Orpheu Nº 2: Revista Trimestral de Literatura

Vários autores · Capítulo 5 de 34

Páginas do PDF

Orpheu Nº 2: Revista Trimestral de Literatura

*Poemas Inéditos*

DE

ANGELO DE LIMA

*CANTICO—SEMI-RAMI*

 

—Oh! Noute em Teu Amor Silenciosa!

—Oh! Estrellas na Noute, Scintillantes,

Como Ideaes e Virginaes Amantes!…

—Oh! Memoria de Amor Religiosa!…

—Já Fui… uma Creança Pubescente

Que des'brocha em Amor Inconsciente

Como n'um Vago Sonho… Commovente

Desabrocha uma Rosa Olorescente

—A Adolescente… Casta e Curiosa!

—E já Fui… a Galante com Requinte

Para dar-me, Esquivando-me em Acinte

De P'rigos da Ventura Cyspresinte

—Sensitiva… Ao Brisar, do Sol Orinte…

—A Nubente… Temente e Desejosa!

—E já Fui… a Noivada pelo Amante,

A Cingida de Abraço Palpitante,

Anxe do Sacrificio Inebriante!

—A Flôr que Quebra o Gyneceu… Hiante, —A Desvirgada… Grata e Dolorosa!

—Oh! Memoria de Amor Religiosa!

—Oh! Estrellas, na Noute, Scintillantes

Como Ideaes e Virginaes Amantes…

—Oh! Noute em Teu Amor… Silenciosa!

Já Fui… como a Senhora, sim, durante

Uns Tempos de Ventura Confortante

Nos Confortos de um Lar… Hoje Distante… —Como Dista, da Noute, um Paço Encante… Já Fui… uma Matrona Virtuosa!…

E já Fui… a Devota pelo Amor,

A Adulterin… que Trahe o seu Senhor!…

E a que sentiu Doer o Coração

Ao Fim de Tanta e Cada uma Vez

Por cada Intento só Colhêr Revez

Nas Esp'ranças da Sua Devoção!…

Oh! Noute! em Teu Amor Silenciosa!

Oh! Estrellas, na Noute, Scintillantes

Como Ideaes e Virginaes Amantes…

Oh! Memoria de Amor Religiosa!

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

E se Ha de Amor, algum Amor Eleito,

Aquella Tambem Fui, que Ninguem Fôsse, Que, n'um Mysterio, como o Inferno, Doce, Amei a Minha Filha, no seu Leito…

Sim, se Ha de Amor algum Amor Eleito,

Minhas Irmãs, Cingi-me ao Vosso Peito

E Ouvi-Me esta Memoria Dolorosa…

Já Fui Aquella que Perdeu a Esp'rança,

E Errou Espasma Noutes sem Termino,

Entre a Treva das Selvas Pavorosa,

Anxe em busca de Amantes do Destino…

—E A que Lembrou os Tempos de Creança!…

—E já Fui como a Sombra da Saudade

Amando a Lua, pela Immensidade!

—Oh Noute! em Teu Amor, Silenciosa!

—Oh Estrellas, na Noute, Scintillantes

Como Ideaes e Virginaes Amantes!

—Oh Memoria de Amor, Religiosa!…