Orpheu Nº 1: Revista Trimestral de Literatura
Recordando
Sinto as cores, de noite, terem mêdo
E acolherem-se à sombra do teu luto.
Eu fui um rei dos godos, que em Toledo
O Tejo adormeceu e ainda escuto.
Cercam-se de oiro as salas que habitei,
Oiro-cinza esquecido, oiro dormente.
E em minha Alma, na qual inda sou rei
Scismo tronos caindo lentamente.
Buscam-me pagens tristes nos caminhos. E a minha lenda em sonhos pergaminhos Vai escrevendo em silêncio o meu scismar.
São outros os domínios que vivi
Todas as coisas que eu outrora vi
Regressaram mistério ao meu olhar.