Promoção da cultura de notificação de incidentes em saúde
13 - Recomendações e medidas de prevenção de incidentes
13 - Recomendações e medidas
de prevenção de incidentes
São inúmeras as medidas de prevenção para os eventos listados anteriormente neste capítulo, porém, de maneira geral, elas são apresentadas sucintamente a seguir.
Recomendações para prevenção de
quedas
Quadro 21 – Medidas preventivas para evitar quedas.
Quedas
fatores causais Categoria de Medidas de prevenção e recomendações
Elaborar protocolos para prevenção de quedas levando em conta os medicamentos que podem influenciar; adotar medidas para estratificar o risco
Tarefa de queda e disponibilizar informações sobre o
risco por meio de linguagem acessível a todos; adotar pulseiras e placas quando do risco de queda.
Disponibilizar campainhas próximas da mesa de refeição; fazer substituição por camas com regulagem de altura; manter o ambiente com
Ambiente
luminosidade, limpo e seco; disponibilizar quantidades suficientes de cadeiras para banho e barras de proteção nos quartos.
Fonte: Boushon et al. (2012); Spoelstra; Given; Given (2012); Choi et al. (2011); Ireland et al. (2013); Tzeng (2011).
Quedas
Categoria de
Medidas de prevenção e recomendações
fatores causais
Adotar medidas de prevenção e explicar a
Paciente/familiar importância de seguir corretamente o que for
recomendado.
Organização de uma equipe multiprofissional centrada, capaz de avaliar riscos de queda do paciente; elaboração de folheto explicativo sobre
Gestão
risco de queda para ser entregue aos familiares; elaboração de protocolos de quedas; capacitar profissionais, oferecer treinamentos frequentes. Comunicar o risco de queda na passagem de plantão; sinalizar o paciente com risco de queda
Equipe nas prescrições eletrônicas; fazer comunicação
efetiva ao passar as informações de risco de queda, não apenas a pontuação da escala.
Fonte: Boushon et al. (2012); Spoelstra; Given; Given (2012); Choi et al. (2011); Ireland et al. (2013); Tzeng (2011).
Recomendações para prevenção de
lesões por pressão:
Quadro 22 – Medidas preventivas para evitar e reduzir a ocorrência
da LPP.
Lesão por pressão
Categoria de
Medidas de prevenção e recomendações
fatores causais
Elaboração de protocolos para prevenção de LPP
Tarefa levando em conta o grau da lesão e os
medicamentos necessários para tratá-los.
Paciente/familiar Colaborar na mudança de decúbito.
Fonte: National Pressure Ulcer Advisory Panel (2014).
Lesão por pressão
Categoria de
Medidas de prevenção e recomendações
fatores causais
Organização de uma equipe multiprofissional capaz de avaliar riscos de LPP; capacitar
profissionais, oferecer treinamentos frequentes e
Gestão
ter grupo de curativo eficaz; designar recursos para compra de dispositivos que minimizem risco de desenvolver LPP.
Comunicar com clareza as informações durante a passagem de plantão e o risco de LPP de cada
Equipe paciente; sinalizar o paciente com risco de LPP
nas prescrições eletrônicas; conscientizar-se sobre os cuidados prestados por plantões diferentes. Saber reconhecer os principais sintomas; ter conhecimento técnico-científico suficiente para distinguir os diferentes graus de lesão; realizar mudança de decúbito, conforme necessidade e
Colaborador prioridade; identificar quando é necessário o uso de dispositivos para prevenção de LPP; participar
de treinamentos oferecidos pela instituição; realizar a notificação de LPP adquirida ou quando há evolução do grau da lesão explicando seus fatores contribuintes.
Fonte: National Pressure Ulcer Advisory Panel (2014).
Recomendações e prevenção de
trocas de pacientes e identificação
inadequada
Quadro 23 – Recomendações para a correta identificação do
paciente.
Identificação correta do paciente
Categoria de Identificação correta do paciente
Medidas de prevenção e recomendações
fatores causais
fatores causais Categoria de Medidas de prevenção e recomendações Elaboração de protocolos para a correta Tarefa identificação de pacientes.
Sempre que possível, confirmar com o profissional
Paciente/familiar os procedimentos a serem realizados; não retirar a
pulseira de identificação do punho do paciente. Dispor de instrumentos adequados que
Ambiental identifiquem o paciente, como pulseiras duráveis e
laváveis.
Distribuir pacientes com nomes diferentes para
Equipe profissionais de saúde diferentes, não manter o mesmo profissional cuidando de dois ou mais
pacientes com o mesmo nome.
Uso de pelo menos dois estratificadores de identificação do paciente, como nome completo, data de nascimento, nome da mãe e número de prontuário; sempre perguntar o nome do paciente e não pedir para confirmar se ele é o paciente "X"; conferir a cada procedimento realizado o nome do
Colaborador paciente; quando o paciente realizar exame
diagnóstico ou transferência de ala, levar o prontuário junto; realizar notificação sempre que houver troca de um paciente por outro ou
circunstância de risco que contribua para a falha de sua identificação explicando seus fatores contribuintes.
Fonte: Ecri Institute, (2017); Oliveira et al. (2014).
Recomendações e prevenção para
cirurgias seguras
Quadro 24 – Medidas preventivas para cirurgias seguras.
Cirurgias seguras Cirurgias seguras
Categoria de Categoria de
Medidas de prevenção e recomendações Medidas de prevenção e recomendações
fatores causais fatores causais
Tarefa Elaboração de protocolos e checklist de cirurgia, conforme recomendado pela OMS.
Paciente/familiar Colaborar no preparo da cirurgia, realizar jejum
conforme protocolo e tipo de cirurgia.
Propiciar campanhas e treinamentos dos
Gestão profissionais para cirurgia segura e adesão ao
checklist.
Comunicar com clareza as informações
relacionadas à cirurgia e ao preparo a ser feito pelo paciente; conferir nome, local, lateralidade; conferir quantidade de instrumentos antes e após
Equipe
a cirurgia; conferir tira de medicamentos que serão utilizados durante o procedimento; verificar com o paciente o risco de broncoaspiração, perda sanguínea de grande volume e reação alérgica. Possuir conhecimento técnico-científico; adotar checklist de cirurgia segura; participar de
Colaborador treinamentos oferecidos pela instituição; realizar notificações de qualquer suspeita ou falha durante
a cirurgia; explicar sobre riscos e cuidados pré e pós-operatórios.
Fonte: CDC (2017); WHO (2005b, 2016).
Recomendações e prevenção de
perda de dispositivos invasivos
Quadro 25 – Medidas preventivas na perda de dispositivos
invasivos.
Perdas de dispositivos invasivos
Categoria de
Fonte: Castellões; Silva (2009); Santos; Lima (2015). fatores causais Medidas de prevenção e recomendações
Perdas de dispositivos invasivos
Categoria de
Medidas de prevenção e recomendações
fatores causais
Elaboração de planos de prevenção para perda de
Tarefa dispositivos; padronizar os cumprimentos das
tarefas disponíveis.
Reconhecer a importância da contenção física ou química em caso de pacientes agitados ou sob
Paciente/familiar
oscilações de delírio para que ele não retire o dispositivo.
Comunicar com clareza as informações durante a passagem de plantão e o risco de extubação ou retirada de sonda ou outros dispositivos;
Equipe
uniformizar as ações do profissional de medicina quanto à prescrição de contenções químicas e físicas.
Prevenir a retirada de dispositivos; participar de treinamentos oferecidos pela instituição; saber reconhecer e identificar riscos em que o paciente possa retirar o dispositivo; realizar notificação
Colaborador quando houver retirada de dispositivo pelo
paciente ou acidentalmente pelo profissional; orientar os pacientes e familiares acerca dos cuidados e riscos quanto ao uso de dispositivos invasivos.
Fonte: Castellões; Silva (2009); Santos; Lima (2015).
Recomendações e prevenção
associadas à ocorrência de infecção
de corrente sanguínea (ICS)
Quadro 26 – Recomendações para evitar ICS.
Infecção de corrente sanguínea
Categoria Infecção de corrente sanguínea
de fatores Medidas de prevenção e recomendações
Categoria causais
de fatores Medidas de prevenção e recomendações Elaboração de protocolos para prevenção de infecção Tarefa causais de corrente sanguínea.
Organização de uma equipe multiprofissional, enfermeiros, farmacêuticos e médicos, que contribua
Gestão para a redução de infecção e para a promoção de
campanhas de conscientização sobre o risco associado a dispositivos invasivos.
Reconhecer a importância da equipe de CCIH na
Equipe prevenção de infecções e aderir às recomendações
propostas.
Realizar assepsia correta das mãos a cada procedimento; selecionar o tipo de cateter apropriado à condição do paciente; selecionar o local da punção adequadamente; realizar fricção e preparo da pele com antisséptico; remover pelos com tesouras ou
Colaborador tricotomizador elétrico e não utilizar lâminas, pois
aumentam o risco de infecção; utilizar a técnica de non touch; estabilizar o dispositivo inserido; verificar a integridade das coberturas e fixadores, se estão limpos e secos; educar o paciente a reconhecer sinais e sintomas de infecção.
Fonte: Chopra et al. (2015); Gorski et al. (2016); Loveday et al. (2014); Marschall et al. (2014).
Recomendações e prevenção de
incidentes relacionados ao uso de
medicamentos
Quadro 27 – Medidas preventivas na redução de incidentes
relacionados a medicamentos.
Eventos relacionados ao uso de medicamentos Eventos relacionados ao uso de medicamentos
fatores causais Categoria de Categoria de Medidas de prevenção e recomendações Medidas de prevenção e recomendações fatores causais
Elaboração de protocolos para prescrição, dispensação, preparo e administração de
medicamentos; seguir diretrizes da Infusion
Tarefa Nursing Society para proceder o flushing e evitar a
mistura de medicamentos incompatíveis; realizar medidas de prevenção de risco quanto ao uso de medicamentos potencialmente perigosos. Educar o paciente/familiar sobre o uso de
Paciente/familiar medicamentos e riscos associados com a
automedicação.
Organização de uma equipe multiprofissional capaz de avaliar riscos inerentes ao uso de
Gestão medicamentos, especialmente à classificação de
MPP; capacitar profissionais, oferecer
treinamentos frequentes.
Evitar a interrupção no momento do preparo de medicação pela equipe de enfermagem; seguir
Equipe condutas já estabelecidas pela instituição; realizar conciliação medicamentosa; promover a cultura de
comunicação efetiva e aberta no ambiente de trabalho.
Fonte: Malcolm; Liu (2010); Néri et al. (2011); Brasil (2013c).
Eventos relacionados ao uso de medicamentos
Categoria de
Medidas de prevenção e recomendações
fatores causais
Proceder à conferencia dos "9 certos"; certificar-se da existência de alergias; conferir dados do paciente com o rótulo ou a prescrição; observar as características específicas do medicamento, tais como odor, coloração, data de validade; valorizar e redobrar a atenção quando da administração de
Colaborador MPP; registrar os medicamentos após a
administração; adotar a dupla checagem quanto ao uso de medicamentos potencialmente
perigosos; valorizar e redobrar a atenção ao preparar MPP e medicamentos com embalagens, sons e grafias semelhantes; verificar a
compatibilidade de medicamentos.
Fonte: Malcolm; Liu (2010); Néri et al. (2011); Brasil (2013c).
Recomendações e prevenção de
flebite
Quadro 28 – Medidas para prevenção de flebite.
Flebite
fatores causais Categoria de Medidas de prevenção e recomendações
Elaborar protocolos para prevenção de flebites
Tarefa levando em conta os medicamentos que podem
influenciá-la.
Aderir às medidas de prevenção e explicar a
Paciente/familiar importância da higienização quanto ao acesso
venoso.
Fonte: Gorski et al. (2016); Higginson; Parry (2011); Royal College of Nursing (2016).
Flebite
Categoria de
Medidas de prevenção e recomendações
fatores causais
Organização de uma equipe multiprofissional
Gestão centrada, capaz de avaliar riscos de flebite do paciente; capacitar profissionais, oferecer
treinamentos frequentes.
Comunicar na passagem de plantão o risco de flebite; sinalizar o paciente com risco de flebite nas
Equipe prescrições eletrônicas; fazer comunicação efetiva
ao passar as informações de risco de flebite e ou dificuldade com a rede venosa do paciente. Conscientização de profissionais sobre a
importância de avaliar o risco de flebite; saber reconhecer os principais sintomas; ter
conhecimento técnico-científico suficiente para saber os tipos de medicamentos flebogênicos; calcular infusão; saber determinar a velocidade de gotejamento; realizar a correta assepsia na inserção do dispositivo; trocar o acesso venoso a
Colaborador
cada 72 horas ou conforme necessidade; participar de treinamentos oferecidos pela instituição; realizar notificações de flebite discriminando seus fatores contribuintes; limitar tentativas de punção em caso de difícil acesso; realizar flushing e aspiração para verificar retorno sanguíneo e evitar complicações ou piora do quadro clínico do paciente.
Fonte: Gorski et al. (2016); Higginson; Parry (2011); Royal College of Nursing (2016).