Orpheu Nº 1: Revista Trimestral de Literatura
*Salomé*
Insónia rôxa. A luz a virgular-se em mêdo, Luz morta de luar, mais Alma do que a lua… Ela dança, ela range. A carne, alcool de nua, Alastra-se pra mim num espasmo de segrêdo…
Tudo é capricho ao seu redór, em sombras fátuas… O arôma endoideceu, upou-se em côr, quebrou… Tenho frio… Alabastro!… A minh'Alma parou… E o seu corpo resvala a projectar estátuas…
Ela chama-me em Iris. Nimba-se a perder-me, Golfa-me os seios nus, ecôa-me em quebranto… Timbres, elmos, punhais… A doida quer morrer-me:
Mordoura-se a chorar—ha sexos no seu pranto… Ergo-me em som, oscilo, e parto, e vou arder-me Na bôca imperial que humanisou um Santo…
Lisboa 1913—Novembro 3