O Assassino de Macário: Comédia em Três Atos
Sebastiana
Ah! sim, sim, esta manhan... então ainda eu me preoccupava com pieguices... Mas agora... (Ouve-se a campainha) Tocaram.
SEBASTIANA
Vou vêr. (Sahe pelo fundo).
ITELVINA
(só) Não póde ser meu pae nem meu marido... elles não tocavam. Se fôsse elle... ah! talvez seja... Macario! Quem sabe se a minha presença, despertando-lhe lembranças, acordou a sua paixão... Ah! se fôsse elle, se fôsse elle...
SEBASTIANA
(entrando pelo fundo. Traz uma garrafa, copos e um papel) Senhora, é um homem, enviado pelo snr. Macario, com este papel.
ITELVINA
(pegando no papel com anciedade) D'elle? dá cá, dá cá. (Passa para a direita, em quanto Sebastiana põe a garrafa e os copos sobre o gueridon. Á parte) Ah! não me enganei! Elle ama-me!... Triumpho, em fim!
SEBASTIANA
(á parte) Ella que terá?
ITELVINA
(lendo) «Anno do Nascimento de... 1885, aos 24 dias de... a requerimento...» Hein? papel sellado! (lendo) «A requerimento do snr. Macario dos Anjos, eu, official de justiça abaixo assignado, citei a snr.ª D. Itelvina Barnabé para pagar a quantia de 64$460 réis de porcellanas e crystaes quebrados, etc. etc. etc.» Ah!... (Cahe em uma cadeira á direita e fica silenciosa).