Orpheu Nº 2: Revista Trimestral de Literatura
Raul Leal.
Afastemos pois, a nossa carne. Se a satisfizéssemos, não, se satisfizéssemos o espirito que, só êle, através da carne atua, banalisar-nos-íamos, ao nosso drama daríamos um final burguez! Ele teria um fim, um limite determinado de que, em breve, as nossas almas se enfartariam decerto. Sejamos estétas, vivamos eternamente do desejo que, só êle, personalisa a alma, para a nossa vista espiritual gigantesca tornando-a!… É estranho o meu pedido mas, acaso, estranha não é a Vertigem da Existencia?…
Adeus!…
Luar.
Janeiro de 1913.
RAUL LEAL.
(Do livro inédito Devaneios e Alucinações.)