Reflexões que permanecem: uma compilação
Felicidade
[...] a felicidade é possível, mas ela depende de grande esforço, crescimento
individual, paciência e determinação.24
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O medo da felicidade corresponde à sensação de iminência de tragédia que acompanha nossos melhores momentos. É como se a grande desgraça viesse a se repetir: estávamos no útero, felizes, em harmonia e simbiose com nossa mãe; à
situação paradisíaca seguiu-se a dramática e dolorosa ruptura do nascimento.25
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O caminho para a felicidade sentimental é relativamente simples. Ele é rico em obstáculos, todos eles difíceis de ser superados, mas passíveis de ser ultrapassados – desde que se tenha ciência de como se formaram e de algumas
sugestões importantes para otimizar as chances de sucesso.26
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Vivemos a felicidade como um estado que aumenta as chances de sermos acometidos por todos os tipos de tragédia. É como se as pessoas felizes estivessem em pecado, ofendendo os deuses – além da inveja que despertam em
seus pares – e levando-os à ira.27
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Forte é aquele que cai do cavalo, suporta todas as dores dessa queda – inclusive, e principalmente, as da vaidade –, recupera-se do tombo e reconhece-se com forças para voltar a montar. Forte não é o que jamais caiu, pois não levará
tombos quem não montar.28
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É preciso ousar, tentar realizar os sonhos que elaboramos. Quem acha que não
terá condições de ousar e tratar de perseguir seus sonhos não deve construí-los.29
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[...] alegria não implica forçosamente felicidade nem mesmo quando ela é genuína. [...] Não devemos nos importar com a suposta felicidade alheia. As comparações entre os seres humanos estão sempre sujeitas a erros de avaliação – tanto por força das dissimulações dos que são objeto da comparação como por erros de avaliação por parte do que compara. O que é grave mesmo é que estaremos sempre comparando qualidades diferentes, uma vez que cada um de
nós é único – e, por isso mesmo, incomparável.30
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[...] o conceito de felicidade como um estado, como um contínuo, implica obrigatoriamente a presença de certa quantidade de dor e sofrimento. Nem a mais feliz das pessoas passará pela vida imune às dores inevitáveis e próprias da nossa condição. [...] Feliz não é o que não sofre e sim o que aceita, absorve e “digere” o mais rapidamente possível todas as adversidades que as circunstâncias vierem a colocar em seu caminho. Feliz é aquele que perde o menor tempo possível nas partes tristes do filme da vida – o que não significa
negligência nem superficialidade. [...]31
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Os que priorizam a razão e não as propriedades instintivas são os mais felizes.32
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[...] a sociedade de consumo conseguiu seu objetivo: produzir uma nova fonte de sofrimento relacionada com a falta de bens supérfluos. Lutamos de forma competitiva até à exaustão para ter acesso a bens de que só necessitamos para
que não nos sintamos tristes por não possuí-los. Vamos mal!33
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A revolta contra fatos irreversíveis é imaturidade emocional e autocondenação à infelicidade eterna. A aceitação de como somos nos permite elaborar os rumos
que deveríamos seguir.34
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Para viver em paz a maior parte do tempo e usufruir o maior número possível de momentos de felicidade, é essencial que o indivíduo consiga superar o egoísmo que lhe é característico. [...] Egoísmo e felicidade são, pois, condições
incompatíveis.35
24 Uma história do amor... Com final feliz, p. 157.
25 Uma história do amor... Com final feliz, p. 114.
26 Para ser feliz no amor, p. 14.
27 Uma nova visão do amor, p. 147.
28 Uma nova visão do amor, p. 157.
29 Mudar, p. 105.
30 Dá pra ser feliz... Apesar do medo, p. 30-31.
31 Dá pra ser feliz... Apesar do medo, p. 32.
32 Dá pra ser feliz... Apesar do medo, p. 116.
33 Dá pra ser feliz... Apesar do medo, p. 46.
34 Dá pra ser feliz... Apesar do medo, p. 120.
35 Dá pra ser feliz... Apesar do medo, p. 133-34.