Reflexões que permanecem: uma compilação

Flávio Gikovate · Capítulo 6 de 12

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Reflexões que permanecem: uma compilação

Individualidade

 

O amor, vivido como necessidade, escraviza e se contrapõe à liberdade.36

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Entre amor e individualidade, opto pela segunda. Faço isso ciente de que ela implica a morte do amor romântico, a meus olhos o grande vilão da história. O final é feliz porque determina a supressão de uma gama enorme de sofrimentos inúteis e dilacerantes. Libertos do anseio de fusão – que entendo como algo que aponta para o passado, e não para a frente –, indivíduos podem seguir seu

caminho na direção da autonomia e da liberdade.37

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Tenho definido liberdade como uma sensação subjetiva de alegria derivada do fato de o indivíduo se sentir em razoável coerência interior, vivendo de uma maneira que acredita ser a mais adequada para ele. O estado de alegria íntima pode ser considerado orgulho de si mesmo, talvez a forma de manifestação mais

consistente e respeitável da vaidade.38

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A verdade é que os avanços tecnológicos atiçaram ainda mais nossa individualidade. Aparelhos de MP3, computadores, DVDs, jogos para as crianças, tudo isso tem nos permitido, desde cedo, bom entretenimento solitário. Aprendemos cada vez mais a ficar sozinhos, a nos divertir com as máquinas, e poucos de nós estão dispostos a grandes concessões em favor do amor

tradicional, exigente e cheio de pressões que nos afastam de nossas vontades.39

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Individualismo é um termo que costuma provocar uma reação negativa na maior parte das pessoas porque parece sinônimo de egoísmo, o que não faz o menor sentido, uma vez que o egoísta costuma ser a favor dos grupos exatamente para

poder encontrar alguém a quem parasitar.40

36 A liberdade possível, p. 80.

37 Uma história do amor... Com final feliz, p. 160.

38 A liberdade possível, p. 17.

39 Uma história do amor... Com final feliz, p. 143.

40 O mal, o bem e mais além, p. 140.