Reflexões que permanecem: uma compilação

Flávio Gikovate · Capítulo 8 de 12

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Reflexões que permanecem: uma compilação

Mudar

 

Desejamos mudar, de fato, comportamentos que nos limitam, tais como os hábitos insalubres e as fobias, e efetivamente prejudicam nossa vida social e profissional. Seria conveniente incluir nesse pacote as propriedades que temos e

nos fazem sofrer mais que o indispensável e inevitável.44

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A incerteza é uma das características da nossa condição, quer gostemos de admitir isso ou não. Talvez valha a pena aceitar nossa realidade com mais

docilidade e ver o que podemos extrair de positivo dela.45

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Toda mudança tem como ponto de partida uma rigorosa autocrítica e uma avaliação sincera de como somos, dos malefícios que causamos a nós mesmos e/ou a terceiros e de como seríamos mais felizes se nos livrássemos de alguns de

nossos comportamentos.46

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Não há justificativa para uma pessoa medianamente dotada de inteligência e bom senso se acomodar a um contexto pobre apenas para se beneficiar de

pequenos ganhos secundários e fugir de medo das novidades.47

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Muitos são os que se entristecem o tempo todo com sua aparência física, com a falta de habilidade para práticas esportivas, com a pouca competência para atividades manuais, com os dotes verbais escassos ou o senso de humor precário, e várias dessas propriedades correspondem a uma forma peculiar da atividade cerebral que, creio, não convém pretender modificar. Nesse caso, mudar significa aceitar os fatos, não lutar contra eles. Mudar significa, portanto, alterar o modo como pensamos para que possamos aproveitar melhor a vida, viver com

mais harmonia e serenidade – e isso está longe de ser pouca coisa.48

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Cada um tem seu ritmo e, por vezes, as mudanças são mesmo difíceis, trabalhosas e lentas. O importante é o indivíduo se conscientizar de que mudar faz sentido, que há um porquê e um para quê bem consistentes, cujas recompensas sólidas trarão benefícios suficientes para contrabalançar as

eventuais perdas que a renúncia à situação atual implicar.49

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Se nossa razão está mais forte, ela pode se interpor a emoções que perturbam as mudanças, tais como a culpa indevida, os medos de diversas naturezas e pouco fundamentados na realidade, a vaidade excessiva, a preguiça e até mesmo o

amor.50

 

44 Mudar, p. 69.

45 Mudar, p. 47.

46 Mudar, p. 49.

47 Mudar, p. 77.

48 Mudar, p. 70.

49 Mudar, p. 77.

50 Mudar, p. 85.