O Assassino de Macário: Comédia em Três Atos

Camilo Castelo Branco · Capítulo 102 de 155

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O Assassino de Macário: Comédia em Três Atos

Itelvina

Excellente separação de corpos a que já estou habituado!... Divorcio-me.

ITELVINA

E as provas? Pensas no divorcio? Cuidas que eu não previ já esse caso muito natural de me quereres escapar? Eu já li o teu codigo civil. Ninguem se separa sem provas e testemunhas; e tu nunca hasde arranjar testemunhas nem provas. Mulher mais terna do que eu, em publico, não hade haver segunda, heide acariciar-te, ameigar-te, se fôr preciso, que isso me não custa nada...

LIBORIO

(á parte) Irra! estou a sentir uns calefrios na espinha...

ITELVINA

Em publico, serás o meu amante, o meu heroe, o meu Deus! Serás um mortal ditoso e invejado!... possuirás uma gentilissima esposa, dedicadissima... e, se, um dia, ousares queixar-te de mim, se promoveres o divorcio, passarás por um monstro extraordinario, por um ignobil... malandro!

LIBORIO

(á parte) Isto é o José do Telhado disfarçado em mulher!

ITELVINA

(indo para Liborio que passa á esquerda) Mas o anjo das salas será o demonio dos lares! quero que a tua vida se teça de espinhos dilacerantes. Não entrarás em tua casa sem cahir n'uma esparrela! Não poderás sahir sem te palpitar uma desgraça imprevista. E este amor... este amor que me pedias, heide dál-o a outro!