Orpheu Nº 1: Revista Trimestral de Literatura
Pagão
… Lembro-me então de mim. Rezo-me longe. Scismo. E o lembrar-me de mim são os meus passos idos. Arqueia-se em azul meu próprio misticismo E eu fico apenas Côr sôbre vitrais vencidos.
O teu hálito é luz em candelabros velhos
Aos cantos dos salões onde me vejo a orar, E os teus passos de Dôr são um quebrar de espelhos. Quando te quero ver, morres no meu olhar.
Abraço-me chorando. O teu morrer é vêr-me, Oiro de asas em Tule, ardendo antiguidade— E o ter-te visto morta, o mêdo de perder-me.
Procuro-me em silêncio e oiço-me em teus passos. Sôbre altares pagãos ergo-me divindade
E Isis dorme meu Ser em cortinados lassos!