Orpheu Nº 2: Revista Trimestral de Literatura

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Orpheu Nº 2: Revista Trimestral de Literatura

*Iv*

Que pandeiretas o silencio d'este quarto!… As paredes estão na Andaluzia…

Ha danças sensuaes no brilho fixo da luz…

De repente todo o espaço pára…,

Pára, escorrega, desembrulha-se…,

E num canto do tecto, muito mais longe do que elle está, Abrem mãos brancas janellas secretas

E ha ramos de violetas cahindo

De haver uma noite de primavera lá fóra

Sobre o eu estar de olhos fechados…

 

*V*

Lá fora vae um redemoinho de sol os cavallos do carroussel… Arvores, pedras, montes, bailam parados dentro de mim… Noite absoluta na feira illuminada, luar no dia de sol lá fóra, E as luzes todas da feira fazem ruido dos muros do quintal… Ranchos de raparigas de bilha á cabeça

Que passam lá fóra, cheias de estar sob o sol, Cruzam-se com grandes grupos peganhentos de gente que anda na feira,

Gente toda misturada com as luzes das barracas, com a noite e com o luar,

E os dois grupos encontram-se e penetram-se Até formarem só um que é os dois…

A feira e as luzes da feira e a gente que anda na feira, E a noite que pega na feira e a levanta no ar, Andam por cima das copas das arvores cheias de sol, Andam visivelmente por baixo dos penedos que luzem ao sol, Apparecem do outro lado das bilhas que as raparigas levam á cabeça,