Promoção da cultura de notificação de incidentes em saúde

Celsa Raquel Villaverde Melgarejo · Capítulo 14 de 17

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Promoção da cultura de notificação de incidentes em saúde

12 - Ferramentas da qualidade aplicadas no gerenciamento da segurança do paciente

12 - Ferramentas da qualidade

 

aplicadas no gerenciamento da

 

segurança do paciente

 

Os incidentes são investigados por meio da busca ativa a partir

das notificações de casos. Diversas ferramentas são utilizadas na avaliação e classificação de incidentes com o intuito de propor melhorias.

 

PDCA – Plan, Do, Check, Action

 

O ciclo de Deming ou PDCA é uma metodologia para controle de

melhoria contínua de processos e produtos, em que processos é uma sequência de ações que norteiam as atividades a serem desenvolvidas. É uma ferramenta gerencial para tomada de decisões e visa garantir o alcance das metas previamente estipuladas.

Figura 10 – Esquema ilustrativo do ciclo PCDA.

 

Fonte: Ebserh (2015).

 

Quadro 20 – Descrição do ciclo PCDA.

 

Fase do Ação Ferramentas ciclo

Fase do Ação Ferramentas ciclo

 

Diagnosticar

P Observar Brainstorming, gráficos, 5W3H.

Analisar Gráficos.

Planejar ação Brainstorming, Diagrama de Ishikawa

(Espinha de Peixe).

Fluxograma, HAZOP, 5W3H.

 

D Treinamentos, reuniões, capacitações, Executiva cronograma.

C Checagem Relatórios, gráficos. A Aprendizagem Manuais, reflexão, protocolos.

Fonte: Ebserh (2015).

 

RCA – Root and Cause Analysis

(Análise de causa raiz)

 

Com essa ferramenta é possível realizar uma análise mais abrangente dos incidentes, pois é composta de três etapas: identificação das causas diretas e da causa raiz, formulação de estratégias para prevenção de incidentes e desenvolvimento de planos de ação, avaliação da eficácia do plano de ação. Portanto, a RCA identifica os fatores relacionados à ocorrência dos eventos e sugere ações que possam preveni-los futuramente, reduzindo ou impedindo sua recorrência (Hinrichsen et al., 2011).

 

HFMEA – Healthcare Failure Mode and

Effect Analysis

Deriva da técnica FMEA, que teve origem nos anos 1940-1950

com militares norte-americanos, que objetivavam identificar falhas em equipamentos durante a Segunda Guerra, e é bastante utilizada na indústria. A técnica HFMEA foi adaptada para ser utilizada nas instituições de saúde, pois permite identificar e avaliar as potenciais falhas e seus efeitos antes que elas ocorram, ou seja, é um sistema preventivo com envolvimento de uma equipe multiprofissional.

Figura 11 – Modelo das etapas para aplicação do HFMEA.

 

Fonte: Adaptado de Derosier et al. (2002).

A avaliação de riscos e desenvolvimento de planos de ação

preventivos utiliza cinco etapas, classificando-as pela severidade dos efeitos e pela probabilidade de sua ocorrência.

 

Diagrama de Ishikawa (causa e efeito)

 

Nesta técnica investiga-se a relação do efeito com todas as

prováveis causas que levaram à ocorrência de um incidente, isto é, por meio de uma sessão de brainstorming com os envolvidos, considera-se todos os fatores causais que poderiam ter contribuído para a ocorrência de falhas.

Essa técnica, também denominada Espinha de Peixe, permite

elencar os fatores contribuintes de acordo com sua origem e reconhecer os diversos mecanismos envolvidos nos eventos. Entende-se por um fator contribuinte circunstância(s), ação(ões) ou influência(s) que desempenham um papel na origem ou no desenvolvimento de um incidente e/ou no aumento do risco, podendo levar à sua recorrência (Taylor-Adams; Vincent, 2004). Protocolo de Londres (PL)

 

Para entender a causa de um incidente ocorrido, primeiramente se faz necessário identificar os fatores que levaram às ações inseguras. Entende-se como atos inseguros o não monitoramento ou a não observação de suas ações, não buscar ajuda quando necessário ou tomar decisões erradas ou precipitadas.

O Protocolo de Londres tem como base a teoria de James Reason (Reason, 2000; Vincent, 2003), que propõe um modelo organizacional de acidentes, em que as ações inseguras estão atreladas às decisões advindas de gestores superiores, isto é, hierarquicamente de cima para baixo. Portanto, o ponto inicial para investigação é identificar falhas ativas que são ações inseguras que levam ao incidente de imediato. A partir disso, prossegue-se com uma busca ativa dos fatores que contribuíram para os atos inseguros, isto é, analisar as condições em que os erros ocorrem, bem como seu contexto organizacional.

Figura 12 – Adaptação do modelo de acidentes

organizacionais de James Reason.

 

Fonte: Taylor-Adams; Vincent (2004).

Na prática clínica, os fatores que podem influenciar e desencadear um incidente são aqueles relacionados: ao paciente, à tarefa, ao ambiente de trabalho, à equipe, pessoais, organizacionais e

gerenciais e ao contexto institucional (Quadro 6).

Originalmente, o protocolo foi desenvolvido para ser utilizado

especialmente nas áreas da aviação e indústria, fora da área da saúde; as análises de incidentes eram realizadas individualmente por cada gestor. Atualmente é possível utilizar o protocolo de modo individual ou em equipe, sendo este último o mais recomendado, pois serve para apurar um incidente detalhadamente e de forma rápida.

Vêm sendo considerado um instrumento importante na área da

saúde, principalmente em ambiente hospitalar, e também tem sido utilizado no ensino como ferramenta de compreensão e da dimensão a respeito dos cuidados necessários à saúde.

Figura 13 – Exemplo da espinha de peixe.

 

Fonte: Ebserh (2015).