Orpheu Nº 2: Revista Trimestral de Literatura
Sob os Teus Olhos Sem Lagrimas
SOB OS TEUS OLHOS SEM
LAGRIMAS
Ah! não dirás por certo que não te amei, que não soffri! —Foi-me a tua alma assim como um salão deserto onde, uma noite, me perdi.
Um ramo de violetas fenecia em cada movel amortalhado pelo pó; a purpura das cortinas, rubra, estremecia presa a cada janella. Eu hesitava, só.
—E era meu coração, por ti quasi ferido, á duvida infantil que o emmudecera já, um velho piano adormecido que ninguem mais acordará.
EDUARDO GUIMARAENS.