Reflexões que permanecem: uma compilação

Flávio Gikovate · Capítulo 11 de 12

Páginas do PDF

Reflexões que permanecem: uma compilação

Outras ideias

 

Defino paixão como a associação de um encaixe sentimental de enorme

intensidade com um medo de igual dimensão. Paixão = amor + medo!66

* * *

Buscar a verdade é um indicador de coragem para a introspecção, condição indispensável para conseguir avançar para o autoconhecimento e para a

liberdade.67

* * *

É por meio da constituição de indivíduos fortes e autossuficientes que, um dia, seremos capazes de criar uma vida grupal mais digna e mais justa. É da plena individuação, e não da fraqueza do amor regressivo, que nascerão as emoções e

as ações que tanto louvamos e ansiamos.68

* * *

Todas as emoções podem perturbar nossas reflexões e decisões, mas nenhuma

agirá de forma tão perigosa quanto a vaidade.69

* * *

Muitas de nossas verdadeiras propriedades, como a inveja, a vaidade e a agressividade, são negadas e vão para o porão do inconsciente, de onde influenciam dramaticamente a conduta real da maior parte das pessoas, mesmo

daquelas que se pretendem mais idealistas e despojadas.70

* * *

[...] acredito firmemente no fato de que os processos de mudança no nosso modo de ser e de viver são inexoráveis e que a revolução de costumes iniciada nos anos 1960 continua em vigor. Ela nos levará a um mundo novo, não obrigatoriamente melhor ou pior do que o antigo. Será o mundo possível, capaz

de conciliar nossa realidade interna com a nova ordem externa que aí está.71

* * *

Poderíamos nos satisfazer com uma única regra moral para as questões da vida

prática: temos de atribuir a nós mesmos e aos outros direitos iguais.72

* * *

O tempo relacionado às modificações de conduta deve ser medido em anos, e não em dias. Ou seja, não é prudente supor que uma conversa mais franca, algumas sessões de psicoterapia ou qualquer outro tipo de interferência no modo

de ser de uma pessoa provocarão rápidas alterações de conduta.73

* * *

O que presenciamos hoje em dia? Homens e mulheres pouco competentes para estabelecer relacionamentos amorosos baseados em afinidades, de modo que continuam a ser mais frequentes as alianças entre opostos, aqueles que se atraem mas não combinam. Falam em “almas gêmeas”, mas ainda procuram a “tampa”

para sua “panela”.74

* * *

A autoestima depende do juízo que faço de mim mesmo, ao passo que a vaidade depende da avaliação das outras pessoas. Enfocar a autoestima em vez da vaidade faz todo sentido, já que nos ajuda a depender menos da opinião e dos

aplausos dos outros.75

* * *

Acredito que as coisas nos acontecem tão logo estejamos prontos para elas, ou então pouco tempo depois de estarmos. Se não ocorrem antes, é porque não estamos realmente preparados, mesmo quando pensamos estar e nos impacientamos com a lentidão dos acontecimentos – de fato, a própria

impaciência é um indício de que não estamos suficientemente maduros!76

 

66 Mudar, p. 139.

67 A liberdade possível, p. 29.

68 Nós, os humanos, p. 148.

69 Nós, os humanos, p. 78.

70 A liberdade possível, p. 27.

71 Uma nova visão do amor, p. 39.

72 A liberdade possível, p. 223.

73 Uma nova visão do amor, p. 117.

74 Sexo, p. 88.

75 Dá pra ser feliz... Apesar do medo, p. 87.

76 Uma nova visão do amor, p. 98.