Orpheu Nº 1: Revista Trimestral de Literatura
Ver-Te
Estendi os meus braços p'ra abraçar-te
E entre nós uma porta se cerrou.
Um sôpro de rubins em mim voou,
Sôpro que permitiu poder sonhar-te.
Saía a tua sombra p'las janelas
E perdia-se, ao largo, em arvoredos…
Os meus dedos scismando caravelas,
Eram prolongamentos dos teus dedos.
Num parque de oliveiras te sonhei
Erguendo-te do oiro que queimei
Nas ânforas do templo do meu Ser.
Parece que te vejo e tu estás longe…
Afastei-me de mim para ser monge…
Meus olhos são a sombra de te ver!