Os Trabalhadores do Mar

Victor Hugo · Capítulo 83 de 103

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Os Trabalhadores do Mar

Capítulo V

O escolho Douvres, no momento em que Gilliatt construia o quebra-mar, ouvia-lhes o galopo longinquo.

Já o dissemos, o Vento compõe-se de todos os ventos.

Acercava-se toda aquella horda.

De um lado, essa legião.

Do outro, Gilliatt.

 

V

 

GILLIATT PÓDE ESCOLHER

 

As mysteriosas forças escolheram bem o momento.

O acaso, se é que existe, é habil.

Emquanto a pança esteve guardada na angra do Homem, emquanto a machina esteve mettida no casco da Durande, Gilliatt foi inexpugnavel. A pança estava em segurança, a machina estava abrigada; as Douvres, que sustentavam a machina, condemnavam-n'a a uma destruição lenta, mas protegiam-n'a contra uma surpreza. Em todos os casos, ficava a Gilliatt um recurso. A machina destruida não destruia a Gilliatt. Tinha a pança para salvar-se.

Mas esperar que a pança estivesse fóra do ancoradouro, onde era inaccessivel, deixal-a pôr entre as Douvres, esperar que ella lá estivesse presa tambem pelo escolho, consentir que Gilliatt operasse o salvamento e o transporte da machina, não impedir esse maravilhoso trabalho, consentir nesse triumpho, esse era o laço. Via-se agora, como uma especie de lineamento sinistro, a sombria astucia do abysmo.