er, ainda que não fosse m inha com ida favorita. Mas apreciei a consideração.

Não conversam os m uito. Estávam os os dois preocupados com o que viria. Bem depressa, estávam os estacionando no Fangtasia novam ente, m as desta vez nos fundos. Enquanto Bill m antinha a porta do carro aberta, tive que lutar contra um im pulso de grudar no banco do carro e m e recusar a sair. Assim que m e recuperei, lutei novam ente contra o intenso desej o de m e esconder atrás de Bill. Dei um a engolida seca, peguei em seu braço, e andam os até a porta com o se estivéssem os indo a um a festa para a qual estivéssem os ansiosam ente excitados.

Bill olhou-m e com aprovação.

Lutei contra a vontade de lhe fazer um a careta.

Ele bateu à porta de m etal com as letras FANGTASIA inscritas. Estávam os num a viela de serviços e entregas que ficava por trás das loj as da pequena artéria com ercial. Havia vários outros carros estacionados ali nos fundos, o conversível esportivo verm elho de Eric entre eles. Todos os veículos eram de alto luxo.

Não se vê um vam piro num Ford Fiesta.

Bill bateu, três vezes rápido, duas vezes intercaladas. A Batida Secreta do Vam piro, im aginei. Talvez eu conseguisse aprender o Aperto de Mão Secreto.

A bela vam pira loura abriu a porta, a fêm ea que tinha estado na m esa com Eric na vez em que eu lá estivera. Ela recuou, sem nada dizer, para que entrássem os.

Se Bill fosse hum ano, teria protestado contra a m aneira com o eu apertava a sua m ão.

A fêm ea se pôs à nossa frente m ais depressa do que m eus olhos puderam prever, e eu levei um susto. Bill não estava surpreso com nada, naturalm ente. Ela nos conduziu por um a despensa parecida à do bar do Merlotte de um m odo desconcertante e nos fez atravessar um pequeno corredor. Entram os pela porta à nossa direita.

Eric estava no pequeno aposento, sua presença dom inando-o por com pleto. Bill não se aj oelhou para beij ar seu anel precisam ente, m as que fez um a m esura profunda, isto ele fez. Havia um outro vam piro no quarto, o barm an, Som bra Longa; estava em boa form a nesta noite, num a cam isa de alças finas e com calças de halterofilista, tudo em verde-escuro.

— Bill, Sookie — Eric nos saudou. — Bill, você e Sookie j á conhecem o Som bra Longa. Sookie, você deve se lem brar de Pam . — Pam era a m ulher loura. — E este é o Bruce.

Bruce era um ser hum ano, o ser hum ano m ais aterrorizado que eu j á vira. Senti um a profunda sim patia por ele. De m eia-idade e pançudo, tinha finos cabelos escuros que se encrespavam em ondas em plastadas na sua cabeça. Tinha papada e boca pequena. Traj ava um belo terno, bege, com um a cam isa branca e um a gravata m arrom e azul-m arinho. Suava abundantem ente. Estava num a cadeira de espaldar reto do outro lado da escrivaninha de Eric. Naturalm ente, Eric estava na cadeira do chefe. Pam e Som bra Longa se perfilavam atrás de Eric, j unto à porta. Bill tom ou seu lugar ao lado deles, m as, quando m e m exi para segui-lo, Eric falou novam ente.

— Sookie, escute o Bruce.

Fiquei olhando fixo para Bruce por um segundo, esperando que ele falasse, até que entendi o que Eric queria dizer.

— O que terei que saber exatam ente? — perguntei, sabendo que m inha voz estava esganiçada.

— Alguém deu um desfalque de sessenta m il dólares aqui no bar — Eric explicou.

Cara, esse alguém estava m esm o querendo m orrer.

— E em vez de m atarm os ou torturarm os todos os nossos em pregados hum anos, pensam os que você poderia talvez escutar suas m entes e contar-nos quem foi o pilantra.

Ele disse “m atar e torturar” tão calm am ente com o eu diria, “Bud ou Old Milwaukee”.

— E aí o que você vai fazer? — perguntei.

Eric pareceu surpreso.

— Quem quer que sej a, terá que devolver nosso dinheiro — ele disse com sim plicidade.

— E depois?

Seus grandes olhos azuis se apertaram ao m e fitar.

— Ué, se puderm os obter a prova do crim e, levarem os o culpado à polícia — ele disse suavem ente.

Mentiroso feito ele só.

— Faço um trato, Eric — eu disse, sem deixar de sorrir. Charm inho não fazia efeito com Eric, e ele estava longe de m e desej ar. Ao m enos naquele m om ento.

Ele sorriu, indulgentem ente.

— Que trato seria esse, Sookie?

— Se você levar o culpado à polícia realm ente, farei isso outras vezes para você, sem pre que desej ar.

Eric ergueu um a sobrancelha.

— Sim , eu provavelm ente terei que fazê-lo, de algum m odo. Mas não será m elhor, se eu vier de boa vontade, que haj a boa-fé entre nós? — Com ecei a suar. Não podia acreditar que estivesse barganhando com um vam piro.

Eric parecia realm ente estar m editando sobre aquilo. E, de repente, captei seus pensam entos. Ele pensava que poderia fazer com que eu fizesse o que ele queria, em qualquer parte, em qualquer ocasião, pelo sim ples expediente de am eaçar Bill ou qualquer ser hum ano que eu am asse. Mas ele queria ficar na faixa da norm alidade, ficar dentro da legalidade, na m edida do possível, para m anter suas relações com hum anos acim a de suspeita, ou ao m enos tão acim a de suspeita quanto os negócios entre vam piros e hum anos pudessem ser. Não queria m atar ninguém se não fosse forçado a isso.

Foi com o m ergulhar subitam ente num a cova de serpentes, frias e letais. Foi apenas um lam pej o, um a fatia de sua m ente ou algo assim , o que captei, m as deixou-m e frente a um a realidade inteiram ente nova.

— Além disso — eu disse rapidam ente, antes que ele pudesse notar que eu havia penetrado em sua m ente — com o você tem certeza de que o ladrão é um ser hum ano?

Pam e Som bra Longa m exeram -se repentinam ente, m as Eric inundava o aposento com sua presença, obrigando-os a ficarem quietos.

— Esta é um a ideia interessante — ele disse. — Pam e Som bra Longa são m eus sócios neste bar, e se nenhum dos seres hum anos for culpado, acho que terem os que suspeitar deles.

— É só um a ideia — eu disse docilm ente, e Eric m e olhou com os olhos azuis glaciais de um ser que m al e m al se lem brava de com o a hum anidade era.

— Com ece agora, por esse hom em — ele m andou.

Aj oelhei-m e j unto à cadeira de Bruce, tentando pensar em com o deveria proceder. Eu nunca tentara form alizar um a coisa que até aí era bem casual. O toque aj udaria; o contato direto tornava a transm issão m ais clara, por assim dizer. Peguei na m ão de Bruce, achei que aquilo era pessoal dem ais (e tam bém suarento dem ais) e arregacei a m anga de seu casaco. Segurei o seu pulso. Olhei bem dentro de seus pequenos olhos.

Eu não peguei o dinheiro, quem será que pegou?, que maluco é esse que nos botaria numa fria deste tamanho?, o que Lillian fará se eles me matarem? e Bobby e Heather? por que eu tinha que vir trabalhar no meio de vampiros?, é mera ganância, e estou pagando por ela, Deus, nunca mais trabalharei para essas coisas novamente, como pode essa mulher louca descobrir quem pegou esse maldito dinheiro? por que ela não me solta? o que ela é, será que também é um vampiro, ou alguma espécie de demônio? seus olhos são tão estranhos, eu devia ter descoberto mais depressa que estava faltando dinheiro e descoberto quem o tinha roubado antes de dizer alguma coisa ao Eric…

— Você pegou o dinheiro? — eu soltei, em bora eu tivesse certeza de j á saber a resposta.

— Não —, Bruce gem eu, o suor escorrendo pelo rosto, e seus pensam entos, sua reação à pergunta, confirm aram o que eu j á tinha ouvido em sua m ente.

— Você sabe quem foi?

— Bem que eu gostaria.

Ergui-m e, virei-m e para Eric, balancei m inha cabeça.

— Esse cara não foi — eu disse.

Pam escoltou o pobre Bruce em direção à saída, trazendo o suspeito seguinte. Minha vítim a era um a garçonete, vestida num longo vestido negro com vários cortes à m ostra, seu desalinhado cabelo louro-arruivado caindo, irregular, pelas costas. Naturalm ente, trabalhar no Fangtasia seria um em prego ideal para um a vam pirófila, e essa garota tinha as cicatrizes para provar que aproveitara bem suas regalias. Ela se sentia segura o bastante para sorrir para Eric, e era tola o bastante para sentar-se com algum a confiança, até m esm o cruzando as pernas com o um a Sharon Stone, que ela sonhava ser. Ficou surpresa por ver um vam piro desconhecido no aposento, e não m uito satisfeita com m inha presença, em bora Bill a fizesse lam ber os beiços.

— Oi, docinho — ela disse a Eric, e eu concluí que ela não devia m esm o ter im aginação nenhum a.

— Ginger, responda às perguntas que essa m ulher lhe fará — Eric disse. Sua voz era com o um a m uralha de pedra, m onótona e im placável.

Ginger pareceu entender pela prim eira vez que o m om ento exigia seriedade. Cruzou seus tornozelos dessa vez, ficou com as m ãos no topo das coxas, e assum iu um ar severo.

— Sim , m estre — ela disse, e eu achei que fosse vom itar.

Ela estendeu sua m ão im perativa em m inha direção, com o se dissesse, “Com ece, reles servidora de vam piros”. Eu m e abaixei para pegar o seu pulso, e ela rej eitou a m inha m ão.

— Não m e toque — disse, quase sibilando.

Foi um a reação tão extrem ada que os vam piros ficaram sobressaltados, tensos, e eu pude senti-la estalando no ar do aposento.

— Pam , m antenha Ginger im óvel — Eric ordenou, e Pam apareceu silenciosam ente por trás da cadeira de Ginger, encostou-se e pôs as m ãos no alto de seus braços. Dava para notar que Ginger reagiu com luta porque sua cabeça girou, m as Pam m anteve-a presa de tal m odo que o corpo da garota ficou absolutam ente im óvel.

Meus dedos apertaram seu pulso.

— Você pegou o dinheiro? — perguntei, olhando em seus olhos castanhos inexpressivos.

Ela gritou, então, longam ente e bem alto. Com eçou a m e xingar. Eu ouvia o caos que havia em seu pequeno cérebro. Era com o tentar cam inhar pelo m eio de um a zona que tivesse sofrido um bom bardeio.

— Ela sabe quem foi — eu disse a Eric. Ginger ficou em silêncio, então, em bora estivesse soluçando. — Ela não pode dizer o nom e — eu disse ao vam piro louro. — Ele a m ordeu. — Toquei as cicatrizes no pescoço de Ginger com o se aquilo precisasse de m ais ilustração. — É algum a form a de com pulsão — relatei, depois que tentei novam ente. — Ela nem consegue visualizá-lo.

— Hipnose — Pam ordenou. Sua proxim idade à garota aterrorizada tinha feito seus caninos crescerem . — Um vam piro poderoso.

— Tragam seu am igo m ais íntim o — sugeri.

Ginger trem ia com o um a folha, com pensam entos que ela tentava não form ular pressionando-a do fundo de seu eu.

— Ela deve ficar, ou ir? — Pam perguntou-m e diretam ente.

— Ela deve ir. Isso vai apenas assustar outra pessoa.

Eu estava tão absorvida por isso, tão desenvoltam ente usando m inha estranha habilidade, que nem olhara para Bill. Eu sentia que, se de algum m odo olhasse para ele, isso m e enfraqueceria. Eu sabia onde ele estava, sabia que ele e Som bra Longa não haviam se m exido desde que o interrogatório com eçara.

Pam levou a trêm ula Ginger para fora. Eu não sei o que ela fez com a garçonete, m as retornou com outra atendente que traj ava o m esm o tipo de roupa. Belinda era o nom e dessa segunda m ulher, e ela era m ais velha e m ais sabida. Tinha cabelo castanho, usava óculos, e a boca carnuda m ais sexy que eu j á vira.

— Belinda, que vam piro foi esse com quem Ginger andou saindo? — Eric perguntou am avelm ente, assim que ela se sentou, e que eu a toquei. A garçonete tinha j uízo o bastante para aceitar o interrogatório em silêncio, inteligência o bastante para perceber que tinha que ser honesta.

— Qualquer um que quisesse sair com ela — Belinda disse rudem ente.

Eu vi um a im agem na m ente de Belinda, m as ela tinha que pensar no nom e.

— Qual destes aqui? — perguntei repentinam ente, e então obtive o nom e. Meus olhos foram para a sua direção antes que eu pudesse abrir a boca, e então ele veio, Som bra Longa, m ontando na cadeira, em purrando Belinda sobre m im enquanto eu estava agachada diante dela. Eu fui em purrada para trás, para cim a da escrivaninha de Eric, e só m eus braços im pelidos para o alto m e salvaram de seus dentes se cravarem em m inha garganta e dilacerá-la. Ele m ordeu m eu antebraço selvagem ente, e eu gritei; ao m enos tentei, m as tão pouco ar sobrara do im pacto que foi m ais com o um ruído alarm ado de sufoco.

Fiquei consciente apenas da pesada figura em cim a de m im e da dor em m eu braço, e de m eu próprio m edo. Eu não ficara com m edo de que os Ratos fossem m e m atar até que era tarde dem ais, m as eu entendi que, para im pedir que o seu nom e escapasse de m eus lábios, Som bra Longa estava preparado para m e m atar im ediatam ente, e quando ouvi o barulho m edonho e senti seu corpo pressionar o m eu com m ais força ainda, eu não tive nenhum a ideia do que aquilo significava. Eu conseguira ver seus olhos acim a dos m eus braços. Eram am plos, castanhos, lunáticos, gélidos. De repente, ficaram inexpressivos e pareceram quase se esvaziar. O sangue j orrava de sua boca, banhando m eu braço. Chegou a entrar em m inha boca, e eu tive náuseas. Seus dentes afrouxaram , e seu rosto voltou ao norm al. Com eçou a enrugar. Seus olhos viraram poças gelatinosas. Punhados de seu grosso cabelo negro caíram em m inhas m ãos.

Eu estava chocada de tal m odo que não poderia fazer m ovim ento algum . Mãos agarraram m eus om bros e com eçaram a m e tirar de debaixo do cadáver. Eu fiz força com m eus pés para m e desvencilhar daquilo m ais depressa.

Não havia um cheiro, m as lá estava a coisa viscosa, negra e raj ada, e o absoluto horror e o noj o de observar Som bra Longa ir se desintegrando com incrível velocidade. Havia um a estaca enfiada em suas costas. Eric estava olhando, com o todos nós estávam os, m as ele tinha um m artelo na m ão. Bill ficara atrás de m im , depois de m e puxar de debaixo do corpo de Som bra Longa. Pam estava j unto à porta, sua m ão segurando fortem ente o braço de Belinda. A garçonete parecia tão petrificada quanto eu.

Até a substância viscosa com eçou a se dissolver em fum aça. Ficam os todos paralisados até que o últim o tufo se foi. O carpete ficou com um a espécie de m arca cham uscada nele.

— Vocês terão que cobrir isso com outro tapete — eu disse, de m odo com pletam ente inesperado. Juro por Deus, eu não podia m ais suportar aquele silêncio.

— Sua boca está suj a de sangue — Eric disse. Todos os vam piros estavam com os caninos em riste. Tinham ficado m uito excitados.

— Ele sangrou em m im .

— Um pouco de sangue entrou em sua garganta?

— É possível. O que isso quer dizer?

— Isso deve ficar em observação — Pam disse. Sua voz estava som bria e rouca. Ela estava olhando Belinda de um m odo que m e deixaria m uito nervosa, m as Belinda parecia estar achando lisonj eiro, incrivelm ente. — Geralm ente — Pam continuou, com os olhos grudados nos lábios carnudos de Belinda —, bebem os sangue dos hum anos, não o contrário.

Eric estava olhando para m im com interesse, o m esm o tipo de interesse que Pam dem onstrava por Belinda.

— Com o as coisas lhe parecem agora, Sookie? — ele perguntou num a voz tão suave que você nunca pensaria que ele tinha acabado de executar um velho am igo.

Com o as coisas realmente m e pareciam agora? Mais lum inosas. Os sons estavam m ais claros, e eu conseguia ouvir m elhor. Eu queria m e virar e olhar para Bill, m as estava com m edo de tirar m eus olhos de Eric.

— Bem , acho que é hora de eu e Bill irm os em bora — eu disse, com o se qualquer outra coisa fosse possível. — Eu fiz isso por você, Eric, e agora tem os que nos retirar. Nada de represálias com Ginger, Belinda e Bruce, certo? — Eu com ecei a andar na direção da porta com um a segurança que estava longe de sentir. — Aposto que vocês precisam ver com o vai o serviço no bar, não é? Quem está fazendo os drinques, hoj e?

— Tem os um substituto — Eric disse, alheio, seus olhos nunca desgrudando de m eu pescoço. — Você tem um cheiro diferente, Sookie — ele m urm urou, dando um passo à frente.

— Bem , lem bre-se, Eric, nós fizem os um trato — eu o adverti, m eu sorriso aberto e tenso, m inha voz estalando, anim ada. — Bill e eu estam os indo para casa agora, não estam os? — arrisquei um a olhadinha para trás, na direção de Bill. Meu coração parou. Seus olhos estavam arregalados, sem piscar, os lábios recuados num rosnado surdo para expor seus caninos estendidos. Suas pupilas estavam enorm em ente dilatadas. Ele olhava fixo para Eric.

— Pam , saia do cam inho — eu disse, calm a, m as categoricam ente. Assim que Pam se esqueceu de sua própria sede de sangue, avaliou a situação com um a só olhada. Ela abriu de repente a porta do escritório e im peliu Belinda para fora, ficando ao lado dela para conduzir-nos. — Cham e Ginger — sugeri, e o sentido do que eu dizia penetrou no nevoeiro de seu desej o.

— Ginger — ela cham ou roucam ente, e a garota loura irrom peu de um a porta lá no fundo do corredor. — Eric quer você — Pam disse a ela.

O rosto de Ginger se ilum inou com o se ela estivesse para transar com David Duchovny, e ela entrou no aposento e com eçou a se esfregar em Eric quase tão rapidam ente quanto um vam piro faria. Com o se despertasse de um encantam ento, Eric olhou para Ginger quando ela passou as m ãos sobre seu peito. Quando se curvou para beij á-la, olhou para m im por cim a da cabeça da garota.

— Verei você novam ente — ele disse, e eu em purrei Bill porta afora rápida com o o vento.

Bill não queria ir em bora. Era com o se eu estivesse tentando rebocar um a tora. Mas, assim que saím os pelo corredor, ele pareceu estar m ais consciente da necessidade que tínham os de sair de lá, e fugim os correndo do Fangtasia em direção ao carro dele.

Olhei para m im m esm a. Eu estava m anchada de sangue, am arrotada e com um cheiro esquisito. Que noj o. Olhei para Bill para com partilhar m eu noj o com ele, m as ele estava m e olhando daquele j eito inequívoco.

— Não — eu disse, resistindo. — Dê partida neste carro e saia daqui antes que algo aconteça, Bill Com pton. Posso lhe garantir, não estou afim disso agora.

Ele se precipitou pelo banco em m inha direção, seus braços m e erguendo antes que eu pudesse dizer qualquer coisa. Então, sua boca j untou-se à m inha, e, um segundo depois, sua língua com eçou a lam ber o sangue que escorria por m eu rosto.

Eu estava realm ente assustada. Tam bém estava com m uita raiva. Agarrei suas orelhas e em purrei sua cabeça para longe, usando cada gram a de força que possuía, o que acabou por ser até m ais do que eu im aginava.

Seus olhos ainda eram com o cavernas com fantasm as a reinar em suas profundezas.

— Bill! — eu berrei. Sacudi-o. — Reaj a contra isso!

Lentam ente, sua personalidade foi retornando a seus olhos. Ele soltou um suspiro estrem ecido. Beij ou-m e levem ente nos lábios.

— O.k., podem os ir pra casa agora? — perguntei, envergonhada por m inha voz estar saindo tão trem ida.

— Claro — ele disse, soando não lá m uito firm em ente.

— Foi com o tubarões sentindo o cheiro de sangue? — perguntei, depois de um traj eto de quinze m inutos de silêncio que nos levou quase para fora da cidade.

— Boa analogia.

Ele não precisava se desculpar. Tinha feito o que a natureza ditava, ao m enos da m aneira com o a natureza ditava aos vam piros. Ele não se incom odava m as eu bem que gostaria de ter ouvido um pedido de desculpas.

— Então, estou encrencada? — perguntei finalm ente. Eram duas da m adrugada, e achei que a pergunta não m e incom odava tanto quanto supostam ente deveria incom odar.

— Eric vai cobrar o trato — Bill disse. — Quanto a deixar você em paz, pessoalm ente, não sei. Bem que eu gostaria… — m as sua voz falhou. Era a prim eira vez que eu ouvia Bill m anifestar desej o de algum a coisa.

— Sessenta m il dólares não é um m ontão de dinheiro para um vam piro, certam ente — observei. — Vocês todos parecem ser cheios da grana.

— Os vam piros roubam suas vítim as, naturalm ente — Bill disse displicentem ente. — No com eço, levam os o dinheiro que fica no cadáver. Mais tarde, quando ficam os m ais experientes, podem os exercer controle o bastante para persuadir o ser hum ano que se envolve conosco a dar-nos o dinheiro voluntariam ente, e depois esquecer o que fez. Alguns de nós contratam os adm inistradores, alguns de nós tem os m uitos bens , outros vivem da renda de seus investim entos. Eric e Pam fizeram sociedade para abrir aquele bar. Eric investiu a m aior parte do dinheiro, Pam o resto. Conheciam o Som bra Longa há uns cem anos, e o contrataram para ser barm an. Ele os traiu.

— Por que ele os roubou?

— Ele devia ter algum negócio em m ente, para o qual precisava de capital — Bill disse, alheio. — E ele estava vivendo na posição de um a pessoa norm al. Não podia sim plesm ente sair e m atar o gerente de um banco depois de hipnotizá-lo e convencer o hom em a doar-lhe o seu dinheiro. Por isso, pegou o dinheiro de Eric.

— Eric não teria em prestado a ele, se pedisse?

— Se ele não fosse tão orgulhoso para pedir, acho que sim — Bill disse.

Fizem os outro silêncio prolongado. Finalm ente, eu disse:

— Eu sem pre achei que os vam piros eram m ais espertos que os seres hum anos, m as eles não são, hem ?

— Nem sem pre — ele concordou.

Quando chegam os às cercanias de Bon Tem ps, pedi a Bill para m e deixar em casa. Ele m e olhou de esguelha, m as não disse nada. Talvez os vam piros fossem m ais espertos que os seres hum anos, afinal de contas.