Quatro Novelas

Ana de Castro Osório · Capítulo 2 de 13

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Quatro Novelas

II A Feiticeira

Um adeus, um último e enternecido adeus, e tudo tinha acabado.

Foi quasi com indiferença que de novo transpôs o muro, sorrindo para o pinhal que marulhava como as vagas de vagabundo mar, e que era o mesmo ainda. Esse não tinha mudado.

 

Quando o comboio se pôs em marcha para o internar de novo na sua vida do presente, depois daquella tentativa de viver pela recordação um passado sepulto, Luis sentia a impressão estranha de que a terra que deixava não era aquella em que tinha vivido uma tão importante época da sua vida.

Essa, parecia-lhe ter desaparecido completamente, como se a tivessem rasgado do mapa e a tivessem substituido por uma outra vila{34} burguesinha, cheia de sol e de gente palradora e vasia, a mexer-se e a dançar indefinitamente.

Quasi a dormitar seguia vagamente essa gente, ia escutar-lhe as palavras para rir do mesmo riso banal, e ficava silencioso, sem nenhuma impressão de alegria ou tristeza.

Depois... tudo se foi diluindo, aos poucos, e adormeceu profundamente, revendo de novo a terra antiga, com varandas revestidas de trepadeiras perfumadas, silencios religiosos, as arvores, as casas, os costumes, e a gente que era dantes...{35}

 

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A Feiticeira

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