Os Trabalhadores do Mar

Victor Hugo · Capítulo 98 de 103

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Os Trabalhadores do Mar

Livro Terceiro

—Ao meio-dia.

—Ao meio-dia hoje, é a enchente da maré. Tem contra si a maré.

—Mas tem vento de feição.

—Rapaz, disse mess Lethierry pondo o dedo index no cano da machina, vês isto? isto zomba do vento e da maré.

O rapaz pôz as cartas na algibeira, pegou outra vez no carrinho, e continuou a viagem para a cidade.

Mess Lethierry chamou:—Doce! Graça! Graça entreabrio a porta.

—Que ha, mess?

—Entra e espera.

Mess Lethierry pegou n'uma folha de papel e começou a escrever; se Graça, de pé atraz delle, fosse curiosa e esticasse o pescoço, poderia ler por cima do hombro, isto:

«Escrevo a Bremen para ver madeira. Tenho de fallar durante o dia aos carpinteiros para a avaliação. Vai ter á casa do decano para arranjar as dispensas. Desejo que o casamento se faça o mais cedo possivel, e já, será melhor. Estou tratando de Durande, trata tu de Deruchette.»

Datou e assignou Lethierry.

Não se deu ao trabalho de fechar a carta, dobrou-a simplesmente em quatro e deu-a a Graça.

—Leva isto a Gilliatt.

 

LIVRO TERCEIRO

 

A Partida do Cashmere