Promoção da cultura de notificação de incidentes em saúde

Celsa Raquel Villaverde Melgarejo · Capítulo 8 de 17

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Promoção da cultura de notificação de incidentes em saúde

6 - Intervenções educativas como estratégias para motivar a notificação espontânea de incidentes

6 - Intervenções educativas

 

como estratégias para motivar

 

a notificação espontânea de

 

incidentes

 

Um método amplamente utilizado em estudos que tratam da melhoria das notificações de incidentes, relatados na literatura, são as intervenções educativas (IEs), direcionadas principalmente aos médicos, enfermeiros e farmacêuticos, entre demais profissionais atuantes no nível terciário de atenção à saúde (Pagotto; Varallo; Mastroianni, 2013). Essas intervenções educativas visam reduzir as taxas de subnotificações, assim como ampliar o conhecimento entre os profissionais da saúde, melhorando a segurança e o uso racional de medicamentos.

As IEs compreendem desde aulas expositivas presenciais, realizações de workshop e palestras, elaboração e distribuição de cartilhas, estudo e avaliação de casos clínicos, até a aplicação de questionário para avaliar conhecimento, atitude e habilidade referente à notificação, em que foi possível detectar um aumento das notificações após as intervenções (Herdeiro, 2012; Lopez-Gonzalez, 2014; Khalili, 2012; Jha et al., 2014; Varallo; Planeta; Mastroianni, 2017).

Portanto, as IEs parecem ser eficazes (Biagi et al., 2013; Bisht; Singh; Dhasmana, 2014; Capucho; Primo, 2011; Cereza et al., 2010; Chopra; Wardhan; Rehan, 2011; Cucolo; Faria; Cesarino, 2007; Jha et al., 2014) quanto à melhoria do conhecimento e às atitudes de profissionais da saúde, bem como na percepção da importância em não só notificar, mas saber o quê, como, quando e quem pode notificar possíveis suspeitas de incidentes, assim como a mudança de atitude. Um sistema de educação contínua tende a promover a melhoria das taxas de subnotificações de eventos adversos a medicamentos (EAM) (Alshammari, 2015).

A revisão sistemática sobre métodos de IE pôde concluir que as

intervenções educacionais para a promoção da farmacovigilância pelos profissionais de saúde devem ser direcionadas a uma equipe multidisciplinar de saúde e incluir questões relacionadas à reação adversa a medicamentos (RAM), defeito técnico das tecnologias da saúde, erros de medicação e terapia ineficaz, e deverá utilizar técnicas multifacetadas na IE, como palestras, dinâmica de grupo (para praticar o preenchimento correto do cartão amarelo), distribuição de material educativo e certificados, e ainda oferecer uma educação continuada, assim como atualizar os profissionais de saúde a respeito do serviço da farmacovigilância (Capucho; Primo, 2011; Pagotto; Varallo; Mastroianni, 2013).