Orpheu Nº 1: Revista Trimestral de Literatura

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Orpheu Nº 1: Revista Trimestral de Literatura

*Apoteose*

 

 

Mastros quebrados, singro num mar d'Ouro Dormindo fôgo, incerto, longemente…

Tudo se me igualou num sonho rente,

E em metade de mim hoje só móro…

São tristezas de bronze as que inda chóro— Pilastras mortas, marmores ao Poente…

Lagearam-se-me as ansias brancamente Por claustros falsos onde nunca óro…

Desci de mim. Dobrei o manto d'Astro,

Quebrei a taça de cristal e espanto,

Talhei em sombra o Oiro do meu rastro…

Findei… Horas-platina… Olor-brocado…

Luar-ansia… Luz-perdão… Orquideas pranto…

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

—Ó pantanos de Mim—jardim estagnado…

 

Paris 1914—Junho 28

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