O Assassino de Macário: Comédia em Três Atos

Camilo Castelo Branco · Capítulo 14 de 155

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O Assassino de Macário: Comédia em Três Atos

Barnabé

Foi um poeta inspirado. Dê-me cá a muzica, ande!

BARNABÉ

Empresto-t'a para a estudares, de tarde, quando eu estiver a dormir a sésta... (Á parte). Mandem lá ensinar piano ás raparigas n'uma terra em que os poetas inspirados dizem ás meninas que se fazem ninhos nos trigos de Campanhan!... e que se aquecem os ovos... O Porto está peor que o Mexico a respeito de ovos e de ninhos...

SEBASTIANA

(entrando pelo fundo). Ainda havia agua quente. Ella aqui está (Dá-lhe a chocolateira).

BARNABÉ

Bem, vou para o meu quarto (Mudando de ideia). Mas, se estiveres quieta... Um pae póde escanhoar-se na presença da filha (Arranja os utensilios, e remeche o pincel na vasilha do sabonete).

ITELVINA

(a Sebastiana) Veio carta para mim?... de Braga?

SEBASTIANA

Não, minha senhora, o carteiro passou ha muito. (Sahe pela porta do fundo)

ITELVINA

(comsigo mesma) É espantoso! Ha trez dias que Macario foi para Braga, e nada de noticias! Se eu não tivesse inteira confiança no seu amor... Talvez uma catastrophe! Acontecem tantas desgraças nos caminhos de ferro!... (Vae agitadamente para o pae que lhe voltou as costas e se está barbeando) Meu pae! (com intimativa)