O Assassino de Macário: Comédia em Três Atos

Camilo Castelo Branco · Capítulo 150 de 155

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O Assassino de Macário: Comédia em Três Atos

Liborio

O senhor prestou-se a uma ridicula mistificação, uma fraude ultrajante, odiosa, só com o fim de dilacerar uma mulher.

LIBORIO

Não foi isso.

ITELVINA

Então que foi?

LIBORIO

O caso é este. Macario tinha-me dito o diabo a quatro da senhora. Ora eu tenho cá para mim que quanto mais mal se diz de uma mulher, mais se deseja ser amado d'ella. A alma do homem é assim formada de estupidez e capricho...

ITELVINA

Huum! (Depois de um curto silencio) Quer beber? (Enche o copo).

LIBORIO

(erguendo-se) Agradeço (vae á jardineira) Muito obrigado, querida senhora! (Bebe e torna a ir sentar-se, levando o copo).

ITELVINA

(tendo bebido) Sempre o senhor me collocou n'uma situação bem exquisita! Eu julgava-o o assassino de Macario; e, n'esta persuasão, o meu dever qual era? que me cumpria fazer?

LIBORIO