Netter Atlas de Anatomia Ortopédica

Jon C. Thompson · Capítulo 8 de 18

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Netter Atlas de Anatomia Ortopédica

CAPÍTULO 1: Ciência Básica

CAPÍTULO 1

 

 

Ciência Básica

 

Ossos

Articulações

Nervos

Músculos

 

OSSOS

ESTRUTURA COMENTÁRIO

OSSO

Função • Servem como pontos de xação para os músculos

• Proteção para os órgãos (p. ex., crânio, costelas, pelve)

• Reservatório de minerais no organismo: 99% do cálcio do corpo é armazenado como cristais de hidroxiapatita

• Local de hematopoese

FORMA DOS OSSOS

Ossos • Formados pela ossi cação endocondral (exceto a

longos clavícula): centros de ossi cação primários (no

corpo – “diá se”) e secundários

• Possuem ses (“placas de crescimento”) em cada extremidade na qual ocorre o crescimento do osso em comprimento (metacarpais, metatarsais, falanges da mão e do pé apresentam, tipicamente, apenas uma se/lâmina epi sial) • Três partes dos ossos longos:

Diá se: o corpo, constituído por uma espessa

substância (osso) cortical, preenchida por medula óssea

Metá se: parte ampliada do osso perto da

extremidade, normalmente constituída por substância esponjosa (osso trabecular)

Epí se: extremidade (geralmente articular) do

osso, formada por centros de ossi cação

secundários

Ossos • Formados por ossi cação intramembranácea (p.

planos ex., pelve e escápula)

TIPOS MICROSCÓPICOS DE OSSOS

Tecido • Osso imaturo ou patológico; pouco organizado,

ósseo não apresenta orientação por linhas de estresse

primário (tensão)

(reticular) • Exemplos: ossos imaturos em crianças, calo

ósseo de fraturas; patológico: tumores

Tecido • Osso maduro; muito organizado, apresenta

ósseo formação/orientação por linhas de estresse

(tensão)

secundário • Tanto o osso cortical quanto o osso esponjoso

(lamelar) maduro (>4 anos de idade) são constituídos por

tecido ósseo secundário (lamelar)

 

ESTRUTURA COMENTÁRIO

ESTRUTURA DOS TIPOS DE OSSOS

Substância • Osso forte, denso: compõe 80% do esqueleto

compacta • Composto por vários ósteons (sistemas de

(cortical) Havers), com lamelas intersticiais intermediárias

• Os ósteons são constituídos por lamelas ósseas concêntricas com um canal central (canal de Havers) contendo osteoblastos (nova formação óssea) e uma arteríola para suprir o ósteon. As lamelas são conectadas por canalículos. Linhas cimentantes marcam o limite externo do ósteon (limite nal da reabsorção óssea)

• Canais de Volkmann: orientados radialmente, possuem arteríolas e conectam os ósteons adjacentes

• Uma substância cortical espessa é encontrada na diá se dos ossos longos

Substância • Estrutura entrelaçada, compõe 20% do esqueleto

esponjosa • Alta taxa de renovação óssea. O osso é

(trabecular) reabsorvido pelos osteoclastos nas lacunas de

Howship, e é formado por osteoblastos no lado oposto das trabéculas

• A osteoporose é comum na substância esponjosa, o que a torna suscetível a fraturas (p. ex., corpos vertebrais, colo do fêmur, extremidade distal do rádio, “platô tibial”)

• Comumente encontrada na metá se e na epí se dos ossos longos

COMPONENTE COMENTÁRIO

COMPOSIÇÃO ÓSSEA

O osso é constituído por vários componentes: 1. Orgânicos

(“matriz”: proteínas, macromoléculas, células); 2. Inorgânicos

(minerais, p. ex., Ca++); 3. Água

Inorgânico • Aproximadamente 60% do peso do osso (seco)

• Cristais de • Ca10(PO4)6(OH)2. Mineral primário no osso.

hidroxiapatita Adiciona resistência à força de compressão

• Fosfato de • “Bruxita” é um mineral secundário/menor do

cálcio osso

Orgânico • Também conhecido como “osteoide” antes de

sua mineralização; representa

aproximadamente 35% do peso do osso (seco)

• Colágeno • Colágeno tipo I dá resistência à força de

tração e constitui 90% do componente orgânico. A mineralização ocorre em lacunas na extremidade e ao longo das bras de

colágeno.

• • Macromoléculas compostas por um eixo

Proteoglicanos hialurônico com múltiplos glicosaminoglicanos

• Glicosaminoglicanos (GAG): compostos por uma proteína central com ramos de condroitino e queratan sulfato

• Dá ao osso resistência às forças de compressão

• Proteínas • A osteocalcina nº 1 é um indicador de

não colágenas aumento da remodelação óssea (p. ex., na

doença de Paget) • Outros: osteonectina e osteopontina

• Células • Osteoblastos, osteócitos, osteoclastos

Água • Aproximadamente 5% do peso do osso (varia

com a idade e localização)

 

O periósteo envolve o osso, é mais espesso em crianças e responsável pelo crescimento do diâmetro (largura/aposicional) dos ossos longos

CÉLULAS COMENTÁRIO

 

TIPOS DE CÉLULAS ÓSSEAS

Osteoblastos • Função: produzir matriz óssea (osteoide).

Sintetiza o colágeno tipo I e outras proteínas da matriz

• Revestem as superfícies do osso neoformado e seguem os osteoclastos nas cavidades de

reabsorção em forma de cone

• Receptores: PTH (paratormônio ou hormônio paratireóideo), vitamina D, glucoesteroides, estrogênio, PG, IL

Osteócitos • Osteoblastos que foram cercados por matriz

óssea. Representam 90% de todas as células ósseas

• Função: manter e preservar o osso. Os

prolongamentos celulares longos comunicam-se através dos canalículos

• Receptores: PTH (liberação de cálcio) e calcitonina (não liberação de cálcio)

Osteoclastos • Células grandes e multinucleadas derivadas da

mesma linhagem de células como os monócitos e macrófagos

• Função: quando ativos, usam a “margem ondulada ou pregueada” para reabsorver o osso; são encontrados nas lacunas de Howship

• Receptores: calcitonina, estrogênio, IL-1, RANK L. São inibidos por bifosfonatos

OSSIFICAÇÃO COMENTÁRIO

FORMAÇÃO ÓSSEA

A formação óssea (ossi cação) ocorre por três vias diferentes:

endocondral, intramembranácea, aposicional

Endocondral • O osso substitui o arcabouço de

cartilagem inicial (molde). Os osteoclastos removem a cartilagem, e os osteoblastos

produzem a nova matriz óssea, que se

mineraliza

• Típica em ossos longos (exceto a

clavícula) • Centros de ossi cação primários (na

diá se) normalmente desenvolvem-se no

período pré-natal

• Centros de ossi cação secundários

ocorrem em vários momentos após o

nascimento, geralmente na epí se

• O crescimento longitudinal na lâmina

epi sial ( se) também ocorre por

ossi cação endocondral

• Também encontrado em calos ósseos (de fratura)

Intramembranácea • O osso desenvolve-se diretamente a partir

das células mesenquimais sem o molde de cartilagem

• As células mesenquimais diferenciam-se

em osteoblastos, que produzem osso

• Exemplos: ossos planos (p. ex., os do

crânio) e clavícula

Aposicional • Os osteoblastos sintetizam uma nova

matriz/osso sobre o osso já existente

• Exemplo: crescimento do diâmetro

(largura) ósseo mediado pelo periósteo nos ossos longos

ESTRUTURA COMENTÁRIO

 

ANATOMIA DAS “FISES”

As “ ses” promovem o crescimento longitudinal nos ossos

longos. Ela é dividida em várias zonas, cada uma com uma

função diferente

• Há outra “ se” em cada epí se (de organização similar)

responsável pelo crescimento epi sial (e não longitudinal)

• Há também uma “ se” normalmente no local da apó se

imatura (p. ex., tuberosidade da tíbia) que se funde com a

maturidade óssea

Zona de • Células espassadamente organizadas produzem

reserva matriz abundante e armazenam metabólitos

Zona de • O crescimento longitudinal ocorre aqui com a

proliferação divisão dos condrócitos que se empilham

formando colunas

• A acondroplasia é resultado de uma disfunção desta zona

Zona de • Possui três subzonas. A função é preparar a

Hipertro a matriz para a calci cação e calci cá-la

Zona de • As células (condrócitos) amadurecem e

maturação aumentam de 5-10 vezes seu tamanho

Zona de • Os condrócitos morrem e os proteoglicanos são

degeneração degradados, o que permite a mineralização da

matriz

Zona de • A liberação de cálcio promove a mineralização

Ca++ da matriz cartilagínea (zona radiogra camente

provisório densa)

Metá ses

Esponjosa • Os osteoblastos produzem o tecido ósseo

primária primário (imaturo) sobre a cartilagem

calci cada

Esponjosa • Os osteoclastos removem a cartilagem e o

secundária tecido ósseo primário (imaturo); os osteoblastos

produzem um novo tecido ósseo

(secundário/lamelar)

Outras

Sulco de • Os condócitos periféricos permitem o

Ranvier alargamento/crescimento das “ ses”

Anel • Também chamado de “anel pericondral de La

pericondral Croix”. Fornece suporte periférico para as “ ses”

cartilagíneas

 

MINERAL COMENTÁRIO

METABOLISMO ÓSSEO

O osso desempenha um papel importante na manutenção

adequada dos níveis de cálcio e fosfato

Cálcio • O cálcio (Ca++) desempenha um papel importante

nas funções cardíacas, nervosas e do músculo esquelético.

• A necessidade na dieta normal é de 500-1.300 mg. Essa necessidade aumenta durante a gravidez, a lactação e na presença de fraturas

• 99% dos estoques de cálcio do nosso corpo estão nos ossos

• Os níveis de cálcio são diretamente regulados pelo PTH e pela vitamina D 1,25

Fosfato • Elemento importante para o componente

inorgânico/mineral (hidroxiapatita) do osso e para as funções metabólicas do corpo

• 85% do estoque de fosfato do nosso corpo situa-se nos ossos

HORMÔNIO COMENTÁRIO

 

REGULAÇÃO ÓSSEA

Paratormônio • O baixo nível sérico de cálcio provoca a

(PTH) liberação do PTH. O PTH liga-se: 1. osteoblastos

(que estimulam os osteoclastos a reabsorvem o

osso), 2. osteócitos (liberação de Ca++) e 3. rins (aumento da reabsorção de Ca++)

Vitamina D • A vitamina D da pele (luz UV) ou da dieta é

1,25 (OH) hidroxilada duas vezes ([25-fígado], [1–rim])

• A vitamina D 1,25, em razão dos baixos níveis séricos de cálcio, estimula sua captação no intestino e a reabsorção óssea

Calcitonina • Liberada quando o Ca++ sérico está elevado.

Inibe diretamente os osteoclastos (reabsorção óssea) e aumenta a excreção urinária nos rins, diminuindo, assim, os níveis séricos

Outros • Estrogênio, corticosteroides, hormônios da

hormônios tireoide, insulina, hormônio do crescimento

CONDIÇÃO COMENTÁRIO

ALTERAÇÕES METABÓLICAS

Hipercalcemia • Sintomas: constipação, náuseas, dor

abdominal, confusão, estupor, coma

1º Hiperparatireoidismo • Normalmente em razão de

adenoma da glândula paratireoide

e/ou superprodução do hormônio

PTH

2º Hiperparatireoidismo • Formação de “tumores marrons”.

Labs: aumento do cálcio sérico e

diminuição do fosfato sérico

• Malignidade (CA de pulmão produz

a proteína semelhante ao PTH),

síndromes de NEM

Hipocalcemia • Sintomas: hiper-re exia, tetania +

sinal(ais) de Chvostek/Trousseau,

papiledema

Hipoparatireoidismo • Níveis séricos de cálcio diminuem

em razão da queda da produção de

PTH

• Pode ocorrer após a tireoidectomia

com excisão inadvertida das

glândulas paratireoides

Osteodistro a renal • Devido a uma das muitas doenças

que resultam em insu ciência renal

crônica

Raquitismo/osteomalacia • De ciência na mineralização

adequada da matriz óssea (problema

qualitativo)

• Devido à de ciência de vitamina D (nutricional) ou a defeito de receptores (geralmente hereditário)

CONDIÇÃO COMENTÁRIO

ALTERAÇÕES METABÓLICAS

Osteoporose • Diminuição da massa óssea (problema

quantitativo). Mais comum em pacientes idosos

• 2 tipos: Tipo 1: mais comum, afeta a substância esponjosa (trabecular) (colo do fêmur, corpo vertebral, etc.); Tipo 2: relacionado com a idade, >70 anos de idade. Ambas as substâncias ósseas (esponjosa e cortical) são de cientes • A densitometria óssea de dupla energia (DEXA) é o padrão para análise. Reposição hormonal ou bifosfanato podem ser usados

Escorbuto • De ciência de vitamina C promove colágeno

defeituoso, resultando em diversos sintomas

Osteopetrose • “Doença óssea marmórea”. Disfunção dos

osteoclastos resulta no aumento exagerado da densidade óssea

Doença de • Atividade simultânea dos osteoblastos e

Paget osteoclastos resulta em ossos densos, porém

frágeis (quebradiços)

DESCRIÇÃO COMENTÁRIO

FRATURAS

Tipo/descrição • Transversa, oblíqua, em espiral, cominutiva,

segmentar, impactada, por avulsão

Deslocamento • Não desviada, minimamente desviada,

desviada

Angulação • Direção do fragmento distal (p. ex., desvio

dorsal) ou direção do ápice (p. ex., ápice volar)

Exposta versus • Exposta se o osso penetrou a pele resultando

fechada em uma ferida aberta (emergência cirúrgica

por causa do risco de infecção)

• Classi cação de fraturas expostas de Gustilo e Anderson (I, II, III a,b,c) é frequentemente utilizada

Outros • Por compressão: fratura do osso em razão de

uma força compressiva

• De Salter-Harris: fratura pediátrica

envolvendo a se ainda aberta (“placas” de crescimento)

• Em “galho verde”: fraturas pediátricas com rompimento somente de uma parte da

substância cortical

• Curvatura/em torus: fratura pediátrica envolvendo a impactação da substância cortical • Patológica: fratura resultante de um tumor ósseo ou doenças ósseas

FASE COMENTÁRIO

CONSOLIDAÇÃO DA FRATURA

A consolidação da fratura ocorre como um evento contínuo de

três fases: in amação, reparo (formação de calo) e

remodelamento

• Para consolidar, a maioria das fraturas necessita de um bom

suprimento sanguíneo (mais importante) e estabilidade

• A formação do calo não ocorre após a xação rígida das

fraturas (RAFI); em vez disso, a consolidação ocorre de maneira

primária/direta

• Tanto o tabagismo quanto os AINE inibem o reparo

ósseo/consolidação de fraturas

In amação • O hematoma desenvolve-se e fornece

células hematopoéticas/osteoprogenitoras. Formação do tecido de granulação

Reparo • Calo mole: células produzem o calo

cartilagíneo (mole) que une as extremidades do osso (pontes do calo)

• Calo duro: substitui o calo mole pelo tecido ósseo primário (imaturo/reticular) (ossi cação endocondral)

Remodelamento • O tecido ósseo primário (imaturo/reticular)

é substituído pelo tecido ósseo secundário (maduro/lamelar)

ARTICULAÇÕES

 

ESTRUTURA COMENTÁRIO

ARTICULAÇÕES

As articulações sinoviais (diartroses) são encontradas nas

extremidades de dois ossos adjacentes que se articulam

Cartilagem • Revestimento extremamente suave (quase sem

articular atrito) das extremidades ósseas que deslizam entre

si

• Pode ser lesionada levando à dor, degeneração ou disfunção

Osso • Osso denso de sustentação que é encontrado logo

subcondral abaixo da cartilagem articular

• Aparece radiodenso em radiogra as e tem sinal baixo (preto) na RM

Membrana • Membrana interna que reveste a cápsula articular

sinovial • “Produz” ( ltrando o plasma) a sinóvia

• As pregas sinoviais (“plicas”) formam-se normalmente, mas ocasionalmente podem se tornar patológicas

Cápsula • Camada externa envolve e mantém as

articular extremidades dos dois ossos na orientação corretas

• Espessamentos da cápsula (ligamentos

capsulares) mantêm a estabilidade da articulação

Sinóvia • Ultra ltrado do plasma ( ltrada pela membrana

sinovial)

• Constituída por ácido hialurônico, lubricina, proteinase e colagenases. A terapia de

viscossuplementação tem como objetivo substituir o ácido hialurônico da articulação

• Função: 1. Lubri cação da articulação. 2. Nutrição para a cartilagem articular (e

meniscos/CFCT etc.)

• A análise laboratorial é uma parte importante para o planejamento de procedimentos intra-articulares

Outros • As articulações muitas vezes possuem estruturas

adicionais em sua composição, incluindo

ligamentos (p. ex., LCA, LCP), tendões (p. ex., dos músculos bíceps braquial e poplíteo) e estruturas

de suporte (p. ex., menisco, CFCT, discos

articulares)

CARTILAGEM

Hialina • Encontrada na cartilagem articular das

articulações sinoviais e na cartilagem das “ ses” (cartilagem epi sial)

• Apresenta colágeno tipo II

Fibrosa • Encontrada no menisco, CFCT, disco vertebral,

disco articular (p. ex., articulação

acromioclavicular)

• Apresenta colágeno tipo I

ESTRUTURA COMENTÁRIO

LIGAMENTOS

Função • Unir dois ossos entre si (geralmente na

articulação [LCA] ou entre duas proeminências [supraescapular])

• Os ligamentos promovem estabilidade a uma articulação permitindo a amplitude de

movimentos siológica

Tipos • Ligmentos podem ser estruturas discretas (p. ex.,

LCA ou LCP)

• Muitos ligamentos são espessamentos da membrana brosa da cápsula articular (p. ex., o LTFA no tornozelo)

Inserção • 1. O tecido ligamentar (principalmente colágeno

tipo 1) xa-se à brocartilagem • 2. A brocartilagem xa-se à brocartilagem calci cada (a maioria das lesões ocorre aqui) • 3. A brocartilagem calci cada ( bras de Sharpey) xa-se ao osso/periósteo

Lesão • As lesões ligamentares periarticulares são

chamadas de “entorses” e classi cadas em graus de 1 a 3

Grau 1: estiramento do ligamento

Grau 2: ruptura parcial do ligamento

Grau 3: ruptura completa do ligamento

• Adultos tendem a sofrer as lesões com ruptura das bras do ligamento; as crianças apresentam mais lesões por avulsão

Tratamento • Dependendo do ligamento: 1. imobilização, 2.

sioterapia, 3. correção cirúrgica, 4. reconstrução

cirúrgica

Força do • Pediatria: o ligamento é mais forte que a se,

ligamento portanto, geralmente a se é lesionada. Entorses

são menos comuns

• Adultos: o ligamento é a parte mais fraca da articulação, portanto, as entorses são comuns • Geriatria: o ligamento é mais forte em

comparação com o osso que é mais frágil,

portanto, a fratura é mais comum do que a entorse

 

ESTRUTURA COMENTÁRIO

CARTILAGEM ARTICULAR

A cartilagem hialina reveste as extremidades intra-articulares dos

ossos

Função • Superfícies lisas (praticamente sem atrito) que

revestem as extremidades dos ossos que se articulam

• Permite a realização do movimento sem dor

• Avascular (nutrição a partir da sinóvia), sem inervação e sem drenagem linfática

Composição • Água: até 80% do peso. Alterações conforme

peso/compressão; diminui com a idade, aumenta com OA

• Colágeno: + 90% é do tipo II (também possui tipos V, VI, IX, X, XI); fornece resistência à tração • Proteoglicanos: fornece resistência à

compressão; diminui com a idade, permitindo o amolecimento

• Condrócitos: sustentam a cartilagem e produzem colágeno e proteoglicanos

Zonas • Super cial: camada delgada, possui bras com

(camadas) orientação tangencial (paralelas à superfície) e

resiste ao cisalhamento

• Intermediária: camada de tamanho moderado, possui bras com orientação aleatória/oblíqua • Profunda: camada espessa, possui bras com orientação vertical (perpendiculares à superfície) e resiste à compressão

• Linha de marcação: linha ultra na que separa a zona profunda da zona calci cada

• Zona calci cada: zona de transição que xa a cartilagem ao osso subcondral

Lesão e • A cartilagem articular é avascular; a capacidade

cicatrização de cicatrização é limitada, o que torna o

tratamento das lesões problemático

• Lesões que se estendem profundamente à linha de marcação podem cicatrizar com

brocartilagem (não hialina)

• A cirurgia de microfratura baseia-se na

estimulação e diferenciação das células

mesenquimais dentro do osso em condrócitos para que estes produzam brocartilagem, cicatrizando as lesões da cartilagem articular

ESTRUTURA COMENTÁRIO

OSTEOARTRITE

Fisiopatologia • Desgaste difuso, erosão ou degeneração da

cartilagem articular

• Microscopicamente: aumento do conteúdo aquoso, desorganização do colágeno e quebra de proteoglicanos

Etiologia • Primária: idiopática, sem outras causas

identi cáveis; comum em pacientes idosos • Secundária: devido a outras condições

subjacentes (p. ex., pós-traumática, displasia articular etc.)

Incidência • Tipo mais comum de artrite

• Comum em articulações de sustentação de peso (joelho nº 1, quadril), além da coluna vertebral, AIFD, AIFP e ACM do polegar

Sintomas • Agravamento da dor e incapacidade (a perda

da cartilagem articular permite que os ossos se articulem diretamente uns com os outros)

Radiogra as • 1. Estreitamento do espaço da cavidade

articular, 2. osteó tos, 3. esclerose subcondral, 4. cistos subcondrais

Tratamentos • Repouso, modi cação das atividades, AINE,

sioterapia (ADM), in ltração com esteroides,

artrodese ou artroplastia

ESTRUTURA COMENTÁRIO

 

ARTRITE INFLAMATÓRIA

Artrite • Doença autoimune que tem como alvo a

reumatoide articulação sinovial

• A sinovite crônica e a formação de pannus levam à degeneração da face articular e, por m, à destruição da articulação

• Mulheres 3:1; LABS: + RF, HLA-DR4; monócitos podem mediar o efeito da doença

• Manifestações extra-articulares múltiplas: ocular, nódulos na pele, vasculite

• Caracterizada por articulações quentes, doloridas com deformidade progressiva (p. ex., desvio ulnar dos dedos)

• Descobertas radiográ cas: 1. estreitamento do espaço articular, 2. osteopenia, 3. erosão

óssea/articular

• Tratamento: inicialmente medicamentoso, até chegar a estágios avançados que necessitem de reconstrução cirúrgica

Gota • Deposição de cristais de urato monossódico na

articulação/membrana sinovial

• LABS: nível sérico de ácido úrico elevado; análise sinovial: cristais birrefringentes negativos • Apresentação típica: artrite monoarticular (1ª AMTF nº1 local); sintomas podem ser autolimitados

• O tratamento consiste em indometacina (AINE) e colchicina

Pseudogota • Deposição de cristais de pirofosfato de cálcio

di-hidratado (PCDH) na articulação • Condrocalcinose (calci cação da cartilagem) também pode ocorrer (p. ex., calci cação do menisco)

• Artrite monoarticular no paciente idoso é a apresentação típica; mulheres > homens

• Análise sinovial mostra cristais birrefringentes fracamente positivos

Síndrome • Tríade: uretrite, conjuntivite e artrite. LABS:

de Reiter +HLA-B27

 

NERVOS

 

ESTRUTURA COMENTÁRIO

ANATOMIA DO NERVO

Neurônio • Célula nervosa composta de corpo celular

(localizado no gânglio sensitivo do n. espinal –

raiz posterior [GSNE] para bras aferentes e no corno anterior do “H” medular para as bras eferentes), dendritos (recebem o sinal), axônio (transmite o sinal), terminal pré-sináptico

Células da • Célula de Schwann produz mielina para revestir

glia o axônio; a mielina aumenta a velocidade da

condução

Nódulo de • É o espaço entre as células de Schwann; facilita a

Ranvier condução do potencial de ação/impulso nervoso

Fibra • Um único axônio. Três tipos: bras

nervosa mielínicas/grandes são rápidas, as pouco

mielínicas e amielínicas são lentas • As bras eferentes (axônios) transmitem sinais motores do SNC através do corno anterior para os músculos periféricos

• As bras aferentes (axônios) transmitem sinais sensitivos dos receptores periféricos via GSNE para o SNC

Fascículo • Grupo de bras nervosas envolvido pelo

perineuro

• Os fascículos juntam-se e dividem-se (formam os plexos) continuamente ao longo do trajeto do nervo

Nervo • Um ou mais fascículos revestidos pelo epineuro

periférico • A maioria dos nervos periféricos apresenta

fascículos motores e também sensitivos

Epineuro • Envolve todos os fascículos do nervo periférico;

protege e nutre os fascículos

Perineuro • Envolve fascículos individuais, promove ao nervo

periférico resistência à tração

Endoneuro • Envolve as bras nervosas (axônios); protege e

nutre as bras nervosas

Suprimento • Intrínseco: plexo vascular dentro do endoneuro,

sanguíneo perineuro e epineuro

• Extrínseco: vasos que entram no epineuro ao longo do seu trajeto

 

ESTRUTURA COMENTÁRIO

FUNÇÃO DO NERVO

Condução • Potencial de repouso: uma diferença polar é

nervosa mantida entre os ambientes intra e extracelular

• Potencial de ação: mudança na permeabilidade dos íons Na+ causa a despolarização das células, produzindo a condução do impulso

Estudo da • Medições da velocidade da condução nervosa,

condução utilizando uma combinação de eletrodos de

nervosa estimulação e registro

(ECN) • A velocidade pode ser reduzida pela

compressão ou desmielinização (lesão ou doença)

Receptores • Vários tipos: de dor, pressão, térmico, mecânico

etc.

• Corpúsculo de Pacine: pressão; Meissner: dinâmico 2 pontos (rápido); Merkel: estático 2 pontos (estático)

Transtornos • Guillain-Barré: fraqueza/paralisia motora

ascendente. Causada pela desmielinização dos nervos periféricos. Normalmente seguida de uma síndrome viral. A maioria dos casos é

autolimitada. Pode requerer IGIV

• Charcot-Marie-Tooth: transtorno autossômico dominante. Transtorno desmielinizante que afeta os nervos motores > sensitivos. Afeta

frequentemente os músculos bulares e

intrínsecos das mãos e dos pés: pés cavos, dedos (mão) em garra

LESÕES NERVOSAS

Classi cação • De Seddon: 3 categorias de lesão: neuropraxia,

axonotmese e neurotmese • De Sunderland: 5 graus (axonotmese

subdividido em 3, com base no endo, peri ou epineuro intactos)

Neuropraxia • Dano local da bainha de mielina

(frequentemente em virtude da compressão), axônio está intacto; não há degeneração distal

Axonotmese • Rompimento do axônio e da bainha de mielina,

o epineuro está intacto; ocorre degeneração walleriana

Neurotmese • Rompimento completo do nervo; prognóstico

ruim; o reparo cirúrgico do nervo é geralmente necessário

ESTRUTURA COMENTÁRIO

 

JUNÇÃO NEUROMUSCULAR

Junção • Sinapse do axônio do neurônio motor com o

neuromuscular músculo (placa motora)

• A acetilcolina (neurotransmissor) armazenada no axônio atravessa a fenda

sináptica e liga-se a receptores no retículo sarcoplasmático, levando à despolarização

Unidade • Todas as bras musculares são inervadas por

motora um único neurônio motor

Eletromiogra a • Avalia as unidades motoras para determinar

(EMG) se a disfunção muscular é proveniente do

nervo, da junção neuromuscular ou de seus próprios músculos. A brilação é anormal

Distúrbios • Miastenia grave: dé cit relativo de

receptores de acetilcolina, em razão da ligação competitiva dos anticorpos derivados do timo. O tratamento envolve a timectomia ou agentes antiacetilcolinesterase

 

MÚSCULOS

COMENTÁRIO

ANATOMIA MUSCULAR

Tipos de • Músculo liso (p. ex., túnica muscular do

músculo intestino), cardíaco e esquelético

• Músculo esquelético: sob o controle

voluntário; possui uma origem e uma inserção • Tipos: tipo I “de contração lenta” são

aeróbicos; tipo II “de contração rápida” são anaeróbicos

Músculo • Composto por múltiplos fascículos (feixes)

envolvidos pelo epimísio

Fascículo • Composto por várias bras (células)

(feixe) musculares envolvidas pelo perimísio

Fibra (célula) • Célula muscular alongada composta por

múltiplas mio brilas envolvidas pelo

endomísio

Mio brila • Composta por múltiplos mio lamentos

organizados de uma extremidade à outra, sem um tecido circundante

Sarcômero • Composto por lamentos interdigitais

espessos (miosina) e delgados (actina)

organizados em bandas

• O intervalo entre duas linhas Z de ne o

comprimento de um sarcômero

• Banda A: comprimento do lamento espesso, não muda com a contração

• Banda I (somente actina), banda H (somente miosina) e o comprimento do sarcômero

muda com a contração

Miosina • Filamento espesso; possui uma “cabeça” que

liga-se ao ATP e prende-se aos lamentos

delgados (actina)

Actina • Filamento delgado; xada nas linhas Z,

associada à troponina e tropomiosina

Troponina • Associada à actina e tropomiosina, liga-se

aos íons de Ca++

Tropomiosina • Molécula longa, situa-se no sulco helicoidal

da actina e bloqueia a ligação da miosina com actina

Retículo • Armazena íons de cálcio intracelular (nos

sarcoplasmático túbulos T), os quais são estimulados a liberá-

los durante a contração

 

COMENTÁRIO

CONTRAÇÃO MUSCULAR

Etapas • A contração é iniciada quando a acetilcolina se

liga aos receptores no retículo sarcoplasmático, despolarizando-os

• A despolarização causa liberação de Ca++, que se liga às moléculas de troponina. Essa ligação faz com que a tropomiosina se mova, permitindo que a cabeça da miosina ativada (ligada à ATP) se ligue à actina

• A quebra da ATP gera a contração dos lamentos (encurtamento dos sarcômeros) e a liberação dos

lamentos (actina e miosina) na preparação para

a repetição do processo

Tipos

Isotônica • A tensão/resistência muscular é constante

durante a contração

Excêntrica • O músculo alonga-se durante a sua contração.

Mecanismo de lesão comum (p. ex., ruptura do bíceps e quadríceps)

Concêntrica • O músculo encurta enquanto contrai

Isométrica • O comprimento do músculo é constante

(alteração da resistência)

Isocinética • O músculo contrai-se em velocidade constante;

melhor para o fortalecimento muscular

ESTRUTURA COMENTÁRIO

 

TENDÃO

Função • Fixação dos músculos aos ossos para que o

músculo possa realizar sua função

Anatomia • Vários formatos e tamanhos (longos, largos,

curtos, planos etc.)

Fibrila • Colágeno tipo I agrupado em micro brilas,

e a seguir em sub brilas, depois em brilas, envolvido pelo endotendão

Fascículo • Fibroblastos e brilas envolvidos pelo

peritendão

Tendão • Grupos de fascículos envolvidos pelo

epitendão

Inserção • Tecido tendíneo (basicamente colágeno

tipo I) xa-se à brocartilagem • Fibrocartilagem xa-se à brocartilagem calci cada ( bras de Sharpey)

• Fibrocartilagem calci cada ( bras de

Sharpey) xam-se ao osso/periósteo

Suprimento • Tendões vasculares possuem um paratendão

sanguíneo (sem bainha) que os envolve e fornece o

suprimento sanguíneo

• Tendões avasculares (com bainha) possuem vínculos tendíneos para fornecer o

suprimento sanguíneo

Junção • Transição do músculo para o tendão;

musculotendínea porção mais fraca do complexo miotendíneo;

é o local onde ocorre a maioria das lesões

COMENTÁRIO

COMPARTIMENTOS MUSCULARES

Músculos estão contidos dentro de espaços osteo brosos

(ossos/fáscias) conhecidos como compartimentos

Síndrome do • Resulta do aumento da pressão no interior do

compartimento compartimento osteo broso

• Etiologia variada (fratura/hematoma, edema, queimaduras, compressão etc.)

• O aumento da pressão oclui o suprimento sanguíneo para os compartimentos musculares • Sintomas: 5 sinais: dor (no estiramento passivo, mais sensível), parestesias, paralisia, palidez e ausência de pulso (achado tardio) • Exames físicos: compartimentos

rmes/tensos, +/– presença de alguns ou

todos os 5 sintomas; esse é o diagnóstico

clínico

• Dois métodos para testes de pressão

intracompartimental: 1. valor absoluto, 2. intervalo entre as pressões sanguíneas

diastólicas

• A liberação compartimental/fasciotomia é uma emergência cirúrgica para prevenir a necrose/contratura muscular

 

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