O Retorno do Jovem Príncipe

A. G. Roemmers · Capítulo 1 de 23

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O Retorno do Jovem Príncipe

Algumas Palavras Introdutórias

 

Em um mundo devastado pela guerra, que perdia rapidamente toda a inocência e alegria de viver, um ousado piloto francês, Antoine de Saint-Exupéry, lançou um livro, O Pequeno Príncipe, que logo se tornaria um emblema universal desses valores perdidos.

Mais que o fogo inimigo, foi talvez a própria tristeza e o desencanto de Saint-Exupéry com a aparente perda da espiritualidade e da simplicidade em sua época que acarretaram seu prematuro desaparecimento sobre o Mediterrâneo.

Como muitos outros que leram O Pequeno Príncipe, eu também captei a simplicidade de sua mensagem e compartilhei a tristeza de Saint-Exupéry quando o herói-criança, que alcançara as profundezas de meu coração, foi obrigado a retornar a seu asteroide.

Somente muito mais tarde entendi como o ódio, a ignorância, os nacionalismos exacerbados, a falta de solidariedade e uma visão materialista da vida, entre muitas outras ameaças, tornariam impossível sua vida em nosso planeta.

Muitas vezes perguntei a mim mesmo, como você talvez tenha feito, o que aconteceria com criança tão especial se continuasse a viver entre nós. Como seria sua adolescência? Conseguiria preservar a inocência de seu coração?

Levei muitos anos para conseguir responder a essas perguntas e, mesmo assim, talvez as respostas que encontrei sejam válidas apenas para mim. Mas talvez (e esta é minha esperança) sirvam também para iluminar em parte o caminho da criança que trazemos dentro de nós.

É com o propósito de ajudá-lo a ser menos infeliz, caro leitor, que me atrevo a lhe trazer uma visão mais positiva de nossa época, neste início de um novo século e de um novo milênio.

Se você deseja ver fotos, lamento não poder satisfazer sua curiosidade. Há muitos anos não carrego máquina fotográfica ou câmera de vídeo em minhas viagens; na verdade, desde que notei que meus amigos se concentravam tanto nas imagens que já não prestavam atenção em minhas histórias. E é uma grave falha de minha parte não ter incluído alguns desenhos. Mais que uma envergonhada confissão de falta de talento artístico, porém, minha decisão resulta de um profundo respeito por sua liberdade de imaginação, caro leitor. Espero que você consiga enxergar através de minhas palavras como o Pequeno Príncipe era capaz de enxergar o carneiro na caixa — sem no entanto levar minha história muito a sério.

Espero também que você me perdoe a inclusão de pensamentos e considerações que me vieram à mente quando os eventos ocorreram, cuja existência eu quis deixar registrada ao recontar a história.

Dito isso, vou relatar o que aconteceu, exatamente como aconteceu.

Caso esteja se sentindo muito só, caso seu coração ainda seja puro, caso seus olhos ainda conservem o deslumbramento de uma criança, você descobrirá, enquanto lê estas páginas, que as estrelas lhe sorriem e que você poderá ouvi-las como se fossem 500 milhões de sinos.