Reflexões que permanecem: uma compilação
Ciúme
O ciúme é um fenômeno complexo e muitas são as pessoas que o relacionam com o nosso padrão cultural, até mesmo com a noção de propriedade privada típica do capitalismo. As explicações simplórias quase sempre são falsas e inúteis, uma vez que não ajudam as pessoas a lidar melhor com a questão. Mais simplório ainda é pensar que se pode combater o ciúme com palavras, com
discursos que se oponham a ele.13
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O ciúme não é prova de amor. Costuma acompanhá-lo, mas os ciumentos são os que estabelecem mais dependências práticas, e não os que mais amam. Assim, não cabe a excessiva tolerância de alguns para com esse sentimento. Trata-se de uma emoção inevitável, mas que deve ser objeto de administração e máximo
controle justamente a fim de preservar os legítimos direitos do amado.14
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[...] as pessoas que com mais frequência sentem ciúme não são, como regra, as que mais intensamente amam, mas as que mais temem perder o parceiro, o que corresponde, antes de tudo, à fraqueza pessoal e ao medo de lidar com
frustrações, dores e perdas práticas de todo tipo.15
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Acredito que a batalha contra o ciúme, que pode durar séculos, se inicia por um posicionamento claro e definitivo contrário a esse sentimento. Temos de parar de ter uma postura equívoca com relação ao ciúme, que em nenhuma condição é
bem-vindo.16
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[...] As pessoas que forem capazes de lidar bem com a incerteza tenderão a tolerar melhor o fato de que, também no amor, não existem garantias quanto ao
futuro.17
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[as] criaturas menos ciumentas, e por vezes menos autoritárias, não são, em hipótese alguma, as que amam com menos intensidade. São as que têm melhor domínio sobre si mesmas e mais controle sobre suas emoções, o que sempre tem de ser tratado como importante indicador de maturidade emocional, como coisa
louvável que deve ser incentivada.18
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O ciúme sentimental não tem nada que ver com o sexual. Ele viceja em todas as pessoas emocionalmente importantes para o parceiro: seus pais, irmãos, amigos íntimos e outros personagens com quem não existe a menor possibilidade de
existência de entusiasmo erótico.19
13 Para ser feliz no amor, p. 92.
14 Para ser feliz no amor, p. 97.
15 Ensaios sobre o amor e a solidão, p. 124.
16 Ensaios sobre o amor e a solidão, p. 132.
17 Ensaios sobre o amor e a solidão, p. 158.
18 Ensaios sobre o amor e a solidão, p. 161.
19 Para ser feliz no amor, p. 94.