Orpheu Nº 1: Revista Trimestral de Literatura
Morte de Salomé
Apagaram-se bronze os círios que sonhara. Erguidos no seu Ser, sentidos-mausoléus. O palácio, no parque, era um olhar de Deus E as salas do palácio, os bailes que bailara.
Ela, taça caída em uma orgia infinda,
Taça vencida de Alma em pálios afastados. Seu Corpo tinha sido algum dos seus bailados, E a sua própria Morte era um bailado ainda.
Eram as suas mãos rainhas em impérios
Onde passavam reis com séquitos mistérios, Adagas de marfim erguidas noutras mãos.
Seu Corpo, cinto de oiro ao seu redor, dormindo, Um hálito de Deus sôbre missais caindo, Cinza de Alma rezando outros Jesus, pagãos.