Orpheu Nº 1: Revista Trimestral de Literatura

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Orpheu Nº 1: Revista Trimestral de Literatura

*A Inegualavel*

 

 

Ai, como eu te queria toda de violetas

E flébil de setim…

Teus dedos longos, de marfim,

Que os sombreassem joias pretas…

E tão febril e delicada

Que não podesses dar um passo—

Sonhando estrelas, transtornada,

Com estampas de côr no regaço…

Queria-te nua e friorenta,

Aconchegando-te em zibelinas—

Sonolenta,

Ruiva de éteres e morfinas…

Ah! que as tuas nostalgias fôssem guisos de prata— Teus frenesis, lantejoulas;

E os ócios em que estiolas,

Luar que se desbarata…

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Teus beijos, queria-os de tule,

Transparecendo carmim—

Os teus espasmos, de sêda…

—Água fria e clara numa noite azul,

Água, devia ser o teu amor por mim…

 

Lisboa 1915—Fevereiro 16