O Homem do Castelo Alto
Sobre o autor
Três pontos dão a m edida do talento de Philip K. Dick. O prim eiro é um certo núm ero de
qualidades essenciais, com o: capacidade de urdir um a intriga e desdobrá-la de m aneira com plexa, sem afetar a coesão da estrutura; faculdade de construir um am biente; criação de um diálogo convincente e sem pre pertinente; im aginação excepcionalm ente desenvolvida. O segundo é a m aneira quase alucinatória de dar detalhes referentes a qualquer m undo não real que ele resolva criar. O terceiro é a capacidade de retornar, tantas vezes quantas j ulgar necessário, a um tem a j á abordado num livro anterior, que ele sente não ter esgotado, e o resultado m ostra que ele tem razão. Seus principais tem as cíclicos são: o m undo vazio, ou sej a, um a sociedade em que as pessoas im portantes são reduzidas a um núm ero ínfim o; o exercício do poder, cuj o conceito subj acente parece ser a faculdade de agarrar a oportunidade no vôo, graças à determ inação e à m alícia; a ilusão substituindo a realidade, dissem inada, aliás, em toda a sua obra; a alucinação provocada pela ingestão de drogas, criando m undos im aginários sem saída; a m aleabilidade do universo exterior — o desej o do hom em de aceitar não um a "realidade" hipotética, no sentido kantiano do das Ding an sich, m as um a construção elaborada pelo efeito de idéias preconcebidas im plantadas no seu cérebro; finalm ente, o tem a desenvolvido em The Man in the High Castle: nossa existência e o universo inteiro são m anifestações de um substrato flutuante, um a cera virgem onde os hum anos vão im prim ir, por suas decisões e percepções, um a form a dotada de sentido só para eles.
Philip K. Dick nasceu em Chicago, em 1928, e vive atualm ente na Califórnia.
Apaixonado por m úsica, em pregou-se num a loj a de discos e produziu um program a clássico na estação de rádio KSMO, de San Mateo, Califórnia. Estudou na Universidade daquele Estado, m as não term inou o curso porque "havia gente dem ais fum ando e lendo o Daily Cal, o que não m e perm itia ouvir os professores". Com eçou a ler f.c. aos 12 anos em conseqüência de um engano: com prou Stirring Science Fiction em vez de Popular Science. Lia tam bém Joy ce, Kafka, Steinbeck, Proust, Dos Passos. Casou-se com Anne, que conheceu na loj a de discos, com prou um a casa, com eçou a escrever e a vender f.c, largou o em prego na loj a, continua ouvindo Monteverdi e Buxtehude m as passa a m aior parte do tem po lendo Ibsen e escrevendo. Adora gatos.
Para minha mulher Anne, sem cujo silêncio este livro nunca teria sido escrito.