Morto Até o Anoitecer
Capítulo 6
Fiquei em casa por três dias depois do funeral. Foi tem po dem ais; eu precisava voltar ao trabalho. Mas eu pensava nas coisas que tinha que infalivelm ente fazer, ou assim j ulgava. Esvaziei o quarto de Vovó. Calhou de Arlene aparecer, e eu pedi a sua aj uda, porque não conseguia ficar ali, sozinha, com todas as coisas de m inha avó, todas tão fam iliares e im pregnadas de seu odor pessoal de talco Johnson infantil e cânfora.
Assim , m inha am iga Arlene aj udou-m e a em pacotar tudo e levar para um a agência de socorro em calam idades públicas. Houvera ocorrências de tornados no extrem o norte de Arkansas naqueles últim os dias, e certam ente pessoas que haviam perdido tudo poderiam usar todas aquelas roupas. Vovó fora m enor e m ais m agra que eu, e, além do m ais, seu gosto era m uito diferente do m eu, por isso eu não queria ficar com nada de seu, exceto as j oias. Ela nunca as usava m uito, m as o que ela usava m e parecia legítim o e precioso.
Era espantosa a quantidade de coisas que Vovó conseguira guardar no seu quarto. Eu não queria nem pensar no que ela poderia ter guardado no sótão: lidaria com isso depois, no outono, quando o sótão ficasse m ais suportavelm ente frio e eu tivesse tem po para pensar.
Provavelm ente j oguei fora m ais coisas do que devia, m as a ação fez com que m e sentisse eficiente e forte, e o trabalho foi drástico. Arlene dobrava e em pacotava, deixando de lado papéis e fotografias, cartas, contas e cheques cancelados. Minha avó nunca tinha usado um cartão de crédito em toda a vida e não fazia com pras de ocasião, graças a Deus, o que tornou a coisa m ais fácil de liquidar.
Arlene perguntou sobre o carro de Vovó. Tinha cinco anos e pouca quilom etragem rodada.
— Você vai vender o seu e ficar com o dela? — ela perguntou. — O seu é m ais novo, m as é pequeno.
— Não tinha pensado nisso — eu disse. E achei que não poderia pensar naquele m om ento, que a lim peza radical do quarto era tudo quanto podia fazer naquele dia.
No fim da tarde, o quarto estava vazio da presença de Vovó. Arlene e eu viram os o colchão e eu refiz a cam a de um m odo diferente. Era um a antiga alcova no padrão m ogno. Eu sem pre achara que a decoração do quarto de Vovó era bonita, e ocorreu a m im que agora ele m e pertencia. Poderia m e m udar para o quarto m aior e ter um toalete privado em vez de usar aquele que tínham os no corredor.
De repente, isso era exatam ente o que eu queria fazer. A m obília que eu sem pre usara no m eu quarto viera da casa de m eus pais por ocasião de seu falecim ento, e era m obília de m enina; exageradam ente fem inina, com o se lem brasse Barbies e dorm itórios de garotas.
Não que m eu quarto fosse de reuniões de m eninas, ou que eu tivesse ido a m uitas.
Nada disso, nada disso, nada disso, eu não ia cair nesse buraco. Eu era o que eu era, e tinha um a vida própria, e podia desfrutar de m uitas coisas boas; os pequenos prazeres que m e faziam continuar.
— Eu poderia m e m udar para cá — disse a Arlene, enquanto ela passava fita num a caixa fechada.
— Não seria precipitado? — ela perguntou. Ficou ruborizada ao perceber que isso parecera um a crítica.
— Seria m ais fácil ficar aqui do que ficar do outro lado do corredor pensando num quarto vazio — eu disse.
Arlene refletiu sobre a frase, curvada ao lado da caixa de papelão com o rolo de fitas adesivas em sua m ão.
— Com preendo — ela concordou, com um sinal da cabeça de um verm elho flam ej ante.
Carregam os as caixas de papelão para dentro do carro de Arlene. Ela concordara gentilm ente em deixá-las no centro de coleta no seu cam inho para casa, e eu, agradecida, aceitei a oferta. Eu não queria que ninguém m e olhasse com aquele ar com preensivo, piedoso, quando eu doasse as roupas e sapatos e cam isolas de m inha avó.
Quando Arlene partiu, abracei-a e beij ei-a no rosto, e ela olhou fixo para m im . Aquilo estava além dos lim ites que a nossa am izade tinha tido até então. Ela curvou sua cabeça j unto à m inha e nós encostam os suavem ente nossas testas.
— Sua louquinha — ela disse, com afeto na voz. — Venha à m inha casa, um a hora dessas. Lisa está querendo que você dê um a de babá pra ela outra vez.
— Diga que tia Sookie m andou um alô para ela, e para o Coby tam bém .
— Farei isso. — E Arlene rum ou para o carro, seu cabelo ruivo num a m assa que ondulava em sua cabeça, seu corpo inteiro fazendo com que o uniform e de garçonete parecesse abrigar um a grande prom essa erótica.
Toda a m inha energia foi se esvaindo à m edida que o carro de Arlene desceu aos solavancos a estrada pelo m eio das árvores. Senti-m e um a velha de um m ilhão de anos, isolada e sozinha. Era assim que as coisas teriam que ser, de agora em diante.
Eu não sentia fom e, m as o relógio m e alertou que era hora de com er. Entrei na cozinha e puxei um dos m uitos Tupperwares que havia na geladeira. Continha peru e salada de uvas, e eu gostava disso, m as sentei-m e à m esa dando um as espetadinhas com o garfo. Desisti, devolvendo o vasilham e à geladeira e rum ando para o banheiro para um a ducha m ais que necessária. Os cantos de banheiros são sem pre em poeirados, e m esm o um a boa dona de casa com o m inha avó não fora capaz de vencer aquele pó.
A ducha foi m aravilhosa. A água quente parecia fazer com que um pouco de m inha desgraça se evaporasse, dei um banho de xam pu em m eu cabelo e esfreguei cada pedaço de m inha pele, depilando m inhas pernas e axilas. Depois que saí do banho, fiz as sobrancelhas, passei loção de pele e desodorante e um spray para desem baraçar m eu cabelo e tudo aquilo em que pude alcançar. Com m eu cabelo descendo por m inhas costas num a cascata de tufos m olhados, vesti m inha cam isola, um a branca, estam pada com um a im agem do Piu-Piu, e peguei m eu pente. Sentei-m e em frente à televisão para ter algo que ver enquanto arrum ava o cabelo, um processo que sem pre achei tedioso.
Minha pequena explosão de energia expirou, e eu m e senti quase entorpecida.
A cam painha soou bem quando eu estava cam inhando pela sala de estar com m eu pente num a das m ãos e um a toalha na outra.
Espiei pelo olho m ágico. Bill estava lá fora, esperando pacientem ente na varanda.
Abri a porta sem m e sentir alegre ou triste por vê-lo.
Ele ficou um pouco surpreso quando m e viu: a cam isola, o cabelo m olhado, os pés descalços. Nenhum a m aquiagem .
— Entre — eu disse.
— Posso m esm o?
— Sim .
E ele entrou, olhando ao seu redor, com o sem pre fizera.
— O que você está fazendo? — ele perguntou, vendo a pilha de coisas que eu pusera de lado por pensar que os am igos de Vovó pudessem querê-las: o sr. Norris, por exem plo, poderia ficar feliz por ganhar o quadro em oldurado de sua m ãe com Vovó.
— Eu fiz um a lim peza geral no quarto hoj e — eu disse. — Acho que vou m e m udar para lá. — Depois disso, não consegui pensar em m ais nada que dizer. Ele se virou para olhar para m im com atenção.
— Deixe-m e pentear seu cabelo — ele disse.
Concordei apaticam ente. Bill sentou-se no sofá estam pado de flores e indicou o velho diva colocado à frente dele. Sentei-m e obedientem ente, e ele encostou-se um pouco em m im , apoiando-m e em suas coxas. Com eçando pelo topo de m inha cabeça, pôs-se a desem baraçar o m eu cabelo.
Com o sem pre, seu silêncio m ental era um deleite. Cada vez que eu o sentia, era com o se pusesse o prim eiro pé num a poça de água fria depois de ter feito um a longa cam inhada num dia em poeirado e quente.
Com o brinde, os dedos longos de Bill pareciam peritos em lidar com as m inhas abundantes m elenas. Fiquei com m eus olhos fechados e, pouco a pouco, fui ficando m ais tranquila. Sentia os leves m ovim entos de seu corpo atrás de m im ao m anej ar o pente. “Quase ouço seu coração batendo” pensei, e então percebi com o essa ideia era estranha. Seu coração, afinal de contas, não batia.
— Eu costum ava fazer isso com m inha irm ã, Sarah — ele m urm urou calm am ente, com o se soubesse o quanto eu m e sentia em paz e estivesse tentando não violar o m eu estado de espírito. — Ela tinha cabelo m ais escuro que o seu, e, sem pre que m inha m ãe estava ocupada, pedia-m e para cuidar do cabelo de Sarah.
— Ela era m ais j ovem ou m ais velha que você? — perguntei num a voz lenta, inebriada.
— Ela era m ais j ovem . Um a diferença de três anos.
— Você tinha outros irm ãos ou irm ãs?
— Minha m ãe perdeu dois filhos no parto — ele disse lentam ente, com o se pudesse m al e m al lem brar. — Perdi m eu irm ão, Robert, quando ele tinha 12 e eu 11 anos. Ele pegou um a febre, e ela o m atou. Hoj e em dia, seria entupido de penicilina, e ficaria bem . Mas, na época, não havia disso. Sarah sobreviveu à Guerra, ela e m inha m ãe, em bora m eu pai tivesse m orrido quando eu estava no Exército; ele teve o que eu soube depois ser um derram e. Minha m ulher estava m orando com m inha fam ília, naquela época, e m eus filhos…
— Oh, Bill — eu disse tristem ente, quase num sussurro, porque ele tivera m uitas perdas.
— Não, Sookie — ele disse, e sua voz tinha recobrado aquela fria clareza.
Ele continuou a trabalhar em silêncio por uns m om entos, até que pude notar que o pente corria solto pelos m eus cabelos. Apanhou a toalha branca que eu pendurara no braço do sofá e com eçou a enxugá-los e, enquanto secava-os, passou seus dedos por eles para encorpá-los.
— Mm m — eu disse e, assim que eu o ouvi, notei que não era o som de um a pessoa que estivesse sendo narcotizada.
Senti seus dedos frios erguendo os m eus cabelos de m eu pescoço e, a seguir, sua boca pousando bem na m inha nuca. Eu não conseguia falar ou m e m exer. Expirei lentam ente, tentando não fazer outro som . Seus lábios se encam inharam para a m inha orelha, e ele m ordiscou o seu lóbulo. Depois, sua língua se enfiou. Seus braços m e envolveram , cobrindo m eu peito, puxando-m e contra ele.
E, por um m ilagre, eu apenas ouvia o que seu corpo estava dizendo, não aquelas coisas aborrecidas que apenas tornam estúpidos m om entos com o este. Seu corpo estava dizendo um a coisa m uito sim ples.
Ele ergueu-m e tão facilm ente com o eu giraria um a criança. Ele m e virou, de m odo que fiquei frente a seu colo, m inhas pernas ao lado das suas. Abracei-o, e curvei-m e um pouco para beij á-lo. E o beij o foi prolongado, m as, daí a pouco, Bill estabeleceu um certo ritm o com sua língua, um ritm o que m esm o alguém inexperiente com o eu podia identificar. Minha cam isola escorregou até o topo de m inhas coxas. Minhas m ãos com eçaram a percorrer seus braços descontroladam ente. Estranham ente, eu pensava num tacho de caram elos que m inha avó pusera no fogo para fazer a receita de um doce, e pensava na derretida e cálida doçura dourada que neles havia.
Ele se ergueu com m eu corpo ainda grudado no seu.
— Onde? — perguntou.
E eu apontei para o quarto de m inha avó. Ele carregou-m e do j eito que estava, m inhas pernas enroladas nas suas, m inha cabeça em seu om bro, e deitou-m e na cam a lim pa. Ficou ao lado da cam a, e à luz do luar que vinha pelas j anelas descobertas, vi-o despir-se, ágil e cuidadoso. Em bora eu estivesse tendo prazer de vê-lo, sabia que tinha que fazer o m esm o; m as, ainda um pouco envergonhada, apenas tirei a cam isola e a j oguei no chão.
Olhei para ele. Eu nunca vira nada tão belo ou tão assustador em m inha vida.
— Oh, Bill — eu disse ansiosam ente, quando ele se deitou ao m eu lado na cam a — eu não quero decepcionar você.
— Isso não é possível — ele m urm urou. Seus olhos se cravaram no m eu corpo com o se este fosse um copo d’água num a duna desértica.
— Eu não sei m uita coisa — confessei, m inha voz quase inaudível.
— Não se preocupe. Porque eu sei m uito.
Suas m ãos com eçaram a m e percorrer, tocando-m e em lugares onde eu nunca fora tocada. Tive um choque com a surpresa, e depois abri-m e com pletam ente para ele.
— Fazer com você será diferente de fazer com um cara com um ? — perguntei.
— Oh, sim .
Ergui m eus olhos para ele, intrigada.
— Será m elhor — ele disse ao pé do m eu ouvido, e eu senti um a pontada de pura excitação.
Um tanto tim idam ente, eu toquei-o lá em baixo, e ele fez um som m uito hum ano. Depois de um m om ento, o som ficou m ais profundo.
— Agora? — eu perguntei, m inha voz despedaçada e trêm ula.
— Oh, sim — ele disse, e daí a pouco, subiu em m im .
Um m om ento depois, eu descobri a verdadeira extensão de m inha inexperiência.
— Você devia ter m e contado — ele disse, m as m uito am avelm ente. Parou, com um esforço quase palpável.
— Oh, por favor, não pare! — eu pedi, pensando que o deleite m e escaparia, que algo drástico m e aconteceria, se ele não continuasse.
— Não tenho intenção de parar — ele prom eteu, um pouco agastado. — Sookie… isso vai doer.
Em resposta, eu m e ofereci m ais ainda. Ele fez um ruído incoerente e enfiou-se em m im .
Prendi o fôlego. Mordi m eus lábios. Ai, ai, ai.
— Querida — Bill disse. Ninguém ainda m e cham ara assim . — Com o está? — Vam piro ou não, estava trem endo com o esforço para recuar.
— O.k. — eu disse, desaj eitadam ente. Eu estava no m eu lim ite, e perderia a coragem se não prosseguíssem os. — Agora — eu disse, e m ordi-o fortem ente no om bro.
Ele ofegou, teve um espasm o, e com eçou a se m ovim entar a sério. No com eço eu estava aturdida, m as com ecei a m e aj ustar e m anter o ritm o. Ele achou m inha resposta m uito excitante, e eu com ecei a sentir que algum a coisa se aproxim ava, por assim dizer, algum a coisa m uito grande e m uito boa. Eu disse:
— Oh, por favor, Bill, por favor! — e enterrei m inhas unhas em seus quadris, quase lá, quase lá, e depois um a pequena m udança em nossa posição perm itiu que ele fizesse um a pressão m ais direta em m eu corpo e, antes que eu pudesse m e dar conta, estava voando, voando, vendo o céu e seus tesouros. Senti os dentes de Bill em m eu pescoço, e disse — Sim ! — Senti seus caninos penetrarem , m as era um a dor leve, um a dor excitante, e, enquanto ele m e penetrava, senti que bebia daquela pequena ferida.
Ficam os estendidos lá por um longo tem po, de vez em quando sentindo pequenos choques decorrentes do prazer. Eu nunca m e esqueceria de seu sabor e de seu cheiro enquanto vivesse, eu nunca m e esqueceria da sensação de tê-lo dentro de m im pela prim eira vez — que era a prim eira vez de toda a m inha vida — eu nunca m e esqueceria daquele prazer.
Por fim , Bill se m exeu para deitar-se ao m eu lado, apoiando-se num dos cotovelos, e pôs a m ão sobre m eu estôm ago.
— Eu sou o prim eiro.
— Sim .
— Oh, Sookie. — Ele se curvou para beij ar-m e, seus lábios roçando a linha de m inha garganta.
— Você notou que eu não sabia m uito — eu disse, tim idam ente. — Mas, foi bom para você? Quero dizer, pelo m enos parecido com outras m ulheres? Se disser, m e sentirei m elhor.
— Você pode ficar m ais habilidosa, Sookie, m as, m elhor não ficará. — Ele beij ou-m e no rosto. — Você é m aravilhosa.
— Ficarei dolorida?
— Sei que você achará esquisito, m as eu não m e lem bro. A única virgem com quem m e deitei na vida foi m inha esposa, e isso foi há um século e m eio… sim , lem bro, você ficará m uito dolorida. Não farem os am or novam ente, por um ou dois dias.
— Seu sangue cura — eu observei depois de um pequeno silêncio, sentindo m eu rosto averm elhar.
À luz do luar, senti-o m over-se para olhar m ais diretam ente para m im .
— É verdade — ele disse. — Você gostaria?
— Claro. Você não?
— Sim — ele suspirou, e m ordeu seu próprio braço.
Foi tão repentino que eu gritei, m as ele sem em baraço esfregou o dedo em seu próprio sangue, e depois, antes que eu pudesse ficar tensa novam ente, deslizou-o e enfiou o dedo dentro de m im . Com eçou a m exê-lo delicadam ente, e, num instante, com segurança, a dor se foi.
— Obrigada — eu disse. — Estou m elhor agora.
Mas ele não retirou o dedo de lá.
— Oh — eu disse. — Você gostaria de repetir tão rápido? Pode fazê-lo? — E com o o seu dedo continuou o m ovim ento, eu com ecei a ter esperanças.
— Olhe e vej a — ele ofereceu, um toque de diversão em sua doce voz cavernosa.
Eu sussurrei, m al m e reconhecendo:
— Diga-m e o que quer que eu faça.
E ele disse.
Voltei ao trabalho no dia seguinte. Não im porta qual fosse o poder de cura de Bill, eu estava um pouco desconfortável ainda, m as, cara, eu m e sentia poderosa. Era um a sensação totalm ente nova para m im . Era difícil eu não m e sentir — bem , arrogante seria um a palavra inapropriada — talvez incrivelm ente convencida chegasse m ais perto.
Naturalm ente, havia os m esm os velhos problem as no bar: a cacofonia, o zum bido e a persistência das vozes. Mas, de algum m odo, eu parecia m ais capaz de reduzir o seu volum e, de tam pá-las e recalcá-las. Era m ais fácil m anter a m inha guarda, e eu m e sentia, por essa razão, m ais relaxada. Ou talvez por estar m ais relaxada — e, cara, com o eu estava! — a guarda ficasse m ais fácil? Não sei. Mas eu m e sentia m elhor, seguram ente, e era capaz de aceitar as condolências dos m eus fregueses com calm a em vez de lágrim as.
Jason veio para o alm oço e tom ou duas cervej as acom panhadas pelo seu ham búrguer, o que não era seu regim e habitual. Ele geralm ente não bebia em dia de trabalho. Eu sabia que ele ficaria furioso se eu perguntasse algum a coisa diretam ente, portanto, só lhe perguntei se tudo estava bem .
— O chefe m e cham ou hoj e outra vez — ele disse, em voz baixa. Olhou ao redor para se assegurar de que ninguém o ouvia, m as o bar estava com freguesia escassa naquele dia, pois o Rotary Clube realizava um encontro no Centro Com unitário.
— O que ele queria saber de você? — Minha voz era identicam ente baixa.
— Queria saber com que frequência eu m e encontrava com Maudette, se eu sem pre punha gasolina no posto onde ela trabalhava… Tudo outra vez, tudo outra vez, com o se eu j á não tivesse respondido a essas perguntas um m onte de vezes. Meu chefe está no lim ite de sua paciência, Sookie, e eu não posso reclam ar. Faltei ao serviço pelo m enos uns dois, três dias, com essas idas que tenho feito à delegacia.
— Talvez fosse m elhor você procurar um advogado — eu disse, inquieta.
— Foi o que Rene disse.
Então, eu e Rene tínham os algo em com um .
— Que tal o Sid Matt Lancaster?
Sidney Matthew Lancaster, natural da cidade e bebedor de uísque, tinha a reputação de ser o m ais agressivo advogado crim inal da paróquia. Eu gostava dele porque sem pre m e tratava com respeito quando eu o servia no bar.
— Ele pode ser m inha m elhor saída. — Jason parecia tão petulante e im placável quanto um a pessoa bonita pode ser. Trocam os um olhar. Nós dois bem sabíam os que o advogado de Vovó era velho dem ais para lidar com o caso se Jason fosse — que Deus não perm itisse! — preso.
Jason estava absorvido dem ais por seus problem as para notar algo diferente em m im , m as eu estava usando um a cam isa branca esportiva (em vez de m inha habitual cam iseta) para cobrir o pescoço. Já Arlene não era tão desatenta quanto m eu irm ão. Ela ficara de olho em m im a m anhã toda, e quando chegou a calm aria das três da tarde, abordou-m e com segurança.
— Garotinha — ela disse —, você andou se divertindo?
Fiquei verm elha com o um a beterraba. “Divertindo-se” tornava m inha relação com Bill m ais leviana do que era, m as era um a expressão precisa para definir o que se passara. Eu não sabia se deveria ser m ais orgulhosa e dizer “Não, andei fazendo am or”, ou m anter a boca fechada, ou dizer a Arlene que ela não tinha nada a ver com isso, ou apenas gritar, “Sim !”.
— Oh, Sookie, quem é o hom em ?
Uh-oh.
— Hum , bem , ele não é…
— Não é daqui? Você está nam orado um daqueles trabalhadores de Bossier City ?
— Não — disse, hesitante.
— Então é o Sam ? Eu bem que o vi olhando para você.
— Não.
— Quem , então?
Eu estava agindo com o alguém envergonhado. Erga a cabeça, Sookie Stackhouse, eu disse a m im m esm a severam ente. Pague o pato.
— Bill — eu disse, esperando sem esperança que ela apenas diria “Oh, sim ”.
— Bill Auberj onois?
— Não.
— Bill…?
— Bill Com pton — Sam disse sem ênfase, bem quando eu abria a m inha boca para dizer a m esm a coisa. — O vam piro Bill.
Arlene ficou estupefata. Charlsie Tooten im ediatam ente soltou um gritinho, e Lafay ette quase ficou com o queixo caído.
— Querida, você não poderia nam orar um ser hum ano com um não? — Arlene perguntou, quando a voz lhe voltou.
— Seres hum anos com uns nunca m e convidaram para sair com eles. — Eu sentia a cor se fixar em m eu rosto. Fiquei ali de cabeça erguida, sentindo-m e desafiadora e, com certeza, parecendo desafiadora.
— Bem , docinho — Charlsie Tooten trinou em sua voz infantil —, querida… Bill, ah, tem aquele vírus.
— Sei disso — eu disse, sentindo a im paciência apontar em m inha voz.
— Eu pensei que você fosse dizer que estava saindo com um negro, m as você m e arrum ou um ainda m elhor, né, garota? — Lafay ette disse, pegando na ponta das unhas esm altadas.
Sam nada com entou. Ele ficou apenas encostado no balcão, e havia um a linha branca em torno de sua boca com o se ele estivesse m ordendo as bochechas por dentro.
Eu encarei-os todos, por m inha vez, forçando-os a engolir o assunto ou cuspi-lo.
Arlene foi a prim eira a reagir.
— Tudo bem , então. Melhor ele tratar você direitinho, ou vam os todos pegar as nossas estacas!
Todos conseguiram dar um a risada com isso, em bora ela saísse m eio fraca.
— E você vai fazer um a grande econom ia nas com pras de arm azém ! — Lafay ette ressaltou.
Mas, então, Sam arruinou o clim a de tentativa de aceitação dando um passo e pondo-se ao m eu lado e abaixando a gola de m inha cam isa.
Podia cortar-se o silêncio de m eus am igos com um a faca.
— Oh, que m erda — Lafay ette disse, bem suavem ente.
Olhei direto para os olhos de Sam , pensando que nunca o perdoaria por ter-m e feito aquilo.
— Não toque em m inhas roupas — eu disse a ele, afastando-m e e pondo a gola no lugar. — Não se m eta em m inha vida particular.
— Tem o por você, m e preocupo com você — ele disse, enquanto Arlene e Charlsie rapidam ente procuraram outras coisas para fazer.
— Não, você não está preocupado não. Você está é ficando louco de pedra. Escute bem , cara. Você nunca entrou na fila.
E eu m e afastei, cheia de orgulho, para enxugar a fórm ica de um a das m esas. Depois, recolhi todos os saleiros e os enchi novam ente. Verifiquei os vidrinhos de pim enta-do-reino e garrafas de pim enta verm elha em cada m esa e reservado, e o m olho Tabasco, tam bém . E sim plesm ente continuei trabalhando, m antendo os olhos erguidos e, pouco a pouco, a atm osfera foi ficando m enos tensa.
Sam voltou a seu escritório para m exer em papéis ou algo assim . Eu não m e im portava com o que fizesse, contanto que guardasse suas opiniões só para si. Eu ainda sentia que ele rom pera a cortina de um a área privada de m inha vida quando expusera m eu pescoço, e não o tinha perdoado. Mas Arlene e Charlsie tinham encontrado trabalho para fazer, tal com o eu, e quando a turba de depois do expediente com eçou a aparecer, estávam os de novo harm onizados uns com os outros.
Arlene foi ao banheiro das m ulheres com igo.
— Ouça, Sookie, eu tenho que perguntar. Os vam piros são com o todo m undo diz, no departam ento do am or?
Eu só dei um sorriso.
Bill veio ao bar naquela noite, depois que escureceu. Eu trabalhei até m ais tarde, j á que um a das garçonetes da noite tinha tido um problem a com o carro. Num m inuto ele não estava ali, e no m inuto seguinte estava, vindo devagar para que eu pudesse notar que ele estava chegando. Se Bill tinha algum as dúvidas quanto a tornar nossa relação um a coisa pública e notória, não as dem onstrava. Ele tom ou a m inha m ão e beij ou-a num gesto que, feito por algum a outra pessoa, pareceria falso dem ais. Senti o toque de seus lábios nas costas da m inha m ão num arrepio que foi até a ponta dos m eus pés, e eu sabia que ele notava a m inha sensação.
— Com o você está hoj e? — ele m urm urou, e eu trem i.
— Um pouquinho… — Descobri que não conseguia encontrar palavras.
— Você m e conta depois — ele sugeriu. — A que horas você sai?
— Assim que Susie chegar.
— Venha à m inha casa.
— Certo. — Sorri para ele, sentindo-m e radiante e de cabeça leve.
E Bill sorriu para m im , em bora, por m inha proxim idade tê-lo afetado, seus caninos estivessem um pouco salientes, e talvez para ninguém além de m im o efeito fosse um pouco… perturbador.
Ele se curvou para m e beij ar, só um pequeno roçar em m eu rosto, e virou-se para sair. Mas, bem naquele m om ento, a tranquilidade da noite foi toda para o brej o.
Malcolm e Diane entraram , escancarando a porta e irrom pendo com o se fizessem um a entrada triunfal, e certam ente, estavam fazendo. Pensei onde Liam poderia estar. Talvez estacionando o carro. Seria dem ais esperar que eles o tivessem deixado em casa.
O pessoal de Bon Tem ps j á estava se acostum ando com Bill, m as o exótico Malcolm e a ainda m ais exótica Diane causaram um com pleto alvoroço. Meu prim eiro pensam ento foi que a coisa de m odo algum aj udaria as pessoas a se acostum arem com Bill e eu.
Malcolm usava calças de couro e um a espécie de cam isa-arm adura feita de correntes. Parecia algum a coisa saída da capa de um disco de rock. Diane estava usando um a espécie de corpete de ly cra verde-lim ão ou algum a outra roupa m uito leve e colante. Eu tinha certeza de que poderia contar seus pelos púbicos, se quisesse. Os negros não iam m uito ao bar do Merlotte, m as, se algum negro estivesse absolutam ente em segurança ali, esse era Diane. Eu vi Lafay ette espiando lá da portinhola em franca adm iração, m isturada a um a boa dose de m edo.
Os dois vam piros gritaram com fingida surpresa quando viram Bill, com o se fossem bêbados dem entes. Até onde pude notar, Bill não estava nada feliz com suas presenças, m as parecia tentar adm inistrar a invasão com calm a, com o fazia com tudo.
Malcolm beij ou Bill na boca, e Diane fez o m esm o. Era difícil dizer qual dessas form as de saudação era considerada m ais ofensiva no bar. Seria conveniente que Bill expressasse repulsa, e o m ais rapidam ente possível, se quisesse ficar em boas relações com os habitantes hum anos de Bon Tem ps.
— Então, a sua pequena garçonete continua viva — Diane disse, e sua voz clara era audível no bar todo. — Não é espantoso?
— A avó dela foi assassinada na sem ana passada — Bill disse calm am ente, tentando dom inar o desej o que Diane sentia de arm ar um a cena.
Seus belos olhos lunáticos fixaram -se em m im , e eu gelei.
— É verdade? — ela disse e riu.
Ela fez isso. Ninguém iria perdoá-la, agora. Se Bill estava tentando encontrar um m eio de se entrincheirar, esse era o cenário adequado. Por outro lado, a aversão que eu sentia ir se form ando nos hum anos do bar poderia explodir e atingir tanto Bill quanto os renegados.
É claro… para Diane e seus am igos, era Bill o renegado.
— Quando é que alguém vai m atar você, querida? — Ela passou um dedo de unhas pontudas sob m eu queixo, e eu em purrei a sua m ão para longe.
Ela pularia sobre m im se Malcolm não houvesse agarrado a sua m ão, preguiçosam ente, quase sem m ostrar esforço. Mas eu vi a tensão aparecer no m odo com o se postou.
— Bill — ele disse em tom de conversa norm al, com o se não estivesse exercitando todos os m úsculos de que dispunha para im obilizar Diane — fiquei sabendo que esta cidade está perdendo seus incom petentes nativos num a quantidade terrível. E um passarinho lá em Shreveport m e contou que você e sua am iga aí estiveram no Fangtasia perguntando com qual vam piro as tietes assassinadas poderiam ter saído.
“Você sabe que é coisa que só tem que ficar entre nós e ninguém m ais — Malcolm continuou, e de repente seu rosto ficou tão sério que se tornou realm ente aterrador. — Há entre nós quem não queira ir a j ogos de beisebol e… (vi que parou para procurar em sua m em ória um a coisa que fosse repulsivam ente hum ana) churrascos! Nós som os Vam piros!” — Ele revestiu a palavra de m aj estade, de fascínio, e pude notar que um m onte de pessoas no bar estava sucum bindo ao seu encanto. Malcolm era inteligente o bastante para querer apagar a m á im pressão que ele sabia que Diane havia deixado, e ao m esm o tem po derram ar desprezo sobre aqueles de nós que estávam os envolvidos.
Eu pisei no peito de seu pé com todo o peso que pude j untar. Ele m e m ostrou seus caninos. O pessoal do bar piscou e despertou.
— Por que não cai fora daqui, m eu senhor? — Rene disse. Ele estava encostado desleixadam ente no balcão, com seus cotovelos ao lado de um a cervej a.
Houve um m om ento em que as coisas ficaram na corda bam ba, em que o bar poderia ter se afundado num banho de sangue. Nenhum de m eus com panheiros hum anos parecia com preender por com pleto o quanto os vam piros eram fortes, ou com o podiam ser im placáveis. Bill se colocou à m inha frente, um fato registrado por todos os cidadãos presentes no bar.
— Bem , j á que não som os queridos aqui… — Malcolm disse. Sua superm usculosa m asculinidade entrava em choque com a voz flauteada que ele subitam ente afetara. — Estas boas pessoas gostariam de com er carne, Diane, e fazer coisas bem hum anas. Sozinhas. Ou na com panhia de nosso ex-am igo Bill.
— Eu acho que essa garçonetezinha gostaria de fazer um a coisa bem hum ana com o Bill — Diane com eçou a dizer, quando Malcolm a pegou pelo braço e a conduziu para fora do am biente antes que ela pudesse causar m ais dano.
O bar todo pareceu estrem ecer coletivam ente quando eles saíram , e eu achei que era m elhor sair tam bém , m uito em bora Susie não houvesse aparecido ainda. Bill esperou por m im lá fora; quando eu lhe perguntei por que, respondeu que queria ter certeza de que eles tinham realm ente partido.
Segui Bill até a sua casa, pensando que tínham os nos livrado com relativa facilidade da visita dos vam piros. Eu m e perguntava por que Diane e Malcolm teriam aparecido por lá; pareceu-m e estranho que eles, viaj ando tão longe de casa, tivessem decidido, por capricho, aparecer no bar do Merlotte. Já que eles não faziam um esforço verdadeiro por ser assim ilados, talvez quisessem arruinar as possibilidades de êxito de Bill.
A casa dos Com ptons estava visivelm ente diferente daquela que eu vira pela últim a vez em que nela estivera, naquela noite revoltante em que eu encontrara os outros vam piros.
Os em preiteiros estavam realm ente executando as vontades de Bill, ou porque estavam com m edo dele, ou porque Bill pagava bem , eu não sabia. Talvez fossem as duas coisas. A sala de estar estava ganhando um novo forro e o novo papel de parede era branco, com um delicado padrão florido. Os pisos de m adeira firm e tinham sido lim pados, e brilhavam com o deviam brilhar originalm ente. Bill levou-m e até a cozinha. Estava vazia, naturalm ente, m as clara e anim ada, e tinha um a geladeira novinha em folha cheia de sangue sintético engarrafado (argh!).
O banheiro do piso inferior era enorm e.
Até onde eu sabia, Bill não usava banheiro; ao m enos para a função hum ana prim ária. Eu fiquei de olhos arregalados, espantada com o que vi.
O espaço para esse grande banheiro fora conseguido pela inclusão daquilo que inicialm ente fora um a despensa e de quase m etade da velha cozinha.
— Eu gosto de tom ar banho — ele disse, apontando para um claro boxe com chuveiro num canto. Era grande o bastante para dois adultos e talvez um anão ou dois. — E eu gosto de m e deitar na água quente. — Ele indicou a peça principal do aposento, um a espécie de banheira enorm e cercada por um a plataform a de cedro, com degraus dos dois lados. Havia vasos de plantas em todas as bordas. O aposento era o que se poderia ter de m ais sem elhante a estar no m eio de um a selva luxuriante no extrem o norte da Louisiana.
— O que é isso? — perguntei, perplexa.
— É um spa portátil — Bill disse orgulhosam ente. — Tem j atos que você pode aj ustar individualm ente para que cada pessoa tenha a pressão exata de água que desej a. É um a banheira quente — ele sim plificou.
— Tem assentos — eu disse, olhando para dentro.
O interior estava decorado com azulej os verdes e azuis. Havia com andos variados na parte de fora.
Bill os abriu, e a água com eçou a surgir.
— Talvez a gente possa tom ar um banho j untos? — Bill sugeriu.
Senti m eu rosto queim ar, e m eu coração com eçou a palpitar um pouco m ais depressa.
— Não poderia ser agora? — Os dedos de Bill tentavam abrir m inha cam isa bem no ponto onde ela entrava em m eus shorts pretos.
— Oh, bem … talvez. — Eu não conseguia olhá-lo nos olhos até que pensei em com o este… vam os dizer, hom em … tinha visto de m im m ais do que eu deixara que alguém , incluindo m eu m édico, visse.
— Você sentiu a m inha falta? — ele perguntou, suas m ãos desabotoando m eus shorts e m e despindo.
— Sim — eu disse prontam ente, porque eu sabia que era verdade.
Ele riu, até se aj oelhar para desam arrar m eus tênis.
— De que m ais sentiu falta, Sookie?
— De seu silêncio — eu disse, sem pensar m uito.
Ele ergueu os olhos para m im . Seus dedos pararam no ato de puxar a ponta do laço para afrouxá-lo.
— Meu silêncio — ele disse.
— Não ser capaz de ouvir seus pensam entos. Você não pode im aginar, Bill, com o isso é um a coisa m aravilhosa.
— Pensei que você fosse dizer outra coisa.
— Bem , senti falta dessa outra coisa, tam bém .
— Fale-m e disso — ele propôs, tirando m inhas m eias e passando as m ãos por m inhas coxas, puxando a calcinha e os shorts.
— Bill! Eu fico envergonhada — protestei.
— Sookie, não fique envergonhada com igo. Com igo é que você não deve ficar. — Ele estava em pé agora, despindo-m e de m inha cam isa e tocando-m e nas costas para soltar m eu sutiã, passando suas m ãos sobre as m arcas que as alças tinham feito em m inha pele, ficando atento aos m eus seios. Ele tirou suas sandálias.
— Tentarei — disse, olhando para os m eus próprios dedos do pé.
— Tire a m inha roupa.
Eu podia fazer aquilo agora. Desabotoei sua cam isa rapidam ente e tirei-a, colocando-a em seus om bros. Desafivelei seu cinto e com ecei a abrir o botão de suas calças. Era apertado, e eu tive que fazer esforço.
Pensei que fosse chorar se o botão não cooperasse m ais. Senti-m e desaj eitada e inepta.
Ele pegou m inhas m ãos e colocou-as em seu peito.
— Devagar, Sookie, devagar — e sua voz ficou suave e trêm ula.
Eu m e senti relaxando quase que centím etro por centím etro, e com ecei a afagar seu peito enquanto ele afagava o m eu, enrascando os pelos enrolados em m eus dedos e lam bendo delicadam ente seu m am ilo. Suas m ãos foram para trás de m inha cabeça e pressionaram suavem ente. Eu não sabia se os hom ens gostavam daquilo, m as Bill certam ente gostava, e daí passei para o outro. Enquanto fazia isso, m inhas m ãos retom aram o esforço para abrir o m aldito botão, e dessa vez ele se abriu sem dificuldade. Com ecei a tirar as suas calças, deslizando m eus dedos para dentro de sua cueca.
Ele m e aj udou a entrar no spa, a água espum ando em torno de nossas pernas.
— Quer que eu banhe você prim eiro? — ele perguntou.
— Não —, eu disse, sem fôlego. — Dê-m e o sabonete.