Reflexões que permanecem: uma compilação
Sexo e sexualidade
As pessoas que vivem de acordo com a sexualidade não têm compromisso com seu passado sexual e podem se movimentar dentro do espectro das possibilidades da sexualidade livres e isentas de qualquer norma ou preconceito. Elas se fixarão em determinado território tanto em função de suas convicções e deliberações racionais como em decorrência de outro impulso que, na prática, se
sobrepõe ao erótico: o encantamento amoroso de ótima qualidade.51
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O fim das fronteiras rígidas entre os gêneros vem se manifestando em todas as esferas da vida familiar e social. Porém, isso ainda é incipiente e muitos são os
contextos em que há fortes ranços do tradicional.52
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Minha proposta, por ora difícil de ser implementada, seria a de um mundo sem preconceitos (não só os de natureza sexual) no qual o sexo fosse verdadeiramente lúdico. Isso significaria tratá-lo como uma brincadeira em que não cabem cobranças, preocupações com desempenho e medo de fracasso, e na qual podemos considerar que tudo que é de consentimento recíproco é igualmente legítimo. Nesse contexto, não há mais como usar termos como “homossexualidade”, “heterossexualidade” ou “bissexualidade”. Todos eles
passam a designar uma única condição: a sexualidade.53
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O amor impulsiona as pessoas para o estabelecimento de elos, ao passo que o sexo é o maior defensor da independência e do reconhecimento dos indivíduos
como seres únicos.54
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Penso que a maior parte das pessoas se diverte mais com suas fantasias eróticas – quando estas não envolvem sentimentos amorosos – do que com a prática sexual. Assim, não me espantam os dados recentes que mostram as pessoas cada vez menos interessadas no “sexo casual” e cada vez mais ligadas no “sexo virtual”, recheado de fantasias, onde acontece tudo do jeito e no ritmo que
desejam. Termina quando querem: basta apertar um botão.55
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A suposta libertação sexual acabou por intensificar tudo aquilo que pretendia combater. É como se tivéssemos enveredado por um caminho que está nos conduzindo para o abismo. Precisamos ter a humildade e a sabedoria de
reconhecer que convém começarmos tudo de novo, a partir do zero.56
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Acho excelente que o clima erótico seja positivo e a intimidade, gratificante para ambos. Porém, o convívio íntimo é apenas uma parcela do que se espera de um
relacionamento afetivo.57
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O desejo faz parte do domínio do facultativo, enquanto a necessidade corresponde ao que é obrigatório. Construímos desejos sobre necessidades, porém o essencial continua sendo a resolução destas últimas. O desejo sexual corresponde, pois, ao único que é genuinamente biológico, próprio e espontâneo
em todos nós.58
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Excitação não é o mesmo que desejo, pois desejo implica um objeto. [...] A excitação sexual corresponde a um fenômeno interno que acontece em nós mesmos – desencadeado ou não por pensamentos que envolvem outras pessoas.
O desejo sexual determina uma ação em direção ao objeto.59
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Até mesmo o ato de agradar o parceiro tem objetivos pessoais: faz bem a nós perceber que o outro se excita com as carícias que praticamos nele, já que nos sentimos excitados com a excitação do outro. Em outras palavras, a única coisa
que nos interessa é saber se estamos agradando.60
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O universo virtual está, do meu ponto de vista, ensinando muito sobre a verdadeira natureza da nossa sexualidade, especialmente seu caráter pessoal – o que inclui intensas sensações intermediadas pela estimulação da fantasia com imagens ou personagens com os quais nos conectamos apenas por alguns
minutos.61
51 Sexualidade sem fronteiras, p. 134.
52 Sexualidade sem fronteiras, p. 38.
53 Sexualidade sem fronteiras, p. 133.
54 A liberdade possível, p. 78.
55 Dá pra ser feliz... Apesar do medo, p. 75.
56 Sexo, p. 8.
57 Para ser feliz no amor, p. 28.
58 Sexo, p. 27.
59 Sexo, p. 27-28.
60 Sexo, p. 91.
61 Sexo, p. 148.