Quatro Novelas
III Diario duma criança
A Maria, agora feiticeira conhecida e apontada por todos, já não canta nem vai ás romarias.{77}
Nos trabalhos do campo, as mulheres e as crianças afastam-se della apavoradas, e os homens, lamentando-a, não têm coragem de vencer esse pavôr.
Um brilho ardente de febre queima sempre os seus lindos olhos negros, que vagueiam inquietos, num mêdo doentio e tragico.
Atormentada de visões, mordida de maus olhados, mêses inteiros prêsa de delirios histericos, sente-se, na verdade, transportada nas azas do vento para sitios ermos em que luzinhas saltitam em rondas buliçosas, lobis-homens passam em cavalgadas doidas para se irem espójar nas encruzilhadas sinistras, moiras encantadas tecem em teares de oiro contando as saudades antigas da sua vida humana, e olharapos, duendes, lémures e trasgos povôam as noites horrificas de sabbat.{78}
{79}
III
Diario duma criança
{80}
{81}