Nova Safo: Tragédia Estranha

Visconde de Vila Moura · Capítulo 17 de 18

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Nova Safo: Tragédia Estranha

Advertencia

O mar toava a mesma musica extranha...

Enquanto, do outro lado, rente ao Fortim, e eminente á escarpa, um moço marinheiro cantava. Era um maritimo trigueiro, de olhos de velludo e noite, guardados por pestanas longas, que desciam, mysteriosas, como gelosias, voz de levada, corpo flexuoso de ephebo da beira-mar, a reflectir nas linhas a belleza inconsciente dum Povo...

Pleno dia.

E a sua alma dolente, côr dos olhos, a desgarrar, em voz de levada, a Cantiga triste do vate-fidalgo:

Commigo me desavim:

Vejo-me em grande perigo!

Não posso viver commigo,

Nem posso fugir de mim!

Antes que este mal tivesse

Da outra gente fugia:

Agora já fugiria

De mim, se de mim podesse!

Que cabo espero, ou que fim

Deste cuidado, que sigo

Pois trago a mim commigo,

Tamanho imigo de mim.2

 

ADVERTENCIA

O rôlo de pergaminho, meio desdobrado sobre o bufete, em Mira-Mar, continha, em letra muito bordada, semelhante á dalguns manuscriptos do seculo XVI, o ultimo canto de Maria Peregrina— Elegia da Morte.